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Por muito tempo, a inteligência artificial na indústria foi discutida quase exclusivamente sob a ótica da eficiência: menos retrabalho, menos custo, mais velocidade. Esse olhar continua válido, mas está incompleto.

Um artigo recente do especialista em cultura corporativa Alexandre Slivnik, publicado em seu blog, traz uma provocação que vale a pena trazer para o universo industrial: e se a IA fosse usada não só para automatizar processos, mas para fortalecer a relação com colaboradores e clientes? (Fonte: Alexandre Slivnik, “7 formas de usar a inteligência artificial para impulsionar o encantamento interno e externo nas empresas”, publicado em seu blog em 12/11/2025.)

O ponto central do argumento de Slivnik é simples e direto: ferramenta de IA usada de forma isolada não move o ponteiro. O que gera diferencial é quando a tecnologia libera tempo e atenção humana para o que realmente importa: ouvir, antecipar, cuidar. Ele cita um dado da Boston Consulting Group mostrando que a maioria das empresas que adotam IA ainda não redesenha seus processos ao redor dela, o que limita o ganho real da tecnologia a ajustes pontuais, em vez de transformação de cultura.

Transportando essa lógica para o chão de fábrica e para as relações B2B do setor industrial, alguns paralelos ficam evidentes. No atendimento e suporte técnico, assim como chatbots já resolvem boa parte das interações simples no varejo, sistemas inteligentes podem triar demandas técnicas recorrentes, como dúvidas sobre especificações de produto, status de pedido e documentação, liberando as equipes técnicas para os casos que exigem julgamento e relacionamento.

No clima e retenção de equipe industrial, em operações com alta rotatividade, comum em plantas fabris, identificar sinais de desmotivação antes que se transformem em desligamento tem impacto direto em produtividade e segurança operacional, não só em clima organizacional.

Na antecipação de necessidades do cliente industrial, fornecedores que conseguem prever demanda ou sugerir soluções antes mesmo do pedido formal, a partir de padrões de consumo e sazonalidade, constroem um tipo de confiança que nenhum relatório de performance sozinho entrega.

Já na integração entre gerações na fábrica, um ponto frequentemente esquecido é que a IA pode funcionar como ponte entre operadores mais experientes e a nova geração que chega com outra relação com tecnologia, simplificando processos para uns e ampliando a inovação trazida pelos outros.

Vale um dado de contexto que o próprio artigo original traz: segundo o IBGE, apenas 16,9% das indústrias brasileiras com mais de 100 funcionários utilizavam IA em 2022, concentrada principalmente em marketing e processos administrativos, não na relação direta com cliente ou colaborador. Isso mostra que, para o setor industrial nacional, essa discussão sobre “IA para encantamento” ainda está começando, e há espaço real de diferenciação para quem sair na frente.

A conclusão de Slivnik resume bem o convite deste texto: a inteligência artificial não substitui o fator humano, ela deveria potencializá-lo. Para a indústria, isso significa parar de tratar a IA só como ferramenta de corte de custo e começar a perguntar onde ela pode ajudar a sermos mais presentes, mais atentos e mais humanos com quem trabalha e compra de nós.

Este artigo foi inspirado no texto original de Alexandre Slivnik, “7 formas de usar a inteligência artificial para impulsionar o encantamento interno e externo nas empresas”, publicado em seu blog.

#AlexandreSlivnik #IA #RevistaPS #Revistapack #BanasConnect #Marketing #

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Durante muitos anos, a sustentabilidade de um plástico era resumida a uma única pergunta: de onde vem sua matéria-prima?

Se a resposta fosse “cana-de-açúcar”, “milho” ou outra fonte renovável, grande parte da discussão terminava ali.

À medida que metas de descarbonização se tornam parte das estratégias corporativas e as exigências regulatórias aumentam, a indústria percebeu que a origem renovável, por si só, já não responde às perguntas que o mercado faz.

 Empresas, investidores e consumidores querem saber como aquela matéria-prima foi produzida, quem a certificou, qual foi seu impacto ambiental e social e de que forma essas informações podem ser comprovadas. A sustentabilidade deixou de ser uma narrativa. Tornou-se uma questão de evidências.

O mercado mudou de pergunta

O crescimento dos plásticos de fonte renovável ocorreu em paralelo à evolução das políticas ESG e da economia circular. Esse movimento alterou profundamente os critérios utilizados para avaliar materiais e fornecedores.

Antes, bastava informar que um produto possuía matéria-prima renovável. Hoje, compradores globais analisam toda a cadeia de valor.

A matéria-prima foi obtida de forma responsável?

Existe certificação independente?

Como o carbono renovável é contabilizado?

Há mecanismos que permitam comprovar essas informações em auditorias?

Essas perguntas passaram a influenciar decisões comerciais, investimentos e processos de homologação de fornecedores.

A nova moeda da indústria chama-se confiança

Na prática, rastreabilidade significa transformar informações da cadeia produtiva em dados verificáveis.

Mais do que acompanhar o percurso da matéria-prima, ela permite demonstrar conformidade com requisitos ambientais, sociais e regulatórios ao longo de todo o processo produtivo.

É justamente essa capacidade de comprovação que diferencia empresas preparadas para atender mercados cada vez mais exigentes.

Sistemas internacionais de certificação, como o ISCC PLUS (International Sustainability & Carbon Certification), permitem verificar critérios relacionados à sustentabilidade, cadeia de custódia e rastreabilidade de matérias-primas renováveis e recicladas. No caso da cadeia suco energética, certificações como a Bonsucro estabelecem padrões para produção responsável, contemplando aspectos ambientais, sociais e de gestão.

Quando combinados a modelos de Mass Balance (Balanço de Massa) — metodologia reconhecida internacionalmente para atribuição de matérias-primas renováveis e recicladas em processos industriais complexos — esses sistemas oferecem transparência sem comprometer a eficiência operacional das plantas petroquímicas.

A regulação acelera uma transformação que já estava em curso

A União Europeia vem consolidando um conjunto de normas voltadas à economia circular, ao ecodesign e à transparência das alegações ambientais. Paralelamente, cresce a exigência por informações consistentes sobre conteúdo renovável, reciclabilidade, pegada de carbono e origem das matérias-primas.

