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O Brasil é o quinto país do mundo em extensão territorial e tem uma imensa capacidade de aproveitamento de seus recursos naturais. Mas qualquer assunto que aborde a competitividade advinda dessa vantagem natural emperra na logística: o País é só o 41º na capacidade de escoar sua produção interna, dentro de suas próprias fronteiras ou para fora. A falta de mão-de-obra em todos os níveis da cadeia é o maior freio para o setor.

Os dados foram apresentados por João Guilherme Araújo, diretor geral de negócios do Ilos (Instituto de Logística e Supply Chain), que falou sobre o panorama do setor em 2012 no comitê de Logística Amcham-São Paulo no último dia 27 de janeiro.

“Para a logística, o maior problema não é a infraestrutura, mas a falta de mão-de-obra”, afirmou. “Há necessidade desde top management (alta gestão) até motorista de caminhão.”

O especialista diz que o setor vem crescendo fortemente desde 2008, com exceção de 2009. Grande parte desse movimento é proporcionada pela expansão do mercado interno. Mas a falta de profissionais capacitados a atuar no ramo tem se apresentado como o maior gargalo.

“Apesar de a infraestrutura ser um problema, a escassez de profissionais afeta a todas as empresas de todos os ramos. Hoje há crédito disponível, mas só o capital não resolve, porque não basta comprar um caminhão se não tiver motorista.”

Segundo Araújo, “hoje há cada vez mais tecnologia numa cabine e não é qualquer um que é capaz de operar”. Ele diz que não é possível sequer estimar o total de vagas de que o setor necessita para ficar competitivo.

Faltam rotas

Uma pesquisa do Ilos mostra que o Brasil tem, hoje, 1.600 quilômetros de estradas (não pavimentadas) e 214 mil de rodovias. No caso de ferrovias, são 29 mil km. Isso significa que há mais de 7 km de estradas para cada quilômetro de linha-férrea em operação.

Os EUA, por exemplo, têm 2,4 km de ferrovias para cada 100 km² de área, enquanto esse índice no Brasil está em 0,33 km. São 4,21 milhões de estradas pavimentadas e 227 mil de trilhos no território americano. A China tem 1,57 milhão de km e 77 mil km, respectivamente.

“O setor tem necessidade de uma capacidade instalada imensa”, afirma. “Porque uma coisa é a economia conseguir produzir mais. A outra é ela conseguir colocar a produção]no mercado.”

Além de estradas e linhas-férreas, o Brasil tem 19 mil km de dutovias e 14 mil km de hidrovias. Os EUA têm 793 mil km e 41 mil km, respectivamente. A China, 58 mil km e 110 mil km de cada um.

Araújo diz que as empresas no Brasil gastam em torno de 8,3% de seu faturamento com custos logísticos, para fazer seus produtos e matérias-primas chegarem aos consumidores. “Há uma agenda do setor público com relação a investimentos, que vem trazendo novas oportunidades, seja por um novo corredor, um marco ferroviário, ou do setor privado, com investimentos em cabotagem e terminais, por exemplo.”

Problemas

Mas Araújo diz que ainda há muito a melhorar. Uma pesquisa sobre o índice de desempenho logístico feita pelo Banco Mundial mostra que o Brasil passou da 61ª à 41ª posição entre 2007 e 2010. O País aparece à frente de Índia (47º em 2010) e da Rússia (94º da lista), mas fica muito atrás de China (27º), EUA (15º) e Canadá (14º).

Perde ainda para pequenas Alemanha (1º), Suécia (3º), Holanda (4º) e Luxemburgo (5º). Cingapura foi o 2º país do ranking de desempenho logístico do Banco Mundial.

“A má conservação das estradas e a falta de malha ferroviária são os principais problemas de infraestrutura na opinião dos profissionais do setor”, afirma. Dados do próprio Ilos mostram que, na avaliação de motorista, gerentes e outros profissionais do setor, 92% reclamam das rodovias ruins – que encarecem o frete e derrubam o dinamismo das entregas.

No top 10 dos principais entraves ainda aparecem malha ferroviária insuficiente (77%), falta de infraestrutura para intermodalidade (72%), má qualidade dos acessos terrestres aos portos (71%), rios sem infraestrutura para navegação (70%), malha ferroviária mal conservada ou insuficiente (68% cada), falta de infraestrutura de armazenagem ou de terminais (67%), poucos portos (67%) e navegabilidade pouco eficiente nas hidrovias (67%).

