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Começa a 12a Feimafe

Icone Feira | Por em 18 de maio de 2009

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Organizadores da Feimafe discursam durante solenidade

Organizadores da Feimafe discursam durante solenidade

“Olhar para uma feira como esta mostra a coragem do brasileiro em trabalhar e expor seus produtos num momento como o atual”. Foi com essas palavras que Luiz Aubert Neto, presidente da Associação Brasileira da Industria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq),  iniciou seu discurso de abertura da  12ª edição da Feimafe  – Feira Industrial de Máquinas-Ferramenta e Sistemas Integrados de Manufatura, na manhã de hoje.
Segundo os organizadores do evento, este é o momento que mostrará como a indústria brasileira se comportará nos próximos meses deste ano. São esperados mais de 66 mil visitantes nos 72 mil m2 do Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, de hoje até o próximo sábado, 23.

 

A Feimafe conta com 1.300 empresas expositoras, de 30 países, e traz mais de 70 lançamentos do setor.  “No entanto, é preciso que o governo olhe para nossa indústria. Para nosso setor de máquinas-ferramenta, esse câmbio abaixo de R$ 2 (em relação ao dólar) é tóxico. Lutamos contra o tripé perverso: câmbio, juros e tributos, como vocês estão cansados de me ouvir falar”, comentou Aubert Neto, retomando o discurso que a Abimaq defende desde, pelo menos, os últimos nove meses.

 

Roberto Schaefer, presidente da Câmara Setorial de Máquinas-Ferramenta da Abimaq, se mostrou bastante animado. “Estamos num momento de crise, mas temos muito que fazer este ano. Desejo muitos negócios para nossos expositores”.

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Nova realidade

Icone Análise,Opinião,Pesquisa | Por em 15 de maio de 2009

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Não há como esconder os fatos: quando a indústria diminui a produção, os investimentos secam e as empresas iniciam cortes de pessoal, essas notícias estampam as manchetes dos jornais e viram chamada na TV. Isso tem acontecido com certa frequência nos últimos oito meses, é verdade. No entanto, muitos ainda não perceberam que o mundo mudou. Os lucros exorbitantes e os números cheios de zeros estão bem mais escassos. Por que estou escrevendo isso? Simplesmente porque o noticiário está constantemente comparando qualquer número recém-divulgado a uma realidade totalmente diferente. E mais: quando esse número é positivo, mesmo que timidamente, o lado bom da história fica em segundo plano.

fiesp_150509

Exemplifico: na quinta-feira, 14, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou um estudo que mostra a criação de 19 mil postos de trabalho na indústria paulista – um crescimento de 0,80% em abril em relação a março. No site da entidade, essa é a notícia.

estadao_150509Entretanto, o mesmo fato foi noticiado de outra maneira pelo “Estadão” de hoje: “Emprego na indústria paulista tem pior abril desde 2006”. Respeito “O Estado de S. Paulo” e o tenho como referência em jornalismo sério e competente. Porém, como queremos que a indústria reaja se estamos constantemente “vendendo” este tipo de informação? Não defendo “tapar o sol com a peneira”, muito menos ignorar os fatos. No entanto, há maneiras e maneiras de se contar uma história. O próprio “Estadão” informa no texto que recheia esta manchete:

“Na variação sem ajuste sazonal, o emprego na indústria paulista subiu, pelo segundo mês consecutivo. Em abril, a alta foi de 0,80%, ante março, o que representou a contratação de 19 mil trabalhadores. Esse resultado está totalmente relacionado ao setor de açúcar e álcool, uma vez que esse saldo positivo de 19 mil contratações reflete a admissão, principalmente, de 28.207 pessoas nestes setores, enquanto houve demissões de 9.207 empregados nos demais segmentos industriais.”

Percebe?

Voltando a questão da nova realidade que mencionei acima, é preciso entender, no meu ponto de vista, que qualquer reflexo positivo da indústria é um sinal de que tempos melhores estão a caminho. Se não pensarmos assim, que parem as máquinas! Vamos todos então  sentar no gramado da fábrica e esperar o sinal para voltar para casa.

