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mulherA maioria das empresas brasileiras ainda enfrenta desafios significativos de equidade de gênero. A conclusão é de estudo inédito da Câmara Americana de Comércio (Amcham) com 350 diretores e executivos de empresas, nesta terça-feira (25/10), durante Seminário Empoderamento da Mulher.

Para 76% dos entrevistados e entrevistadas, na sua maioria gestores de recursos humanos de empresas dos mais variados portes e segmentos, as empresas ainda não tratam homens e mulheres de forma igualitária na estrutura organizacional e de gestão. Só 24% deles avaliam de forma satisfatória a temática e tratamento de gênero na sua companhia.

Na avaliação de 80%, a diferença de tratamento é percebida em maior escala na promoção de novas lideranças, com maior número de homens em nível gerencial. Outros 12% consideram a seleção o momento de maior diferenciação, com maior preferência por gênero e não por competência. E 8% apontam o estágio do desenvolvimento, com investimentos em treinamento desigual entre sexo na companhia.

Para promover em maior nível a equidade de gênero, existem três aspectos prioritários a serem trabalhados:  (47%) financeiro, igualando salários e benefícios entre gêneros do mesmo cargo; (30%) recursos humanos, aumentando o número de mulheres no quadro de funcionários ; e (23%) jurídico, igualando diretos e benefícios independente de gêneros.

“Quando, para 47% dos empresários, igualar salários entre gêneros ainda é o maior obstáculo, percebemos o quanto vai falta avançar”, comenta Deborah Vieitas, CEO da Amcham Brasil, e primeira mulher a comandar, em 98 anos, a maior Câmara Americana, entre 114 existentes fora dos Estados Unidos.

Maternidade e carreira

A maioria dos entrevistados pela Amcham (86%) avalia que o papel cultural das mulheres nas estruturas familiares ainda são fatores de interrupção de carreira. Para esta maioria, as mulheres arcarem com uma parte desproporcionalmente maior das tarefas domésticas e, especialmente, na maternidade, inibe e reduz promoções e também as ambições femininas por cargos mais elevados. Para 78% , o fator maternidade ainda gera interrupções ou pausas em plano de carreira para mulheres executivas.

Equidade como pilar de gestão

Na sondagem da Amcham, 52% declararam  NÃO ter um programa formal ou ação de incentivo à equidade de gênero. Das 48% das empresas que já possuem um programa estruturado, 63% avaliam os resultados gerados a partir da ação ainda como “regulares”, com mudanças pontuais na cultura da empresa. Só 19% estão satisfeitos com as ações e estágio atual do seu programa de equidade.

 

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artigoEscrito por Mara Santos da ClickSoftware

Aqueles que se recordam do Inspetor Bugiganga, provavelmente também devem lembrar-se do relógio futurista de sua sobrinha e ajudante Penny. Com o apertar de um botão, Penny podia fazer chamadas de vídeo, iluminar a escuridão com uma lanterna ou perfurar metais com um tiro de raio laser. Agora, 30 anos decorridos, essa fantasia de um smartwatch de desenho animado já é uma realidade – menos o raio laser, claro.

Wearables, relógios, óculos e a Internet das Coisas (IoT) mudarão completamente o serviço em campo, gostemos ou não. A grande questão a ser colocada, portanto, é quando e de que maneira exatamente esse conjunto de tecnologias se tornará parte do dia a dia de nosso trabalho.

Antes de sairmos entregando smartwatches a todos os técnicos em campo, é importante avaliar como esses dispositivos conectados estão melhorando a gestão do serviço em campo e em que momentos iniciativas à moda antiga como um bom aperto de mão ou um telefonema, ainda fazem a diferença.

Os dispositivos conectados são um modismo?

