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carreira*Marcia Vazquez

Muito se tem falado e muito se falará, ainda, da reforma da previdência proposta pelo governo federal. Todos os estudiosos, analistas e nós profissionais estamos interessados nela, mesmo que por óticas diferentes.

Analisando especificamente um dos componentes desta reforma, que é a idade mínima para aposentadoria, quero refletir sobre como este dado nos impulsiona a analisar nossa gestão de carreira.

No ciclo virtuoso da carreira é fundamental compreender as diferentes fases pelas quais passa um profissional e entender o contexto de valor de cada uma delas.

De acordo com Citrin e Smith (2005), na fase denominada de ‘Promessa’, que vai dos 20 aos 30 anos de idade, descobrem-se as aptidões e o valor intrínseco é o do potencial do capital humano.

Na fase seguinte, denominada de ‘Impulso’, que vai dos 30 aos 45 anos de idade, ocorre a consolidação da carreira e a busca do equilíbrio entre conhecimento, competência e poder, e o valor intrínseco é o da experiência adquirida.

Na fase final, denominada de ‘Colheita’, que vai dos 45 aos 60 anos, o profissional consolida a preparação dos sucessores, criando uma estratégia para se inovar, e o valor intrínseco é a revitalização da carreira.

Esta trajetória, percorrida pela maioria dos profissionais, e que deságua na aposentadoria, mostra o quanto é natural que a fase da ‘Colheita’ seja alcançada, diante dos avanços científicos – aumentando a longevidade, preservando a saúde mental, física e espiritual, e proporcionando mais qualidade de vida.

E hoje nos deparamos com a ocorrência da reforma da previdência que, fatalmente, deverá nos levar a uma reflexão – e ação –, de como vamos construir / gerir / manter nossa carreira para uma atuação profissional mais longa no tempo e, talvez, uma permanência maior na fase da ‘Colheita’.

Para uma eficiente gestão da carreira, com o intuito de torná-la sólida o bastante para manter nossa empregabilidade por mais tempo do que até agora, teremos de estar atentos primeiramente aos investimentos que fizemos, fazemos e faremos nesta carreira. Aqui cabem os nossos próprios investimentos, tanto quanto aqueles que nossos empregadores fizeram ou farão em nós. Isto tudo refletirá em nosso capital intelectual.

Em segundo lugar, igualmente importante, será nossa capacidade de identificar, criar e aproveitar as oportunidades da carreira. Aqui se esta evidenciando nossa competência de visualização do futuro, nossa habilidade de estabelecer desafios constantes, nossa manutenção do foco e nossa criação de mapas de percurso para a carreira.

Deveremos gerenciar os resultados alcançados, evidenciando não só os resultados quantitativos e financeiros, mas também os resultados qualitativos que se refletem nas novas maneiras de fazer algo. Penso que se estivermos sempre atentos à gestão da carreira desde a fase da ‘Promessa’ até a da ‘Colheita’, mesmo atingidos por uma reforma da previdência que nos faça permanecer mais tempo no mercado de trabalho, teremos a possibilidade de criar uma nova estratégia para guiar nossos passos profissionais.

No fim das contas, os 50, 60 ou 70 anos em nossas vidas serão um poderoso marco de nossa reinvenção!

*Marcia Vazquez é Coach certificada pela ICC – International Coach Community, graduada em Psicologia, MBA em Gestão de Pessoas, Pós-Graduada em Gestão de RH com especialização em Análise Transacional e Gestora do Capital Humano / Educação Corporativa da Thomas Case & Associados, consultoria com 40 anos de atividades, especializada na recolocação de profissionais no mercado e gestão de carreiras aliando tradição com constante inovação.

 

 

 

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otimismoCrises e oportunidades podem andar juntas se tiverem o devido respaldo de uma visão estratégica e cuidadosamente forjada nas mais prementes necessidades do mercado, leia-se inovação, eficiência e qualidade com redução de custo.

Sabemos que isso ainda é pouco para quem planeja prosperar no mercado brasileiro tal como ele é, no melhor estilo montanha russa – cheio de curvas e ladeiras íngremes nas quais não se pode enxergar mais de um palmo adiante.

Evidentemente, no mundo empresarial a diferença entre naufragar com as estatísticas de economias decadentes e surfar nas ondas que tentam nos derrubar também depende de coisas como olhar para dentro. Avaliar nossas próprias proficiências e identificar rigorosamente cada uma de nossas fragilidades para então tratar de saná-las é indispensável para qualquer empresa em qualquer circunstância.

Dito isto ainda resta acreditar – otimismo é mesmo muito importante – e investir. Foi exatamente assim que conseguimos alçar em nossa empresa, 100% brasileira, o crescimento de 52% em serviços a projetos de engenharia em 2016, puxados principalmente por testes na área automotiva. Não foi uma tarefa fácil, como devem imaginar.

Dentro desse escopo projetamos para 2017 crescer mais 25%, respaldados por investimentos na expansão da estrutura de testes, no aumento e na capacitação do capital humano especializado – de que o mercado não dispõe – e em novos segmentos de negócios.

