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A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente do Brasil coloca no centro da agenda econômica o desafio de conciliar a manutenção das políticas sociais com o controle das contas públicas, a redução dos juros e a retomada do crescimento. Com espaço orçamentário limitado e o endividamento público em trajetória de alta, o próximo mandato precisará combinar prioridades distributivas com medidas capazes de recuperar a confiança dos investidores e ampliar a capacidade produtiva do país.
 

Na avaliação de Ahmed Sameer El Khatib, professor da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), o cenário exige uma estratégia fiscal de médio prazo, com atenção especial ao crescimento das despesas obrigatórias e à eficiência dos investimentos públicos. O desafio será preservar mecanismos de proteção social sem comprometer a sustentabilidade das contas públicas. 

As projeções para 2027 ajudam a dimensionar o cenário: o mercado estima crescimento de 1,1% para o Produto Interno Bruto (PIB), inflação de 4,8%, taxa Selic de 12,5% ao final do ano e dívida bruta equivalente a 87,6% do PIB. Os indicadores apontam para um início de mandato marcado por crescimento moderado, crédito caro e restrições para a expansão dos gastos públicos. 

“Quanto menor o crescimento econômico, mais difícil se torna aumentar a arrecadação de maneira sustentável e reduzir a relação entre dívida e PIB, especialmente quando o custo de financiamento do setor público permanece elevado”, avalia o professor. 

Contas públicas serão um dos principais desafios
Para o professor da FECAP, uma das prioridades do novo governo deverá ser desacelerar o crescimento das despesas obrigatórias, que incluem gastos previdenciários, benefícios assistenciais e despesas com pessoal. O avanço desses compromissos reduz a margem disponível para investimentos e outras políticas públicas, mesmo quando o governo consegue cumprir formalmente suas metas fiscais. 

Entre as medidas que podem contribuir para o ajuste estão a revisão de renúncias tributárias, o aperfeiçoamento da gestão dos programas sociais, o combate a pagamentos indevidos e a avaliação de mecanismos que fazem determinadas despesas crescerem automaticamente. O docente ressalta, porém, que a solução não passa necessariamente por cortes indiscriminados nos programas de transferência de renda. 

Essas políticas têm papel relevante na redução das desigualdades e na sustentação do consumo, especialmente porque as famílias de menor renda tendem a destinar uma parcela maior de seus recursos à aquisição de bens e serviços essenciais. O desafio é assegurar que os benefícios sejam bem direcionados e financeiramente sustentáveis. 

“Programas de transferência de renda deveriam estar articulados com iniciativas de qualificação profissional, educação financeira, inclusão produtiva e acesso ao emprego formal”, afirma Ahmed. Na avaliação do docente, essa integração pode contribuir para ampliar a autonomia econômica das famílias, sem retirar abruptamente a proteção social. 

A trajetória da dívida também será determinante. Para estabilizar o endividamento em relação ao PIB, o país precisará combinar resultados fiscais consistentes com condições que favoreçam o crescimento econômico. Quando os juros permanecem elevados em relação à expansão da economia, o esforço necessário para conter a dívida se torna maior. 

Redução dos juros dependerá da confiança fiscal 

Embora a redução da Selic seja importante para estimular o crédito, os investimentos e o consumo, o professor El Khatib destaca que a decisão não depende exclusivamente do governo federal. A política monetária é conduzida pelo Banco Central no âmbito do regime de metas de inflação, e o ritmo de eventual flexibilização dependerá da evolução dos preços, das expectativas inflacionárias, do câmbio e das condições internacionais. 

A credibilidade da política fiscal terá influência nesse processo. Quando investidores percebem risco de crescimento persistente da dívida pública, tendem a exigir remuneração maior para financiar o governo. Os juros de mercado mais elevados encarecem o crédito para empresas e famílias, desestimulam projetos produtivos e podem enfraquecer a atividade econômica. 

Para o especialista da FECAP, a apresentação de medidas capazes de desacelerar estruturalmente as despesas e estabilizar o endividamento poderá reduzir a percepção de risco. Esse movimento também pode contribuir para diminuir pressões cambiais e favorecer o controle da inflação. 

O ambiente externo, contudo, continuará sendo uma variável importante. “Juros elevados nos Estados Unidos, mudanças nos preços internacionais do petróleo e fluxos de capital para mercados emergentes podem limitar a redução dos juros brasileiros, mesmo que haja avanços na condução da política econômica doméstica”, acrescenta. 

Crescimento dependerá de produtividade e investimento
Além das contas públicas, o próximo mandato terá de enfrentar obstáculos estruturais, como baixa produtividade, deficiências na educação, custos logísticos, complexidade regulatória e dificuldades de financiamento de longo prazo. Na avaliação do professor da FECAP, a recuperação econômica não poderá depender indefinidamente da expansão do consumo ou de estímulos fiscais e creditícios.

Investimentos em infraestrutura, habitação, educação, inovação e transição energética poderão contribuir para acelerar a atividade econômica entre 2028 e 2030. “Para que seus efeitos sejam duradouros, porém, os projetos precisarão ser selecionados com critérios rigorosos e, sempre que possível, atrair recursos privados”. 

No mercado de trabalho, o professor chama a atenção para a diferença entre ampliar a ocupação e elevar a produtividade. Uma economia pode gerar empregos sem registrar ganhos expressivos de renda real quando a produção por trabalhador avança lentamente. Educação, tecnologia, qualificação profissional e modernização das empresas serão fundamentais para sustentar aumentos de renda no longo prazo. 

As políticas de valorização do salário-mínimo e estímulo ao consumo também exigirão atenção. Embora possam fortalecer o comércio e melhorar o poder de compra, seus efeitos dependerão da capacidade produtiva da economia e da evolução dos custos empresariais. “Além disso, aumentos reais do salário-mínimo repercutem em benefícios previdenciários e assistenciais vinculados ao piso nacional, pressionando as despesas obrigatórias”. 

Se a expansão da demanda ocorrer sem ganhos correspondentes de produtividade e oferta, parte dos benefícios poderá ser absorvida pela inflação. O aumento da renda também precisará ser acompanhado de medidas de educação financeira e de enfrentamento do endividamento excessivo das famílias.
 “Os ganhos de renda precisam se converter em melhoria duradoura das condições de vida, e não apenas em expansão temporária das vendas e do crédito”, afirma o professor.