Nesse cenário, a governança deixa de ser uma atividade restrita às áreas de compliance. Ela passa a integrar a estratégia de negócios.

Empresas capazes de demonstrar consistência em seus processos tendem a responder mais rapidamente às mudanças regulatórias, reduzir riscos reputacionais e fortalecer relações comerciais em cadeias globais de suprimentos.

Durante anos, o greenwashing foi tratado como um problema de comunicação. Hoje, ele representa um risco operacional, regulatório e financeiro.

Declarações ambientais sem respaldo técnico podem resultar em questionamentos de clientes, investidores e autoridades regulatórias, além de comprometer a reputação construída ao longo de décadas.

Por isso, sustentabilidade precisa ser sustentada por dados.

Certificações reconhecidas internacionalmente, auditorias independentes, indicadores transparentes e sistemas robustos de governança passaram a ser componentes essenciais da competitividade industrial.

O futuro será definido pela credibilidade

Os plásticos de fonte renovável continuarão desempenhando papel relevante na redução das emissões de carbono e na transição para uma economia circular.

Mas o diferencial competitivo não estará apenas na escolha da matéria-prima. Estará na capacidade de oferecer transparência em toda a cadeia de valor.

Em um mercado no qual decisões são cada vez mais orientadas por evidências, rastreabilidade, certificação e governança deixam de ser requisitos adicionais para se tornarem parte do próprio produto.

No fim, a matéria-prima continua importante. Mas, na indústria do futuro, o ativo mais valioso será a confiança que acompanha cada tonelada produzida.#PlasticoRenovavel #Bioeconomia #EconomiaCircular #Rastreabilidade #Certificacao #Sustentabilidade #Descarbonizacao #IndustriaQuimica #ISCCPlus #Bonsucro #Braskem #ImGreen

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A possibilidade de utilizar polietileno de fonte renovável mantendo propriedades, desempenho e aplicações do PE convencional reduz uma das principais barreiras técnicas à adoção de materiais de menor pegada de carbono.

O desafio não é apenas trocar a matéria-prima

Na indústria de transformação de plásticos, a escolha de uma resina está diretamente ligada à engenharia do processo. Equipamentos, moldes, temperaturas, velocidades, taxas de resfriamento e demais parâmetros de operação são definidos a partir do comportamento do material durante o processamento.

Por isso, substituir um polímero por outro pode exigir uma etapa de desenvolvimento que vai muito além da simples troca de matéria-prima. Ensaios, ajustes de processo, validações de produto e, em determinados casos, alterações em equipamentos fazem parte da equação.

É nesse contexto que o conceito de drop-in ganha relevância. Em vez de propor uma ruptura com a infraestrutura existente, a estratégia parte da compatibilidade com processos e aplicações já consolidados.

O que significa, na prática, ser drop-in

O polietileno I’m green™ bio-based, da Braskem, é produzido a partir de etanol de cana-de-açúcar, que é convertido em eteno de fonte renovável e posteriormente utilizado na produção do polietileno.

A característica central dessa rota é que o polímero obtido mantém propriedades e desempenho comparáveis aos do polietileno convencional de origem fóssil, permitindo sua utilização em aplicações já conhecidas pela indústria de transformação.

Na prática, isso significa que a mudança da origem da matéria-prima não exige necessariamente uma mudança na lógica industrial que já existe.

É uma diferença importante. A inovação não está em criar um novo processo de transformação, mas em permitir que uma nova fonte de carbono entre em um processo industrial conhecido.

A vantagem está na compatibilidade industrial

Para um convertedor, a sustentabilidade de uma matéria-prima precisa ser acompanhada de viabilidade operacional.

É nesse ponto que o drop-in ganha valor. A possibilidade de utilizar uma resina de fonte renovável dentro das cadeias existentes de processamento de PE reduz a necessidade de mudanças estruturais em equipamentos e infraestrutura.

Isso pode simplificar etapas de testes e validação e, dependendo da aplicação e da especificação da grade utilizada, reduzir a necessidade de investimentos associados à adaptação da linha produtiva.

O benefício, portanto, não está apenas na substituição de uma fonte fóssil por uma fonte renovável. Está também na redução da complexidade envolvida na transição.

Onde essa compatibilidade importa

A amplitude das aplicações é outro elemento relevante.

O portfólio I’m green™ bio-based contempla diferentes grades de polietileno, incluindo HDPE, LLDPE e LDPE, destinadas a aplicações como:

  • filmes;
  • embalagens rígidas;
  • produtos de higiene;
  • bens de consumo;
  • aplicações técnicas.

Segundo a Braskem, o portfólio conta com aproximadamente 25 grades de PE, com conteúdo renovável de 80% a 100%, certificado de acordo com a ASTM D6866.

Essa variedade permite que a discussão sobre materiais renováveis deixe de ser restrita a aplicações experimentais e passe a integrar decisões concretas de desenvolvimento, especificação e produção.

A mudança acontece antes da fábrica

Existe uma diferença importante entre mudar um material e mudar um processo. Quando a adoção de uma matéria-prima renovável exige a reconstrução da infraestrutura industrial, a sustentabilidade pode se transformar em um projeto de engenharia de grande complexidade. Quando o material pode ser incorporado às cadeias existentes, a discussão muda de escala.

O drop-in não elimina a necessidade de avaliação técnica — cada aplicação continua exigindo especificação, testes e validação adequados. Seu valor está em reduzir a distância entre a intenção de descarbonizar e a capacidade de colocar essa decisão em prática.

Para a indústria, essa pode ser uma das vantagens mais relevantes do polietileno de fonte renovável: a transição pode começar pela matéria-prima, sem necessariamente começar pela fábrica.

#Braskem #I’greenbiobased #Polietileno #Dropin #MatériaPrima #Plásticos #Filmes #PE

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Existe uma frase muito comum nas empresas: “segurança é prioridade”. Eu prefiro dizer que segurança é um valor. Prioridades mudam conforme o cenário, as metas e os desafios do negócio. Valores, não. Eles orientam decisões, independentemente das circunstâncias.

