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Por Gabriel Pavão
 

No cenário de desenvolvimento industrial, a manutenção se tornou um diferencial estratégico, apoiada em dados, sensores e inteligência artificial. Historicamente, este processo começou com a manutenção corretiva, em que o reparo acontecia apenas após a falha. Ele evoluiu para o formato preventivo, baseado em cronogramas fixos, e depois para a modalidade preditiva, utilizando dados e indicadores para antecipar problemas.

Atualmente, o serviço atingiu um patamar ainda mais avançado: a manutenção prescritiva (RxM). Essa abordagem, além de prever falhas, indica ações específicas para evitá-las, combinando sensores IoT, big data, Inteligência Artificial (IA) e machine learning para analisar o desempenho dos ativos em tempo real.  

Diferente da manutenção preditiva, que apenas aponta a probabilidade de falha, a prescritiva recomenda a melhor ação a ser tomada para evitar ou corrigir o problema. Este modelo transforma dados em decisões práticas acionáveis, aumentando o nível de confiabilidade e disponibilidade dos ativos. 

Ciclo da manutenção prescritiva

manutenção prescritiva se baseia em um ciclo contínuo de dados e inteligência, que conecta máquinas, sensores, softwares de análise e a tomada de decisão. Esse processo pode ser dividido em quatro etapas principais: coleta de dados, análise e aprendizado, geração de recomendações e feedback contínuo. 

Este formato só se concretiza com a integração de sensores IoT, plataformas CMMS e IA em ativos críticos. Com essas ferramentas, os algoritmos processam o histórico de falhas e padrões de comportamento dos equipamentos, aprendendo a identificar sinais de degradação que poderiam passar despercebidos por análises tradicionais. 

A manutenção prescritiva se diferencia das demais porque, ao invés de apenas prever quando uma falha pode ocorrer, o sistema prescreve e recomenda as ações mais adequadas para evitar problemas. Cada ação tomada gera novos dados que alimentam os algoritmos, tornando-os mais precisos a cada ciclo.  

O resultado desta implementação é um sistema em melhoria contínua, em que as recomendações ficam cada vez mais ajustadas à realidade da operação, aumentando a confiabilidade dos ativos e reduzindo custos de manutenção. 

Manutenção como escala de maturidade

A trajetória da manutenção evoluiu da simples correção de falhas até a inserção de inteligência artificial e analytics para orientar decisões em ativos e estruturas. Nestas aplicações, o estágio de avanço de maturidade das empresas, especialmente as industriais, pode ser determinado a partir do modelo de manutenção utilizado, auxiliando na compreensão dos passos necessários para que uma operação se torne cada vez mais eficiente. 

Empresas em estágios iniciais ainda operam, majoritariamente, de forma reativa, enquanto aquelas mais avançadas já combinam práticas preditivas e prescritivas, alcançando resultados superiores em disponibilidade, custo e confiabilidade.  

O maior gargalo para essas companhias é escalar de um patamar para o outro, o que exige tecnologia, mudanças culturais, capacitação da equipe e integração de processos. Dessa maneira, quanto maior a complexidade das ferramentas e análises, maior o retorno para a empresa, posicionando a manutenção prescritiva como pilar da Indústria 4.0. 

Desafios e oportunidades

A manutenção prescritiva traz ganhos diretos e mensuráveis para empresas que buscam eficiência, confiabilidade e sustentabilidade. Destacam-se, entre os principais benefícios, tomada de decisão baseada em evidências, redução de custos e tempo de inatividade, melhoria na eficiência e produtividade, prolongamento da vida útil dos equipamentos, segurança aprimorada e redução de riscos, otimização do planejamento e da utilização de recursos, alinhamento estratégico e a conformidade ESG. 

No entanto, para que os empreendimentos atinjam a maturidade máxima, é necessário que as barreiras existentes sejam avaliadas antes da implementação. Os principais obstáculos encontrados nesse processo prescritivo são encontrados em estruturas já existentes e nos custos de adaptação.

A adoção das ferramentas em ativos gera custos iniciais elevados, acrescidos da dificuldade na integração de sistemas, da segurança da informação e compliance, da adaptação da cultura organizacional e da gestão de equipes.

Em razão destes entraves, a manutenção prescritiva ainda se encontra num estágio mais inicial de desenvolvimento e aplicação. Porém, é um modelo que apresenta grande potencial para os próximos anos, considerando que ele vai além da tecnologia, configurando-se como uma estratégia de transformação organizacional. 

No futuro próximo, com a integração de tecnologias modernas, fábricas e empresas irão operar de forma quase autônoma, com manutenção integrada a processos de decisão de negócio, elevando o papel desta área a um nível verdadeiramente estratégico.

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SOBRE O BLOG INDUSTRIAL

O Blog Industrial acompanha a movimentação do setor de bens de capital no Brasil e no exterior, trazendo tendências, novidades, opiniões e análises sobre a influência econômica e política no segmento. Este espaço é um subproduto da revista e do site P&S, e do portal Radar Industrial, todos editados pela redação da Editora Banas.

TATIANA GOMES

Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.

NARA FARIA

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.

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