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É importante saber

Icone Análise,Economia,Pesquisa | Por em 14 de maio de 2009

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Como lidar com os efeitos da crise econômica mundial? Esta foi a pergunta que a consultoria Ernst & Young fez, em março, a 15 executivos de empresas com faturamento anual de até R$ 1,5 bilhão. As respostas, e demais considerações sobre o tema, gerou o material Empreendedorismo em Tempos de Crise, que traz indicações de como se comportar em momentos turbulentos, e também uma lista de medidas de curto, médio e longo prazos para minimizar os efeitos da crise. Acompanhe:

A pesquisa revela que, em um primeiro momento, 100% das empresas ouvidas adotaram medidas internas para evitar demissões como a revisão do nível de estoque, o congelamento de vagas, programas de treinamento e férias antecipadas. Mas para os próximos 12 meses as previsões não são tão animadoras, já que 47% das companhias consultadas planejam cortar o número de vagas.

Ao longo do mês de março, foram ouvidos 15 executivos lideres em suas empresas, de diferentes setores da economia e com faturamento anual de até R$ 1,5 bilhão. Desse total, 73% acreditam que a crise durará de um a dois anos. O levantamento traz ainda medidas apontadas pelos executivos como as mais eficazes para minimizar os impactos da crise no curto, médio e longo prazo.

Por exemplo, 53% dos entrevistados planejam reduzir seus investimentos nos próximos 12 meses, enquanto 87% dos executivos pretendem cortar custos no próximo ano. “A crise econômica global trouxe mudanças na forma de gestão das empresas em todo mundo. Procuramos entender como as empresas brasileiras esperam lidar com os efeitos da crise e quais as atitudes mais importantes para um empreendedor em momentos turbulentos, além de apontar as expectativas para o futuro”, afirma o sócio da Ernst & Young, Carlos Miranda.

Os empresários também indicaram as cinco características ou atitudes mais importantes em um empreendedor em momentos turbulentos: criatividade e inovação (67%); encorajar o diálogo na empresa, saber ouvir idéias e sugestões (60%); transmitir idéias com entusiasmo e simplicidade (53%); saber reter talentos (47%); e transparência, ética e honestidade (47%).

Medidas apontadas como as mais adequadas     

Curto Prazo

Médio Prazo

Longo Prazo

 

Redução de Juros

 

Racionalização da máquina pública

 

Combate severo à corrupção

 

Incentivo a política de crédito

 

Redução de juros

 

Investimento em educação

 

Redução de gastos do governo

 

Reforma tributária

 

Redução de carga tributária

 

Aumentos dos Investimentos

 

Disponibilidade de crédito

 

Oferta de crédito

 

Incentivo ao mercado consumidor interno

 

Taxas de câmbio realistas

 

Redução do custo Brasil

 

Realização do PAC

 

Prioridades aos investimentos públicos

 

Aumento do investimento público (infra-estrutura)

 

Redução da carga tributária

 

Reforma trabalhista: redução de custos para concorrer com mercado internacional

 

Redução do tamanho do Estado (privatizações)

 

Centralização das decisões

 

Melhorar análise dos investimentos das empresas

 

Aumento do valor agregado de bens e serviços

 

Gerenciamento de pontos críticos da operação

 

Melhorar processos (aumento da produtividade)

 

Fortalecimento das instituições e contratos

 

Engajamento de funcionários para melhorias

 

Controle sobre custos

 

Planejamento estratégico, considerando cenários de crise

Flexibilização na contratação de empregados

 

Ampliar Negócios

 

 

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A última grande notícia que se teve da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei) foi em fevereiro passado, quando os representantes da entidade foram procurados por todos sobre a criação – e morte súbita – da licença prévia, criada pelos Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Três meses depois da polêmica (caso você não recorde o fato, o convido a ler mais sobre o assunto aqui), a Abimei volta à cena, mas desta vez divulgando seu trabalho e tentando colher novos associados.