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O baixo crescimento do PIB em 2011, estimado pela CNI em 2,8%, em muito se deve à perda de ritmo de crescimento da indústria de transformação

Se não for ampliada a competitividade para permitir aos produtos brasileiros enfrentar os asiáticos tanto internamente quanto nas exportações, a economia brasileira vai repetir em 2012 o fraco desempenho deste ano. O alerta é do Informe Conjuntural Economia Brasileira, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O baixo crescimento do PIB em 2011, estimado pela CNI em 2,8%, em muito se deve à perda de ritmo de crescimento da indústria de transformação. O segmento crescerá 1,1% no ano e o PIB industrial (que também leva em conta os setores extrativo-mineral, construção civil e de serviços industriais), 1,8%. Nas estimativas da CNI, o PIB deverá crescer 3% em 2012 e a indústria, 2,3%.

As causas da desaceleração do setor industrial este ano foram a menor demanda dos países desenvolvidos, a queda na competitividade dos produtos brasileiros por conta dos juros altos e do câmbio sobrevalorizado e a invasão do mercado interno por produtos asiáticos.

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, que divulgou o Informe Conjuntural em entrevista coletiva, disse acreditar que a economia irá melhorar em 2012 comparativamente a este ano, mas considerou um aumento do PIB de 3% no próximo ano muito baixo. Entre os fatores que alinhou para um melhor desempenho da economia em 2012 estão os investimentos em obras para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016, a queda na inflação e o arrefecimento da valorização cambial.

Destacou, contudo, que permanecem intocáveis os gargalos à maior competitividade das empresas brasileiras, como juros elevados, infraestrutura deficiente, legislação trabalhista cara e anacrônica. .Andrade defendeu maior agilidade do governo na execução de medidas para ampliar a competitividade. “Existe uma insegurança da Receita Federal em avançar. O tempo do governo, muitas vezes, não é o tempo real da economia”, declarou.

O presidente da CNI lembrou, como exemplo da lentidão do governo, que a regulamentação do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), criado no Plano Brasil Maior, só foi regulamentado no último dia 1º, quatro meses depois. O Reintegra prevê a devolução em espécie de 3% do valor das exportações de manufaturados.

Perda de dinamismo – O Informe Conjuntural assinala que a perda de dinamismo das economias avançadas e a mudança do “eixo dinâmico” da economia mundial para a Ásia se refletem negativamente na indústria brasileira. Significa menor demanda por manufaturados brasileiros, porque a Ásia é concorrente direta do Brasil nesses produtos. “Não apenas encolheu o mercado externo para nossas exportações industriais como aumentou a penetração de produtos estrangeiros no atendimento do mercado brasileiro”, diz o documento.

Internamente, a equação macroeconômica de juros altos, câmbio valorizado e os poucos avanços na eliminação dos entraves à melhoria da competitividade foram, segundo a CNI, as principais razões para a baixa performance da economia este ano.

“Para a indústria voltar a ser o centro dinâmico da economia brasileira e o país sustentar um ciclo de expansão maior do que a média mundial, é essencial mudar nossa estratégia de crescimento e encarar dois desafios: de um lado, aumentar a competitividade brasileira; de outro, mudar o padrão de expansão doméstica e eleger o investimento, e não o consumo, como a alavanca do crescimento”, recomenda a CNI. “Em um modelo de crescimento sustentável, o consumo não pode crescer mais que o PIB”, constata.

Em 2010, ano de forte crescimento da economia, a formação bruta de capital fixo, que mede os investimentos, cresceu 21,3% ante 2009. Neste ano, segundo projeção da CNI, os investimentos crescerçao bem menos, 4,8% ante 2010.

Nas previsões da CNI para 2012, mais uma vez não será a indústria o motor do crescimento. De acordo com o Informe Conjuntural, o consumo das famílias terá aumento de 4%, mantendo a equação atual de crescimento, desaprovada pela entidade.

Para a CNI, o investimento, que poderia ser uma forte alavanca para a retomada do crescimento sustentável, também se manterá em 2012 nos mesmos patamares deste ano. O aumento será de 5% no ano que vem, conforme a projeção do documento.

 Fonte:CNI

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Sondagem Setorial realizada pela ABTCP mostra que as empresas entrevistadas estão tomando medidas para se tornarem mais competitivas

Com o objetivo de contribuir para o entendimento do cenário atual do mercado de celulose e papel, a ABTCP – Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel realizou a 1ª Sondagem Setorial Técnica da Indústria de Celulose e Papel, que compreendeu um universo de 57 companhias, entre as quais aquelas que responderam à pesquisa representam mais de 40% da produção brasileira de celulose e papel e incluem grandes e representativos fabricantes do setor.

