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Antonio-Wrobleski.foto-de-LucasDantasGueiros*Antonio Wrobleski

Com todos os desafios enfrentados no ano da pandemia, alguns setores se sobressaíram e seguem em projeção de crescimento, como é o caso do e-commerce. Segundo pesquisa realizada pela DHL, líder mundial em transporte expresso e logística, o segmento deve crescer 17% ao ano no Brasil até 2021, aumentando significativamente os processos de logística. Ao mesmo tempo, profissionais da área acreditam que os avanços tecnológicos são as principais tendências nas entregas, facilitando as operações e simplificando o mercado.

De acordo com dados da Pesquisa Anual de Serviços (PAS), publicada em agosto deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da receita total de R$1,6 trilhão, o setor de ‘Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio’ representam a maior fatia, cerca de 30% do total. Em contrapartida, existem algumas questões relacionadas à sustentabilidade nas perspectivas para 2021, principalmente com relação à mobilidade. As empresas logísticas precisam rever seus impactos, repensar seus modelos de atuação, optar por meios viáveis aos envolvidos e escolher formas mais acessíveis e sustentáveis.

Nós somos uma empresa verde, economizamos, no mínimo, 12% de óleo diesel. Quando você roteiriza, busca as melhores formas. Evita passar por determinados lugares que não precisa e faz economia em consumo. A logística verde ou logística ambiental deve fazer parte da expansão do setor para o próximo ano, a partir de medidas e políticas sustentáveis que visam reduzir o impacto ambiental causado pelas atividades do setor. Uma moto polui mais que duas vezes e meia que um automóvel. Agora bike não, bike é tudo. Então mobilidade é isso. Como você implementa? Olha que interessante, como eu sigo essa bike? Com o celular, aplicativo. Eu tenho um app que faz o tracking na bike, a partir da tecnologia. Isso é mobilidade, economia verde e menos floresta derrubada e assim por diante.

A partir de cada contexto e das necessidades de cada empresa logística, o mais importante para 2021 é focar na redução de emissões e optar por transportes e combustíveis menos poluentes. Esse é o conflito existente entre expansão do mercado logístico e a necessidade de planejar e executar ações mais sustentáveis, soluções que favorecem tanto o segmento quanto a natureza. Não há crescimento sem conscientização ambiental, ainda mais no atual momento. A união entre as novas tecnologias, economia e consciência ambiental é uma necessidade urgente da década, além de proporcionar vantagem competitiva frente aos concorrentes, alinhada às tendências e projeções do mercado.

*Presidente do Conselho de Administração da Pathfind.

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Evilasio*Por Evilásio Garcia

O setor logístico é responsável por 10% do PIB (Produto Interno Bruto) do país, no entanto, apenas 0,6% deste valor é investido em transporte e em logística, enquanto a média global é de 1,2%. Com isso, temos uma falta significativa de infraestrutura em torno das operações, que ficou ainda mais evidente no último ano devido à pandemia.
O novo cenário acelerou muitos processos do mercado nos últimos meses e, com todos os recentes acontecimentos globais, podemos observar que estamos passando por um momento de grandes transformações e o setor da logística sofre diretamente esses impactos. Somente o e-commerce teve um aumento de 70% em sua base de usuários, segundo dados da ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico). Esses números refletem uma mudança de comportamento do consumidor, que adiantou processos que levariam até dez anos para ocorrer em condições consideradas normais.
Diante disso, os profissionais de logística, assim como todo setor, tiveram que se adaptar rapidamente e investir em infraestrutura e tecnologias necessárias para entregar um serviço com maior qualidade, agilidade e assertividade para levar satisfação ao cliente final. Apesar das barreiras, o planejamento e os investimentos em ferramentas tecnológicas têm se provado cada vez mais fundamentais para realizar as operações com perfeição. O sistema de automação logística se tornou o principal agente revolucionário dentro do setor de transporte. A tecnologia permite a criação de estratégias cada vez mais inteligentes com o objetivo de facilitar a rotina das entregas pelo Brasil e garantir pontualidade, redução de custos, aumento na produtividade e uma gestão de operações mais simples e fácil.
Independentemente do tipo de produto físico comercializado, é preciso ter um transporte que seja realizado de forma rápida, segura, eficiente e com o menor custo possível. Pode até parecer banal, mas a assertividade na logística contribui em todo esse processo, evitando frustrações por atrasos nas entregas ou danos nas encomendas. Por isso, é tão importante investir em tecnologia para esse segmento e incluir ferramentas de automação para melhorar toda a operação.
A utilização de um sistema de automação logística permite que as empresas mantenham as informações de atendimento sempre atualizadas, com capacidade de prever janelas de horários, tempo de atendimento e trânsito. Além disso, essa tecnologia colabora para otimizar o uso da frota, gerar melhores rotas, auxiliar os motoristas ao indicar os melhores percursos e adicionar comprovação de entregas quando forem realizadas.
O mercado está em constante transformação devido às mudanças nos comportamentos dos consumidores e aos fatores que influenciam diretamente na nossa realidade. Portanto, no setor logístico, as empresas que estiverem preparadas com suporte tecnológico adequado são as que vão conseguir mais sucesso e a automação tem se destacado como uma das principais soluções para a logística.
CEO da AgileProcess*