Cremos que fazer engenharia no Brasil seja uma chave importante para melhorar a eficiência e diminuir os obstáculos ao desenvolvimento mais rápido do setor produtivo brasileiro. Como players, temos apostado, com sucesso, na estratégia de trazer para o mercado serviços de suporte a processos de engenharia que não se encontravam por aqui.

No mundo corporativo não há quem ignore que a incrível lacuna existente no Brasil quanto ao suporte local a processos de engenharia, notadamente em segmentos industriais de alta complexidade como o automotivo, ainda gera muitos contratempos e dores de cabeça.

Não bastasse a eterna pressão para preços mais competitivos ante o custo Brasil, as empresas ainda sofrem as consequências de terem de mandar suas amostras ao Exterior para validação e testes, enfrentando trâmites alfandegários, despacho aéreo e marítimo e filas para a execução de testes, que podem levar meses se houver problemas na execução.

Não precisa ser assim. O desenvolvimento da economia brasileira acontecerá, e ainda temos imenso potencial a ser explorado com perspectivas positivas. Basta apostar no Brasil.
*Ricardo Nogueira é presidente da SMARTTECH, empresa 100% brasileira especializada em tecnologia e serviços de apoio a projetos de engenharia.

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ARTIGO – Uma dose de otimismo

Icone Análise,Artigo,Opinião | Por em 17 de fevereiro de 2017

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esrancaPor Ingo Pelikan

Criatividade se tornou palavra de ordem em 2016, um ano extremamente complicado para a indústria automotiva, marcado por uma queda brusca de volumes. Ao longo destes 366 dias, todos os segmentos do setor foram obrigados a serem criativos para sobreviver e, apesar de toda a dificuldade, conseguiram administrar bem o cenário.

Em função da incerteza de quando poderia haver uma retomada do crescimento, todos os elos jogaram um pouco na defensiva. Assim, fizeram uma série de ajustes para que realmente não houvesse impactos na qualidade dos processos produtivos. De fato, a princípio, não há indicadores que apontem para uma queda neste quesito, mas existe uma séria preocupação com a cadeia de fornecedores.

O que esperar deste novo ano? Embora ainda seja um pouco cedo para fazer alguma estimativa, seja para mais ou para menos, por conta do atual cenário político-econômico que ainda é incerto, previsões já apontam para uma pequena retomada, no sentido de, no mínimo, estabilizar no atual patamar e ter um pequeno crescimento.

Já existe aí um pequeno otimismo, capaz de estimular o crescimento da indústria. Uma dose de otimismo é fundamental para que todos voltem a acreditar em nosso potencial enquanto Brasil e estejam preparados para um possível aumento de demanda.

Já em preparação para uma eventual retomada, as organizações precisam entender que este é um importante período para revisar todos os processos de manufatura enxuta, responsáveis por atacar fortemente os desperdícios. São quatro os pilares que geram excelência operacional: processos, produtos, serviços e pessoas.

Se os quatro pilares forem bem trabalhados com objetivo de aprimorar a qualidade da marca, certamente serão maiores as chances de aproveitar melhor as oportunidades com a retomada. Dentro desse conceito, é preciso oferecer qualidade com alto desempenho, que contemple todas as demandas do cliente e não gere dores de cabeça.

O setor também precisa estar cada vez mais próximo para debater as dificuldades, alinhar os conceitos e desenvolver trabalhos em conjunto. Todos os elos devem estar integrados para que no momento da retomada não haja a procura de culpados, mas se tenha a solução na mão, já debatida com antecedência.

Neste cenário, a qualidade made in Brazil deve ser aperfeiçoada constantemente pelo setor, afinal a expectativa de crescimento não é restrita ao mercado interno, mas envolve as exportações. O produto nacional precisa ser competitivo globalmente para que a qualidade made in Brazil seja reconhecida em todos os lugares.

O País lida com a forte concorrência de países emergentes, que certamente investem nos mesmos aspectos e talvez não sofram um abalo político-econômico tão forte como o Brasil nos últimos três anos. Países como Índia, Rússia e México tiveram período um pouco mais tranquilo para se preparar para o aumento dessa demanda global.

Agora é a hora de intensificar estes princípios e praticá-los definitivamente porque a velocidade da retomada é imprevisível. Ao longo dos processos de crescimento, muitas organizações acabam ficando para trás. É hora de cada empresa fazer uma autoavaliação sobre onde chegou e o que precisa fazer daqui em diante. Vamos em frente!
*Ingo Pelikan é presidente do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva

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artigoEscrito por Mara Santos da ClickSoftware

Aqueles que se recordam do Inspetor Bugiganga, provavelmente também devem lembrar-se do relógio futurista de sua sobrinha e ajudante Penny. Com o apertar de um botão, Penny podia fazer chamadas de vídeo, iluminar a escuridão com uma lanterna ou perfurar metais com um tiro de raio laser. Agora, 30 anos decorridos, essa fantasia de um smartwatch de desenho animado já é uma realidade – menos o raio laser, claro.

Wearables, relógios, óculos e a Internet das Coisas (IoT) mudarão completamente o serviço em campo, gostemos ou não. A grande questão a ser colocada, portanto, é quando e de que maneira exatamente esse conjunto de tecnologias se tornará parte do dia a dia de nosso trabalho.