 O professor finaliza afirmando que o desempenho econômico do novo mandato dependerá da capacidade de compatibilizar proteção social, previsibilidade fiscal e investimentos que aumentem a produtividade. “A possibilidade de acelerar o crescimento existe, mas estará condicionada à implementação das medidas e à recuperação sustentável das condições de financiamento da economia”.

 Ahmed Sameer El Khatib é Doutor em Finanças e Doutor em Educação, Mestre em Ciências Contábeis e Atuariais, graduado em Ciências Contábeis, Pós-doutor em Contabilidade e Pós-doutor em Administração. É graduando e doutorando em Psicologia Clínica.

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Por Elbia Gannoum, presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) 

A transição energética deixou de ser apenas uma agenda ambiental para se tornar uma questão de competitividade, desenvolvimento industrial e atração de investimentos. À medida que países e empresas buscam reduzir emissões, cresce a demanda por energia limpa, segura e competitiva. O Brasil reúne condições favoráveis para ocupar posição de destaque, mas precisa transformar sua vantagem natural em liderança econômica duradoura. 

Segundo o Balanço Energético Nacional 2026, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), as fontes renováveis responderam por 86,8% da matriz elétrica brasileira em 2025. Eólica e solar fotovoltaica representaram, juntas, 26,4% da geração de eletricidade. Os indicadores reforçam a posição diferenciada do país na transição energética, mas também evidenciam o desafio de converter essa vantagem em competitividade industrial e desenvolvimento econômico. 

Recursos naturais abundantes, porém, não garantem liderança. O desafio é converter energia em produtividade, inovação, empregos qualificados e novos negócios. Para isso, o país precisa ir além da geração e construir uma economia competitiva em torno das fontes limpas. 

A industrialização é um caminho estratégico. A eletricidade renovável pode atrair atividades que buscam reduzir a pegada de carbono, como siderurgia, química, mineração e produção de fertilizantes e combustíveis sustentáveis. O hidrogênio de baixa emissão também pode contribuir para descarbonizar setores nos quais a eletrificação direta é mais difícil. 

Há oportunidades, ainda, nos biocombustíveis, no biogás e no biometano, áreas em que o Brasil acumulou experiência. Essas soluções podem reduzir emissões nos transportes e na indústria e ampliar a presença brasileira em mercados internacionais. Para competir, será necessário combinar escala, eficiência, qualidade e comprovação dos benefícios ambientais. 

A transformação depende de investimentos e de um ambiente de negócios previsível. Projetos de energia exigem capital elevado e planejamento de longo prazo, enquanto incertezas regulatórias, mudanças frequentes nas regras e dificuldades de financiamento podem elevar riscos e adiar decisões. Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em outubro de 2026, com base em dados da BloombergNEF, a capacidade instalada de novas usinas renováveis no Brasil caiu 27% entre 2024 e 2025, passando de 24 GW para 17 GW. O cenário reforça que o potencial brasileiro em energia limpa não garante, por si só, a expansão sustentada do setor. Em meio à concorrência internacional por recursos, a previsibilidade regulatória e as condições favoráveis ao investimento são fundamentais para atrair capital e viabilizar novos projetos. 

A mobilização de capital requer a atuação conjunta dos setores público e privado. Bancos de desenvolvimento, financiamento verde, mercado de capitais e parcerias internacionais podem viabilizar projetos. Mais do que atrair recursos, importa direcioná-los a iniciativas que gerem valor econômico, inovação e desenvolvimento produtivo. 

A infraestrutura é outro desafio. A expansão das fontes renováveis precisa acompanhar investimentos em transmissão, distribuição, armazenamento e modernização do sistema elétrico. Como a geração eólica e solar varia conforme as condições naturais, é necessário equilibrar oferta e demanda com maior flexibilidade. Quando a rede não absorve toda a eletricidade disponível, a produção é reduzida, prejudicando a eficiência e a rentabilidade dos empreendimentos. Ampliar a geração sem planejar sua integração significa desperdiçar potencial. 

Também é preciso aproximar as políticas energética e industrial. A expansão dos projetos não garante que equipamentos, componentes e tecnologias sejam produzidos no país. Sem inovação, qualificação profissional e fornecedores competitivos, o Brasil pode concentrar ganhos na geração e depender de outros países nas etapas de maior valor agregado. A estratégia deve combinar investimentos estrangeiros, capacidade produtiva local, pesquisa e desenvolvimento tecnológico. 

Isso não significa buscar autossuficiência a qualquer custo, mas identificar oportunidades para integrar cadeias globais de valor. Universidades, centros de pesquisa, empresas e governos precisam atuar de forma coordenada. A formação de profissionais preparados para trabalhar com armazenamento, eficiência energética e sistemas inteligentes também será decisiva. A transição ganha força quando produtividade se traduz em emprego e renda. 

O avanço regulatório pode abrir mercados, desde que venha acompanhado de implementação e previsibilidade. Em 2024, o Brasil aprovou marcos legais relacionados ao hidrogênio de baixa emissão, aos combustíveis do futuro e ao mercado de carbono. Regras claras e certificações alinhadas a padrões internacionais ajudarão a dar credibilidade aos produtos brasileiros e facilitar seu acesso a mercados exigentes. 

A transição precisa, ainda, ser economicamente viável e socialmente inclusiva. Energia competitiva é essencial para a indústria e para as famílias. Políticas que ampliem a eficiência, o acesso e as oportunidades podem distribuir melhor os benefícios, enquanto a preservação ambiental e o respeito às comunidades devem fazer parte do planejamento desde o início. 

O Brasil dispõe de uma matriz elétrica renovável, experiência em biocombustíveis e recursos naturais diversificados. Essas vantagens formam uma base importante, mas não eliminam os desafios de financiamento, infraestrutura, inovação e segurança regulatória. Tampouco garantem que os investimentos se convertam em desenvolvimento industrial. 

Liderar significa transformar potencial em resultados. Isso exige planejamento de longo prazo, cooperação entre os setores público e privado, investimentos em tecnologia e infraestrutura, formação profissional e regras estáveis. A energia limpa não é apenas um produto: pode reorganizar a indústria, atrair capital e redefinir a posição dos países na economia mundial. 

A oportunidade está posta, mas a liderança não será automática. O Brasil precisa transformar sua vantagem energética em uma estratégia capaz de gerar valor dentro de suas fronteiras. Assim, a transição poderá ir além da contribuição climática e se tornar uma alavanca para ampliar a competitividade, diversificar a economia e consolidar a presença brasileira nos mercados do futuro. 