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Ana-EmmerichPor Ana Paula Emmerich*

Falar sobre o crescimento do consumo digital ao longo dos últimos meses é, mais uma vez, constatar tudo que vimos ser diretamente impactado pela pandemia e pelo distanciamento social. A mudança de comportamento do consumidor para um mundo quase que integralmente on-line, a grande demanda gerada pelos e-commerces e os desafios logísticos desse cenário deixaram profundas marcas que, com certeza, farão parte do cotidiano da nossa cultura mercadológica daqui para frente.

Ao passar de 2020, vivenciamos diferentes fases e incertezas. Quando nos enxergamos socialmente afastados e postos diante de uma realidade antes desconhecida, tudo foi colocado à prova. Nessa fase inicial, experimentamos a especulação sobre o recuo da globalização. A pandemia possibilitou que muitos críticos da conectividade global acreditassem que sofreríamos uma crise sem precedentes, com a formação de blocos econômicos rivais, a volta da produção nacional, a criação de cadeias de suprimentos mais curtas e a expansão das indústrias nacionais essenciais.

Contudo, como grande ensinamento, tornou-se quase palpável que a globalização está mais viva do que nunca. O consumo digital global, o comércio e a logística funcional ganharam forma e foram as grandes forças locomotoras desse período que ainda vivenciamos. Com base nesse entendimento macro, esmiuçar as mudanças de hábitos do consumidor digital e a chegada permanente do alto número de compras on-line torna-se viável e necessário.

O crescimento da utilização dos e-commerces é um fato, e a curva do aprendizado logístico nesse curto período é positivamente notória, o que prova, mais uma vez, a tremenda força da globalização. Além disso, o comércio digital estimulou também o e-commerce cross-border, e o que, antes, tratava-se de uma tendência, hoje podemos chamar de realidade.

O consumo eletrônico superou as barreiras transfronteiriças no Brasil e, ao final do último ano, o País fechou sua balança comercial com um superávit de US$ 50,9 bilhões. Circunstância, essa, possibilitada devido aos estudos dos cenários econômicos globais, à preparação de plataformas para o recebimento das novas demandas e à escolha de melhores operadores logísticos pelos comerciantes.

Ou seja, a cadeia logística integrada tornou-se fundamental nesse processo, e a “entrega de última milha”, também conhecida como last mile, ganhou uma notoriedade ainda maior. Com a centralização de poder nas mãos do consumidor, outra tendência que agora se encontra como realidade de mercado, essa etapa, que consiste no trajeto entre os centros de distribuição dos vendedores até a entrega final na porta do cliente, passou a fazer parte determinante na rotina das lojas e dos consumidores on-line. Além de ser uma barreira no processo logístico brasileiro, qualquer possível problema na “entrega de última milha” pode impactar diretamente o relacionamento, a satisfação e a fidelidade do consumidor com a marca.

Assim, vale ressaltar uma vez mais que, para evitar transtornos, perda de lucros e clientes, o planejamento logístico é o diferencial. Pesquisar, analisar, comparar valores e tempo de trânsito tornaram-se parte essencial do processo de vendas, bem como estar alinhado com todas as alternativas que apareceram no mercado exclusivamente para essa etapa “de última milha”. Motocicletas, bicicletas, drive-thrus, drones, e-boxes e pick-up stores são algumas das possibilidades que ganharam destaque no ano passado.