Essa diferença de perspectiva ajuda a explicar por que algumas organizações conseguem reduzir acidentes de forma consistente, enquanto outras continuam convivendo com os mesmos problemas, mesmo investindo em treinamentos, procedimentos e equipamentos de proteção.

Na minha visão, a resposta está em algo que ainda recebe menos atenção do que deveria: a mentalidade de riscos.

Estamos acostumados a falar sobre gestão de riscos, mapas de perigos, matrizes de criticidade e planos de ação, mas nenhum desses instrumentos funciona plenamente se as pessoas não desenvolverem a capacidade de enxergar riscos antes que eles se transformem em incidentes.

É justamente essa mudança de comportamento que diferencia uma empresa que apenas cumpre normas daquela que constrói uma cultura de prevenção. A própria ISO 9001:2015 reforça esse conceito ao incorporar o pensamento baseado em risco como um dos pilares dos sistemas modernos de gestão da qualidade. A lógica é simples: não basta responder aos problemas quando eles surgem; é preciso criar organizações capazes de antecipá-los, aprender continuamente e transformar incertezas em oportunidades de melhoria.

Essa mudança faz ainda mais sentido em um cenário em que as operações se tornaram muito mais complexas.

A indústria, a construção civil, a mineração, a logística e diversos outros setores convivem diariamente com centenas de pessoas trabalhando simultaneamente, equipamentos de grande porte, fornecedores terceirizados, cronogramas apertados e ambientes que mudam constantemente. Basta uma pequena alteração na rotina para que um cenário considerado seguro passe a representar um risco elevado.

Nenhum procedimento consegue prever todas essas variáveis. Por isso, acredito que a segurança não pode depender exclusivamente de processos; ela precisa fazer parte da forma como cada profissional observa o ambiente, toma decisões e executa suas atividades.

Quando um colaborador percebe que uma rota foi bloqueada, identifica um equipamento operando fora do padrão ou comunica uma condição insegura antes que ela gere consequências, ele está colocando em prática a mentalidade de riscos. Não porque alguém mandou, mas porque essa forma de pensar já foi incorporada ao seu dia a dia.

Esse talvez seja o maior indicador de maturidade de uma cultura de segurança.

Outro ponto importante é entender que risco não significa apenas possibilidade de acidente; essa é uma visão limitada, pois toda situação de risco também revela uma oportunidade de melhoria.

Quando uma empresa identifica que determinadas atividades geram desvios recorrentes, ela pode revisar processos, reorganizar fluxos, otimizar deslocamentos, reduzir desperdícios e aumentar a produtividade. Em muitos casos, iniciativas implantadas inicialmente para fortalecer a segurança acabam trazendo ganhos relevantes de eficiência operacional.

Desse modo, segurança e produtividade deixam de competir por investimentos e passam a se fortalecer mutuamente.

Isso é especialmente importante em um momento em que a indústria busca aumentar sua competitividade. Pressão por custos, prazos menores, maior complexidade das obras e dificuldade para contratar profissionais qualificados exigem operações muito mais inteligentes.

Essa transformação também muda o papel da liderança. Durante muito tempo, acreditou-se que promover segurança era responsabilidade exclusiva do SESMT, da engenharia ou da área de qualidade, e hoje sabemos que essa visão é insuficiente.

Os líderes precisam criar ambientes em que as pessoas se sintam confortáveis para relatar situações inseguras, sugerir melhorias e interromper uma atividade quando identificarem um risco relevante. Empresas com culturas maduras deixam de procurar culpados e passam a investigar causas.

Esse ambiente de confiança é um dos maiores ativos de uma organização e, naturalmente, a tecnologia acelera esse processo.

Nos últimos anos, vimos uma verdadeira revolução na capacidade de monitorar operações em tempo real. Sensores, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial, sistemas de localização e plataformas digitais permitem acompanhar pessoas, equipamentos e ativos com um nível de precisão que era impensável há poucos anos.

Além de ampliar a visibilidade das operações e acelerar a identificação de situações críticas, essas ferramentas geram dados que ajudam os gestores a compreender padrões, corrigir falhas recorrentes e tomar decisões baseadas em evidências, e não apenas na percepção das equipes.

Mas existe um ponto que considero fundamental: a tecnologia não substitui cultura. Nenhum software é capaz de criar senso de responsabilidade, nenhum sensor faz uma equipe desenvolver consciência sobre riscos e nenhuma tecnologia, por si só, é capaz de construir um ambiente verdadeiramente seguro.

As empresas que obtêm melhores resultados são justamente aquelas que conseguem combinar pessoas, processos e tecnologia. Quando esses três elementos trabalham juntos, a prevenção deixa de ser reativa e passa a fazer parte da estratégia do negócio.

Acompanhamos diariamente operações em diferentes segmentos e percebemos que as organizações mais maduras têm uma característica em comum: elas não esperam um acidente para aprender. Utilizam dados para identificar tendências, monitoram indicadores continuamente, incentivam comportamentos seguros e transformam cada pequeno desvio em uma oportunidade de evolução.

Essa talvez seja a maior mudança que estamos vivendo. O futuro da segurança será definido menos pela quantidade de normas e mais pela capacidade das empresas de desenvolver pessoas que pensem preventivamente todos os dias. Acidentes raramente acontecem por um único fator; eles são resultado da soma de pequenas decisões, pequenas distrações e pequenos sinais que deixaram de ser percebidos.

Criar uma mentalidade de riscos significa justamente fazer o contrário: transformar cada decisão cotidiana em uma oportunidade de proteger pessoas, preservar ativos, aumentar a eficiência operacional e construir negócios mais sustentáveis.

Essa é, na minha opinião, a evolução mais importante da segurança corporativa. Ela não está apenas nos equipamentos, nos procedimentos ou nos sistemas. Está, principalmente, na forma como as pessoas aprendem a enxergar o trabalho antes mesmo que o risco apareça.

