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A regulação adequada, a disponibilidade e melhoria dos dados e informações sobre bacias hidrográficas e a colaboração e participação na gestão da água são as prioridades defendidas pela indústria para garantir a disponibilidade de água em quantidade e qualidade adequadas. Essa são algumas das recomendações, construídas durante o Water Business Day, realizado este domingo, 18 de março, em Brasília, que serão levadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no dia 22 de março ao 8º Fórum Mundial da Água, que ocorre nesta semana na capital federal.

Promovido pela CNI, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebeds) e a Rede Brasil do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), o Water Business Day foi o primeiro evento empresarial em um Fórum Mundial da Água e visa debater o uso sustentável do recurso.

De acordo com o presidente do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Marcos Guerra, o setor industrial é fundamental na solução dos desafios para assegurar água em quantidade e qualidade adequadas, seja por meio de inovações em produtos e processos para o consumo eficiente do recurso quanto em parcerias com governos para a universalização do saneamento. Segundo ele, a segurança hídrica será o principal desafio de sustentabilidade nos próximos anos e, para o avanço dessa agenda, é importante ter ambiente favorável aos investimentos. “A estabilidade no fornecimento de água depende de investimentos públicos e privados em inovação e de encorajar empresas a se envolverem em ações mais ambiciosas para isso”, destacou. “Além disso, é necessário ter informações de qualidade para a tomada de decisões em gestão hídrica.”

A opinião foi compartilhada pela presidente do Cebeds, Marina Grossi, que enfatizou a importância de o setor empresarial defender a eliminação de barreiras ao uso de novas tecnologias, como de reuso e do consumo de água na indústria e na agricultura. “Também é preciso avançar na agenda de saneamento, na qual tem-se grande dívida com o povo e com o país”, disse.

Conforme a presidente da BRK Ambiental, Teresa Vernaglia, a falta de regras claras e uniformes inibem os investimentos em saneamento. Segundo ela, a BRK Ambiental está presente em 12 estados e lida com 18 agências regulatórias, cada uma com suas próprias normas. Como solução para o problema de universalização do saneamento, ela propõe que o modelo siga o que foi feito com o fornecimento de energia e serviços de telecomunicações. “É preciso unificar a regulação”, defendeu.

O secretário executivo da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, Carlo Pereira, afirmou que as empresas são as principais parceiras de governos em todo o mundo na superação dos desafios de segurança hídrica. “O Brasil tem posição privilegiada e o desenvolvimento sustentável pode ser transformado em diferencial competitivo para as empresas do país”, declarou.

No entanto, a questão da água precisa ter mais relevância nas decisões de negócios, pois, segundo Pereira, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 da ONU, que trata de garantir água em quantidade e qualidade adequada às populações, não é percebido entre as prioridades das empresas quando se compara com outros objetivos. “Isso ocorre mesmo quando o próprio Fórum Econômico Mundial cita, desde 2012, a questão de escassez hídrica como dos principais desafios para os negócios.”

EXPERIÊNCIAS EMPRESARIAIS – Exemplos de como empresas podem contribuir para redução das perdas e foram apresentadas no painel de líderes. Em Limeira, no interior de São Paulo, a BRK Ambiental contribuiu para redução das perdas de água no sistema de abastecimento e, mesmo com o aumento populacional do município, em 20 anos, reduziu a captação de água de 850 mil litros por segundo para 700 mil litros por segundo. “Nos próximos anos, investiremos R$ 100 milhões para redução das perdas no sistema de fornecimento de água”, disse Teresa. Em Blumenau (SC), a empresa deixou de enviar ao rio 19 milhões de metros cúbicos, o equivalente a sete piscinas olímpicas, de esgoto bruto.