Esse cuidado na relação com o consumidor, com suas demandas no centro das operações, fez com que, além da atenção reforçada à last mile, outra necessidade surgisse: a preocupação com a logística reversa. Segundo pesquisa do Conselho de Logística Reversa Brasileira, mais de 75% dos compradores pesquisam os detalhes de como o retorno do produto poderá ser realizado, caso haja necessidade de devolução ou troca. Todo esse processo passou a demandar proporcionalmente mais agilidade e eficiência de qualquer plano logístico já existente antes de a realidade ser impactada pela pandemia.

Com isso, datas de altos picos de vendas, como a Black Friday e o Natal também tiveram destaque em 2020. De acordo com o Índice Cielo de Varejo Ampliado (ICVA), no feriado religioso, por exemplo, o e-commerce cresceu 15,5%, em comparação ao mesmo período de 2019. Consequentemente, com o mercado já fortemente aquecido, devido ao distanciamento social e ao crescimento do consumo digital, foi possível acompanhar o fortalecimento das novas tendências que passarão a ser vistas além de 2020.

O “esquenta” para os períodos de alta no e-commerce, a necessidade de preparação logística com mais antecedência, para suprir todas as demandas dos clientes, a automatização de processos e políticas de envio de remessas e o mercado cada vez mais competitivo são apenas alguns dos pontos que foram trazidos como aprendizado nos últimos meses e que, agora, tornaram-se parte integrante da cadeia de consumo. Assim, é possível dizer que, apesar das dificuldades, a passagem do último ano foi de extremo crescimento para o setor. Evidenciando, mais uma vez, que contar com um parceiro logístico com experiência e qualidade na entrega nacional e internacional tornou-se um pré-requisito para um ótimo desempenho ao longo deste e dos próximos anos.

*Gerente comercial & eCommerce da DHL Express.

 

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dhlA DHL  apresentou seu último relatório sobre a evolução da cadeia de suprimentos no setor de e-commerce. O estudo revela que 70% das empresas B2C e 60% das empresas B2B ainda estão trabalhando para alcançar a implementação de uma estratégia logística integral, e 70% dos entrevistados classificam o e-commerce como “muito importante” ou “extremamente importante” para seus negócios em termos de volume de vendas e receita.

O relatório foi elaborado com base em uma pesquisa global com a participação de cerca de 900 diretores de logística e supply chain vinculados ao e-commerce. Os entrevistados atuam nos principais setores da indústria, incluindo varejo, bens de consumo, saúde, tecnologia, automotivo, engenharia e manufatura.

O estudo, intitulado “The e-commerce supply chain: Overcoming growing pains”, também descobriu as principais barreiras para a implementação total de uma estratégia de logística, que incluem mudanças nas expectativas dos clientes, no ritmo de entrega e nas limitações da infraestrutura existente.

Nabil Malouli, Global e-Commerce Product lead da DHL Supply Chain disse: “O novo estudo mostra a importância crítica de colocar as expectativas dos clientes como o centro de qualquer estratégia de e-commerce. A dificuldade é que, ao fazer isso, as empresas estão tentando alcançar um objetivo em constante mudança”.

“Chegamos a um ponto em que as demandas dos clientes evoluem constantemente e as empresas estão sob enorme pressão para manter-se atualizadas. Elas vivem um processo contínuo de adaptação de seus modelos de e-commerce para atender às constantes mudanças, o que se torna um verdadeiro desafio para alcançar a implementação integral de seus planos de e-commerce”, acrescenta Malouli.

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A dimensão estratégica da logística

Icone Análise,Opinião | Por em 6 de fevereiro de 2019

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Jamil Moyses Filho

Jamil Moysés Filho

por Renaud Barbosa da Silva e Jamil Moysés Filho

Competitividade é o desafio imposto pela globalização às empresas do mundo inteiro. Com isso, o cliente na ponta da cadeia produtiva é o propulsor que exige prazos de entrega cada vez menores e, ao mesmo tempo disponibilidade de serviços e produtos. Todos têm, como objetivo, reduzir níveis de estoques (em função das elevadas taxas de juros associadas a custos de oportunidade ou de capitais circulantes). O desejo por produtos ou serviços desenhados exclusivamente para atender as suas necessidades (customização) é outro dos desafios impostos pelos consumidores atuais.