Antes de sairmos entregando smartwatches a todos os técnicos em campo, é importante avaliar como esses dispositivos conectados estão melhorando a gestão do serviço em campo e em que momentos iniciativas à moda antiga como um bom aperto de mão ou um telefonema, ainda fazem a diferença.

Os dispositivos conectados são um modismo?

Definitivamente não. De acordo com um recente relatório do Gartner, as vendas de dispositivos wearable em todo o mundo devem crescer cerca de 20% até o fim de 2016. E não são apenas os consumidores que estão seguindo e sendo beneficiados com essa tendência. Wearables, smartwatches e IoT devem impactar os prestadores de serviço em campo mais cedo do que se imagina. O guru de serviços na nuvem, analista da consultoria americana de tecnologia Moor Insights & Strategy e colaborador regular da Forbes, Chris Wilder, relata: “Nos próximos três anos, 75% das empresas de serviços em campo irão equipar seus técnicos com dispositivos portáteis, como relógios, óculos e outras tecnologias”. É uma afirmação ousada, por isso, é importante compreender algumas das principais formas em que estas mudanças irão impactar o gerenciamento de serviços de campo.

Principais tendências da tecnologia de serviço em campo para focar

Naturalmente, diferentes dispositivos com necessidades distintas vão se tornar populares no mercado. Wearables com recursos de segurança em tempo real atendem bem os segmentos ferroviário, de petróleo e gás, construção e utilities. Já os dispositivos de diagnóstico ou com capacidades robustas de comunicação com o cliente estão revolucionando os setores de varejo, contact centers e telecomunicações.

  1. Os relógios inteligentes revolucionarão as tecnologias de segurança, rastreamento e comunicação em campo

Diversos estudos revelam que uma força de trabalho saudável é estatisticamente mais eficiente. A maioria, se não todos os smartwatches, podem acompanhar dados biométricos, que trazem grandes benefícios para as empresas que procuram melhorar a produtividade e a saúde da sua força de trabalho. Imagine monitorar a saúde de toda a equipe técnica durante os meses quentes de verão ou definir os limites da frequência cardíaca dos técnicos durante o trabalho realizado em campo de setores como utilities, construção ou petróleo e gás. E imagine se a central puder receber notificações imediatas quando o técnico tiver um pico na frequência cardíaca ou ser avisada quando essa frequência estiver em um nível elevado por um longo período de tempo.

O centro de comando poderia utilizar esses dados para ajudar as empresas a criar turnos de horários mais inteligentes e saudáveis, melhorando a eficiência geral. O impacto em longo prazo dos smartwatches sobre a saúde dos técnicos pode ser substancial.

Além disso, ter acesso à localização dos técnicos a todo o momento seria revolucionário para o gerenciamento dos serviços.Imagine a criação de um sistema de mensagens automáticas capaz de informar aos clientes quando um técnico está a 10, 20 ou 30 minutos de distância. Mapas como o do Uber, por exemplo, poderiam mostrar ao cliente onde o técnico está e quando ele chegará. Quem não gostaria de ter acesso a esse serviço? E qual o gerente que não gostaria de saber o que todos os seus técnicos estão fazendo? Essa comunicação em tempo real entre a empresa e o cliente também abre a porta para o engajamento e a personalização de toda a experiência em curso do serviço em campo.

Já os smartwatches estão mudando a comunicação em campo e melhorando a eficiência. Os relógios ativados por voz não exigem que os técnicos pressionem qualquer botão, o que significa que eles podem tomar notas, realizar pesquisas no banco de dados ou retornar a chamada à sede, mantendo-se fisicamente focados em suas tarefas no campo e o melhor, com as mãos livres.

  1. Carros inteligentes e dispositivos conectados irão revolucionar o mapeamento de rota

Os carros ainda não dirigem a si próprios. No entanto, uma série de tecnologias móveis já é capaz de proporcionar benefícios como mapeamento de rotas, comunicação hands-free e um deslocamento em campo mais eficiente.

Segundo uma recente pesquisa da Juniper, dispositivos e aplicações em veículos conectados estão em ascensão – e a um ritmo surpreendente. Como a adoção do serviço em campo está cada vez mais regular, espera-se melhorias no mapeamento de rota, redução de custos globais com combustível por quilômetro rodado, além de uma diminuição expressiva do tempo de serviço. Esses benefícios impactam, e muito, a satisfação geral do cliente.

As empresas que já implementaram a tecnologia de carro conectado para otimizar o mapeamento de rota estão percebendo uma significativa economia de custos. Um estudo de caso sobre o mapeamento de rotas ORION da UPS indica que eles projetam uma redução anual de 100 milhões de milhas dirigidas e uma economia de combustível de 10 milhões de galões por ano.

Assim como Google, Volvo, Tesla e outros, veremos também as equipes em campo mais focadas em seus postos de trabalho e menos no deslocamento. Imagine se o tempo do técnico fosse gasto examinando registros de peças, em comunicação com os clientes e na preparação para resolver os principais problemas de serviço de campo no local – ao invés de apenas no deslocamento de uma chamada a outra. O aumento da eficiência será substancial.