Na última edição da Brasil Plast, por exemplo, coordenadores e membros da presidência da entidade foram vistos circulando pelos corredores do evento, em conversas e reuniões fechadas com empresas e médio e grande portes.

Roberto Guarnieri, da Abimei: um bom articulista

Roberto Guarnieri, da Abimei: um bom articulista

A feira ainda marcou a primeira ação da recém-criada Câmara Setorial de Plásticos, sob coordenação de Roberto Guarnieri. Ele defende com unhas e dentes a qualidade e tecnologia de ponta das injetoras asiáticas.

Em nota pós-evento, a Abimei comentou que “a feira trouxe um novo ânimo para os negócios e marcou uma nova fase para a associação que, a partir de agora, vai unir além do setor metalmecânico, os importadores de máquinas para transformação de plástico.”

A Abimei conta hoje com 80 associados e atua no País há seis anos. Em entrevista exclusiva na Brasil Plast, Roberto Guarnieri comentou comigo sobre sua dificuldade em unir empresas importadoras. “Elas ainda se olham como concorrentes. Não entendem que, juntas, podemos lutar por um bem maior”.

O bem maior a que ele se refere é o financiamento de máquinas por instituições como o BNDES. Nessa seara, a Abimei disputa espaço com outra associação,  a Abimaq. Sobre a “briga”, Guarnieri me disse: “Teremos de nos defender desse outro lado (a indústria nacional), que vem nos atacando.”

Quem conseguirá mais benefícios? Só mesmo as conversas em estandes de feiras, articulações políticas e, obviamente, o tempo responderão.

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Devida atenção

Icone Análise,Economia | Por em 12 de maio de 2009

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Dando sequência ao tema agronegócio (o qual também acompanhamos por conta da nossa P&S Agroindústria) levantado pelo Kleber em seu post de ontem, 11 de maio, hoje mais uma notícia começou a ganhar destaque na imprensa: que a queda do dólar pode reduzir os preços agrícolas.

Embora escreva já há algum tempo sobre economia e negócio, sempre me “embanano” com as altas e baixas da moeda americana, ou seja lá qual for o câmbio. Se determinada moeda está em alta, é problema. Se está em queda, idem. Então, para não me deixar “influenciar”, sempre pauto minhas entrevistas – e meu senso crítico na hora de ler definições a esse respeito – no bom senso.

Explico: procuro entender a real dificuldade (e necessidade) daquele setor ou indústria, questionando o quanto “perderá” de fato com a variação da moeda. E acreditem…muitos não conseguem responder, pois resolveram reclamar antes de fazer as contas.

No release abaixo, encaminhado pela assessoria de comunicação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, CNA, sua porta-voz fala das possíveis dificuldades com a retração do dólar, mas também que o preço da soja, que poderia ter registrado incremento de 17,6%, subiu “apenas” 12,8%. Ou seja, está em alta ainda! Não tanto quanto poderia alcançar com o câmbio em outro patamar, mas em alta. E, convenhamos, um aumento de quase 13% não é nada mal…