A indústria química Braskem investe significativamente na redução do consumo de água e possui índices de uso de recurso seis vezes melhor que a média do setor químico mundial. Na Região do ABC Paulista, a indústria reusa praticamente 100% da água em seus processos. “Temos mobilizado a cadeia de fornecedores e clientes para economizar água e desenvolvemos soluções em PVC para reduzir as perdas no sistema de abastecimento”, relatou o vice-presidente global de Competitividade da Braskem, Roberto Bischoff.

O reaproveitamento de água é significativo também nos processos da Anglo American, que chega a 90% na produção de níquel. Segundo o diretor de Operações da empresa, Cristiano Cobo, a água é estratégica para segurança e integridade da empresa, mas destacou que o desafio global da empresa é eliminar a água de alguns tipos de operação da empresa. “No fim, buscamos garantir esse recurso como prioridade para o consumo humano”, declarou.

A Coca-Cola e a Nestlé, além de reduzir o consumo de água nas operações, faz um forte trabalho com comunidades pelo mundo para garantir à população próxima às fábricas da empresa o acesso à água potável. “Na América Latina, são cerca de 100 mil pessoas que recebem esse apoio da empresa. Quando olhamos para trás vemos que fizemos muito, mas quando se olha para frente, vemos que temos muito a fazer”, declarou a vice-presidente de Relações Governamentais e Comunicação da empresa, Olga Reyes. “Compartilhamos conhecimento com a sociedade sobre temas relevantes com o intuito de ensinar e aprender para tornar o mundo sustentável a todos”, afirmou o vice-presidente de Operações da Nestlé Brasil, Luís Garcia Prieto.

Para reduzir o consumo de água na agricultura, onde a prática de irrigação mais usada é por inundação, a multinacional Netafim desenvolveu há 50 anos em Israel, país que sofre com a escassez hídrica, tecnologia de irrigação por gotejamento. Hoje a principal missão do presidente da empresa, Naty Barak, é disseminar pelo mundo as vantagens desse processo. “Nosso principal concorrente é a ignorância de não se saber as vantagens da irrigação por gotejamento”, disse Barak.

GESTÃO DA ÁGUA – O diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) Oscar de Moraes Cordeiro Netto, a gestão das águas torna-se cada vez mais complexa e tem importância para o meio ambiente, a saúde de população e a viabilidade de várias atividades econômica. “É preciso compatibilizar tudo isso. O Brasil detém 13% da água doce do mundo, que é um enorme patrimônio, mas que nos dá muita responsabilidade”, afirmou Cordeiro Netto.

Segundo o secretário de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério de Meio Ambiente, Edson Duarte, embora a escassez hídrica seja um fator limitante, sobretudo, para os pequenos negócios, pode trazer oportunidades. “Trata-se de uma agenda estratégica para promover inovações e gestão eficiente de recursos e fortalecer a Política Nacional de Recursos Hídricos”, destacou Duarte.

 

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naturaEdital Carbono Neutro busca iniciativas nos setores de energia, agricultura, florestal, usos alternativos do solo e manejo de dejetos animais

 

A Natura, multinacional brasileira do setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, encerrará na próxima terça-feira, 31 de março, as inscrições para o edital 2015 do Programa Natura Carbono Neutro. O programa seleciona projetos que geram créditos de carbono a serem comprados pela empresa para a compensação das emissões de gases estufa que não puderam ser evitadas.

 Pioneira em desafios de sustentabilidade, a Natura criou o Programa Carbono Neutro em 2007, com o objetivo de reduzir e compensar de forma contínua e significativa as emissões realizadas pela empresa. A iniciativa se baseia em três pilares fundamentais: Inventário, Redução e Compensação das emissões inevitáveis.

 Para o pilar de compensação, a Natura realiza editais periódicos que seleciona projetos geradores de créditos de carbono que também proporcionam benefícios socioambientais para a região em que atuam e estejam alinhados às crenças e aos valores da empresa.

 O novo edital, que receberá inscrições até dia 31 de março , selecionará projetos nos setores de energia, agricultura, florestal, usos alternativos do solo e manejo de dejetos animais.