Definitivamente não. De acordo com um recente relatório do Gartner, as vendas de dispositivos wearable em todo o mundo devem crescer cerca de 20% até o fim de 2016. E não são apenas os consumidores que estão seguindo e sendo beneficiados com essa tendência. Wearables, smartwatches e IoT devem impactar os prestadores de serviço em campo mais cedo do que se imagina. O guru de serviços na nuvem, analista da consultoria americana de tecnologia Moor Insights & Strategy e colaborador regular da Forbes, Chris Wilder, relata: “Nos próximos três anos, 75% das empresas de serviços em campo irão equipar seus técnicos com dispositivos portáteis, como relógios, óculos e outras tecnologias”. É uma afirmação ousada, por isso, é importante compreender algumas das principais formas em que estas mudanças irão impactar o gerenciamento de serviços de campo.

Principais tendências da tecnologia de serviço em campo para focar

Naturalmente, diferentes dispositivos com necessidades distintas vão se tornar populares no mercado. Wearables com recursos de segurança em tempo real atendem bem os segmentos ferroviário, de petróleo e gás, construção e utilities. Já os dispositivos de diagnóstico ou com capacidades robustas de comunicação com o cliente estão revolucionando os setores de varejo, contact centers e telecomunicações.

  1. Os relógios inteligentes revolucionarão as tecnologias de segurança, rastreamento e comunicação em campo

Diversos estudos revelam que uma força de trabalho saudável é estatisticamente mais eficiente. A maioria, se não todos os smartwatches, podem acompanhar dados biométricos, que trazem grandes benefícios para as empresas que procuram melhorar a produtividade e a saúde da sua força de trabalho. Imagine monitorar a saúde de toda a equipe técnica durante os meses quentes de verão ou definir os limites da frequência cardíaca dos técnicos durante o trabalho realizado em campo de setores como utilities, construção ou petróleo e gás. E imagine se a central puder receber notificações imediatas quando o técnico tiver um pico na frequência cardíaca ou ser avisada quando essa frequência estiver em um nível elevado por um longo período de tempo.

O centro de comando poderia utilizar esses dados para ajudar as empresas a criar turnos de horários mais inteligentes e saudáveis, melhorando a eficiência geral. O impacto em longo prazo dos smartwatches sobre a saúde dos técnicos pode ser substancial.

Além disso, ter acesso à localização dos técnicos a todo o momento seria revolucionário para o gerenciamento dos serviços.Imagine a criação de um sistema de mensagens automáticas capaz de informar aos clientes quando um técnico está a 10, 20 ou 30 minutos de distância. Mapas como o do Uber, por exemplo, poderiam mostrar ao cliente onde o técnico está e quando ele chegará. Quem não gostaria de ter acesso a esse serviço? E qual o gerente que não gostaria de saber o que todos os seus técnicos estão fazendo? Essa comunicação em tempo real entre a empresa e o cliente também abre a porta para o engajamento e a personalização de toda a experiência em curso do serviço em campo.

Já os smartwatches estão mudando a comunicação em campo e melhorando a eficiência. Os relógios ativados por voz não exigem que os técnicos pressionem qualquer botão, o que significa que eles podem tomar notas, realizar pesquisas no banco de dados ou retornar a chamada à sede, mantendo-se fisicamente focados em suas tarefas no campo e o melhor, com as mãos livres.

  1. Carros inteligentes e dispositivos conectados irão revolucionar o mapeamento de rota

Os carros ainda não dirigem a si próprios. No entanto, uma série de tecnologias móveis já é capaz de proporcionar benefícios como mapeamento de rotas, comunicação hands-free e um deslocamento em campo mais eficiente.

Segundo uma recente pesquisa da Juniper, dispositivos e aplicações em veículos conectados estão em ascensão – e a um ritmo surpreendente. Como a adoção do serviço em campo está cada vez mais regular, espera-se melhorias no mapeamento de rota, redução de custos globais com combustível por quilômetro rodado, além de uma diminuição expressiva do tempo de serviço. Esses benefícios impactam, e muito, a satisfação geral do cliente.

As empresas que já implementaram a tecnologia de carro conectado para otimizar o mapeamento de rota estão percebendo uma significativa economia de custos. Um estudo de caso sobre o mapeamento de rotas ORION da UPS indica que eles projetam uma redução anual de 100 milhões de milhas dirigidas e uma economia de combustível de 10 milhões de galões por ano.