#energialimpa #competitividade #vantagemenergética #matrizelétrica #agendaambiental #industrialização

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Rodrigo Oliveira, CEO da Green Mining e Vice-presidente da ABELORE

Quando compramos uma garrafa de refrigerante, um pote de shampoo, uma caixa de cereal ou uma embalagem de delivery, existe carbono envolvido em quase tudo: na extração da matéria-prima, na fabricação da embalagem, no transporte, no consumo e no descarte. 

Para quem fabrica esses produtos, muitas dessas emissões não aparecem dentro da fábrica. Elas estão na chamada cadeia de valor. No mundo das metas climáticas, isso é conhecido como Escopo 3. É uma forma técnica de dizer que a empresa também precisa olhar para o impacto que acontece antes e depois da sua operação direta. 

Nos últimos anos, muitas empresas passaram a medir essas emissões e a prometer reduzi-las. Algumas diminuíram o peso das embalagens. Outras trocaram materiais. Outras criaram refis. Tudo isso é importante e deve continuar acontecendo. Se uma empresa consegue usar menos plástico, menos papel, menos vidro ou menos alumínio, ela reduz parte do seu impacto.

Mas há uma pergunta que ainda precisa ser respondida: e o que acontece com as emissões que continuam existindo?
Mesmo com embalagens mais leves e produtos mais eficientes, o mundo continuará usando materiais. E esses materiais precisam ter um destino. Se forem parar em aterros, lixões, rios ou oceanos, perdemos valor econômico e aumentamos o impacto ambiental. Se forem reciclados, podem voltar para a indústria como matéria-prima e evitar a produção de novos materiais virgens. 

É aqui que a reciclagem ganha um novo papel.

Durante muito tempo, a reciclagem foi vista principalmente como uma boa prática ambiental. Separar o lixo, entregar o material corretamente, apoiar cooperativas, cumprir regras de logística reversa. Tudo isso continua válido. Mas agora a reciclagem pode ser vista também como uma solução climática.
 

Quando uma lata, uma garrafa, uma embalagem plástica ou uma caixa de papel é reciclada, ela pode substituir parte da matéria-prima nova que seria usada pela indústria. Produzir com material reciclado costuma evitar emissões em comparação com produzir tudo a partir de matéria-prima virgem. Portanto, reciclar também é uma forma de reduzir carbono.
 

A diferença é que, para isso valer no mercado climático, não basta dizer que reciclou. É preciso provar.

O material precisa ser pesado, classificado, registrado, rastreado e destinado corretamente. É preciso saber de onde veio, para onde foi e qual impacto climático gerou. Em outras palavras, a reciclagem precisa sair do discurso e entrar na lógica da evidência. 

Esse é o ponto central da nova discussão internacional sobre metas climáticas corporativas. A SBTi, uma das principais referências globais em metas de redução de emissões, vem reforçando que as empresas devem priorizar ações conectadas à sua própria cadeia de valor. Ou seja, uma empresa não deve simplesmente comprar qualquer crédito de carbono distante da sua realidade e dizer que resolveu o problema.

Se a emissão vem das embalagens, a solução climática mais coerente deve estar ligada às embalagens. 

Isso não significa abandonar outras soluções. Reduzir embalagem, redesenhar produtos, criar refis e trocar materiais continuam sendo medidas fundamentais. Mas essas ações reduzem o inventário da empresa. Depois delas, ainda sobra uma parte do impacto ligada aos materiais que continuam circulando na economia.
 Para essa parte, o crédito de carbono da reciclagem pode se tornar uma resposta muito mais coerente do que créditos genéricos.
 

Imagine uma empresa de bebidas que coloca milhões de garrafas no mercado. Faz sentido ela reduzir o peso das garrafas? Sim. Faz sentido usar mais material reciclado? Sim. Faz sentido investir em refil quando possível? Sim. Mas, se ainda existe emissão ligada às embalagens, o crédito climático mais alinhado com esse impacto é aquele que financia a coleta, a triagem e a reciclagem de materiais semelhantes ou conectados à sua cadeia.
 

O mesmo vale para cosméticos, alimentos, produtos de limpeza, comércio eletrônico e supermercados. Quem coloca embalagem no mercado precisa ajudar a transformar embalagem usada em matéria-prima novamente.

Essa lógica pode mudar a forma como empresas compram créditos de carbono. Em vez de escolher apenas o crédito mais barato ou mais fácil, elas terão de buscar créditos com maior conexão com seu próprio impacto. Para embalagens, essa conexão passa pela reciclagem. 

O Brasil tem uma oportunidade enorme nesse tema. Temos milhões de pessoas envolvidas direta ou indiretamente com a coleta e reciclagem de materiais. Temos cooperativas, catadores, operadores locais e empresas criando tecnologia para rastrear melhor os resíduos. Mas ainda reciclamos muito menos do que poderíamos.
 

O crédito de carbono da reciclagem pode ajudar a mudar essa conta. Ele pode gerar dinheiro novo para pagar melhor a cadeia, melhorar a infraestrutura, profissionalizar a coleta e aumentar a quantidade de material reciclado. Ao mesmo tempo, ajuda empresas a enfrentarem suas emissões de forma mais próxima da origem do problema. 

No fim, a ideia é simples: crédito de carbono não pode ser apenas uma forma de limpar a consciência. Ele precisa ajudar a transformar sistemas reais. E poucos sistemas precisam tanto de transformação quanto o dos resíduos.
 

Se a emissão nasce da embalagem, a mitigação mais justa, rastreável e compreensível deve nascer da circularidade da embalagem. Reciclar, nesse novo cenário, deixa de ser apenas separar o lixo corretamente. Passa a ser também uma ferramenta concreta de combate à crise climática.

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Industria Farmacêutica lidera avanço de IA

A inteligência artificial vem impulsionando uma nova fase do varejo brasileiro. Entre os segmentos que mais avançam na aplicação prática da tecnologia está o farmacêutico, onde a utilização de IA já se tornou ferramenta concreta de eficiência operacional e apoio à tomada de decisão.
 

O lançamento recente da Lia, inteligência artificial desenvolvida pela Alpha7, reforça esse movimento. A solução foi criada para transformar o suporte técnico no varejo farmacêutico, organizando conhecimento, acelerando respostas e ampliando a capacidade estratégica das farmácias no dia a dia.
 

Mais do que um chatbot, a Lia atua como uma especialista digital. A ferramenta interpreta prints de tela, analisa arquivos em PDF, compreende diferentes contextos e entrega respostas personalizadas de forma imediata. Na prática, a tecnologia reduz o tempo de atendimento, aumenta a assertividade das orientações e contribui diretamente para decisões mais seguras e ágeis dentro das operações.
 