  1. Realidade Virtual e Drones: O próximo horizonte

A realidade virtual está pronta para alcançar um tamanho de mercado de mais de $ 15 bilhões em 2020. Certamente, a maior parte desse mercado tem sido representada por jogos, marketing experimental e filmes em 3D. Entretanto, as aplicações de realidade virtual no serviço em campo em longo prazo poderiam provar ser tanto rentáveis quanto fundamentais para a segurança. A companhia de IoT, Space-time Insight, ofereceu a seus executivos a oportunidade de utilizar fones de ouvido Oculus Rift VR e percorrer subestações virtuais para identificar problemas.

A simulação revela que os dados e a análise em tempo real oferecem métodos criativos para resolver problemas em campo, utilizando a tecnologia de realidade virtual.

Finalmente, os drones oferecem uma incrível oportunidade de diagnóstico para a gestão do serviço em campo para suplantar o risco por meio de um voo imediato. O serviço em campo pode ser perigoso – especialmente para técnicos que trabalham em parques eólicos, arranha-céus e plataformas de petróleo. Os drones podem ajudar os profissionais de serviço em campo a observar grandes áreas, examinar paisagens perigosas ou de difícil acesso e escalar alturas anteriormente inacessíveis aos técnicos, trazendo mais segurança à operação.

Um recente relatório da Business Insider aponta que o crescimento no setor corporativo deve superar a demanda dos consumidores tanto nos embarques quanto nas receitas. Preparem-se, os drones estão chegando.

*Mara Santos, Gerente de Alianças da ClickSoftware para América Latina, líder no fornecimento de soluções para a gestão automatizada e otimização da força de trabalho e serviços em campo.

 

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Por Claudio Graeff(*)

O Brasil é um dos 10 países mais ricos do mundo e de acordo com Relatório de Competitividade Global 2015/2016 do Fórum Econômico Mundial, ocupa a 7º posição no ranking para o GDP (PIB em português), e o 6º lugar quando avaliado o tamanho do mercado doméstico. Por outro lado, apresenta índices extremamente ruins de infraestrutura (126º), tecnologia (95º), comportamento ético das empresas (133º), entre outros disponíveis para pesquisa e avaliação de qualquer cidadão.

Não é possível questionar esses índices, uma vez que temos demanda reprimida em tantos setores de infraestrutura como rodovias, saneamento básico, geração e transmissão de energia, hospitais, escolas, presídios e outros. Isso ficou mais claro com o advento da Copa do Mundo, que apresentou para a maioria dos brasileiros uma realidade muito conhecida para quem trabalha com projetos de infraestrutura gerenciados e contratados pelo governo. Muitos projetos prometidos acabaram ficando pelo caminho, inacabados por abandono do contrato por parte das contratadas ou embargadas pelos órgãos fiscalizadores. Os que seguiram acabaram atrasando e estourando seus orçamentos, resultado de um planejamento mal feito e estudos deficitários.

Mas não é de hoje que implantar projetos de infraestrutura no Brasil não é uma tarefa fácil, e não é raro os projetos terminarem com custo muito maior do que os valores originalmente aprovados.

Diante desse cenário pouco motivador e associado à atual crise econômica e escândalos envolvendo grandes empresas brasileiras, existe a necessidade de mudanças por parte do governo e das empresas para enfrentar esse cenário adverso e voltarmos ao ciclo de crescimento.

Retirando dessa análise as variáveis de conduta ética na gestão, se formos avaliar as causas dos elevados custos dos projetos brasileiros de infraestrutura, vamos constatar que na grande maioria dos casos, há aditivos contratuais de prazo e custo, resultado de um grande número de interrupções por problemas diversos, resultantes da falta de uma adequada metodologia de desenvolvimento de projetos que deveriam levar em conta todos os impactos, bem como, estratégias e planejamentos adequados.

A melhor forma de se prevenir e evitar problemas futuros em um projeto é a gestão de riscos, metodologia amplamente falada, mas pouco entendida e aplicada de forma incorreta na maioria dos casos. Importante chamar a atenção para os conceitos desse modelo, que é agir preventivamente, mitigando ou eliminando eventos que podem impactar em custo, prazo e qualidade do projeto.

Pode se dizer que um dos fatores pelo qual os projetos terminam mais caros é devido aos riscos envolvidos e que efetivamente acabam acontecendo e, infelizmente, o Brasil apresenta um histórico muito ruim para estes riscos, com alta probabilidade de acontecimentos. Podemos citar os licenciamentos ambientais, liberação de áreas de servidões, improdutividades com greves e paralizações de projetos dentre outros. É importante salientar que esses são riscos trazidos da fase de desenvolvimento dos projetos, que devido ao modelo atual, transfere a resolução ou tratativa desses riscos para a fase de construção, que impacta diretamente no custo final dos contratos.

Nessa ótica, precisamos que os órgãos governamentais responsáveis façam seu “dever de casa” e utilizem as melhores práticas de gestão para tratar projetos que tanto precisamos, assumindo sua responsabilidade para os riscos imputados e gerenciados por entidades governamentais, identificando, mitigando e/ou eliminando os riscos envolvidos, através de ações preventivas, levando em consideração as variáveis internas e externas e de um correto estudo de engenharia e planejamento das necessidades e prazos para cada fase do projeto.