#Empresas #Segurança #Risco #IoT #Construção Civil #Logística

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Natasha Jeremic, Head of Piezo Inks da Domino Printing Sciences

Respeito pelo ambiente versus impacto no ciclo de vida completo

Naturalmente, as marcas já implementaram mudanças significativas nas suas estratégias de embalagem para cumprir o prazo do PPWR de agosto de 2026. A embalagem foi minimizada, as substâncias perigosas foram removidas e a rastreabilidade foi adicionada. No entanto, a forte ênfase dos requisitos do PPWR 2030 na reciclabilidade da embalagem levanta questões relativas às perceções de sustentabilidade ambiental oferecidas pelas capacidades de reciclagem atuais, em vez de compreender o impacto ambiental de todo o ciclo de vida.

A ambiguidade está a levar as marcas a adotar diferentes abordagens no design de embalagem e na escolha de materiais. Babybel, por exemplo, passou para embalagens à base de papel sempre que possível, uma vitória fácil em termos de reciclabilidade. É considerado uma escolha mais sustentável pelos consumidores e evita as regras mais complexas e em constante evolução impostas às embalagens de plástico. Em contraste, o fabricante canadiano de bolachas Leclerc mudou do cartão para uma película de plástico leve, com base numa análise de ciclo de vida que demonstrou reduções nas emissões de transporte e na utilização global de materiais.

As marcas também têm de considerar as variações nacionais nas taxas de Responsabilidade alargada do produtor (EPR) ao tomar decisões sobre embalagens. Um inquérito recente do Department for Environment, Food and Rural Affairs (Defra) do Reino Unido destaca grandes diferenças entre os fornecedores: apenas 10% dos produtores de embalagens do Reino Unido fizeram a transição completa para embalagens amplamente recicláveis, enquanto 14% ainda fornecem exclusivamente embalagens que apresentam grandes desafios de reciclagem.

A realidade comercial para os fornecedores de embalagens

Existe uma necessidade premente de colaboração ao longo de toda a cadeia de abastecimento para alterar este estado de coisas e fornecer às marcas informações fiáveis sobre os produtos de embalagem. Os testes e a validação partilhados serão a base das estratégias de design de embalagem que reflitam não só os requisitos regulamentares, mas também as capacidades dos sistemas de reciclagem atuais.

Os fabricantes têm um papel claro na facilitação da colaboração entre fornecedores e no apoio às marcas para navegarem neste período de incerteza e mudança. Podem esclarecer os prós e os contras da evolução dos materiais reciclados; por exemplo, os materiais de embalagens reciclados de alta qualidade são frequentemente mais caros e podem apresentar desafios de impressão em termos de aderência da tinta e velocidade de impressão, o que pode aumentar o desperdício e reduzir a eficiência e a produtividade.

A colaboração com fornecedores de impressoras, tintas e materiais, através da partilha de testes e da troca de dados, será vital para gerar confiança. Esta informação permitirá que os fornecedores de embalagens identifiquem e validem materiais sustentáveis que proporcionem um bom desempenho de produção e impacto visual para os seus clientes de marca. A colaboração irá também apoiar a transição de alegações genéricas, como “ecológico” ou “reciclável”, para alegações mensuráveis e verificáveis.

As vantagens da impressão digital para apoiar a transição

Estes dados partilhados e fiáveis serão essenciais para apoiar os relatórios de conformidade num ambiente cada vez mais regulamentado. Os fabricantes desempenham um papel central na consolidação de dados provenientes de toda a cadeia de valor, fornecendo às marcas informações sobre materiais, conteúdo reciclado, substâncias que suscitam preocupação e desempenho de reciclabilidade, de modo a apoiar as suas declarações de conformidade e relatórios de EPR.

A tecnologia de impressão digital a jato de tinta pode ser um ativo importante durante esta evolução, permitindo a utilização de códigos 2D baseados nos padrões da GS1. Além de apoiarem a rastreabilidade, a monitorização do ciclo de vida em tempo real e os relatórios de conformidade, os códigos 2D e as plataformas de dados conectadas podem evoluir com os requisitos de informação sobre o produto e a embalagem à medida que a implementação do PPWR, o Sunrise 2027 e as iniciativas de passaporte digital de produto progridem nos próximos anos.

Além disso, a tecnologia de impressão digital sustenta a agilidade operacional de que as marcas necessitam para gerir as crescentes exigências diversificadas das embalagens. Permite a produção eficiente de volumes mais baixos de designs de embalagem variáveis, de forma a acompanhar a evolução dos requisitos para as informações na embalagem, tais como a serialização por lote ou por unidade. A tecnologia a jato de tinta também proporciona um maior controlo sobre a aplicação da tinta, reduzindo o seu consumo, e pode diminuir o impacto da impressão na reciclabilidade da embalagem. No geral, uma abordagem digital proporciona aos fabricantes uma oferta comercial mais flexível.

Conclusão

A evolução da regulamentação de sustentabilidade acrescenta uma complexidade significativa ao design e aos materiais de embalagem. A indústria precisa de passar rapidamente de uma abordagem compartimentada para uma baseada na colaboração contínua e estreita entre fornecedores de impressoras, materiais, fabricantes e marcas. As partes interessadas em toda a cadeia de valor precisam de trabalhar em conjunto para se adaptarem, testar e evoluir, de modo a cumprir não só os requisitos regulamentares, mas também as exigências impostas pela realidade das atuais infraestruturas de reciclagem.

Trata-se de uma oportunidade valiosa para os fabricantes aprofundarem o seu conhecimento sobre combinações de materiais e reciclabilidade, recolherem dados de conformidade e investirem em flexibilidade através de tecnologias digitais. As empresas que assumirem a liderança em matéria de sustentabilidade estarão bem posicionadas para reforçar a sua competitividade, apoiando os seus clientes de marca no cumprimento dos requisitos regulamentares.

PPWR #Packaging #Embalagem #Reciclagem #ImpressãoDigital #Sustentabilidade #PackagingTechnology #EconomiaCircular

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Carlos Silva Filho e Fabricio Soler*

Em 3 de agosto de 2026, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei Federal nº 12.305/2010, completou 16 anos de vigência. Ao longo desse período, consolidou-se como um dos mais relevantes marcos regulatórios da agenda ambiental brasileira, ao estabelecer princípios, diretrizes e instrumentos voltados à gestão integrada de resíduos sólidos, à economia circular e à responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.

