IA além da automação: como a indústria pode usar tecnologia para encantar equipes e clientes
Sem categoria | Por em 15 de setembro de 2026

Por muito tempo, a inteligência artificial na indústria foi discutida quase exclusivamente sob a ótica da eficiência: menos retrabalho, menos custo, mais velocidade. Esse olhar continua válido, mas está incompleto.
Um artigo recente do especialista em cultura corporativa Alexandre Slivnik, publicado em seu blog, traz uma provocação que vale a pena trazer para o universo industrial: e se a IA fosse usada não só para automatizar processos, mas para fortalecer a relação com colaboradores e clientes? (Fonte: Alexandre Slivnik, “7 formas de usar a inteligência artificial para impulsionar o encantamento interno e externo nas empresas”, publicado em seu blog em 12/11/2025.)
O ponto central do argumento de Slivnik é simples e direto: ferramenta de IA usada de forma isolada não move o ponteiro. O que gera diferencial é quando a tecnologia libera tempo e atenção humana para o que realmente importa: ouvir, antecipar, cuidar. Ele cita um dado da Boston Consulting Group mostrando que a maioria das empresas que adotam IA ainda não redesenha seus processos ao redor dela, o que limita o ganho real da tecnologia a ajustes pontuais, em vez de transformação de cultura.
Transportando essa lógica para o chão de fábrica e para as relações B2B do setor industrial, alguns paralelos ficam evidentes. No atendimento e suporte técnico, assim como chatbots já resolvem boa parte das interações simples no varejo, sistemas inteligentes podem triar demandas técnicas recorrentes, como dúvidas sobre especificações de produto, status de pedido e documentação, liberando as equipes técnicas para os casos que exigem julgamento e relacionamento.
No clima e retenção de equipe industrial, em operações com alta rotatividade, comum em plantas fabris, identificar sinais de desmotivação antes que se transformem em desligamento tem impacto direto em produtividade e segurança operacional, não só em clima organizacional.
Na antecipação de necessidades do cliente industrial, fornecedores que conseguem prever demanda ou sugerir soluções antes mesmo do pedido formal, a partir de padrões de consumo e sazonalidade, constroem um tipo de confiança que nenhum relatório de performance sozinho entrega.
Já na integração entre gerações na fábrica, um ponto frequentemente esquecido é que a IA pode funcionar como ponte entre operadores mais experientes e a nova geração que chega com outra relação com tecnologia, simplificando processos para uns e ampliando a inovação trazida pelos outros.
Vale um dado de contexto que o próprio artigo original traz: segundo o IBGE, apenas 16,9% das indústrias brasileiras com mais de 100 funcionários utilizavam IA em 2022, concentrada principalmente em marketing e processos administrativos, não na relação direta com cliente ou colaborador. Isso mostra que, para o setor industrial nacional, essa discussão sobre “IA para encantamento” ainda está começando, e há espaço real de diferenciação para quem sair na frente.
A conclusão de Slivnik resume bem o convite deste texto: a inteligência artificial não substitui o fator humano, ela deveria potencializá-lo. Para a indústria, isso significa parar de tratar a IA só como ferramenta de corte de custo e começar a perguntar onde ela pode ajudar a sermos mais presentes, mais atentos e mais humanos com quem trabalha e compra de nós.
Este artigo foi inspirado no texto original de Alexandre Slivnik, “7 formas de usar a inteligência artificial para impulsionar o encantamento interno e externo nas empresas”, publicado em seu blog.
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Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.