Isso não é novidade para empresas especializadas em gestão, além disso, em março deste ano, o International Finance Corporation (IFC), uma entidade do Banco Mundial, publicou o estudo “Estruturação de Projetos de PPP e Concessão no Brasil, Diagnóstico do modelo brasileiro e propostas de aperfeiçoamento”, recomendando a adoção de modernas formas de gestão de projetos como caminho a ser seguido.

É entendido por todos que precisamos de investimentos e de investidores para atender a grande demanda de infraestrutura do País, e para isso precisamos agir rápido e abandonar antigos vícios e adotar metodologias eficientes de gestão pública, lançando projetos bem desenvolvidos, estudados e planejados, parando de transferir para o setor privado e para a população as responsabilidades e custos da ineficiência estatal. Podemos começar, por exemplo, com os futuros contratos de concessões, que deveriam ter cláusulas específicas e que acionassem gatilhos para determinados eventos que impactam diretamente o resultado das concessões.

Importante salientar que as constantes mudanças das regras dificultam muito as tomadas de decisões de um potencial investidor. Esse risco se elimina por meio de instituições fortes e tomadas de decisões técnicas, não ideológicas; pois confiança é algo que se conquista com o tempo e não se define em decretos.

*Claudio Graeff é diretor executivo da FTI Consulting

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sacolaPor Emiliano Graziano*

A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, considerando constitucional a lei que proíbe a distribuição gratuita e venda de sacolas plásticas a consumidores em todos os estabelecimentos comerciais do Município de São Paulo, trouxe novamente o debate sobre seus impactos ambientais, sociais e econômicos. Neste fogo cruzado está o consumidor que, enquanto a decisão final não é tomada, fica sem saber o que fazer. Mas, qual a melhor opção? Usar ou proibir? Seja qual for a decisão, a ciência deve ter papel fundamental nisso.

Conhecemos alguns dos impactos ambientais do produto, como o tempo de decomposição do material e sua capacidade de ser 100% reciclado. Segundo dados do Pró-teste, por exemplo, as sacolas plásticas duram 200 anos quando soterradas no lixo. Impacto que, se multiplicado pelas 1,5 milhões de sacolas distribuídas por hora no Brasil segundo a campanha Saco é um Saco do Ministério do Meio Ambiente (MMA), nos dá uma ideia do potencial. Não menos importante está a questão econômica sobre o impacto da nova proibição que recairá sobre o setor de embalagens plásticas. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), a proibição de sacolas plásticas em São Paulo deixaria aproximadamente três mil pessoas sem emprego. Além disso, as sacolas representam 5% do faturamento da indústria do plástico na cidade, representando cerca de R$ 72 milhões por ano.

Mas, quem deve pagar a conta pela proibição? Ao proibir a distribuição gratuita e venda de sacolas plásticas a consumidores em todos os estabelecimentos comerciais do Município de São Paulo o paulistano não poderá mais descartar seu lixo doméstico nas sacolinhas. Segundo dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), o custo mensal das famílias brasileiras aumentaria quase 150%, ficando próximo aos gastos com itens como arroz e feijão caso o cidadão precise comprar sacos plásticos para descartar seu lixo doméstico e transportar suas compras.

Estamos falando de informações que ratificam o posicionamento daqueles contra ou a favor a proibição. Dentro de sua realidade, todos estão certos, mas o consumidor, que toma sua decisão acreditando naquilo que te dará mais benefícios, precisa ser informado sobre o que, de fato, é o melhor para toda a sociedade. Não aquilo que dê ganhos a um lado em detrimento a outro. Quando o assunto é o uso das sacolas plásticas trata-se de uma questão holística que impacta vários atores da sociedade. É crucial que se coloque a ciência no centro das discussões.

No ciclo de vida dos produtos, cada ator da sociedade tem a sua parcela de responsabilidade. As autoridades por sua vez, ao legislar, devem se embasar com dados pautados pelo balanceamento entre os aspectos sociais, econômicos e ambientais. As empresas devem buscar processos e produtos cada vez mais sustentáveis, gerando valor para sua marca e beneficiando a sociedade. Esta, por sua vez, tem papel fundamental em outra etapa importante: o uso e o descarte. Uso que deve passar por uma decisão de compra que considera critérios da sustentabilidade, e o descarte que precisa se tornar adequado, preferencialmente para o início de um novo ciclo através da reciclagem ou o reuso do material.

Os dados sociais, econômicos e ambientais precisam ser colocados na balanço para se apresentar a alternativa de embalagem que mais concilia os três fatores. Quem fará isso? Ferramentas já propiciam o resultado exato sobre a socioecoeficiência do ciclo de vida de um produto, tornando a decisão mais racional e menos emocional sobre o uso das sacolas.

Seja qual for o produto consumido, o cidadão deve utilizá-lo de forma consciente, evitando a escassez ou o esgotamento de recursos naturais e matérias-primas. O uso adequado da ciência pode gerar uma sociedade justa, que visa o desenvolvimento sustentável em sua plenitude, baseado em estudos e uma relação ganha-ganha.

