Que venham hermanos, teilhabers e compagnons
Opinião | Por Erica em 3 de abril de 2009
Há muito pouco tempo se falava em protecionismo e foco no mercado interno. No entanto, uma outra possibilidade se abre no horizonte para a indústria brasileira. Empresas estrangeiras veem no Brasil um mercado promissor. E mais: os próprios órgãos de comércio exterior de países vizinhos e simpatizantes europeus estão buscando aproximações conosco.
Para se ter uma ideia, entre janeiro e início de abril deste ano, a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) deve receber a visita de 18 delegações estrangeiras para contatos comerciais. No mesmo período do ano passado, a entidade registrou oito visitas. Lembre-se: estamos falando de um período de dificuldades econômicas.
Outro dado relevante é o interesse de empresas alemãs no mercado brasileiro. A Câmara Brasil-Alemanha recebe anualmente cinco mil pedidos de sondagem por parte de empresas daquele país. Elas querem ser nossas parceiras – ou ” teilhaber” , como se diz em alemão. Hoje, muitas das máquinas que estão em nossas fábricas são importadas de lá .
Ainda na Europa, a “compagnon”, amiga, França tem demonstrado muita atenção nas feiras industriais que cá realizamos. Empresas desse país vislumbram negócios entre 2009 e 2010 nos mais diversos setores, da indústria de bens de capital à cosmética.
É importante atentar para nossa capacidade em receber esse contingente e administrá-lo, caso contrário, estaremos desequilibrando a balança e desprivilegiando nossa própria indústria.
Por outro lado, uma notícia que me chamou a atenção foi a ação de 60 empresas brasileiras que, nesta semana, desembarcaram no Chile para abrir negociação com nossos “hermanos”
O Brasil tem 40 tratados de livre comércio com o Chile. A intenção desse grupo é exportar produtos brasileiros para o mercado local e, em parceria, fabricar mercadorias destinadas a países como México, Estados Unidos, Japão e membros da União Europeia. Temos o presidente mais popular do mundo, como disse Barack Obama recentemente, mas não temos acordos de livre comércio com os países de economia mais forte .
No Chile estamos em busca de oportunidades para nossos equipamentos industriais e produtos metalúrgicos. Aos empresários que estão em terras vizinhas, meus votos de boa sorte.
Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.