O edital completo pode ser acessado em https://editalnaturacarbononeutro.com.br.

Sobre a Natura

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agriculturaDuas importantes iniciativas globais para a agricultura sustentável reconheceram a necessidade de um serviço global de identificação e certificação de propriedades rurais produtoras de alimentos. A GS1 foi a entidade selecionada pelo United Nations Global Compact Food and Agriculture Business Practices (UNGC FAB) e pela Declaration of Abu Dhabi para prover um serviço de registro padronizado.

Para o UNGC FAB, a importância da participação da GS1 no processo de identificação está na melhoria da rastreabilidade da cadeia de abastecimento alimentar. Ou seja, o trabalho da GS1 voltado à segurança do alimento, que apoia a cadeia de valor do campo à mesa, está sendo reconhecido mundialmente. O principal objetivo do UNGC FAB e da Declaration of Abu Dhabi é incentivar os pequenos agricultores a práticas mais sustentáveis de produção. “A preocupação se baseia em projeções da ONU, que estima aumento de 70% no abastecimento de alimentos até 2050, embora os recursos da agricultura e da aquicultura sejam finitos”, explica João Carlos de Oliveira, presidente da Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil.

A GS1 participa de grupos de trabalho em vários países que atuam em projetos destinados a superação da fome e da desnutrição da população mundial, em função do seu aumento. Processos de padronização de identificação e de rastreabilidade eficientes desenvolvidos pela GS1 podem contribuir para redução significativa da perda de produção de alimentos, gerar mais produtividade, preservar a biodiversidade e os ecossistemas, melhorar o trabalho no campo, reduzir o impacto ambiental, melhorar a renda de todos os trabalhadores envolvidos e diminuir o êxodo rural.

“Felizmente, percebemos hoje um bom nível de conscientização dos envolvidos na cadeia de abastecimento em apoiar iniciativas como as do UNGC FAB e da Declaration of Abu Dhabi”, afirma João Carlos de Oliveira. “Os consumidores terão mais estabilidade dos preços e maior segurança dos alimentos se a cadeia de abastecimento se preparar desde já para amenizar a crise alimentar e tornar a agricultura mais sustentável.”

Identificação – De acordo com o planejado, a GS1 fornecerá o que está sendo chamado de Global Farm ID Registry Service. Um serviço padronizado para que os agricultores de todo o mundo se registrassem para receber a identificação única – uma forma de registrar as propriedades rurais que estiverem em conformidade com os princípios de melhores práticas da UNGC FAB. Ao se registrar, a propriedade terá a condição de receber “apoio à capacitação” do UNGC e outras agências da ONU.

A implantação do projeto está prevista por meio de um programa piloto com início em junho de 2015. As organizações envolvidas esperam que cerca de vinte países e 500 mil fazendas sejam envolvidas. Espera-se construção dos três pilares operacionais dessa iniciativa:

  • Um conjunto comum de boas práticas agrícolas;
  • Um sistema único de identificação de cada propriedade rural;
  • Um mecanismo para garantir o empenho das cadeias de abastecimento.

O documento que resultará em um conjunto de orientação das melhores práticas agrícolas nessa iniciativa será acessível a todos, como um recurso de código aberto para uso facultativo, flexível. O sistema único de identificação e o mecanismo comum de comunicação serão ferramentas adicionais para o alinhamento de esforços para a máxima eficiência, transparência e impacto. “A GS1 continua trabalhando para estabelecer uma linguagem comum global para a agricultura sustentável”, declara João Carlos de Oliveira.

 

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SOBRE O BLOG INDUSTRIAL

O Blog Industrial acompanha a movimentação do setor de bens de capital no Brasil e no exterior, trazendo tendências, novidades, opiniões e análises sobre a influência econômica e política no segmento. Este espaço é um subproduto da revista e do site P&S, e do portal Radar Industrial, todos editados pela redação da Editora Banas.

TATIANA GOMES

Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.

NARA FARIA

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.

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