Assim como Google, Volvo, Tesla e outros, veremos também as equipes em campo mais focadas em seus postos de trabalho e menos no deslocamento. Imagine se o tempo do técnico fosse gasto examinando registros de peças, em comunicação com os clientes e na preparação para resolver os principais problemas de serviço de campo no local – ao invés de apenas no deslocamento de uma chamada a outra. O aumento da eficiência será substancial.

  1. Realidade Virtual e Drones: O próximo horizonte

A realidade virtual está pronta para alcançar um tamanho de mercado de mais de $ 15 bilhões em 2020. Certamente, a maior parte desse mercado tem sido representada por jogos, marketing experimental e filmes em 3D. Entretanto, as aplicações de realidade virtual no serviço em campo em longo prazo poderiam provar ser tanto rentáveis quanto fundamentais para a segurança. A companhia de IoT, Space-time Insight, ofereceu a seus executivos a oportunidade de utilizar fones de ouvido Oculus Rift VR e percorrer subestações virtuais para identificar problemas.

A simulação revela que os dados e a análise em tempo real oferecem métodos criativos para resolver problemas em campo, utilizando a tecnologia de realidade virtual.

Finalmente, os drones oferecem uma incrível oportunidade de diagnóstico para a gestão do serviço em campo para suplantar o risco por meio de um voo imediato. O serviço em campo pode ser perigoso – especialmente para técnicos que trabalham em parques eólicos, arranha-céus e plataformas de petróleo. Os drones podem ajudar os profissionais de serviço em campo a observar grandes áreas, examinar paisagens perigosas ou de difícil acesso e escalar alturas anteriormente inacessíveis aos técnicos, trazendo mais segurança à operação.

Um recente relatório da Business Insider aponta que o crescimento no setor corporativo deve superar a demanda dos consumidores tanto nos embarques quanto nas receitas. Preparem-se, os drones estão chegando.

*Mara Santos, Gerente de Alianças da ClickSoftware para América Latina, líder no fornecimento de soluções para a gestão automatizada e otimização da força de trabalho e serviços em campo.

 

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artigoEm razão das crises políticas e econômicas, empresas em todo o mundo estão enfrentando uma revolução em relação as suas práticas de governança. Mas o empresariado ainda precisa ser educado sobre os diversos mecanismos e diretrizes de controle existentes

 

por Cynthia Catlett (*)

 

Desde a década passada, Compliance passou a ser prerrogativa para a maioria das empresas nacionais e internacionais. Sinônimo de legitimidade e confiança, a implantação de processos de conformidade com padrões regulatórios agora é prioridade entre as empresas do mundo inteiro. Refutando o método paliativo, organizações brasileiras começam a observar a importância da proatividade neste quesito, principalmente, em razão das crises e escândalos reverberados pela mídia, envolvendo casos de fraude e corrupção nas maiores companhias do País.

A mudança na mentalidade corporativa faz parte de um movimento mundial, impulsionado pela exposição da fragilidade das empresas e pela sua punição em razão da falta de supervisões adequadas. Isso também se deve à considerável expansão do escopo e da complexidade das atividades empresariais, aliadas a um ambiente regulatório complicado e em constante mudança – estamos perto de completar três anos da promulgação da Lei Anticorrupção, o que elevou a importância e acelerou ainda mais a busca por programas e políticas de governança transparentes.

E não se trata mais de questionar a necessidade ou não de colocar as atividades da empresa sob a orientação de um sistema de controles internos. A decisão de montar uma estrutura de Compliance não é vista somente como um diferencial, mas como obrigação para a administração que deseja garantir a longevidade do seu serviço ou produto, obter vantagem competitiva e oferecer credibilidade aos clientes e parceiros.