CNA PREVÊ REDUÇÃO DOS PREÇOS AGRÍCOLAS
SE O DÓLAR CONTINUAR EM QUEDA

No momento em que o dólar reforça tendência de queda, registrando variação de -5,90% no mês, acumulando baixa de -11,82% no ano, a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, manifesta suas preocupações com a volatilidade do câmbio, que poderá reduzir a rentabilidade das culturas de exportação. “O produtor ainda possui 40% da produção da safra 2008/2009 para serem comercializados, o que poderá ocorrer a preços mais baixos em função da queda do dólar”, afirma a senadora.
No mercado internacional, as cotações têm fechado em alta, em função da existência de estoques baixos, queda na produção argentina, demanda chinesa firme mesmo em tempo de crise e problemas climáticos nos Estados Unidos, que dificultam o plantio da safra de verão norte-americana. No mercado da soja, produto típico de exportação, os preços subiram 12,8% em oito semanas. Na Bolsa de Chicago, aumentaram 29,9%.“Se não fosse o câmbio, os preços da soja teriam subido 17,6%”, diz a presidente da CNA.
Kátia Abreu fala, ainda, sobre as elevadas taxas de juros praticadas no País, o que poderá se transformar em atrativo para o ingresso de capital especulativo no País, depreciando o dólar e os preços agrícolas. “A comercialização a preços menores neste momento reduz a disponibilidade de uso de capital próprio pelo produtor no plantio da safra 2009/2010”, justifica a senadora.
Segundo a presidente da CNA, os recursos para financiamento da nova safra já estão escassos em função da crise financeira internacional. Com menor disponibilidade de recursos do produtor e a significativa redução do crédito fornecido pelas tradings, haverá necessidade de maior aporte de recursos do crédito rural oficial. “Esse cenário nos leva a reafirmar que a safra 2009/2010 deverá ser planejada com muita cautela pelo produtor, pois além do risco próprio da atividade, o cenário macroeconômico mundial tende a reforçar a volatilidade do câmbio e dos preços agrícolas”, conclui Kátia Abreu.

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Agricultura em pauta

Icone Economia | Por em 11 de maio de 2009

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Nesta segunda-feira três notícias de destaque para a agroindústria tomaram o noticiário dos principais jornais do País. A primeira se refere à queda de 8,6% na venda de tratores em abril, na comparação com o mesmo mês de 2008. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram comercializadas 3,33 mil unidades no mês passado.

Segundo Milton Rego, vice-presidente da Anfavea, os tratores de pequeno porte destinados à agricultura familiar foram responsáveis por 65% das vendas em abril. Para a entidade, sem os programas de incentivo do Governo Federal, a queda seria de 50%. E é aí que destaco a segunda notícia do dia: Governo repassa R$ 10 bilhões para a agroindústria!

Foi publicado no Diário Oficial da União de hoje que o Ministério da Fazenda repassou a quantia citada ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para acertar a situação de financiamentos concedidos a agroindústrias, indústrias de máquinas e equipamentos agrícolas e a cooperativas agropecuárias.

Para fechar esse bloco de notícias do agronegócio, em 19 de maio terá início em Brasília o Fórum Permanente de Desenvolvimento da Agricultura Irrigada. Trata-se de uma ação dos principais segmentos públicos e privados para mostrar a importância da agricultura irrigada para a produção agrícola, geração de empregos e renda e para o meio ambiente, pelo fato de diminuir a pressão pela expansão de novas áreas agrícolas.

É com ações como essas do Governo e do próprio setor que a agroindústria pode minimizar os efeitos negativos e as baixas sofridas muito antes da crise financeira mundial assolar o Brasil.

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Deficiência no mercado + necessidade = oportunidade. Tal equação não teria o mesmo resultado se não fosse o espírito empreendedor de Adalberto Macedo e Luiz Roberto de Pádua. Prova disso, é que, passados 25 anos, o que era apenas uma lacuna, hoje atende pelo nome de Contemp. De ideia, a fabricante de soluções para medição, controle e monitoramento dos mais variados tipos de processos industriais, passou a uma sede de 1 600 m² em São Caetano do Sul, no ABC paulista, escritório de vendas em Campinas, SP, e Joinville, SC, distribuidores e representantes nas principais cidades do Brasil e mais de 100 colaboradores. Além da Contric, empresa do grupo com foco em projetos e montagem de painéis elétricos de baixa tensão. 

Luiz Roberto Pádua

Luiz Roberto Pádua

Adalberto Macedo

Adalberto Macedo

Naquela época, Macedo e Pádua certamente não imaginavam, ainda que desejassem, alcançar tamanho êxito. Estavam bem empregados numa multinacional, a Alcan Alumínio, e por lá pretendiam ficar até que certo dia, do ano de 1984, por conta da exigência dos clientes da empresa por melhor qualidade no controle de processos no item temperatura, precisaram buscar no mercado nacional esses instrumentos. Não encontraram.