 Dentro desse enfoque, as empresas que têm êxito são as que preveem as mudanças e desenvolvem, antecipadamente, as suas estratégias. A logística, sob a ótica da gestão da cadeia de suprimento (Supply Chain Management), representa uma das mais importantes dimensões estratégicas, pois recompensa certas qualidades de organização, em particular a adaptabilidade, a flexibilidade, a decisão e a rapidez.

A gestão das cadeias de suprimento, ou seja, a prática da logística empresarial, exige pessoas especialmente preparadas, para atuarem tanto no nível estratégico como no nível operacional das empresas. A visão global e suas principais implicações nas operações logísticas de uma organização são elementos fundamentais para a tomada de decisões que afetam os resultados desejados. Em síntese, pilotar uma cadeia logística é procurar atingir às necessidades dos clientes com qualidade máxima e custos mínimos. Essa é a receita para manter e aumentar o nível de competitividade.

O sucesso da dimensão estratégica logística depende do nível de integração das suas ações específicas e de seus ajustes no decorrer do tempo. Por exemplo, a orientação do fluxo de produção (“puxado” ou “empurrado”) vai influenciar a política de produção (“estoque” ou “contra pedido”), que, por sua vez, vai subsidiar a centralização ou descentralização de estoques. Outro fator é a escolha do(s) modal(is) mais adequados, haja vista que o custo dos transportes é o outro “vilão” (na maior parte dos casos, o maior) a ser atacado para a redução dos custos. Essas e outras “decisões logísticas” determinarão o sistema de informações que vai suportar o funcionamento pleno de toda a cadeia.

O posicionamento logístico bem-sucedido, como estratégia competitiva, reflete em ganhos para toda a cadeia de suprimentos, ou seja, clientes e fornecedores vão melhorar sua competitividade, contribuindo, em última análise, para o desenvolvimento nacional.

*Renaud Barbosa da Silva e Jamil Moysés Filho são professores e coordenadores acadêmicos do MBA em Logística e Supply Chain Magement do ISAE/FGV

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ciclo-da-logistica-reversa*Por Nilo Cini Junior

Nos últimos anos, a sustentabilidade se transformou em um dos temas mais discutidos no setor empresarial. Isso é fruto, principalmente, da conscientização social. O ser humano está cada vez mais certo de que os recursos naturais que estamos utilizando são finitos. Dessa maneira, se não nos preocuparmos com o planeta, as próximas gerações estarão ameaçadas. O tripé reduzir, reutilizar e reciclar é uma tendência cada vez mais presente em nossa sociedade.

Seguindo essa forte tendência, o conceito de Logística Reversa também passou a ser muito difundindo no universo corporativo, se transformando em uma ferramenta fundamental para a sustentabilidade no setor empresarial. De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Logística Reversa é um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.

Com leis relacionadas às questões ambientais muito mais rígidas, as empresas e indústrias se viram na obrigação de desenvolver projetos voltados a logística reversa. A Lei 12.305/2010, obriga os fabricantes e distribuidores a recolherem as embalagens usadas. Hoje em dia já não basta reaproveitar e remover os refugos do processo de produção. O fabricante é responsável por todas as etapas até o final da vida útil do produto. Por isso, a Logística Reversa está cada vez mais presente nas operações das empresas, desta forma, o investimento para desenvolvimento de embalagens mais sustentáveis, retornáveis ou descartáveis, vem promovendo não só a redução do peso dos recipientes, que já colaboram para redução do impacto ambiental, mas também a diminuição dos custos de industrialização por serem mais leves. Além disso, outro ponto favorável fica por conta do crédito perante a opinião pública, já que as empresas demonstram que estão preocupadas, também, com o meio ambiente.

Há muito desperdício tanto nos processos industriais como nos processos de coleta seletiva e a Logística Reversa possibilita a reutilização desse material ou, se não for possível o reuso, ela promove o descarte correto do mesmo. Dessa maneira, as empresas têm se esforçado para reintegrar os resíduos nos processos produtivos originais, minimizando as substâncias descartadas na natureza e reduzindo o uso de recursos naturais. Fabricantes de bebidas, por exemplo, têm gerenciado o retorno das garrafas desde os pontos de venda até os centros de distribuição.