Apesar da urgência em se adotar mecanismos eficientes e procedimentos de integridade, muitas empresas ainda têm dúvidas sobre quais definições e elementos devem constar nos seus programas de Compliance. Em razão da recente disseminação do conceito no Brasil, as diretrizes são inspiradas, em sua maioria, nas estratégias já consolidadas em outros países.

Entretanto, o mercado interno também se baseia nos exemplos de subsidiárias de corporações estrangeiras estabelecidas no Brasil, além das instituições financeiras nacionais, que são submetidas à fiscalização de diversos órgãos reguladores e precisam de controles eficientes para continuar operando.

Contudo, para haver a implantação de uma governança transparente é preciso que a alta administração reconheça que a empresa precisa de um mecanismo de Compliance sólido. E é nessa hora que as dúvidas surgem. Existem diferenças e elementos que devem ser considerados na aplicação e na formulação de uma área de Compliance e suas diretrizes. E é papel dos consultores educar o empresariado brasileiro, que muitas vezes se sente confuso em relação ao assunto. É preciso explicar as ferramentas de controle e as inovações do setor, ao mesmo tempo em que se esclarece a importância destes sistemas numa linguagem de fácil compreensão, para que sejam aceitas e colocadas em prática.


Fronteiras entre Compliance e a auditoria interna

 

Existem diferenças fundamentais na aplicação de controles em instituições financeiras e na indústria, mas, para compreender isso, também é preciso desmistificar as divergências que existem entre departamentos e funções de Compliance e auditoria interna. Podemos afirmar de antemão que um não anula o outro, são complementares. Vamos iniciar a explicação primeiramente pelo o que é o Compliance e seu conceito.

À medida que uma corporação começa a se expandir, naturalmente, suas operações se tornam mais complexas, fazendo com que a alta administração tenha uma rotina conduzida por colaboradores em regiões diversas. Sem o devido controle, empresas cujos processos atravessam uma cadeia ampla, inevitavelmente, têm seu espaço à disposição para a ação de pessoas má intencionadas.

Em atividades regulamentadas como, por exemplo, no caso dos bancos, o descumprimento das normas impostas pelos reguladores representa um grande risco e ameaça a continuidade de suas atividades. Neste sentido, a experiência nos mostra que a falta de supervisão fatalmente leva empregados e colaboradores a não reportar ou não seguir procedimentos, seja pela falta de conhecimento ou entendimento das instruções ou até por motivos de transgressão clara – como situações em que gestores são pressionados a atingir metas e resultados, mesmo que de maneira ilícita.

Com os controles enfraquecidos, a ocorrência de falhas operacionais fica evidente e a fragilidade dos processos facilita a ação de fraudadores. Para se proteger, a companhia precisa adotar mecanismos para estar em Compliance cotidianamente, tais como possuir regras internas pré-estabelecidas formalmente em um manual ou guia de instruções, onde se deve incluir e destacar o Código de Ética e Conduta da corporação.

Utilizar processos automatizados é uma maneira de oficializar a prestação de serviços, por meio de contratos padronizados que permitam o preenchimento adequado das variáveis. Desta forma, quando as condições da prestação do serviço divergem, é gerada automaticamente uma notificação sobre a pendência que deverá ser esclarecida antes da formalização. Outra recomendação é implantar métodos de auto avaliação, permitindo a análise individual e da equipe com relação aos parâmetros estabelecidos, níveis de risco e eficiência, além do comprometimento com os controles.

Dependendo da necessidade, designa-se um responsável pela supervisão geral do Compliance na companhia, a quem caberá a missão de espalhar as informações e diretrizes definidas pelos gestores da alta administração, além de comunicar mudanças nas leis e normas que possam colocar a organização em algum tipo de risco. Também será responsabilidade deste funcionário, ou da área, manter colaboradores e parceiros atualizados sobre o tema, para que este não caia no esquecimento e nem seja negligenciado com o passar do tempo.