Diante da situação, decidiram, então, investir o conhecimento que tinham no desenvolvimento do produto. Deu certo. Abriram a empresa, em principio, apenas para atender as necessidades da Alcan. Mas ao perceberem que o mercado era realmente carente, e muito grande, não tiveram dúvida: desligaram-se da multinacional e partiram para uma história de sucesso…

…contada pelo Adalberto e pelo Luiz Roberto a seguir:

Revista P&S – Quando a Contemp foi fundada e por quem?

Adalberto Macedo – Foi fundada em 12 de junho de 1984 por Adalberto B. Macedo, Luiz Roberto de Pádua, Nilson Franchini e Elizeu de Brito. O Nilson saiu da sociedade no primeiro semestre de vida da empresa e o Elizeu quando tínhamos mais ou menos 8 anos.

P&S – Conte com detalhes como a empresa iniciou suas atividades.

Luiz Roberto Pádua – Trabalhávamos em uma multinacional na área de manutenção de instrumentos para medição e controle de temperatura. Em 1984, por conta da exigência dos clientes de melhor qualidade no controle de processos no item temperatura, fomos em busca no mercado de instrumentos que atendessem as nossas necessidades. Infelizmente no momento e felizmente após, não encontramos esses instrumentos no mercado nacional. Decidimos então investir no nosso conhecimento para desenvolver o que precisávamos. Como o resultado foi satisfatório, surgiu a ideia de nos associarmos para abrir uma empresa com este fim, em principio vislumbrando apenas resolver o problema da empresa em que trabalhávamos. Percebendo que o mercado era carente e muito grande, decidimos por nos desligar para cuidar somente da Contemp.

AM – Na época avaliamos alguns produtos de outros fabricantes e notamos que o nosso primeiro desenvolvimento não devia nada a nenhum deles. Como recebíamos visitas constantes de fornecedores, alguns vendo nossos desenvolvimentos nos incentivaram a constituir uma empresa. Assim criamos coragem e iniciamos a Contemp.

P&S – Conte como a Contemp se desenvolveu, ressaltando os bons e maus momentos.

AM – No início tivemos grandes dificuldades. Éramos operários e não dispúnhamos de tempo e recursos financeiros. Trabalhávamos na indústria de dia e à noite e finais de semana nos dedicávamos a aprimorar os produtos e atender as vendas. Como éramos uma empresa iniciante, sem experiência ou penetração, nos dispúnhamos a atender os primeiros clientes não somente com os nossos produtos, mas também revendendo materiais diversos relacionados ao segmento de manutenção elétrica e eletrônica. As vendas de início eram feitas com muita articulação, conciliando nosso horário de trabalho com o horário comercial dos possíveis clientes, eventualmente dando algumas “escapadinhas” quando necessário e compensando depois. Para formar caixa, fizemos muito uso de nossos conhecimentos e experiências profissionais, prestando serviços e assistências técnicas aos primeiros clientes. Naquela época tínhamos que conciliar família e estudo. E não pergunte como! Passados os dois primeiros anos, criamos coragem e iniciamos nosso desligamento da empresa na qual éramos funcionários para dedicar 100% de nosso tempo à Contemp. O dinheiro era pouco mais a determinação era grande e aos poucos fomos superando as dificuldades e crescendo. Não houve saltos, nem grandes oportunidades, mas sim um crescimento contínuo baseado em muito esforço e doação. Os vários planos econômicos e a instabilidade da economia só atrapalhavam. Lembro-me bem que quando o Collor assumiu a presidência e na sequência confiscou nossos recursos, passamos serias dificuldades financeiras. Tivemos que pedir aos nossos colaboradores que ficassem em casa para não gerar despesas com alimentação e transporte. Não tínhamos como pagar os salários, além do confisco, boa parte dos pedidos haviam sido cancelados pelos clientes e tivemos que aguardar a progressiva retomada do mercado. A recuperação foi lenta, mas com a gradual estabilização da economia, nos recuperamos, mantivemos os empregos e ampliamos os negócios. Mais recentemente, pouco antes da transição do governo Fernando Henrique para o Luiz Inácio, com a superdesvalorização do Real perante o Dólar era mais viável importar alguns produtos do que fabricá-los. Por “sorte” sempre gostamos de desenvolver o conhecimento e a tecnologia dos produtos que comercializamos, e quando ocorreu a desvalorização tínhamos alguns projetos prontos e em fase de lançamento. Substituímos com vantagens esses produtos que importávamos e o mercado recebeu bem a transição.