A trajetória da PNRS evidencia importantes avanços institucionais, regulatórios e operacionais. Entretanto, também reforça a percepção de que a efetividade plena de seus instrumentos ainda depende da superação de desafios estruturais que envolvem governança, financiamento, infraestrutura, inclusão socioprodutiva e segurança regulatória.

Nessa perspectiva de 16 anos da Lei 12.305/2010, três temas assumem especial relevância: a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, a implementação gradual dos sistemas de logística reversa e a eliminação definitiva dos lixões e sua substituição por sistemas integrados de destinação de resíduos.

A responsabilidade compartilhada como fundamento da política

Um dos maiores legados da PNRS foi introduzir no ordenamento jurídico brasileiro o conceito de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, atribuindo deveres individualizados e encadeados aos fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos.

Mais do que uma obrigação legal, trata-se de um modelo de governança ambiental que busca distribuir responsabilidades ao longo de toda a cadeia produtiva, reduzindo a geração de resíduos, ampliando sua recuperação e mitigando impactos ambientais e à saúde pública. Após 16 anos, permanece atual o desafio de transformar tal conceito em uma prática efetivamente integrada, coordenada e mensurável entre os diversos agentes envolvidos (fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos).

A evolução dos sistemas de logística reversa

A implementação dos sistemas de logística reversa demonstra a natureza progressiva da própria PNRS. Inicialmente concentrada em cadeias como embalagens de agrotóxicos, pneus, pilhas, baterias e óleos lubrificantes, a política avançou para novos fluxos de resíduos, incorporando embalagens em geral, eletroeletrônicos, medicamentos, vidro, plástico e outros setores estratégicos.

A experiência dos últimos anos demonstra que a construção desses sistemas demanda tempo, investimentos, inovação regulatória e permanente alinhamento entre setor empresarial e Poder Público. A regulamentação federal dos sistemas de logística reversa, o surgimento das entidades gestoras, a institucionalização dos certificados de crédito de reciclagem e o fortalecimento dos mecanismos de rastreabilidade representam avanços importantes, mas ainda coexistem com desafios operacionais e assimetrias regulatórias entre os estados brasileiros.

Nesse cenário, a previsibilidade regulatória, a harmonização normativa e o uso de instrumentos de comprovação e rastreabilidade tendem a ocupar papel central na próxima fase de amadurecimento da política pública.

O desafio permanente da eliminação dos lixões para assegurar a destinação adequada 

Poucos temas simbolizam tão claramente a necessidade de evolução da gestão de resíduos no Brasil quanto a erradicação dos lixões. Ao estabelecer a obrigação de destinação final ambientalmente adequada dos resíduos e rejeitos, a PNRS promoveu uma mudança paradigmática na forma de encarar os resíduos sólidos urbanos. Ainda assim, passados 16 anos, a universalização dessa diretriz permanece como um dos principais desafios da agenda ambiental brasileira.

A eliminação definitiva dos lixões exige não apenas infraestrutura adequada, mas também planejamento regionalizado, sustentabilidade econômico-financeira dos serviços públicos, fortalecimento de modelos de longo prazo, ampliação da coleta seletiva e integração efetiva entre políticas de resíduos, saneamento básico e desenvolvimento urbano.

Mais do que uma obrigação legal, trata-se de uma medida essencial para proteção da saúde pública, preservação dos recursos naturais, mitigação das mudanças climáticas e promoção da justiça socioambiental.

Perspectivas para os próximos anos

Ao completar 16 anos, a PNRS demonstra sua capacidade de adaptação às novas dinâmicas da sustentabilidade, da economia circular e da transição para modelos produtivos mais eficientes no uso de recursos naturais, rumo a um modelo de economia circular, que já se faz presente no DNA da PNRS desde a sua promulgação em 2010.

O fortalecimento da responsabilidade compartilhada, a expansão dos sistemas de logística reversa, e a eliminação definitiva dos lixões devem representar prioridades estratégicas para empresas, governos e sociedade, pois consistem em soluções com o melhor custo-benefício para um futuro com qualidade de vida e preservação ambiental.

Ademais, talvez nenhum aspecto da PNRS tenha produzido impacto social tão relevante quanto o reconhecimento do papel estratégico das organizações de catadores(as) de materiais recicláveis. A experiência acumulada demonstra que os projetos mais robustos e estruturantes de logística reversa são justamente aqueles desenvolvidos em parceria com cooperativas, associações e redes de catadores(as), promovendo investimentos em infraestrutura, capacitação, formalização e melhoria das condições de trabalho.

Na S2F Partners, atuamos desde os passos iniciais da construção da Lei e acompanhamos diretamente a sua implementação, com grande engajamento na evolução desse marco regulatório, contribuindo para a estruturação de soluções jurídicas, regulatórias e operacionais que promovam conformidade ambiental, segurança jurídica, desenvolvimento sustentável e geração de valor compartilhado.

Celebrar os 16 anos da PNRS é reconhecer os avanços conquistados, mas também renovar o compromisso coletivo com a construção de um país mais circular, inclusivo e ambientalmente responsável, com a viabilização de soluções concretas para que a Lei seja implementada na sua totalidade.

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Autores: Carlos Silva Filho (carlos@s2fp.com.brFabricio Soler(fabriciosoler@s2fp.com.br)

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Durante décadas, a indústria trabalhou para eliminar desperdícios. Estoques foram reduzidos ao mínimo, fornecedores foram concentrados em busca de melhores condições comerciais e as cadeias globais de suprimentos passaram a funcionar como mecanismos extremamente sincronizados. O modelo Just-in-Time tornou-se referência porque respondia perfeitamente a um mundo relativamente estável, no qual transporte, comércio internacional e relações geopolíticas seguiam um roteiro previsível.

Esse cenário mudou.

Nos últimos anos, a sucessão de eventos inesperados mostrou que uma cadeia altamente eficiente também pode ser extremamente vulnerável. A pandemia expôs a dependência global de poucos fornecedores. As tensões comerciais entre Estados Unidos e China alteraram rotas de fornecimento consideradas permanentes. Os conflitos no Mar Vermelho afetaram o transporte marítimo internacional. A seca reduziu a capacidade operacional do Canal do Panamá. Cada um desses acontecimentos revelou o mesmo problema: quando um único elo da cadeia falha, toda a indústria sente os efeitos.