O resultado do levantamento, realizado no período de junho a setembro deste ano e divulgado hoje (03/10), na abertura ABTCP 2011 – 44º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel, o maior encontro da América Latina de celulose e papel, mostra que as empresas do setor ampliaram as ações para elevar sua competitividade, com iniciativas em diversas frentes – tanto mercadológicas quanto focadas em sustentabilidade.

Segundo a sondagem setorial, 90,48% das empresas entrevistadas estão buscando otimizar custos e melhorar a qualidade dos produtos, enquanto 71,43% estão investindo em ampliação e modernização das plantas; 76,19%, em desenvolvimento de novos produtos, maior eficiência logística e de distribuição e 61,9%, em busca de novos mercados.

“A Sondagem Setorial confirma que a indústria de celulose e papel vem tomando ações, em várias frentes, para ampliar sua competitividade”, afirma Lairton Leonardi, presidente da ABTCP – Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel, ao destacar que as ações em prol do desenvolvimento tecnológico e da sustentabilidade têm se intensificado para consolidar a competitividade internacional da indústria brasileira de celulose e papel.

“Investir no desenvolvimento de novos produtos, em novas tecnologias e na busca de novos mercados tornou-se tão prioritário para as empresas do setor quanto ampliar a capacidade e adquirir ativos florestais”, acrescenta Leonardi.

A capacitação da mão de obra, em um cenário de escassez de profissionais qualificados, tornou-se fator primordial de competitividade. Nesse sentido, a sondagem setorial mostrou que 71,43% enfrentam dificuldade para contratar pessoal especializado e que pelo menos 62% das empresas entrevistadas estão investindo em treinamento e qualificação de pessoal, destinando recursos que somam R$ 5 milhões em 2011, considerando a amostra de empresas pesquisadas.

“Mais de 71,43% das empresas afirmam que terão dificuldade para contratar pessoas e necessitarão formar pessoal, caso haja um aumento da demanda, o que representa uma restrição considerável ao crescimento”, ressalta o gerente técnico da ABTCP, Afonso Moura. A Sondagem Setorial Técnica indica que a entidade ocupa lugar relevante no setor, juntamente com o SENAI e as universidades, na capacitação de pessoas.

Investimento em sustentabilidade

Projetos para tornar a atividade mais sustentável também concentram cada vez mais investimentos e atenção das empresas de celulose e papel, inclusive como fator de competitividade. A 1ª Sondagem Setorial Técnica da ABTCP mostra que as empresas vêm buscando se antecipar às exigências do mercado e às metas de redução de emissões de CO2 previstas, tanto no Protocolo de Kyoto, quanto na política nacional e nas políticas estaduais de mudanças climáticas, cujas metas serão definidas ainda este ano.

O levantamento mostrou 81% das empresas entrevistadas trabalham com duas até oito iniciativas nesse sentido. Entre as iniciativas, destacam-se o gerenciamento de resíduos sólidos, incluindo reuso e compostagem; a migração do uso de óleos combustíveis para gás natural ou biomassa; a redução de perdas térmicas no processo, adoção de tecnologias que elevem a produtividade das plantações e a otimização da queima de licor negro.

A sondagem da ABTCP também mostrou que as empresas entrevistadas, além da energia elétrica, já utilizam energias de fontes como a biomassa – caso da lenha e do licor negro, além do Gás Natural e do GLP.

Para os próximos cinco anos, as empresas prevêem investir no aumento da geração a partir da biomassa e em eletricidade, além de Gás Natural e outras fontes como biodiesel, solar e termoelétrica.

 “A conclusão geral da Sondagem realizada pela ABTCP confirma que a busca de competitividade está diretamente associada às ações de sustentabilidade, no setor de celulose e papel, por propiciar redução de custos, processos mais eficientes e adequados às demandas dos clientes”, conclui Lairton Leonardi.

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SOBRE O BLOG INDUSTRIAL

O Blog Industrial acompanha a movimentação do setor de bens de capital no Brasil e no exterior, trazendo tendências, novidades, opiniões e análises sobre a influência econômica e política no segmento. Este espaço é um subproduto da revista e do site P&S, e do portal Radar Industrial, todos editados pela redação da Editora Banas.

TATIANA GOMES

Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.

NARA FARIA

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.

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