LRP – Também tivemos muita sorte porque o primeiro cliente foi a Alcan, onde trabalhávamos. Por indicação dela veio a Engesa, e assim outras grandes. Com exceção de 1990, por conta do Plano Collor, sempre operamos com crescimento.

P&S – A empresa sempre esteve em São Caetano do Sul?

AM – Sim, sempre esteve em São Caetano, mesmo tendo mudado por três vezes de endereço para adequar o crescimento.

P&S – A partir da empresa surgiram outros negócios? Fale a respeito.

AM – Dentro de nossa empresa aos poucos fomos identificando atividades que tínhamos afinidade e conhecimento. Iniciamos novas frentes de trabalho de forma modesta e integrada às demais atividades. Aos poucos cada uma tornou-se independentes, como o laboratório de metrologia para prestação de serviços de calibração de diversas grandezas físicas e mecânicas, que conta com a validação do Inmetro e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Anfavea, e pertence à rede brasileira de calibração “RBC”; o projeto e fabricação de painéis elétricos industriais, recentemente desmembrado em uma nova empresa, a Contric; e o desenvolvimento de software dedicado ao monitoramento, registro e controle de processos industriais. Vale ressaltar que em 1999 conquistamos nossa certificação ISO 9000.

P&S – Qual a posição da Contemp no mercado hoje?

LRP – Segundo pesquisas, e sentimentos, entre as três maiores.

P&S – Quais os planos futuros?

AM – Desde o início trabalhamos passo a passo, aproveitando as reais possibilidades que se apresentem dentro de nossas habilidades.

LRP – Atualizar com o máximo de tecnologia toda nossa linha de produtos.

P&S – Quais exemplos de gestão e empreendedorismo você daria para quem deseja abrir uma empresa? E para quem já tem e precisa torná-la produtiva?

LRP – Primeiro ser conhecedor daquilo que se pretende fazer/produzir e depois ser comprometido com tudo e com todos. Para quem já a tem, estar sempre alerta para as mudanças do mercado, ser flexível nas adaptações exigidas e ter um quadro de colaboradores comprometidos com a empresa.

AM – Sempre que nos julgamos algum tipo de exemplo, não raro somos surpreendidos por outros que, no mínimo, nos ofuscam e nos coloca no devido lugar. Em outras vezes, quando tomamos como referência modelos aparentemente consagrados de sucesso, nos surpreendemos com a total fragilidade a que estão expostos. Vejamos os recentes exemplos de grandes e “sólidas” instituições financeiras, montadoras líderes de mercados e outros tantas empresas que há um ano figuravam entre as mais bem-sucedidas e hoje não param em pé sozinhas. Afora as leis naturais, nada é definitivo, tudo se constrói a partir da vontade, da inteligência e do justo propósito a que se destina. Ser empreendedor, no meu entendimento, é ter faro, coragem, real comprometimento e boa fé no que se propõe a fazer, mesmo que faltem algumas peças que componham o negócio em construção. Para quem já tem um negócio em andamento e estiver indo bem possivelmente tem mais contar do que a ouvir. A quem tem um negócio que enfrenta dificuldades, deve botar fé e lutar pelo que está construindo. Não existe fórmula para o sucesso. O que existe é vontade, dedicação, inteligência e persistência.

P&S – Qual é o modelo de gestão seguido pela Contemp no que diz respeito à produção, funcionários etc?