Em uma pesquisa feita com a cadeia de suprimentos de cervejas e refrigerantes, onde os integrantes terceirizaram o processo de coleta e retorno de embalagens usadas para reciclagem, foi obtida uma economia anual de mais de U$ 11 milhões. Ambos lados se beneficiam com a logística reversa. O consumidor acaba cumprindo com sua consciência ecológica, recuperando parte do valor do produto, enquanto a empresa produzirá novos produtos com menos custos e insumos. Quem está no meio dessa cadeia também se beneficia, já que novas oportunidades de negócio são geradas e há uma maior inserção no mercado de trabalho para a parcela marginalizada da sociedade.

Para completar, fica evidente que a Logística Reversa é uma maneira eficiente de recuperar os produtos e materiais das empresas que foram descartados, tornando-se peça fundamental para as empresas que querem ser sustentáveis. Atualmente, as empresas modernas já entenderam que além de lucratividade, é necessário atender aos interesses sociais, ambientais e governamentais, para assim atingir a sustentabilidade. É preciso satisfazer os stakeholders, que inclui governo, comunidade, acionista, clientes, funcionários e fornecedores, que avaliam a empresa de diferentes ângulos. A logística reversa ainda está em difusão no Brasil, já que é aplicada somente por empresas de grande e médio porte. Porém o potencial de crescimento nos próximos anos é muito promissor.

*Nilo Cini Junior é empresário e presidente do Instituto de Logística Reversa (ILOG)

 

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Pesquisa revela que o profissional do setor está cada vez mais capacitado, melhor remunerado e ocupando cargos gerenciais

A logística tem desempenhado um papel cada vez menos operacional somente, passando a ocupar espaços estratégicos dentro das empresas. O profissional que atua nesse setor está cada vez mais capacitado, melhor remunerado e ocupando cargos gerenciais. É o que revela a 3ª Pesquisa Perfil do Profissional de Logística 2012, cujos resultados foram apresentados na abertura da XVI Conferência Nacional de Logística, nesta terça-feira (02/10), durante a MOVIMAT – 27ª Feira de Logística, a maior do setor da América Latina, que vai até o dia 04/10, no Expo Center Norte, em São Paulo.
Para a pesquisa, que é a única do setor no Brasil, foram entrevistados 1153 profissionais, um crescimento de 300% em relação aos números das edições anteriores de 2011 e 2010.
Dos entrevistados, 63% trabalham no estado de São Paulo, 6% no Rio de Janeiro, 5% em Minas Gerais, 4% na Bahia, 3% no Paraná e Rio Grande do Sul, 2% em Pernambuco e em Santa Catarina.
Enquanto que na edição anterior da pesquisa, quase 40% dos entrevistados era da área operacional, em 2012 esse número caiu para 17%. Em compensação, dos participantes, quase 30% ocupa cargos de alta gerência, 26% de média gerência, além de 5% de diretoria e 2% de presidência. Vinte e cinco porcento dos entrevistados ocupa o cargo há menos de um ano, 28% entre 1 e 2 anos, 22% entre 3 e 4 anos, 12% entre 5 e 7 anos e 14% há mais que sete anos.
A maior parte dos profissionais é do sexo masculino (59%) e 31% tem entre 27 e 33 anos, seguidos por 18% entre 34 a 40 anos, 15% de 24 a 27 anos e 10% entre 18 e 23 anos.
Dos profissionais ouvidos, 29% atuam em Logística há mais de 10 anos, 21% de 4 a 7 anos, 21% de um a três anos, 16% há menos um ano e 13% de sete a 10 anos. Dentre eles 86% não possui experiência profissional internacional em logística
O nível de escolaridade do profissional de logística é bastante elevado. De acordo com a pesquisa, 43% possui Ensino Superior, 39% Pós-Graduação e 4% Doutorado. Dentre os cursos, 61% é da área de Logística, 22% Administração e 10% Engenharia. Dentre os entrevistados, 39% declarou conseguir se comunicar em inglês nos ambientes de negócios e 29% em espanhol. Dentre os entrevistados, 29% declararam ter investido até R$ 3 mil na carreira nos últimos três anos, 20% de R$ 5 mil a R$ 10 mil e 11% acima de R$ 20 mil. A maior parte do investimento (56%) foi realizado pelo próprio profissional e 14% por empresas. Por ambos (empresa e profissional), o percentual foi de 27%.
Quanto à remuneração, a maior parte dos entrevistados (24%) declarou receber entre R$ 3 mil e R$ 6 mil mensais; 22% entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil, 17% entre R$ 6 mil e R$ 12 mil e 7% entre R$ 12 mil e R$ 24 mil.
Setenta e três porcento dos entrevistados trabalham em empresas nacionais e 27% em multinacionais. Dentre elas 43% são do setor de serviços, 32% da indústria, 18% comércio e 7% educação. Nessas empresas, o nível hierárquico do principal executivo de Logístico é 34% de Diretoria, 26% de Gerência e 17% de Presidência.
Quando questionados sobre quais cursos de capacitação têm interesse, 55% respondeu Custos Logísticos, 51% Gestão de Projetos Logísticos, 45% Logística internacional, 42% Logística Reversa, 40% Lean Supply Chain Management e 39% Cadeia de Suprimento.
“Essa edição da pesquisa teve uma amostragem muito consistente e demonstra como o profissional de logística é bem preparado, disputado, bem remunerado e que vem ocupando cargos cada vez mais cargos estratégicos dentro das empresas, ligados às áreas de planejamento, análise e inteligência. Ao mesmo tempo, é um profissional que sabe da importância da capacitação, investe de forma crescente nesse aspecto e tem interesse em ampliar seus conhecimentos. Isso comprova como vem aumentando o grau de importância que a logística tem nos negócios como item primordial de competitividade”, avalia o organizador da pesquisa, Fabiano Stringher, da Fundação Vanzolini, que realizou o levantamento em conjunto com a Associação Brasileira de Logística – ABRALOG, Fatec, Universidade Cruzeiro do Sul e Senai.
O levantamento está em sua terceira edição e tem por objetivo acompanhar registrar as principais características do profissional de logística e sua evolução. Ao longo de 27 questões é traçado o perfil do profissional e como a logística está posicionada na empresa onde trabalha. Capacitação, remuneração e as responsabilidades da área de logística nas empresas foram os principais aspectos abordados.