O projeto começou a ser estruturado em meados do ano passado, a partir da identificação de gargalos no atendimento e da necessidade de escalar o suporte sem perder qualidade. Atualmente, a Alpha7 atende entre 400 e 500 clientes por dia e soma mais de 55 mil usuários ativos em seus sistemas.
 

“A inovação precisa resolver problemas reais. A Lia nasceu exatamente com esse propósito: dar velocidade ao atendimento, organizar o conhecimento que acumulamos ao longo dos anos e entregar respostas mais inteligentes para os nossos clientes”, afirma Stephenson Seleber, presidente da Alpha7.
 

A inteligência artificial foi treinada com base em mais de 6 mil artigos técnicos, organizados e revisados por uma equipe dedicada exclusivamente à gestão do conhecimento, departamento estruturado para sustentar a evolução contínua da ferramenta. O conteúdo consolidado equivale a mais de 4 mil páginas de informações técnicas.
 

Diferentemente dos modelos tradicionais de automação, a Lia interpreta contexto e ajusta o nível de profundidade das respostas conforme o perfil do usuário. Pode oferecer orientações objetivas e passo a passo ou explicações mais técnicas e detalhadas. Esse diferencial evidencia como a IA ultrapassa o papel operacional e passa a atuar como apoio estratégico à gestão.
 

“Não se trata de substituir pessoas. A tecnologia potencializa o nosso time. A Lia assume as demandas mais rápidas e repetitivas, enquanto nossa equipe se dedica aos atendimentos que exigem análise estratégica e proximidade com o cliente”, reforça Seleber.
 

Entre os principais resultados já observados estão a redução significativa no tempo de primeira resposta, o aumento da satisfação dos clientes e maior eficiência operacional da equipe de suporte.
 

Antes da implementação da IA, toda a triagem inicial era realizada manualmente. Agora, a tecnologia organiza informações, responde dúvidas recorrentes e libera a equipe humana para situações mais complexas, fortalecendo a qualidade do atendimento e a capacidade de análise.
 

A própria Lia foi desenvolvida com apoio intensivo de ferramentas de inteligência artificial, consolidando uma cultura interna de inovação aplicada na prática. “A tecnologia da informação sempre foi o coração da Alpha7. A inteligência artificial representa uma evolução natural do nosso compromisso com o varejo farmacêutico. Estamos ampliando a disseminação do conhecimento e tornando o atendimento mais rápido, seguro e eficiente”, conclui o presidente.
 

Com a nova solução, a Alpha7 reforça o posicionamento de que o setor farmacêutico não apenas acompanha o avanço da IA no varejo, mas contribui ativamente para sua consolidação como ferramenta estratégica de gestão e competitividade.

#Farmacêutica #IA #Alpha7 #Varejo #EficiênciaOperacional #Setor #Industria #Competitividade

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A indústria automotiva global atravessa uma de suas transformações mais profundas em décadas. No Brasil, esse movimento ocorre em paralelo a uma retomada do mercado: segundo a Anfavea, a produção nacional deve alcançar cerca de 2,8 milhões de autoveículos em 2026, alta de 5,8% sobre 2025 e o melhor resultado desde 2019, enquanto os emplacamentos podem superar 3 milhões de unidades, patamar que não é registrado desde 2014.

Esse cenário de expansão ocorre justamente quando as montadoras enfrentam uma combinação de desafios: a transição acelerada para veículos elétricos e híbridos, cadeias produtivas mais complexas e integradas e a necessidade de elevar a competitividade da produção nacional diante das oportunidades que o Nearshoring pode gerar para o Brasil. Esse contexto está levando fabricantes (OEMs) e seus fornecedores a investir em operações mais inteligentes, capazes de aumentar a eficiência, reduzir custos decorrentes de erros e atender a padrões de qualidade cada vez mais rigorosos.

De acordo com o estudo Manufatura Automotiva: Operações Inteligentes para a Fábrica Conectada da Zebra Technologies, empresa líder em soluções de digitalização e automação para operações inteligentes, as plantas automotivas modernas enfrentam o desafio de gerenciar cadeias de suprimentos cada vez mais complexas e interconectadas. Para responder a esse desafio, a automação industrial, o rastreamento de ativos em tempo real por meio de RFID e os sistemas de visão artificial tornaram-se a espinha dorsal da manufatura avançada.

Eixos Tecnológicos para a Transformação do Chão de Fábrica

A transformação digital na indústria automotiva e manufatureira exige hoje uma precisão milimétrica desde as etapas iniciais de produção. Nesse contexto, a rastreabilidade de componentes críticos tornou-se um pilar indispensável: o monitoramento contínuo e detalhado da montagem de peças-chave — como chassis, motores e pacotes de baterias — não apenas contribui para o cumprimento de requisitos regulatórios e padrões internacionais de qualidade, como também atua como um escudo preventivo para mitigar recalls custosos e proteger a reputação da marca. A tecnologia RFID facilita o rastreamento automático de autopeças que avançam de estação em estação.

Paralelamente a esse acompanhamento integral, a convergência do controle de qualidade automatizado e da gestão de materiais em processo (WIP) está redefinindo a eficiência operacional no chão de fábrica. Por meio da incorporação de scanners industriais fixos e sensores de visão artificial, as linhas de montagem podem detectar anomalias imperceptíveis ao olho humano antes que a unidade conclua seu ciclo. Essa precisão é complementada por uma visibilidade total do fluxo de peças, permitindo antecipar gargalos, sincronizar suprimentos e eliminar tempos de inatividade que costumam reduzir a produtividade.

No entanto, a tecnologia atinge seu máximo potencial quando coloca as pessoas no centro da operação. O empoderamento da equipe operacional por meio de dispositivos móveis corporativos e intuitivos permite que os trabalhadores da linha de frente recebam instruções claras, alertas e dados contextuais em tempo real. Ao conectar a força de trabalho a informações que podem ser utilizadas instantaneamente, as plantas não apenas reduzem a margem de erro, mas também constroem uma operação ágil, segura e preparada para as exigências da fábrica do futuro.

“A planta automotiva deixou de ser uma simples sequência mecânica para se tornar um centro nevrálgico de dados em tempo real. Na era da eletromobilidade e da personalização em massa, as operações inteligentes e a automação na linha de frente não representam um luxo tecnológico, mas uma condição indispensável para operar de maneira rentável e fortalecer a posição do Brasil na cadeia automotiva global”, afirma Ana María Cabrales, Diretora de Marketing de Produto e Soluções para a América Latina da Zebra Technologies.

