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A indústria de embalagens flexíveis atravessa um período de transformação impulsionado pela busca por estruturas mais compatíveis com os conceitos de circularidade e reciclabilidade. Nesse contexto, a substituição de estruturas multimateriais por soluções monomateriais tornou-se uma das principais frentes de desenvolvimento tecnológico para convertedores, fabricantes de resinas e proprietários de marcas.

Embora a proposta seja simples do ponto de vista conceitual, sua implementação envolve desafios importantes. Estruturas convencionais compostas por PET/PE ou BOPP/PE combinam materiais com características mecânicas bastante distintas. O PET, por exemplo, apresenta elevado módulo de elasticidade e excelente estabilidade dimensional, enquanto o PE contribui com propriedades de selagem, resistência ao impacto e flexibilidade.

Reproduzir esse desempenho utilizando exclusivamente polietileno exige soluções capazes de ampliar significativamente suas propriedades mecânicas sem comprometer a processabilidade ou a reciclabilidade da embalagem.

É justamente nesse cenário que a tecnologia MDO (Machine Direction Orientation) vem ganhando relevância. O processo promove a orientação molecular controlada do filme de polietileno por meio de um estiramento longitudinal realizado sob condições específicas de temperatura e velocidade. Como resultado, a estrutura originalmente isotrópica passa a apresentar um elevado grau de alinhamento molecular na direção do processo, modificando profundamente seu comportamento mecânico.

Quando aplicada ao polietileno I’m green™ bio-based

, a tecnologia apresenta uma vantagem adicional. Produzido a partir de etanol de cana-de-açúcar, o material possui exatamente a mesma estrutura molecular do polietileno de origem fóssil. Isso significa que suas características de processamento permanecem inalteradas, permitindo sua utilização em linhas de extrusão existentes sem necessidade de adaptações significativas.

Do ponto de vista da produção do filme, esse aspecto é particularmente relevante. A distribuição de peso molecular, o comportamento reológico e a estabilidade durante a extrusão mantêm-se equivalentes aos observados nos grades convencionais de polietileno. Na prática, isso permite que transformadores incorporem matéria-prima renovável aos seus processos preservando produtividade, qualidade e eficiência operacional.

O processo de orientação molecular ocorre em etapas cuidadosamente controladas. Inicialmente, o filme é submetido a uma zona de pré-aquecimento, onde a temperatura é elevada para níveis suficientes para aumentar a mobilidade das cadeias poliméricas sem comprometer a estrutura cristalina do material. Em seguida, ocorre a etapa de estiramento propriamente dita, na qual diferenças controladas de velocidade entre os rolos promovem a orientação das moléculas na direção da máquina.

Após o estiramento, o filme passa por uma etapa de estabilização térmica. Esse processo permite aliviar tensões internas geradas durante a orientação molecular e reduz significativamente o potencial de retração térmica durante as etapas posteriores de conversão, impressão e empacotamento. O ciclo é finalizado com o resfriamento controlado, responsável por estabilizar a nova microestrutura formada.

As modificações promovidas pela orientação molecular refletem diretamente no desempenho do material. O ganho de rigidez é um dos resultados mais evidentes. Em condições típicas de processamento, filmes orientados podem apresentar aumentos superiores a 300% no módulo de elasticidade quando comparados a filmes convencionais não orientados.

Esse comportamento abre espaço para estratégias de downgauging, permitindo a redução da espessura da embalagem sem comprometer resistência mecânica, estabilidade dimensional ou desempenho operacional. Além da economia de matéria-prima, essa abordagem contribui para a redução de peso das embalagens e para ganhos logísticos ao longo da cadeia de distribuição.

Os benefícios também se estendem às propriedades ópticas. A reorganização da estrutura cristalina promove redução significativa do haze e aumento do brilho superficial, características importantes para aplicações em que a apresentação visual da embalagem exerce influência direta na percepção do consumidor.

Resultados obtidos em avaliações laboratoriais demonstram o impacto da orientação molecular sobre o desempenho do material. Filmes produzidos com PE I’m green™ bio-based e submetidos a razões de estiramento próximas de 5:1 apresentam ganhos expressivos de módulo elástico, resistência à tração e estabilidade dimensional, além de melhorias significativas em transparência e brilho.

Essas características tornam a tecnologia particularmente atrativa para aplicações em embalagens de alimentos, snacks, pet food, higiene pessoal, produtos de limpeza e soluções para e-commerce, segmentos que exigem elevado desempenho mecânico aliado à eficiência operacional.

Além dos ganhos técnicos, a combinação entre MDO e o polietileno I’m green™ bio-based responde a uma demanda crescente da indústria por soluções de menor impacto ambiental. Como o material é produzido a partir de fonte renovável, pode capturar até 2,12 toneladas de CO₂ equivalente por tonelada de resina produzida, contribuindo para estratégias corporativas de descarbonização sem alterar a infraestrutura industrial já instalada.

A evolução das embalagens monomateriais mostra que o avanço da circularidade não depende apenas da escolha de matérias-primas renováveis ou recicláveis. O desenvolvimento de novas arquiteturas de filmes e a aplicação de tecnologias avançadas de processamento têm papel igualmente importante na construção de soluções capazes de combinar desempenho, eficiência produtiva e sustentabilidade em uma única estrutura.

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SOBRE O BLOG INDUSTRIAL

O Blog Industrial acompanha a movimentação do setor de bens de capital no Brasil e no exterior, trazendo tendências, novidades, opiniões e análises sobre a influência econômica e política no segmento. Este espaço é um subproduto da revista e do site P&S, e do portal Radar Industrial, todos editados pela redação da Editora Banas.

TATIANA GOMES

Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.

NARA FARIA

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.

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