*Emiliano Graziano é gerente de Socioecoeficiênciada Fundação Espaço ECO®.

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Por Levi Ceregato*

Foi importante o fato de a Câmara dos Deputados ter aprovado o texto básico do Plano Nacional da Educação (PNE). Item relevante do projeto é o que prevê investimento gradativo de 10% do PIB na rede pública nos próximos dez anos. No âmbito das entidades de classe, essa proposta de aporte mínimo de recursos foi pioneiramente feita no Congresso Brasileiro da Indústria Gráfica, em outubro de 2011, na cidade de Foz do Iguaçu, Paraná, em documento da Abigraf Nacional, associação representativa do setor.

A melhoria da qualidade do ensino, além da questão intrínseca à justiça social e democratização das oportunidades, é decisiva para a economia brasileira. Precisamos formar novas gerações muito capacitadas para atender às exigências crescentes da evolução tecnológica e às transformações do mercado de trabalho.

Infelizmente, contudo, estamos retrocedendo, conforme demonstra recente relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A instituição pondera que o Brasil está perdendo a corrida da produtividade no universo dos emergentes. A China, por exemplo, da qual tanto reclamamos quanto à concorrência desleal, já está preparando melhor os seus recursos humanos. Segundo o estudo, as taxas de crescimento econômico não poderão ser mantidas apenas pela presença dos dois grandes fatores de produção, o trabalho e o capital. Mais do que isso, o desafio é utilizá-los de maneira mais eficaz e em segmentos de maior valor agregado, e o grande alicerce de tudo isso é a educação.

Para entendermos melhor o significado do ensino público de excelência nesse contexto, basta analisar os números do último Censo Escolar: na soma dos dados, 42,22 milhões de crianças e adolescentes matriculados na Educação Básica em nosso país dependem exclusivamente do Estado para estudar. Portanto, não podemos pré-estabelecer-lhes, bem como à Nação, um destino, inerente à precariedade do conhecimento, de mais dificuldades competitivas e de progresso.

Vejamos os números em mais detalhes: a Educação Básica tem 50,54 milhões de alunos. São 42,22 milhões (83,5%) matriculados em escolas públicas e 8,32 milhões (16,5%) em instituições privadas. As redes municipais acolhem quase metade das matrículas (45,9%), o equivalente a 23,22 milhões, seguidas pelas estaduais (37% do total, com 18,72 milhões). As escolas federais mantêm 276,43 mil matrículas, o que significa participação de apenas 0,5% do total.

Portanto, ampliar o volume de recursos para atender à prioridade do ensino é algo muito pertinente à meta do desenvolvimento brasileiro, na qual o Estado não pode omitir-se. Daí, a relevância do projeto que destina 10% do PIB à educação, partindo-se, assim que tenha a sanção presidencial, de um patamar mínimo de 7%.

A indústria gráfica sugeriu a medida em 2011 e a apoia por razões que transcendem ao seu legítimo anseio capitalista pelo maior mercado de livros, cadernos, jornais, revistas e outros impressos: como integrante da cadeia produtiva da comunicação, o setor entende que tem parcela de responsabilidade na difusão de conceitos politicamente corretos, no debate dos grandes temas nacionais e na solução dos problemas brasileiros. Por isso, seguimos atentos ao trâmite do Plano Nacional da Educação. Esperamos que seja rapidamente aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pela presidente Dilma Rousseff.

*Levi Ceregato, empresário, bacharel em Direito e Administração, é o presidente da da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf Nacional).

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Por Cláudio Gonçalves dos Santos*

A economia brasileira, com pouca diversificação, ainda é fortemente dependente da exportação de commodities, especialmente de recursos minerais e do agronegócio. Agora, surge a potencial oportunidade de exploração do petróleo da camada pré-sal que, ao que tudo indica, será uma grande riqueza no futuro próximo.

A questão que se coloca é como o Brasil vai administrar esta riqueza. Como diz o economista Edmar Bacha, corremos o risco da “maldição dos recursos naturais”, na qual já caíram países como Argentina e Venezuela.

Quando surge uma riqueza súbita que não é fruto do trabalho, da qualificação da mão de obra (através da educação) ou da acumulação de capital, mas sim da descoberta de recursos minerais ou do aumento de preços das commodities agrícolas, é uma benesse. O grande perigo das benesses é a tentação de parar com o  trabalho e viver de rendas, gozando a vida. No Brasil, isso não é difícil de ocorrer, basta olhar para nossa história.

Um conjunto de países asiáticos, com grande população, como China, Índia e Japão, possue boa renda e elevados índices de poupança. Neste grupo, denominado pelo ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso de “asiáticocêntrica”, estão os principais compradores das commodities produzidas no Brasil.

É preciso entender que o País precisa aproveitar as oportunidades dadas pelas riquezas naturais e pelo  aumento nos preços das commodities para (i) melhorar o nível de educação de sua população; (ii) aumentar a taxa de poupança interna; (iii) investir em infraestrutura e (iv) diversificar sua economia.

Uma das grandes soluções é utilizar as benesses para aumentar a taxa de poupança e investir não somente em infraestrutura, mas também na diversificação da economia e na melhoria da educação.