Impacto Direto na Rentabilidade e Continuidade dos Negócios

Integrar tecnologia ao chão de fábrica gera retornos mensuráveis em três frentes estratégicas:

  1. Eliminação do Retrabalho e Redução de Custos Operacionais:
    Identificar um desvio no momento exato em que ocorre dentro da estação de submontagem evita desmontar unidades completas ao final da linha, economizando milhares de horas de trabalho e eliminando o desperdício de materiais de alto valor.
  2. Governança de Dados e Proteção de Garantias:
    Contar com registros digitais invioláveis em nível de VIN (Vehicle Identification Number) simplifica os processos de certificação internacional e protege a reputação da marca e dos fornecedores diante de reclamações ou disputas de qualidade.
  3. Máxima Continuidade Operacional (Takt Time Ideal):
    Na manufatura automotiva, cada minuto de parada não planejada representa perdas de dezenas de milhares de dólares. A sincronização digital entre armazéns, logística interna e estações de trabalho garante um ritmo de produção constante e previsível.

“Hoje, as empresas não podem se dar ao luxo de ter pontos cegos em seus processos produtivos nem em sua cadeia de suprimentos. O desafio é oferecer aos operadores e aos líderes de fábrica ferramentas intuitivas que transformem os dados do chão de fábrica em decisões operacionais imediatas”, concluiu Cabrales.

Ana María Cabrales é Diretora de Marketing de Produto e Soluções para a América Latina da Zebra Technologies.

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Por muito tempo, a inteligência artificial na indústria foi discutida quase exclusivamente sob a ótica da eficiência: menos retrabalho, menos custo, mais velocidade. Esse olhar continua válido, mas está incompleto.

Um artigo recente do especialista em cultura corporativa Alexandre Slivnik, publicado em seu blog, traz uma provocação que vale a pena trazer para o universo industrial: e se a IA fosse usada não só para automatizar processos, mas para fortalecer a relação com colaboradores e clientes? (Fonte: Alexandre Slivnik, “7 formas de usar a inteligência artificial para impulsionar o encantamento interno e externo nas empresas”, publicado em seu blog em 12/11/2025.)

O ponto central do argumento de Slivnik é simples e direto: ferramenta de IA usada de forma isolada não move o ponteiro. O que gera diferencial é quando a tecnologia libera tempo e atenção humana para o que realmente importa: ouvir, antecipar, cuidar. Ele cita um dado da Boston Consulting Group mostrando que a maioria das empresas que adotam IA ainda não redesenha seus processos ao redor dela, o que limita o ganho real da tecnologia a ajustes pontuais, em vez de transformação de cultura.

Transportando essa lógica para o chão de fábrica e para as relações B2B do setor industrial, alguns paralelos ficam evidentes. No atendimento e suporte técnico, assim como chatbots já resolvem boa parte das interações simples no varejo, sistemas inteligentes podem triar demandas técnicas recorrentes, como dúvidas sobre especificações de produto, status de pedido e documentação, liberando as equipes técnicas para os casos que exigem julgamento e relacionamento.

No clima e retenção de equipe industrial, em operações com alta rotatividade, comum em plantas fabris, identificar sinais de desmotivação antes que se transformem em desligamento tem impacto direto em produtividade e segurança operacional, não só em clima organizacional.

Na antecipação de necessidades do cliente industrial, fornecedores que conseguem prever demanda ou sugerir soluções antes mesmo do pedido formal, a partir de padrões de consumo e sazonalidade, constroem um tipo de confiança que nenhum relatório de performance sozinho entrega.

Já na integração entre gerações na fábrica, um ponto frequentemente esquecido é que a IA pode funcionar como ponte entre operadores mais experientes e a nova geração que chega com outra relação com tecnologia, simplificando processos para uns e ampliando a inovação trazida pelos outros.

Vale um dado de contexto que o próprio artigo original traz: segundo o IBGE, apenas 16,9% das indústrias brasileiras com mais de 100 funcionários utilizavam IA em 2022, concentrada principalmente em marketing e processos administrativos, não na relação direta com cliente ou colaborador. Isso mostra que, para o setor industrial nacional, essa discussão sobre “IA para encantamento” ainda está começando, e há espaço real de diferenciação para quem sair na frente.

A conclusão de Slivnik resume bem o convite deste texto: a inteligência artificial não substitui o fator humano, ela deveria potencializá-lo. Para a indústria, isso significa parar de tratar a IA só como ferramenta de corte de custo e começar a perguntar onde ela pode ajudar a sermos mais presentes, mais atentos e mais humanos com quem trabalha e compra de nós.

Este artigo foi inspirado no texto original de Alexandre Slivnik, “7 formas de usar a inteligência artificial para impulsionar o encantamento interno e externo nas empresas”, publicado em seu blog.

#AlexandreSlivnik #IA #RevistaPS #Revistapack #BanasConnect #Marketing #

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Durante muitos anos, a sustentabilidade de um plástico era resumida a uma única pergunta: de onde vem sua matéria-prima?

Se a resposta fosse “cana-de-açúcar”, “milho” ou outra fonte renovável, grande parte da discussão terminava ali.

À medida que metas de descarbonização se tornam parte das estratégias corporativas e as exigências regulatórias aumentam, a indústria percebeu que a origem renovável, por si só, já não responde às perguntas que o mercado faz.

 Empresas, investidores e consumidores querem saber como aquela matéria-prima foi produzida, quem a certificou, qual foi seu impacto ambiental e social e de que forma essas informações podem ser comprovadas. A sustentabilidade deixou de ser uma narrativa. Tornou-se uma questão de evidências.

O mercado mudou de pergunta

O crescimento dos plásticos de fonte renovável ocorreu em paralelo à evolução das políticas ESG e da economia circular. Esse movimento alterou profundamente os critérios utilizados para avaliar materiais e fornecedores.

Antes, bastava informar que um produto possuía matéria-prima renovável. Hoje, compradores globais analisam toda a cadeia de valor.

A matéria-prima foi obtida de forma responsável?

Existe certificação independente?

Como o carbono renovável é contabilizado?

Há mecanismos que permitam comprovar essas informações em auditorias?

Essas perguntas passaram a influenciar decisões comerciais, investimentos e processos de homologação de fornecedores.

A nova moeda da indústria chama-se confiança

Na prática, rastreabilidade significa transformar informações da cadeia produtiva em dados verificáveis.