A consequência é que a eficiência deixou de ser o único indicador importante. A capacidade de manter a produção funcionando passou a ter um peso estratégico semelhante ao da redução de custos.

Isso não significa que o modelo Just-in-Time tenha perdido sua relevância. Pelo contrário. Ele continua sendo fundamental para inúmeras operações industriais. O que mudou foi a percepção de risco. Hoje, muitas empresas procuram equilibrar eficiência operacional com mecanismos que aumentem sua capacidade de resposta diante de interrupções inesperadas.

Essa mudança pode ser observada em diferentes setores da economia. Empresas que antes concentravam suas compras em um único fornecedor passaram a diversificar suas fontes de abastecimento. Outras aproximaram parte da produção de seus mercados consumidores, reduzindo a dependência de cadeias logísticas extremamente longas. Em alguns casos, componentes considerados críticos voltaram a ser mantidos em estoque, algo que há poucos anos seria interpretado como ineficiência.

Ao mesmo tempo, cresce o investimento em ferramentas capazes de ampliar a visibilidade sobre toda a cadeia de suprimentos. A inteligência artificial, a Internet das Coisas e as chamadas Control Towers permitem acompanhar, quase em tempo real, o comportamento de fornecedores, transportadores e centros de distribuição. O objetivo já não é apenas planejar melhor, mas identificar rapidamente qualquer sinal de ruptura antes que ele interrompa a produção.

Essa transformação também altera a forma como as empresas avaliam seus investimentos. Durante muito tempo, manter fornecedores alternativos ou estoques de segurança era visto apenas como aumento de custos. Hoje, essas decisões começam a ser tratadas como uma espécie de seguro operacional. Afinal, o impacto financeiro provocado pela paralisação de uma linha de produção costuma ser muito maior do que o custo de manter mecanismos de proteção.

Para a indústria brasileira, essa discussão ganha importância adicional. Boa parte dos setores industriais depende de componentes importados, equipamentos de alta tecnologia e matérias-primas produzidas em poucos países. Uma mudança tarifária, uma restrição comercial ou um problema logístico do outro lado do mundo pode afetar diretamente a competitividade das fábricas instaladas no Brasil.

Ao mesmo tempo, esse novo cenário cria oportunidades. Empresas capazes de oferecer maior previsibilidade, diversificar fornecedores e utilizar tecnologias para monitorar riscos tendem a conquistar vantagem competitiva em um ambiente cada vez mais instável.

Talvez a principal mudança não esteja nas ferramentas, mas na forma de pensar a gestão das cadeias de suprimentos. Durante muitos anos, a pergunta era como produzir mais rápido e com menor custo. Hoje, outra questão começa a ocupar espaço nas reuniões de diretoria: como continuar produzindo quando o inesperado acontece?

Essa talvez seja a principal característica da nova indústria. Em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, eventos climáticos extremos e mudanças constantes nas relações comerciais internacionais, resiliência deixou de ser apenas um conceito associado à gestão de riscos. Ela passou a fazer parte da própria estratégia de competitividade.

#SupplyChain #Indústria #Logística #TransformaçãoDigital #Resiliência #Manufatura #PSeTecnologia #IndústriaBrasileira

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Por Gabriel Pavão
 

No cenário de desenvolvimento industrial, a manutenção se tornou um diferencial estratégico, apoiada em dados, sensores e inteligência artificial. Historicamente, este processo começou com a manutenção corretiva, em que o reparo acontecia apenas após a falha. Ele evoluiu para o formato preventivo, baseado em cronogramas fixos, e depois para a modalidade preditiva, utilizando dados e indicadores para antecipar problemas.

Atualmente, o serviço atingiu um patamar ainda mais avançado: a manutenção prescritiva (RxM). Essa abordagem, além de prever falhas, indica ações específicas para evitá-las, combinando sensores IoT, big data, Inteligência Artificial (IA) e machine learning para analisar o desempenho dos ativos em tempo real.  

Diferente da manutenção preditiva, que apenas aponta a probabilidade de falha, a prescritiva recomenda a melhor ação a ser tomada para evitar ou corrigir o problema. Este modelo transforma dados em decisões práticas acionáveis, aumentando o nível de confiabilidade e disponibilidade dos ativos. 

Ciclo da manutenção prescritiva

manutenção prescritiva se baseia em um ciclo contínuo de dados e inteligência, que conecta máquinas, sensores, softwares de análise e a tomada de decisão. Esse processo pode ser dividido em quatro etapas principais: coleta de dados, análise e aprendizado, geração de recomendações e feedback contínuo. 

Este formato só se concretiza com a integração de sensores IoT, plataformas CMMS e IA em ativos críticos. Com essas ferramentas, os algoritmos processam o histórico de falhas e padrões de comportamento dos equipamentos, aprendendo a identificar sinais de degradação que poderiam passar despercebidos por análises tradicionais. 

A manutenção prescritiva se diferencia das demais porque, ao invés de apenas prever quando uma falha pode ocorrer, o sistema prescreve e recomenda as ações mais adequadas para evitar problemas. Cada ação tomada gera novos dados que alimentam os algoritmos, tornando-os mais precisos a cada ciclo.  

O resultado desta implementação é um sistema em melhoria contínua, em que as recomendações ficam cada vez mais ajustadas à realidade da operação, aumentando a confiabilidade dos ativos e reduzindo custos de manutenção. 

Manutenção como escala de maturidade

A trajetória da manutenção evoluiu da simples correção de falhas até a inserção de inteligência artificial e analytics para orientar decisões em ativos e estruturas. Nestas aplicações, o estágio de avanço de maturidade das empresas, especialmente as industriais, pode ser determinado a partir do modelo de manutenção utilizado, auxiliando na compreensão dos passos necessários para que uma operação se torne cada vez mais eficiente. 

Empresas em estágios iniciais ainda operam, majoritariamente, de forma reativa, enquanto aquelas mais avançadas já combinam práticas preditivas e prescritivas, alcançando resultados superiores em disponibilidade, custo e confiabilidade.  