O Brasil tem grandes desafios para enfrentar. A qualidade da educação pública é péssima. Em seu livro “Basta de Histórias”, Andrés Oppenheimer traça um perfil da educação no Brasil e em outros países da America-Latina.  Andrés diz que “não foi por acaso que a Coréia do Sul passou da pobreza a uma surpreendente prosperidade nas últimas décadas. Os coreanos apostaram em cheio na educação e elevaram seu nível de vida num ritmo vertiginoso.” Enquanto isso, “os países latino-americanos se dedicaram a vender matérias-primas como petróleo e produtos agrícolas. A Coréia do Sul, assim como fariam China e Índia anos mais tarde, se dedicou a investir na educação de seu povo a fim de criar produtos cada vez mais sofisticados, e vendê-los nos maiores mercados do mundo”.

Os ingredientes para o Brasil ter um crescimento sustentável passam necessariamente por melhoria na educação, aumento no nível de poupança e investimento em tecnologia, sem o qual, corremos o risco de continuar anos a fio com crescimento econômico pífio.  Países como Coréia do Sul, Finlândia e Suécia não têm dependência exclusiva de recursos naturais, mas os utilizaram bem para promover o desenvolvimento através de educação de qualidade, poupança doméstica e tecnologia.

* Cláudio Gonçalves do Santos é economista e professor da Trevisan Escola de Negócios.

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*Por eng. Cláudio Orlandi Lasso

Mesmo com as fortes chuvas em pontos localizados do país, nos últimos dias temos acompanhado as notícias dos baixos níveis dos reservatórios de diversas usinas hidrelétricas do Brasil,. Vimos também os altos preços dos combustíveis fósseis que alimentam as termelétricas, e os diversos apagões que têm ocorrido em diferentes regiões do país. Paralelamente a tudo isso, a economia vem crescendo modicamente e o governo brasileiro reduziu em 20% a tarifa de energia elétrica, o que deverá fomentar o consumo. A conjunção de todos esses fatores pode ser o anúncio de uma nova crise de energia elétrica no Brasil, com possibilidade inclusive da ocorrência de um apagão regional, ou até nacional.

Para mitigar os riscos desta crise anunciada, seria interessante que São Pedro mandasse mais chuvas para as regiões das bacias hídricas, onde estão instaladas as usinas hidrelétricas. Mais importante, ainda, seria que as concessionárias de energia elétrica aplicassem mais recursos para a manutenção e ampliação dos seus sistemas para melhor atender à demanda crescente. Finalmente, seria importante também que o governo fizesse a sua parte, acompanhando e planejando adequadamente o crescimento da oferta e da demanda de energia elétrica do país.

Conforme o Operador Nacional do Sistema (ONS), que é o órgão responsável pela coordenação e controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN), sob a fiscalização e regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), desde 2005 a demanda de energia elétrica vem crescendo com índice maior do que a oferta. Fica claro perceber que, por conta deste déficit acumulado e crescente, era prevista uma grande crise energética para o ano de 2010. Isso só não ocorreu “graças” à crise econômica mundial de 2009, que freou o crescimento do país, dando tempo para que o governo finalizasse a construção de diversas usinas termelétricas, que são hoje bastante estratégicas para o país.

Embora sejam bastante poluidoras, as usinas termelétricas estão espalhadas por todo o Brasil. Muitas delas são acionadas diariamente por um período de apenas três horas, para suprir o aumento da demanda no horário de ponta, período entre 18:00h e 21:00h, momento em que a maioria dos brasileiros chegam a suas casas e começam a consumir mais energia elétrica: acendem luzes, ligam suas TVs e, principalmente, vão tomar seus banhos, predominantemente, de chuveiro elétrico.

Infelizmente o governo ainda não despertou para a maior causa da anunciada crise energética, o Desperdício, e muito menos para uma interessante e simples solução de parte deste mal. Muitos investimentos têm sido feitos pelo governo no sentido de buscar maior eficiência energética, tanto na geração, como no transporte, na distribuição e uso final da energia elétrica, mas realmente ainda são poucos, se comparados com os de outros países mais desenvolvidos, principalmente no que diz respeito ao consumo da energia na ponta. Para se ter uma idéia, um chuveiro elétrico ligado na posição quente equivale ao consumo de aproximadamente 100 lâmpadas de 60W ligadas ao mesmo tempo.

Investir em eficiência energética é muito mais barato, inteligente e sustentável (em diversos aspectos) do que investir em novas fontes energéticas. Ora, se é público e notório que o chuveiro elétrico é o grande vilão do consumo energético residencial, e que este equipamento está presente na grande maioria dos lares das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, regiões estas mais populosas e de maior consumo de energia do país, o governo teria que desenvolver políticas públicas dedicadas à redução deste consumo.