Mais do que acompanhar o percurso da matéria-prima, ela permite demonstrar conformidade com requisitos ambientais, sociais e regulatórios ao longo de todo o processo produtivo.

É justamente essa capacidade de comprovação que diferencia empresas preparadas para atender mercados cada vez mais exigentes.

Sistemas internacionais de certificação, como o ISCC PLUS (International Sustainability & Carbon Certification), permitem verificar critérios relacionados à sustentabilidade, cadeia de custódia e rastreabilidade de matérias-primas renováveis e recicladas. No caso da cadeia suco energética, certificações como a Bonsucro estabelecem padrões para produção responsável, contemplando aspectos ambientais, sociais e de gestão.

Quando combinados a modelos de Mass Balance (Balanço de Massa) — metodologia reconhecida internacionalmente para atribuição de matérias-primas renováveis e recicladas em processos industriais complexos — esses sistemas oferecem transparência sem comprometer a eficiência operacional das plantas petroquímicas.

A regulação acelera uma transformação que já estava em curso

A União Europeia vem consolidando um conjunto de normas voltadas à economia circular, ao ecodesign e à transparência das alegações ambientais. Paralelamente, cresce a exigência por informações consistentes sobre conteúdo renovável, reciclabilidade, pegada de carbono e origem das matérias-primas.

Nesse cenário, a governança deixa de ser uma atividade restrita às áreas de compliance. Ela passa a integrar a estratégia de negócios.

Empresas capazes de demonstrar consistência em seus processos tendem a responder mais rapidamente às mudanças regulatórias, reduzir riscos reputacionais e fortalecer relações comerciais em cadeias globais de suprimentos.

Durante anos, o greenwashing foi tratado como um problema de comunicação. Hoje, ele representa um risco operacional, regulatório e financeiro.

Declarações ambientais sem respaldo técnico podem resultar em questionamentos de clientes, investidores e autoridades regulatórias, além de comprometer a reputação construída ao longo de décadas.

Por isso, sustentabilidade precisa ser sustentada por dados.

Certificações reconhecidas internacionalmente, auditorias independentes, indicadores transparentes e sistemas robustos de governança passaram a ser componentes essenciais da competitividade industrial.

O futuro será definido pela credibilidade

Os plásticos de fonte renovável continuarão desempenhando papel relevante na redução das emissões de carbono e na transição para uma economia circular.

Mas o diferencial competitivo não estará apenas na escolha da matéria-prima. Estará na capacidade de oferecer transparência em toda a cadeia de valor.

Em um mercado no qual decisões são cada vez mais orientadas por evidências, rastreabilidade, certificação e governança deixam de ser requisitos adicionais para se tornarem parte do próprio produto.

No fim, a matéria-prima continua importante. Mas, na indústria do futuro, o ativo mais valioso será a confiança que acompanha cada tonelada produzida.#PlasticoRenovavel #Bioeconomia #EconomiaCircular #Rastreabilidade #Certificacao #Sustentabilidade #Descarbonizacao #IndustriaQuimica #ISCCPlus #Bonsucro #Braskem #ImGreen

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A possibilidade de utilizar polietileno de fonte renovável mantendo propriedades, desempenho e aplicações do PE convencional reduz uma das principais barreiras técnicas à adoção de materiais de menor pegada de carbono.

O desafio não é apenas trocar a matéria-prima

Na indústria de transformação de plásticos, a escolha de uma resina está diretamente ligada à engenharia do processo. Equipamentos, moldes, temperaturas, velocidades, taxas de resfriamento e demais parâmetros de operação são definidos a partir do comportamento do material durante o processamento.

Por isso, substituir um polímero por outro pode exigir uma etapa de desenvolvimento que vai muito além da simples troca de matéria-prima. Ensaios, ajustes de processo, validações de produto e, em determinados casos, alterações em equipamentos fazem parte da equação.

É nesse contexto que o conceito de drop-in ganha relevância. Em vez de propor uma ruptura com a infraestrutura existente, a estratégia parte da compatibilidade com processos e aplicações já consolidados.

O que significa, na prática, ser drop-in

O polietileno I’m green™ bio-based, da Braskem, é produzido a partir de etanol de cana-de-açúcar, que é convertido em eteno de fonte renovável e posteriormente utilizado na produção do polietileno.

A característica central dessa rota é que o polímero obtido mantém propriedades e desempenho comparáveis aos do polietileno convencional de origem fóssil, permitindo sua utilização em aplicações já conhecidas pela indústria de transformação.

Na prática, isso significa que a mudança da origem da matéria-prima não exige necessariamente uma mudança na lógica industrial que já existe.

É uma diferença importante. A inovação não está em criar um novo processo de transformação, mas em permitir que uma nova fonte de carbono entre em um processo industrial conhecido.

A vantagem está na compatibilidade industrial

Para um convertedor, a sustentabilidade de uma matéria-prima precisa ser acompanhada de viabilidade operacional.

É nesse ponto que o drop-in ganha valor. A possibilidade de utilizar uma resina de fonte renovável dentro das cadeias existentes de processamento de PE reduz a necessidade de mudanças estruturais em equipamentos e infraestrutura.

Isso pode simplificar etapas de testes e validação e, dependendo da aplicação e da especificação da grade utilizada, reduzir a necessidade de investimentos associados à adaptação da linha produtiva.

O benefício, portanto, não está apenas na substituição de uma fonte fóssil por uma fonte renovável. Está também na redução da complexidade envolvida na transição.

Onde essa compatibilidade importa

A amplitude das aplicações é outro elemento relevante.

O portfólio I’m green™ bio-based contempla diferentes grades de polietileno, incluindo HDPE, LLDPE e LDPE, destinadas a aplicações como:

  • filmes;
  • embalagens rígidas;
  • produtos de higiene;
  • bens de consumo;
  • aplicações técnicas.

Segundo a Braskem, o portfólio conta com aproximadamente 25 grades de PE, com conteúdo renovável de 80% a 100%, certificado de acordo com a ASTM D6866.

Essa variedade permite que a discussão sobre materiais renováveis deixe de ser restrita a aplicações experimentais e passe a integrar decisões concretas de desenvolvimento, especificação e produção.

A mudança acontece antes da fábrica

Existe uma diferença importante entre mudar um material e mudar um processo. Quando a adoção de uma matéria-prima renovável exige a reconstrução da infraestrutura industrial, a sustentabilidade pode se transformar em um projeto de engenharia de grande complexidade. Quando o material pode ser incorporado às cadeias existentes, a discussão muda de escala.