LRP – Quanto à produção, sempre buscando simplificá-la e aprimorando a qualidade. Quanto aos funcionários, mantendo-os capacitados em suas funções, incentivando o bom relacionamento com colegas e diretores e adotando sistema de participação nos lucros.

AM – Nossa gestão é participativa. Os líderes de cada setor são informados e consultados em todos os aspectos pertinentes a comando. Chamamos esse grupo de G1. Para assuntos de estratégia ou necessidades mais agudas, contamos com um conselho formado pelos diretores e sócios. Nem todos os processos de fabricação são executados por nosso pessoal. Alguns são terceirizados com empresas que podem nos atender naquilo que não temos as melhores condições de suprir ou que o custo não se justifica.

P&S – O que a Contemp faz para se manter competitiva?

AM – Respeita, mas luta com os competidores pelos clientes e pedidos. Corre atrás de todas as oportunidades de negócio a que se propõe, mesmo que pequenas. Procura ser honesta com todos, principalmente com os clientes. Preocupa-se em entender as necessidades de seus clientes e, percebendo letargia nas ações internas, “chacoalha para acordar”. Mantém relações com consultorias especializadas naquilo que se sente deficiente.

LRP –Trabalhando na reengenharia e principalmente na qualidade dos produtos, além do atendimento diferenciado aos clientes.

P&S – Fale de curiosidades que possam ilustrar a história de sucesso da Contemp.

LRP – Um fato importante foi que enquanto a filosofia da concorrência era fornecer instrumentos não tão precisos e sem as informações técnicas necessárias, pois o objetivo era ganhar com a manutenção, a Contemp, ao contrário, passou todas as informações técnicas possíveis para que o cliente não dependesse de nós no caso de possíveis defeitos.

Onde nasceu a Contemp...

Onde nasceu a Contemp...

 
...e onde ela está agora.

...e onde ela está agora.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Venda de máquinas na Brasil Plast 2009

Icone Feira | Por em 7 de maio de 2009

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Detalhe de máquina vendida na Brasil Plast

Detalhe de máquina vendida na Brasil Plast

Nesta semana não há outro assunto que me chame mais atenção do que a 12ª edição da Brasil Plast, realizada em São Paulo até amanhã, sexta-feira, 8. Como comentei neste espaço em outro post (Máquinas e vibrações positivas na Brasil Plast), 75% dos expositores da feira são fabricantes ou comerciantes de máquinas e equipamentos para a indústria do plástico.

Ontem, enquanto minha amiga Erica Munhoz ouvia as lamúrias da Abimaq em sua reunião mensal (Uma ajuda aos apelos), eu ouvi de empresas que estão fechando negócios em seus estandes no Pavilhão do Anhembi que o setor está reaquecendo. O discurso positivo está na boca de pequenos e grandes empresários, que brindam a boa nova com antigos e novos parceiros.

Convido você, leitor/internauta, a ler a reportagem da Pack online sobre o assunto.

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Como faço praticamente todo mês, fui eu hoje, 6 de maio, até a sede da Abimaq, entidade que reúne os produtores de máquinas e equipamentos no Brasil, para a coletiva de imprensa, na qual divulgam o balanço do segmento no período. E mais uma vez ouvi discurso semelhante ao dos, pelo menos, últimos oito meses: “O que queremos é isonomia. Precisamos urgentemente de educação, de um câmbio que proteja a indústria nacional, linhas de financiamento e desoneração do investimento em máquinas e equipamentos”, bradou, certamente pela enésima vez, Luiz Aubert Neto, o presidente da associação.

Quando a coletiva foi aberta às perguntas dos jornalistas, me dirigi ao presidente e questionei qual é a resposta do governo federal quando levam até eles essas reivindicações (prementes desde sempre). No que ele respondeu: “Eles dizem que estão trabalhando nisso (!!!)”, e emendou “por isso precisamos de vocês (a imprensa) divulgando a toda hora e a todo o momento a mesma coisa para que ouçam nossos apelos”.