O chuveiro elétrico é o eletrodoméstico de menor custo de aquisição em uma residência, mas, por outro lado, é o que diariamente mais consome água e energia elétrica. Sabe-se também que o produto tem enorme potencial de eficientização, sendo facilmente controlável. Hoje existem acessórios que promovem economias de mais de 40% de energia para o chuveiro elétrico, como é o caso do Rewatt (R$ 460,00) e do ECO Shower Slim (R$ 128,00), este último ainda economiza mais de 40% de água, é de fácil instalação (não usa instalação hidráulica), não precisa de limpezas periódicas, tem mais de dois anos de garantia e pode ser comprado em 12 vezes no cartão pelo site: loja.ecoshower.com.br

A instalação desses acessórios apresenta interessante relação custo-benefício, pois se paga em poucos meses de uso. Se aplicados em massa, poderão criar diversos pequenos “pulmões energéticos”, que permitirão ao governo postergar investimentos, reduzir custos e evitar apagões, muitos prejuízos, e conseqüências atreladas.a

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Artigo: Irmã África

Icone Análise,Artigo,Economia | Por em 19 de setembro de 2012

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Por João Guilherme Sabino Ometto*

Considerada a identidade histórica entre nossos povos, foi muito oportuna a recente realização do seminário “Investindo na África: Oportunidades, Desafios e Instrumentos para Cooperação”, com o qual o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) comemorou seus primeiros 60 anos. Transcendendo à diplomacia e ao discurso, o evento teve conteúdo prático. A própria instituição brasileira de fomento anunciou investimentos de R$ 6,5 milhões para estudo técnico de avaliação de viabilidade de produção de biocombustíveis nos países membros da UEMOA (União Econômica e Monetária do Oeste Africano).

Ainda na área energética, segundo a Petrobras, descobertas recentes e o sucesso da África no mundo do petróleo aumentam a sua atratividade para a estatal. A Eletrobras, de sua parte, já havia informado que  planeja iniciar a construção de usina hidrelétrica e duas linhas de transmissão em Moçambique a partir de 2013. O BNDES defendeu, ainda, a criação de um fundo para financiar projetos de infraestrutura, logística e desenvolvimento social no continente.

Os dados reforçam um processo de aproximação intensificado no Governo Lula e continuado pela presidente Dilma Rousseff, que visitou nações africanas no final do ano passado. A Fundação Alexandre de Gusmão, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, seu Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais e seu Centro de História e Documentação Diplomática têm promovido cursos especiais de elevado padrão acadêmico para diplomatas africanos. O Senai também participa desse esforço integrador, realizando trabalho na implementação de projetos de cooperação técnica (capacitação de profissionais) em mais de uma dezena de países africanos.

Na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), tenho recebido presidentes e chefes de estado das nações africanas, dos quais ouço a simpática definição: “O Brasil é a África que deu certo”, o que justifica intensificar as crescentes parcerias. Entre 2006 e 2011, nossa corrente de comércio com o continente africano quase dobrou, saindo de US$ 15,6 bilhões para US$ 27,7 bilhões. O número reforça a tendência de crescimento registrada na última década. Apenas como referência, em 2004 foram US$ 10,4 bilhões. Excetuando-se o ano de 2009, quando o Brasil teve superávit de US$ 227 milhões, desde 2004 a balança comercial com a África é deficitária.

Há, sem dúvida, grande potencial para ampliar os investimentos e o intercâmbio comercial. O secretário-geral adjunto da ONU, Carlos Lopes, salientou que em várias regiões da África já há unidade monetária e integração aduaneira. Este modelo, que causa estragos na Europa, não apresenta problema para os africanos, cujos bancos não quebraram na crise financeira. Ao contrário do que muitos imaginam, as commodities representam apenas 30% do PIB do continente, que também quadruplicou suas reservas nos últimos quatro anos.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, entende que a integração apresenta oportunidades para grandes empresas e companhias de médio porte. Os setores mais atrativos são os de açúcar e álcool, telecomunicações, energias renováveis, petroquímica, siderurgia, indústria automotiva, bens de capital, varejo, transportes, serviços bancários e fármacos. Segundo os africanos, a esses setores também podemos somar: mineração, infraestrutura, turismo e agricultura.

O economista-chefe do Banco Africano de Desenvolvimento, Shem Simuyemba, apresentou números do programa para o Desenvolvimento da Infraestrutura (PIDA), além de previsões que apontam um crescimento econômico de 6% ao ano, entre 2010 e 2040, para o continente que vem consolidando a democracia. As obras energéticas têm custo estimado de US$ 40 bilhões e o programa de transportes, US$ 25 bilhões. Porém, os 36 projetos previstos ainda não têm funding. Constituem, assim, grandes oportunidades de investimento.

Não há dúvida de que, no processo de diálogo e ampliação do intercâmbio Sul-Sul, faz muito sentido intensificar a integração brasileiro-africana. Os afrodescendentes representam parcela expressiva de nossa população e são responsáveis por numerosos e ricos elementos de nossa cultura. Sua presença e influência, do mesmo modo, são marcantes na economia. Nossa agricultura, por exemplo, foi tropicalizada com a sua participação e conhecimento de técnicas de cultivo. A da Europa não. A nossa funcionou; a do Velho Continente, nem tanto. Povos irmãos, temos todos os motivos do mundo para caminharmos mais juntos na luta pelo desenvolvimento.

*João Guilherme Sabino Ometto é engenheiro (EESC/USP), vice-presidente do Grupo São Martinho e da Fiesp e coordenador do Comitê de Mudanças Climáticas da entidade.

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Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.

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Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.

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