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O Brasil é o quinto país do mundo em extensão territorial e tem uma imensa capacidade de aproveitamento de seus recursos naturais. Mas qualquer assunto que aborde a competitividade advinda dessa vantagem natural emperra na logística: o País é só o 41º na capacidade de escoar sua produção interna, dentro de suas próprias fronteiras ou para fora. A falta de mão-de-obra em todos os níveis da cadeia é o maior freio para o setor.

Os dados foram apresentados por João Guilherme Araújo, diretor geral de negócios do Ilos (Instituto de Logística e Supply Chain), que falou sobre o panorama do setor em 2012 no comitê de Logística Amcham-São Paulo no último dia 27 de janeiro.

“Para a logística, o maior problema não é a infraestrutura, mas a falta de mão-de-obra”, afirmou. “Há necessidade desde top management (alta gestão) até motorista de caminhão.”

O especialista diz que o setor vem crescendo fortemente desde 2008, com exceção de 2009. Grande parte desse movimento é proporcionada pela expansão do mercado interno. Mas a falta de profissionais capacitados a atuar no ramo tem se apresentado como o maior gargalo.

“Apesar de a infraestrutura ser um problema, a escassez de profissionais afeta a todas as empresas de todos os ramos. Hoje há crédito disponível, mas só o capital não resolve, porque não basta comprar um caminhão se não tiver motorista.”

Segundo Araújo, “hoje há cada vez mais tecnologia numa cabine e não é qualquer um que é capaz de operar”. Ele diz que não é possível sequer estimar o total de vagas de que o setor necessita para ficar competitivo.

Faltam rotas

Uma pesquisa do Ilos mostra que o Brasil tem, hoje, 1.600 quilômetros de estradas (não pavimentadas) e 214 mil de rodovias. No caso de ferrovias, são 29 mil km. Isso significa que há mais de 7 km de estradas para cada quilômetro de linha-férrea em operação.

Os EUA, por exemplo, têm 2,4 km de ferrovias para cada 100 km² de área, enquanto esse índice no Brasil está em 0,33 km. São 4,21 milhões de estradas pavimentadas e 227 mil de trilhos no território americano. A China tem 1,57 milhão de km e 77 mil km, respectivamente.

“O setor tem necessidade de uma capacidade instalada imensa”, afirma. “Porque uma coisa é a economia conseguir produzir mais. A outra é ela conseguir colocar a produção]no mercado.”

Além de estradas e linhas-férreas, o Brasil tem 19 mil km de dutovias e 14 mil km de hidrovias. Os EUA têm 793 mil km e 41 mil km, respectivamente. A China, 58 mil km e 110 mil km de cada um.

