Otimização de Filmes Monomateriais Recicláveis via Tecnologia MDO utilizando green™ bio-based
Sem categoria | Por em 11 de junho de 2026

A busca por embalagens mais sustentáveis deixou de ser apenas uma tendência para se tornar um requisito estratégico em toda a cadeia de valor. Grandes marcas, convertedores e fabricantes de resinas vêm concentrando esforços no desenvolvimento de soluções que conciliem desempenho, reciclabilidade e redução das emissões de carbono. Nesse contexto, a substituição de estruturas multimateriais convencionais por embalagens monomateriais representa um dos movimentos mais relevantes da indústria de embalagens flexíveis.
Historicamente, estruturas compostas por materiais distintos, como PET/PE ou BOPP/PE, foram amplamente utilizadas para atender simultaneamente a requisitos de resistência mecânica, estabilidade dimensional, propriedades ópticas e desempenho durante o envase. Embora eficientes do ponto de vista funcional, essas estruturas apresentam limitações quando o assunto é reciclagem mecânica, uma vez que a separação dos diferentes materiais nem sempre é tecnicamente ou economicamente viável.
A tecnologia MDO (Machine Direction Orientation) surgiu como uma alternativa capaz de ampliar significativamente as propriedades dos filmes de polietileno, permitindo que estruturas monomateriais alcancem níveis de desempenho anteriormente associados a laminados mais complexos.
O processo consiste em submeter o filme a um estiramento controlado no sentido da máquina, sob temperaturas cuidadosamente ajustadas abaixo do ponto de fusão da resina. Esse estiramento promove o alinhamento das cadeias moleculares do polímero, alterando sua estrutura interna e resultando em ganhos importantes de desempenho.
Entre os benefícios mais relevantes está o aumento da rigidez. O alinhamento molecular eleva o módulo de elasticidade do material, permitindo a produção de filmes mais finos sem comprometer sua resistência mecânica ou estabilidade durante os processos de conversão e empacotamento. Essa característica abre espaço para estratégias de downgauging, reduzindo o consumo de matéria-prima e contribuindo para a otimização dos custos logísticos.
As propriedades ópticas também são favorecidas. A reorganização da estrutura cristalina reduz significativamente o haze e melhora o brilho superficial, atributos valorizados em aplicações nas quais a aparência da embalagem influencia diretamente a percepção do consumidor.
A adoção de filmes monomateriais orientados também está diretamente relacionada aos conceitos de Design for Recycling. Enquanto estruturas multimateriais apresentam desafios para os sistemas convencionais de reciclagem, os filmes produzidos integralmente em polietileno permanecem compatíveis com os fluxos já estabelecidos para a reciclagem mecânica da cadeia do PE.
Nesse cenário, o I’m green™ bio-based agrega um diferencial adicional ao processo. Produzido a partir de etanol derivado da cana-de-açúcar, o material possui exatamente a mesma estrutura molecular do polietileno de origem fóssil. Isso significa que mantém as mesmas características de processabilidade, desempenho mecânico, comportamento reológico e compatibilidade com os equipamentos já utilizados pela indústria.
Na prática, os parâmetros de extrusão, impressão, laminação e conversão permanecem inalterados, permitindo a adoção do material sem necessidade de investimentos adicionais em infraestrutura ou adaptações significativas nas linhas produtivas.
A principal diferença está na origem renovável da matéria-prima. Durante seu crescimento, a cana-de-açúcar absorve o CO2 da atmosfera por meio da fotossíntese. Como resultado, o PE I’m green™ bio-based pode capturar até 2,12 toneladas de CO₂ equivalente por tonelada de resina produzida, contribuindo para estratégias de descarbonização e redução das emissões ao longo da cadeia de valor.
Outro aspecto relevante é a possibilidade de combinar filmes MDO com tecnologias complementares de barreira, ampliando o potencial de aplicação em segmentos que exigem maior proteção ao produto. Soluções destinadas a alimentos secos, snacks, pet food, higiene pessoal, produtos de limpeza entre outros, já demonstram o potencial dessa abordagem para substituir estruturas convencionais sem comprometer desempenho ou produtividade.
A evolução dos filmes monomateriais mostra que os avanços em sustentabilidade dependem cada vez mais da integração entre materiais inovadores e tecnologias de processamento avançadas. A combinação entre MDO e o I’m green™ bio-based representa um exemplo claro dessa convergência, permitindo o desenvolvimento de embalagens que atendem simultaneamente às exigências de desempenho, reciclabilidade e redução da pegada de carbono, sem abrir mão da performance industrial que o mercado exige. #economiacircular #DesignForRecycling #Monomateriais #Polietileno #PE #BioBased #Descarbonização
Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.