O maior gargalo para essas companhias é escalar de um patamar para o outro, o que exige tecnologia, mudanças culturais, capacitação da equipe e integração de processos. Dessa maneira, quanto maior a complexidade das ferramentas e análises, maior o retorno para a empresa, posicionando a manutenção prescritiva como pilar da Indústria 4.0. 

Desafios e oportunidades

A manutenção prescritiva traz ganhos diretos e mensuráveis para empresas que buscam eficiência, confiabilidade e sustentabilidade. Destacam-se, entre os principais benefícios, tomada de decisão baseada em evidências, redução de custos e tempo de inatividade, melhoria na eficiência e produtividade, prolongamento da vida útil dos equipamentos, segurança aprimorada e redução de riscos, otimização do planejamento e da utilização de recursos, alinhamento estratégico e a conformidade ESG. 

No entanto, para que os empreendimentos atinjam a maturidade máxima, é necessário que as barreiras existentes sejam avaliadas antes da implementação. Os principais obstáculos encontrados nesse processo prescritivo são encontrados em estruturas já existentes e nos custos de adaptação.

A adoção das ferramentas em ativos gera custos iniciais elevados, acrescidos da dificuldade na integração de sistemas, da segurança da informação e compliance, da adaptação da cultura organizacional e da gestão de equipes.

Em razão destes entraves, a manutenção prescritiva ainda se encontra num estágio mais inicial de desenvolvimento e aplicação. Porém, é um modelo que apresenta grande potencial para os próximos anos, considerando que ele vai além da tecnologia, configurando-se como uma estratégia de transformação organizacional. 

No futuro próximo, com a integração de tecnologias modernas, fábricas e empresas irão operar de forma quase autônoma, com manutenção integrada a processos de decisão de negócio, elevando o papel desta área a um nível verdadeiramente estratégico.

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Por Dr Fabio Bento da Pensalab

O Brasil abriga cerca de 12% da água doce superficial do planeta, mas essa abundância aparente esconde um paradoxo cada vez mais preocupante. Enquanto eventos climáticos extremos alternam secas históricas e enchentes severas, o país perde quase 40% da água tratada antes mesmo de ela chegar às torneiras e enfrenta uma demanda crescente dos setores produtivos por recursos hídricos de qualidade.

Nesse cenário, a análise da água deixou de ser uma atividade restrita a laboratórios especializados para se tornar uma ferramenta estratégica para a segurança hídrica, a produtividade econômica e a preservação ambiental. Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Brasil retira anualmente cerca de 90 trilhões de litros de água da natureza. Mais da metade desse volume é destinada à irrigação agrícola, responsável por aproximadamente 50% da demanda hídrica nacional. O abastecimento urbano responde por cerca de 24%, enquanto a indústria representa aproximadamente 9% das retiradas totais.

Os números mostram que a água é um insumo fundamental para praticamente todos os setores da economia. No agronegócio, ela determina produtividade e segurança alimentar. Na indústria, influencia diretamente a eficiência de processos produtivos, sistemas de refrigeração, geração de vapor, fabricação de alimentos, bebidas, medicamentos e inúmeros outros produtos. Mas não basta ter água disponível. É preciso garantir que ela tenha qualidade adequada para cada aplicação.

Uma alteração em parâmetros como pH, turbidez, sólidos dissolvidos, metais pesados, pesticidas ou cloro residual pode comprometer desde uma lavoura até uma linha industrial inteira. Em alguns casos, a contaminação pode gerar prejuízos econômicos significativos, afetar a saúde humana ou provocar impactos ambientais duradouros.

O desafio se torna ainda maior diante do desperdício. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) mostram que o Brasil perde entre 38% e 40% da água tratada durante a distribuição. Isso significa que bilhões de metros cúbicos de água captada, tratada e transportada são desperdiçados anualmente devido a vazamentos, falhas de infraestrutura, fraudes e ligações clandestinas. Em um contexto de crescente pressão sobre os recursos hídricos, medir e monitorar a qualidade da água passa a ser tão importante quanto ampliar sua oferta. É nesse ponto que a tecnologia assume papel central.

A evolução da instrumentação analítica permitiu que laboratórios, estações de tratamento, indústrias e instituições ambientais realizem análises cada vez mais rápidas, precisas e confiáveis. Equipamentos modernos conseguem identificar contaminantes em concentrações extremamente baixas, monitorar alterações químicas em tempo real e apoiar decisões que impactam diretamente a gestão dos recursos hídricos.

Entre as tecnologias utilizadas atualmente estão Plasma por Acoplamento Indutivo (óptico ou e massas), Analisador Automatizado de Fluxo Contínuo, química úmida e tituladores automáticos. Essas ferramentas permitem avaliar parâmetros essenciais para o controle de qualidade da água destinada ao consumo humano, ao uso industrial, à agricultura e ao monitoramento ambiental.

No Brasil, empresas especializadas em instrumentação analítica disponibilizam soluções voltadas à análise de qualidade de águas e meio ambiente, incluindo equipamentos capazes de medir parâmetros físico-químicos, detectar contaminantes e apoiar programas de monitoramento hídrico em diferentes segmentos econômicos. Outro avanço importante está na automação dos processos analíticos. A crescente adoção de sistemas automatizados reduz a possibilidade de erros operacionais, aumenta a produtividade dos laboratórios e permite a geração de dados mais consistentes para atender exigências regulatórias e ambientais.

Essa evolução tecnológica é particularmente relevante em um momento em que as mudanças climáticas ampliam a necessidade de monitoramento constante. Secas prolongadas, alterações nos regimes de chuva, contaminação de mananciais e aumento da pressão sobre os recursos naturais exigem respostas cada vez mais rápidas e baseadas em evidências. Além da exigência regulatória, a análise da água tornou-se um instrumento de gestão. Ela ajuda a proteger a saúde pública, aumenta a eficiência produtiva, reduz desperdícios, previne impactos ambientais e contribui para a sustentabilidade de cadeias produtivas inteiras.

Em um país cuja economia depende fortemente do agronegócio, da indústria e da disponibilidade de recursos naturais, garantir a qualidade da água significa proteger não apenas o meio ambiente, mas também a competitividade econômica e a qualidade de vida das próximas gerações. A água continua sendo um recurso abundante em muitas regiões do Brasil. O grande desafio agora é assegurar que ela permaneça disponível, segura e adequada para os múltiplos usos que sustentam a sociedade moderna.

