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Procuram-se engenheiros industriais

Icone Artigo, Iniciativa, Investimento | Por Erica em 18 de janeiro de 2010

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Carlos Maurício de Paula Barros*

A palavra que definirá os novos investimentos do ano de 2010 será, provavelmente, infraestrutura. Cifras bilionárias são indispensáveis para preparar o Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, e tais investimentos vão beneficiar empresas de engenharia e deflagrar uma onda de contratações de profissionais especializados.
As obras prioritárias para a realização dos jogos no Brasil incluem melhorias nas áreas de mobilidade urbana, rede aeroportuária, hotelaria, saúde, saneamento e telecomunicações, entre outras. Haverá ainda a necessidade de reformar ou construir estádios para a realização das competições, bem como a adaptação do entorno dessas edificações. Os recursos que viabilizarão as obras estão previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) criado para a Copa pelo governo federal, e deverão bater a casa dos R$ 21,8 bilhões.

Com o país transformado em um grande canteiro de obras, o setor poderá enfrentar o percalço da falta de mão de obra, principalmente a especializada. Os engenheiros serão necessários em todo o processo produtivo, do projeto à manutenção, mas a profissão já está desfalcada antes mesmo desse aumento da demanda.

A Federação Nacional de Engenheiros (FNE) calcula que quase 30% dos alunos de engenharia abandonam o curso antes da formatura. Os motivos são variados: desde a defasagem de alguns currículos universitários em relação à demanda do mercado até a dedicação exigida ao estudante. Nas últimas décadas, a forte razão para tantos jovens desencorajados foi o desaparecimento das perspectivas profissionais, pela falta de investimentos.

No início dos anos 80, as grandes obras que até então pipocavam em todo o Brasil foram canceladas em função da falência do Estado e da crise internacional de crédito. Um retrato da época foi a lanchonete “O Engenheiro que Virou Suco”, aberta na capital paulista por um engenheiro que decidiu aposentar o diploma, após muitas tentativas frustradas de encontrar emprego na profissão. Ser engenheiro não era mais sinônimo de sucesso profissional e a área deixou de despertar o interesse dos jovens.

Apenas recentemente, a partir do crescimento dos investimentos na indústria do petróleo, e agora, com as descobertas de grandes fontes de petróleo no Brasil, como a camada pré-sal, a engenharia voltou a atrair os estudantes. Com os investimentos da Petrobras e a necessidade de deixar o país pronto para receber os dois maiores eventos esportivo do mundo, é possível que tenhamos uma nova era de ouro da engenharia.

Foi a engenharia nacional que permitiu as grandes descobertas de petróleo no mar, levando o país à auto-suficiência. O controle de todas as fases do processo produtivo, passando pelo projeto básico e detalhado – fabricação de materiais e equipamentos, construção civil, montagem e manutenção – deu autonomia ao setor.

Sempre que houve investimentos conduzidos com seriedade, as empresas de engenharia nacional deram as respostas adequadas. Com formação de pessoal especializado sintonizada com as exigências do mercado acreditamos que os profissionais e, consequentemente, as empresas que os empregam, terão condições de desempenhar o seu papel, contribuindo para o crescimento econômico nacional.

* Carlos Maurício Lima de Paula Barros é engenheiro e presidente da ABEMI – Associação Brasileira de Engenharia Industrial

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SOBRE O BLOG INDUSTRIAL

O Blog Industrial acompanha a movimentação do setor de bens de capital no Brasil e no exterior, trazendo tendências, novidades, opiniões e análises sobre a influência econômica e política no segmento. Este espaço é um subproduto da revista e do site P&S, e do portal Radar Industrial, todos editados pela redação da Editora Banas.

TATIANA GOMES

Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.

NARA FARIA

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.

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8 comentários no post Procuram-se engenheiros industriais

Marcio Roberto Pereira da Silva disse:

19 de janeiro de 2010

Prezado Carlos,
Sou engenheiro mecânico e considero lúcido e bem escrito o seu artigo. Porém noto nas entrelinhas que o seu foco é com os engenheiros ainda estudantes e recém-formados. Já percebi neste e em outros artigos que os engenheiros mais velhos não têm nenhum valor sob o ponto de vista profissional. As empresas atualmente fazem terrorismo sobre a falta de engenheiros no mercado, mas sempre se referem aos jovens, creio que com no máximo 25 anos de idade. Os engenheiros que já atingiram 30 anos, 40 anos, 50 anos, 60 anos ou mais, são deliberadamente esquecidos na hora de uma contratação. Formei-me na época do “engenheiro que virou suco”. Em compensação, nunca vi uma empresa, seja de que ramo for, proibir a comercialização de seus produtos para engenheiros com mais de 30 anos. Seja da indústria de base, seja da construção civil de obras publicas e privadas, seja da indústria de produtos intermediários, seja da indústria final; enfim, seja do comércio ou de serviços, as empresas em sua maioria se recusam a contratar profissionais acima de certa idade, mas nenhuma se recusa a vender para estes mesmos profissionais. Ainda estou para ver uma ordem interna ou externa ou uma faixa informando que profissionais com mais de 30 anos são “persona-non-grata” para aquisição de seus produtos e serviços. Nunca vi um comércio proibindo a entrada de pessoas acima de 30 anos em seus estabelecimentos. Eu mesmo nunca fui barrado nesta circunstância. Mas se eu perguntar nesta mesma empresa, de quem sou cliente pessoa física ou jurídica, para quem encaminhar um CV para eventual contratação, sou tratado com extremo desprezo. E se mesmo assim, eu encaminhar um CV, jamais terei resposta. É a preconceituosa lei dos “dois pesos e duas medidas”- onde os engenheiros mais velhos só têm valor quando clientes – em que o grande perdedor é o Brasil.