O drop-in não elimina a necessidade de avaliação técnica — cada aplicação continua exigindo especificação, testes e validação adequados. Seu valor está em reduzir a distância entre a intenção de descarbonizar e a capacidade de colocar essa decisão em prática.

Para a indústria, essa pode ser uma das vantagens mais relevantes do polietileno de fonte renovável: a transição pode começar pela matéria-prima, sem necessariamente começar pela fábrica.

#Braskem #I’greenbiobased #Polietileno #Dropin #MatériaPrima #Plásticos #Filmes #PE

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Existe uma frase muito comum nas empresas: “segurança é prioridade”. Eu prefiro dizer que segurança é um valor. Prioridades mudam conforme o cenário, as metas e os desafios do negócio. Valores, não. Eles orientam decisões, independentemente das circunstâncias.

Essa diferença de perspectiva ajuda a explicar por que algumas organizações conseguem reduzir acidentes de forma consistente, enquanto outras continuam convivendo com os mesmos problemas, mesmo investindo em treinamentos, procedimentos e equipamentos de proteção.

Na minha visão, a resposta está em algo que ainda recebe menos atenção do que deveria: a mentalidade de riscos.

Estamos acostumados a falar sobre gestão de riscos, mapas de perigos, matrizes de criticidade e planos de ação, mas nenhum desses instrumentos funciona plenamente se as pessoas não desenvolverem a capacidade de enxergar riscos antes que eles se transformem em incidentes.

É justamente essa mudança de comportamento que diferencia uma empresa que apenas cumpre normas daquela que constrói uma cultura de prevenção. A própria ISO 9001:2015 reforça esse conceito ao incorporar o pensamento baseado em risco como um dos pilares dos sistemas modernos de gestão da qualidade. A lógica é simples: não basta responder aos problemas quando eles surgem; é preciso criar organizações capazes de antecipá-los, aprender continuamente e transformar incertezas em oportunidades de melhoria.

Essa mudança faz ainda mais sentido em um cenário em que as operações se tornaram muito mais complexas.

A indústria, a construção civil, a mineração, a logística e diversos outros setores convivem diariamente com centenas de pessoas trabalhando simultaneamente, equipamentos de grande porte, fornecedores terceirizados, cronogramas apertados e ambientes que mudam constantemente. Basta uma pequena alteração na rotina para que um cenário considerado seguro passe a representar um risco elevado.

Nenhum procedimento consegue prever todas essas variáveis. Por isso, acredito que a segurança não pode depender exclusivamente de processos; ela precisa fazer parte da forma como cada profissional observa o ambiente, toma decisões e executa suas atividades.

Quando um colaborador percebe que uma rota foi bloqueada, identifica um equipamento operando fora do padrão ou comunica uma condição insegura antes que ela gere consequências, ele está colocando em prática a mentalidade de riscos. Não porque alguém mandou, mas porque essa forma de pensar já foi incorporada ao seu dia a dia.

Esse talvez seja o maior indicador de maturidade de uma cultura de segurança.

Outro ponto importante é entender que risco não significa apenas possibilidade de acidente; essa é uma visão limitada, pois toda situação de risco também revela uma oportunidade de melhoria.

Quando uma empresa identifica que determinadas atividades geram desvios recorrentes, ela pode revisar processos, reorganizar fluxos, otimizar deslocamentos, reduzir desperdícios e aumentar a produtividade. Em muitos casos, iniciativas implantadas inicialmente para fortalecer a segurança acabam trazendo ganhos relevantes de eficiência operacional.

Desse modo, segurança e produtividade deixam de competir por investimentos e passam a se fortalecer mutuamente.

Isso é especialmente importante em um momento em que a indústria busca aumentar sua competitividade. Pressão por custos, prazos menores, maior complexidade das obras e dificuldade para contratar profissionais qualificados exigem operações muito mais inteligentes.

Essa transformação também muda o papel da liderança. Durante muito tempo, acreditou-se que promover segurança era responsabilidade exclusiva do SESMT, da engenharia ou da área de qualidade, e hoje sabemos que essa visão é insuficiente.

Os líderes precisam criar ambientes em que as pessoas se sintam confortáveis para relatar situações inseguras, sugerir melhorias e interromper uma atividade quando identificarem um risco relevante. Empresas com culturas maduras deixam de procurar culpados e passam a investigar causas.

Esse ambiente de confiança é um dos maiores ativos de uma organização e, naturalmente, a tecnologia acelera esse processo.

Nos últimos anos, vimos uma verdadeira revolução na capacidade de monitorar operações em tempo real. Sensores, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial, sistemas de localização e plataformas digitais permitem acompanhar pessoas, equipamentos e ativos com um nível de precisão que era impensável há poucos anos.

Além de ampliar a visibilidade das operações e acelerar a identificação de situações críticas, essas ferramentas geram dados que ajudam os gestores a compreender padrões, corrigir falhas recorrentes e tomar decisões baseadas em evidências, e não apenas na percepção das equipes.

Mas existe um ponto que considero fundamental: a tecnologia não substitui cultura. Nenhum software é capaz de criar senso de responsabilidade, nenhum sensor faz uma equipe desenvolver consciência sobre riscos e nenhuma tecnologia, por si só, é capaz de construir um ambiente verdadeiramente seguro.

As empresas que obtêm melhores resultados são justamente aquelas que conseguem combinar pessoas, processos e tecnologia. Quando esses três elementos trabalham juntos, a prevenção deixa de ser reativa e passa a fazer parte da estratégia do negócio.

Acompanhamos diariamente operações em diferentes segmentos e percebemos que as organizações mais maduras têm uma característica em comum: elas não esperam um acidente para aprender. Utilizam dados para identificar tendências, monitoram indicadores continuamente, incentivam comportamentos seguros e transformam cada pequeno desvio em uma oportunidade de evolução.

Essa talvez seja a maior mudança que estamos vivendo. O futuro da segurança será definido menos pela quantidade de normas e mais pela capacidade das empresas de desenvolver pessoas que pensem preventivamente todos os dias. Acidentes raramente acontecem por um único fator; eles são resultado da soma de pequenas decisões, pequenas distrações e pequenos sinais que deixaram de ser percebidos.

Criar uma mentalidade de riscos significa justamente fazer o contrário: transformar cada decisão cotidiana em uma oportunidade de proteger pessoas, preservar ativos, aumentar a eficiência operacional e construir negócios mais sustentáveis.

Essa é, na minha opinião, a evolução mais importante da segurança corporativa. Ela não está apenas nos equipamentos, nos procedimentos ou nos sistemas. Está, principalmente, na forma como as pessoas aprendem a enxergar o trabalho antes mesmo que o risco apareça.