#agua #Hidrico #SaudePublica #ExigenciaRegulatoria #ImpactosAmbientais #Agronegocio

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Alessandro Buonopane*
 

Por anos, o Q-Day – o momento em que computadores quânticos serão capazes de quebrar a criptografia clássica – foi tratado como uma preocupação teórica e distante por conselhos de administração. Em 2026, essa percepção mudou radicalmente. A ameaça não é mais futura: ela já influencia decisões estratégicas de governos, bancos e grandes corporações. O motor dessa transformação é a convergência entre Inteligência Artificial (IA) e Computação Quântica, duas tecnologias que evoluem em ritmos exponenciais e que, juntas, têm potencial para tornar obsoletos os modelos atuais de proteção digital antes do fim desta década.
 

A aceleração quântica deixou de ser uma promessa de laboratório e entrou definitivamente na agenda geopolítica e corporativa. Governos e empresas estão investindo bilhões de dólares para acelerar o desenvolvimento de hardware e aplicações quânticas, enquanto avanços recentes aproximam cada vez mais a integração entre processadores quânticos e a infraestrutura de IA já existente. Não se trata de duas revoluções independentes. A computação quântica tende a ampliar a capacidade da IA para resolver problemas hoje considerados inviáveis, ao mesmo tempo em que ameaça a base criptográfica que sustenta transações financeiras, comunicações corporativas, sistemas de defesa e a própria economia digital. Um estudo projeta que, até 2029, avanços quânticos tornarão insegura grande parte da criptografia assimétrica utilizada atualmente.
 

O aspecto mais preocupante dessa transição atende pelo nome de “Harvest Now, Decrypt Later” (“Coletar agora, descriptografar depois”). A lógica é simples e perturbadora: criminosos, grupos patrocinados por Estados e organizações especializadas podem capturar dados criptografados hoje, armazená-los por anos e aguardar a chegada de computadores quânticos capazes de decifrá-los. Em outras palavras, informações estratégicas, registros financeiros, propriedade intelectual e dados pessoais roubados agora poderão ser expostos no futuro. Isso transforma a ameaça quântica em um problema presente, não em uma preocupação da próxima década. O desafio é agravado pelo fato de que grandes organizações podem levar anos para identificar e substituir todas as instâncias criptográficas vulneráveis espalhadas por seus ambientes.
 

Enquanto a computação quântica prepara uma ruptura estrutural, a IA já altera o equilíbrio de forças na cibersegurança. A mesma tecnologia que acelera o desenvolvimento de software e aumenta a produtividade das equipes também reduz o custo, o tempo e a especialização necessários para ataques sofisticados. Relatórios recentes apontam que a América Latina registrou o maior crescimento regional em ataques digitais entre 2025 e 2026, impulsionado pela combinação entre ecossistemas criminosos já consolidados e ferramentas de IA Generativa capazes de automatizar atividades antes reservadas a especialistas altamente qualificados.
 

O problema torna-se ainda mais complexo porque a velocidade de geração de software supera a capacidade de validação dos controles tradicionais. Ou seja, o código produzido com auxílio de IA introduz vulnerabilidades em uma parcela significativa das tarefas analisadas e pode gerar mais problemas de segurança do que abordagens convencionais quando não há governança adequada, como destacado por um levantamento. Ao mesmo tempo, novas modalidades de ataque exploram comportamentos específicos dos modelos, desde a distribuição de pacotes maliciosos inspirados em alucinações de IA até o vazamento inadvertido de credenciais. As equipes de segurança passam a dedicar grande parte do tempo à triagem de alertas e falsos positivos, enquanto o volume de código continua crescendo em velocidade exponencial.
 

Outro fator frequentemente negligenciado é a explosão das chamadas identidades não humanas. A ascensão da IA Agêntica está multiplicando credenciais associadas a agentes autônomos, APIs, contas de serviço, tokense sistemas automatizados. Em algumas organizações, a proporção entre identidades não humanas e humanas já supera 100 para 1. Essas credenciais frequentemente possuem privilégios excessivos, são pouco auditadas e se tornam alvos altamente atrativos para atacantes. Não por acaso, violações relacionadas a identidade digital figuram entre os principais vetores de comprometimento corporativo, ampliando riscos financeiros, operacionais e reputacionais.
 

Diante desse cenário, a resposta não passa apenas por adquirir novas ferramentas de segurança. A convergência entre IA e computação quântica exige um novo modelo operacional baseado em visibilidade contínua, automação inteligente e proteção em tempo real. Companhias mais maduras estão mapeando suas exposições criptográficas, adotando princípios de privilégio mínimo para agentes autônomos, implementando mecanismos de supervisão para sistemas de IA e iniciando a migração para algoritmos resistentes a ataques quânticos. A defesa precisa evoluir na mesma velocidade dos sistemas que pretende proteger.
 

A principal lição para lideranças e conselhos é que esperar pela maturidade completa dessas tecnologias pode ser o erro mais caro desta década. O tamanho da organização não garante imunidade; em muitos casos, apenas amplia a superfície de ataque e o custo de recuperação. A convergência entre IA e Computação Quântica representa uma oportunidade extraordinária para inovação, produtividade e geração de valor. Mas ela também inaugura uma nova era de riscos. As organizações que começarem agora a mapear sua exposição, testar criptografia pós-quântica, desenvolver competências em segurança para agentes autônomos e fortalecer sua governança digital estarão mais preparadas para atravessar a ruptura que se aproxima. As demais podem descobrir tarde demais que a cibersegurança do passado já não é suficiente para proteger os negócios do futuro.
 

*Alessandro Buonopane é CEO Brasil e LATAM da GFT Technologies

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SOBRE O BLOG INDUSTRIAL

O Blog Industrial acompanha a movimentação do setor de bens de capital no Brasil e no exterior, trazendo tendências, novidades, opiniões e análises sobre a influência econômica e política no segmento. Este espaço é um subproduto da revista e do site P&S, e do portal Radar Industrial, todos editados pela redação da Editora Banas.

TATIANA GOMES

Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.

NARA FARIA

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.

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