Eng. Wolfgang Reinke disse:

20 de janeiro de 2010

Para mim um dos maiores problemas que temos no Brasil é que nossos governos têm se esmerado na ” pioria contínua” da qualidade do ensino, facilitando cada vez mais a passagem de um ano para o outro, principalmente no ensino fundamental. Isso tem como consequência lógica o “emburrecimento” da população e quando chegam ao ensino superior, principalmente engenharia, desistem, pois é o curso mais exigente que temos, isso aliado aos salários cada vez mais baixos pagos a essa classe. Infelizmente se olharmos para as pessoas que hoje atingem o nível superior, no mínimo 5% são considerados analfabetos pois leem e não entendem o que está escrito. É lamentável onde anda o nosso ensino. Atualmente é mais importante para o Brasil mostrar a estatística de alunos que concluem o ensino fundamental, sendo que uma grande parte deles só é passada de ano, do que formar pessoas com conhecimento real. Esse fato é ainda estimulado principalmente por muitas mães (não os pais) que não querem ver seus filhos repetirem um ano fazendo pressão sobre os professores que ainda querem Dar Aula. Isso escrevo pois sou casado com uma professora e faço parte do conselho diretor de uma instituição de ensino.
Espero no entanto ainda viver dias em que a qualidade de nossas escolas volte a melhorar e formemos muito mais engenheiros de qualidade como já formamos em épocas passadas.

Milton José de Oliveira disse:

20 de janeiro de 2010

Até bem pouco tempo,como engenheiro que sou, venho acompanhando o desenrolar da profissão. Muitos formandos tinham que trabalhar em profissões diversas àquelas de sua formação como: correio, leitor de hidrômetro da Sabesp e Eletropaulo e como auxiliar em escritórios. Fico feliz com essa noticia, porém é necessário que as faculdades não nivelem os cursos para baixo somente para atender a demanda, pois é perigoso termos profissionais com grandes responsabilidades e baixa formação.
Grato,
Eng. Milton José de Oliveira – CREA -260568010-0.

Eduardo Peres disse:

20 de janeiro de 2010

Estou de pleno acordo com o amigo e colega Marcio Roberto Pereira,nós com mais de 60 anos não temos vez, e somos esquecidos, isto em qualquer área profissional,além do desprezo de colegas recém-formados, pois os mesmos não querem se submetem ao aprendizado dos mais velhos, pois se julgam porque saíram da escola sabem tudo fazendo com que haja o desprezo. Outrossim, as empresas contratam 2 ou 3 x 1, não levando em conta o atraso de seus investimentos, dado aos salários. É como dizia um diretor de uma multinacional a qual fui funcionário: “chegam queimando gasolina verde no primeiro ano, no segundo já começam a queimar gasolina amarela e do terceiro prara frente queimam álcool, não tendo o devido reconhecimento profissional, e nos 30 anos de idade quando passam para ‘persona-non-grata’ começam a sentir os efeitos que eles mesmos provocaram no inicio de carreira”, ai vão entrar na lei do “dois pesos e duas medidas”. Pobre perdedor Brasil.

Sergio P. Andrade disse:

20 de janeiro de 2010

Procura-se engenheiro ou Diploma. o Brasil esta carente de profissionais, de competencia, incidentes mil. Fico pensando onde estão os engenheiros, conhecedores de tudo e tudo da sua especialidade. Toma a frente com qualidade, comprometimento, motivação e respeito a profissão e ao prossimo. Muitos administradores só querem resultado e não si emportam com a engenharia, gambiarra… A cada 10 formados 8 colocam seu diploma na parede e viram qualquer coisa até suco, 0 pedinte ganha mais que um engenheiro…trabalhar, estudar pra que, muitos só querem o crea, alguns até compram. Até quando??? Que país é este onde os profissionais não podem colaborar com o crecimento profissional de quem esta começando e quem esta começando não tem referência, horizonte…. pelos comentários acho que estou velho e não sei nada, mas não vou voltar a estudar…Continuo Trabalhando, como engenheiro.

kleber disse:

20 de janeiro de 2010

Obrigado pela interação, Sérgio.

Certamente é importante que profissionais como você se manifestem para que as grandes, médias e pequenas empresas saibam balancear seus quadros de funcionários com veteranos e recém-formados.

Um abraço,

Kleber

kleber disse:

20 de janeiro de 2010

Olá Eduardo.
Parabéns pela argumentação. Espero que o mercado saiba valorizar os profissionais mais experientes.Mas não somente eles, como também os formandos que caem no mercado com sede de ascensão instantânea.

Um abraço e sucesso,

Kleber

jose antonio chaud disse:

29 de agosto de 2011

O que mais me assusta é que o pessoal atual tem informação, e as vezes nao tem a transformação desta informação em conhecimento, e depois em ferramenta útil.
Aprender ingles, mandarim,árabe, não é tarefa dificil,bem menos ainda as ferramentas de informatica, mais faceis do que antes. Sinto que aos 50 minha capacidade de aprendizagem melhorou, tudo isto é treinamento. O comentário do engenheiro que virou suco – Joao Batista de Andrade?, e o engenheiro que virou cozinheiro,tive a felicidade de formar uma turma de baristas, isto sendo engenheiro.. nao há problemas, o raciocínio e formação básica continuam, e pergunto, um engenheiro ha 20 anos tpegar a apostila de 20 anos atras ajuda, tem que atualizar-se a cada momento, eu subi em torres de mais de 30 m, hoje isto é necessário????

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