Mais: “A crise é pontual diante de uma fórmula perversa que os governos aplicam há mais de 30 anos. Desse jeito estamos condenando o Brasil a ser um país eternamente pobre”, afirmou Aubert ao mostrar dois gráficos (diferentes dos demais usualmente apresentados nas coletivas) sobre a Formação Bruta de Capital Fixo, que a entidade montou com base nos dados do Banco Mundial e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE. Neles, o Brasil aprece aquém em comparações feitas com a média dos países da América Latina, do mundo e dos BRIC (Rússia, Índia e China).

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O Balanço – O faturamento nominal do setor de bens de capital ficou em R$ 5,47 bilhões em março, o que representa crescimento de 30,1% ante fevereiro. Na comparação com o mesmo mês de 2008, contudo, houve queda de 11,2%. No acumulado do primeiro trimestre de 2009, o setor faturou R$ 13,64 bilhões, retração nominal de 20,1% sobre os três primeiros meses de 2008. Descontada a inflação, a baixa foi de 25,3%.

O consumo aparente de máquinas e equipamentos somou R$ 7,7 bilhões em março, alta de 28,8% com relação a fevereiro e de 4,4% perante março. Já no primeiro trimestre deste ano, totalizou R$ 20,15 bilhões, valor 8,4% menor diante de igual período anterior.

 

As exportações somaram US$ 695 milhões em março, alta de 16,4% ante fevereiro e queda de 19,9% sobre março de 2008. Enquanto isso as importações chegaram a US$ 1,673 bilhão em março, incrementos de 20,5% e de 24,8% nos mesmos comparativos. Com isso, o saldo da balança comercial do setor registrou déficit de US$ 978,3 milhões (alta de 106,7% perante março de 2008). No primeiro trimestre, as exportações totalizaram US$ 1,969 bilhão, queda de 24,5% ante igual período de 2008; e as importações contabilizaram US$ 4,787 bilhões, alta de 3,6% em relação aos três primeiros meses do ano passado.

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O Brasil é o 8º consumidor mundial de produtos plásticos e um dos 15 maiores fabricantes de máquinas para o setor. Desde a segunda-feira, 4, acontece em São Paulo a 12ª edição da BrasilPlast – Feira Internacional da Indústria do Plástico, onde 75% dos expositores exibem a mais nova tecnologia em máquinas e equipamentos para o segmento. Ao todo, são 1200 novidades de 33 países, incluindo o Brasil.

Ontem tive a oportunidade de circular pela feira. Realmente a grandiosidade dos equipamentos chama a atenção. Porém, mais do que ver máquinas gigantes em operação, me impressionou o otimismo dos expositores e de empresas como Indústrias Romi, Braskem, Deb’Maq, entre outras das 1302 presentes.

Logo na coletiva de imprensa, os organizadores deram o tom do evento. “Independentemente do momento financeiro global, essa feira é o ponto de encontro de empresas e pessoas que acreditam na evolução de nossas máquinas e sua competitividade no mercado mundial”, bradou Wilson Carnevalli, presidente da câmara setorial das empresas de máquinas e equipamentos para a indústria do plástico, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Nos corredores, gerentes de compras, engenheiros, técnicos e operadores de máquinas comentavam a expectativa de vendas – e compras – para os próximos meses. Estamos falando de compras para 2009!

A BrasilPlast 2009 vai até a próxima sexta-feira, 8, no Pavilhão do Anhembi. Para os que tiverem a oportunidade, vale a visita e a confirmação da vibração positiva que circula entre os empresários do segmento.

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SOBRE O BLOG INDUSTRIAL

O Blog Industrial acompanha a movimentação do setor de bens de capital no Brasil e no exterior, trazendo tendências, novidades, opiniões e análises sobre a influência econômica e política no segmento. Este espaço é um subproduto da revista e do site P&S, e do portal Radar Industrial, todos editados pela redação da Editora Banas.

TATIANA GOMES

Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.

NARA FARIA

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.

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