#Empresas #Segurança #Risco #IoT #Construção Civil #Logística

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Natasha Jeremic, Head of Piezo Inks da Domino Printing Sciences

Respeito pelo ambiente versus impacto no ciclo de vida completo

Naturalmente, as marcas já implementaram mudanças significativas nas suas estratégias de embalagem para cumprir o prazo do PPWR de agosto de 2026. A embalagem foi minimizada, as substâncias perigosas foram removidas e a rastreabilidade foi adicionada. No entanto, a forte ênfase dos requisitos do PPWR 2030 na reciclabilidade da embalagem levanta questões relativas às perceções de sustentabilidade ambiental oferecidas pelas capacidades de reciclagem atuais, em vez de compreender o impacto ambiental de todo o ciclo de vida.

A ambiguidade está a levar as marcas a adotar diferentes abordagens no design de embalagem e na escolha de materiais. Babybel, por exemplo, passou para embalagens à base de papel sempre que possível, uma vitória fácil em termos de reciclabilidade. É considerado uma escolha mais sustentável pelos consumidores e evita as regras mais complexas e em constante evolução impostas às embalagens de plástico. Em contraste, o fabricante canadiano de bolachas Leclerc mudou do cartão para uma película de plástico leve, com base numa análise de ciclo de vida que demonstrou reduções nas emissões de transporte e na utilização global de materiais.

As marcas também têm de considerar as variações nacionais nas taxas de Responsabilidade alargada do produtor (EPR) ao tomar decisões sobre embalagens. Um inquérito recente do Department for Environment, Food and Rural Affairs (Defra) do Reino Unido destaca grandes diferenças entre os fornecedores: apenas 10% dos produtores de embalagens do Reino Unido fizeram a transição completa para embalagens amplamente recicláveis, enquanto 14% ainda fornecem exclusivamente embalagens que apresentam grandes desafios de reciclagem.

A realidade comercial para os fornecedores de embalagens

Existe uma necessidade premente de colaboração ao longo de toda a cadeia de abastecimento para alterar este estado de coisas e fornecer às marcas informações fiáveis sobre os produtos de embalagem. Os testes e a validação partilhados serão a base das estratégias de design de embalagem que reflitam não só os requisitos regulamentares, mas também as capacidades dos sistemas de reciclagem atuais.

Os fabricantes têm um papel claro na facilitação da colaboração entre fornecedores e no apoio às marcas para navegarem neste período de incerteza e mudança. Podem esclarecer os prós e os contras da evolução dos materiais reciclados; por exemplo, os materiais de embalagens reciclados de alta qualidade são frequentemente mais caros e podem apresentar desafios de impressão em termos de aderência da tinta e velocidade de impressão, o que pode aumentar o desperdício e reduzir a eficiência e a produtividade.

A colaboração com fornecedores de impressoras, tintas e materiais, através da partilha de testes e da troca de dados, será vital para gerar confiança. Esta informação permitirá que os fornecedores de embalagens identifiquem e validem materiais sustentáveis que proporcionem um bom desempenho de produção e impacto visual para os seus clientes de marca. A colaboração irá também apoiar a transição de alegações genéricas, como “ecológico” ou “reciclável”, para alegações mensuráveis e verificáveis.

As vantagens da impressão digital para apoiar a transição

Estes dados partilhados e fiáveis serão essenciais para apoiar os relatórios de conformidade num ambiente cada vez mais regulamentado. Os fabricantes desempenham um papel central na consolidação de dados provenientes de toda a cadeia de valor, fornecendo às marcas informações sobre materiais, conteúdo reciclado, substâncias que suscitam preocupação e desempenho de reciclabilidade, de modo a apoiar as suas declarações de conformidade e relatórios de EPR.

A tecnologia de impressão digital a jato de tinta pode ser um ativo importante durante esta evolução, permitindo a utilização de códigos 2D baseados nos padrões da GS1. Além de apoiarem a rastreabilidade, a monitorização do ciclo de vida em tempo real e os relatórios de conformidade, os códigos 2D e as plataformas de dados conectadas podem evoluir com os requisitos de informação sobre o produto e a embalagem à medida que a implementação do PPWR, o Sunrise 2027 e as iniciativas de passaporte digital de produto progridem nos próximos anos.

Além disso, a tecnologia de impressão digital sustenta a agilidade operacional de que as marcas necessitam para gerir as crescentes exigências diversificadas das embalagens. Permite a produção eficiente de volumes mais baixos de designs de embalagem variáveis, de forma a acompanhar a evolução dos requisitos para as informações na embalagem, tais como a serialização por lote ou por unidade. A tecnologia a jato de tinta também proporciona um maior controlo sobre a aplicação da tinta, reduzindo o seu consumo, e pode diminuir o impacto da impressão na reciclabilidade da embalagem. No geral, uma abordagem digital proporciona aos fabricantes uma oferta comercial mais flexível.

Conclusão

A evolução da regulamentação de sustentabilidade acrescenta uma complexidade significativa ao design e aos materiais de embalagem. A indústria precisa de passar rapidamente de uma abordagem compartimentada para uma baseada na colaboração contínua e estreita entre fornecedores de impressoras, materiais, fabricantes e marcas. As partes interessadas em toda a cadeia de valor precisam de trabalhar em conjunto para se adaptarem, testar e evoluir, de modo a cumprir não só os requisitos regulamentares, mas também as exigências impostas pela realidade das atuais infraestruturas de reciclagem.

Trata-se de uma oportunidade valiosa para os fabricantes aprofundarem o seu conhecimento sobre combinações de materiais e reciclabilidade, recolherem dados de conformidade e investirem em flexibilidade através de tecnologias digitais. As empresas que assumirem a liderança em matéria de sustentabilidade estarão bem posicionadas para reforçar a sua competitividade, apoiando os seus clientes de marca no cumprimento dos requisitos regulamentares.

PPWR #Packaging #Embalagem #Reciclagem #ImpressãoDigital #Sustentabilidade #PackagingTechnology #EconomiaCircular

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SOBRE O BLOG INDUSTRIAL

O Blog Industrial acompanha a movimentação do setor de bens de capital no Brasil e no exterior, trazendo tendências, novidades, opiniões e análises sobre a influência econômica e política no segmento. Este espaço é um subproduto da revista e do site P&S, e do portal Radar Industrial, todos editados pela redação da Editora Banas.

TATIANA GOMES

Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.

NARA FARIA

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.

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