Araújo diz que as empresas no Brasil gastam em torno de 8,3% de seu faturamento com custos logísticos, para fazer seus produtos e matérias-primas chegarem aos consumidores. “Há uma agenda do setor público com relação a investimentos, que vem trazendo novas oportunidades, seja por um novo corredor, um marco ferroviário, ou do setor privado, com investimentos em cabotagem e terminais, por exemplo.”

Problemas

Mas Araújo diz que ainda há muito a melhorar. Uma pesquisa sobre o índice de desempenho logístico feita pelo Banco Mundial mostra que o Brasil passou da 61ª à 41ª posição entre 2007 e 2010. O País aparece à frente de Índia (47º em 2010) e da Rússia (94º da lista), mas fica muito atrás de China (27º), EUA (15º) e Canadá (14º).

Perde ainda para pequenas Alemanha (1º), Suécia (3º), Holanda (4º) e Luxemburgo (5º). Cingapura foi o 2º país do ranking de desempenho logístico do Banco Mundial.

“A má conservação das estradas e a falta de malha ferroviária são os principais problemas de infraestrutura na opinião dos profissionais do setor”, afirma. Dados do próprio Ilos mostram que, na avaliação de motorista, gerentes e outros profissionais do setor, 92% reclamam das rodovias ruins – que encarecem o frete e derrubam o dinamismo das entregas.

No top 10 dos principais entraves ainda aparecem malha ferroviária insuficiente (77%), falta de infraestrutura para intermodalidade (72%), má qualidade dos acessos terrestres aos portos (71%), rios sem infraestrutura para navegação (70%), malha ferroviária mal conservada ou insuficiente (68% cada), falta de infraestrutura de armazenagem ou de terminais (67%), poucos portos (67%) e navegabilidade pouco eficiente nas hidrovias (67%).

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O governador Geraldo Alckmin e o diretor-presidente da Vale Murilo Ferreira, participaram dia 22 de julho, no Palácio dos Bandeirantes, da assinatura de um protocolo de intenções entre o Governo paulista e a empresa para a realização de investimentos voltados à melhoria da infraestrutura logística do Estado e a promoção do desenvolvimento nos próximos anos. Os recursos serão alocados em várias regiões do Estado, mas principalmente nas atividades portuárias em Santos.

 O protocolo foi assinado entre a Investe São Paulo – Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade, órgão do governo estadual ligado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, e a empresa Vale S.A.

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A KK Logística, representante exclusiva das empilhadeiras Komatsu no Brasil, em conjunto com a In Haus, empresa especializada em serviços logísticos do grupo GPS, criam oferta para empresas que buscam uma logística cada vez mais ecologicamente responsável.

Essa ação consiste nos serviços logísticos da In Haus, aliados à tecnologia de ponta das empilhadeiras elétricas híbridas fornecidas pela KK Logística, que têm emissão de poluentes próxima de zero, tendo seu primeiro cliente a Braskem, que implementou um projeto de logística “verde” no polo petroquímico de Triunfo, RS.

Desenvolvidas para a movimentação de cargas até 2,5 toneladas, as empilhadeiras elétricas híbridas Komatsu oferecidas pela KK Logística (Serie BE30) permitem o armazenamento de energia regenerativa via capacitor e utilizam essa energia como uma segunda fonte de alimentação. Por esse motivo, não emitem gases tóxicos, eliminam a necessidade de “uma casa de baterias” para recarga que é feita sem riscos de manuseio das pesadas baterias, têm menor ruído e emitem menos calor.

“Além disso, contamos com uma ampla linha de empilhadeiras de 2 a 45 toneladas, fabricadas pela Komatsu e movidas a GLP/Gasolina ou Diesel, que também foram desenvolvidas para terem baixo consumo e pouco agredirem o meio ambiente”, explica José Carlos Storino, diretor da KK Logística. Quase uma centena destas máquinas estão em operação na Braskem, em SP e no RS.

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SOBRE O BLOG INDUSTRIAL

O Blog Industrial acompanha a movimentação do setor de bens de capital no Brasil e no exterior, trazendo tendências, novidades, opiniões e análises sobre a influência econômica e política no segmento. Este espaço é um subproduto da revista e do site P&S, e do portal Radar Industrial, todos editados pela redação da Editora Banas.

TATIANA GOMES

Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.

NARA FARIA

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.

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