Resumidamente, essas são algumas das ferramentas que auxiliam o controle de processos, assegurando a conformidade dos procedimentos internos com os regulamentos externos e internos da empresa. No entanto, somente a implantação de tantas ferramentas de nada adianta se não forem fiscalizadas de forma independente. É neste momento que a auditoria entra em cena com o objetivo de avaliar se todos os mecanismos do Compliance estão sendo aplicados ou utilizados corretamente.

Por meio de uma abordagem sistemática e disciplinada, a auditoria interna avalia a eficácia da gestão de risco, do controle e dos processos de governança. Os auditores possuem funções vitais e complementares que auxiliam as organizações a se adequarem às normas e regulamentos do seu setor.

Quando no passado o Compliance era inexistente, os auditores internos cumpriam esse papel de certa forma, contribuindo para a instalação de controles. Porém, a verdadeira essência do auditor está na atividade de averiguação e consultoria independente e objetiva, com a finalidade de trazer valor e melhorar as operações de uma empresa.

Podemos concluir que, enquanto o Compliance procura atuar na fase de definições ou estabelecimento de regras, procedimentos diários, treinamento individual e de áreas, além da conscientização de todas as partes interessadas, acionistas, colaboradores, fornecedores, funcionários, entre outros; a auditoria busca identificar oportunidades de aperfeiçoamento, tornar os controles mais eficientes, detectar indícios ou existência de irregularidades na organização,


Compliance
em instituições financeiras X indústria

 

Agora podemos falar sobre algumas diferenças entre a aplicação de controles na indústria e em instituições financeiras. Para isso, precisamos olhar para o passado. Na década de 1990, com a abertura comercial, o Brasil buscava se alinhar ao mercado internacional em termos de competitividade, o que despertou a atenção de órgãos reguladores sobre a necessidade de se equilibrar as regras internas em relação às normas internacionais.

Desde a Grande Depressão norte-americana, o sistema financeiro já procurava reforçar a normatização do mercado por meio de uma supervisão constante de suas práticas. Em 1975, por exemplo, foi estabelecido o Comitê de Supervisão Bancária da Basiléia, que até hoje funciona como um fórum mundial para discussão e cooperação no assunto, impondo regras rígidas e fiscalizações rigorosas para o setor.

No entanto, fatos históricos e relevantes mundialmente, como o ataque de 11 de setembro e a sucessão de escândalos financeiros em Wall Street, despertaram a necessidade de regulamentações ainda mais assertivas e aplicáveis internacionalmente. Desta forma foi criada em 2002 a Lei Sarbanes-Oxley, também conhecida como SOX, que visa à obrigatoriedade de mecanismos confiáveis nas empresas e regras a fim de mitigar riscos, ocorrências de fraudes ou corrupção nas organizações.

Pressionadas pela legislação, além de acionistas, clientes e fornecedores, as instituições financeiras passaram rapidamente a fazer estruturações estratégicas, organizacionais e tecnológicas, para assegurar o aprimoramento do valor e da reputação corporativa. O Complianceentão chegava num momento conturbado, onde as transformações estavam ocorrendo simultaneamente. Atualmente, além de ter de se adequar às agências reguladoras e leis internacionais, as instituições financeiras atuantes no Brasil também precisam se atentar às regras estabelecidas pelo Banco Central (Bacen) e outras normas, como o Código de Defesa do Consumidor (CDC), por exemplo.

Mesmo diante de um cenário regulatório complexo, diversos estudos comprovam que companhias no mundo todo enxergam valor noCompliance. O verdadeiro desafio está na dificuldade em se justificar os custos destes controles. Apesar de, obviamente, os custos da não implantação destes mecanismos serem maiores.

De forma resumida, os gastos com uma política de Compliance podem ser divididos em três aspectos: custos de manutenção, de não conformidade e de governança. O primeiro se refere aos custos para executar e promover essa política, como gasto de pessoal, treinamento, comunicação interna e consultoria. Já no segundo, custos de não conformidade, podemos citar penalidades, multas e tributos, custos de remediação, perda da receita, interrupção dos negócios e perda da produtividade, impacto no capital, danos à reputação da empresa, de seus empregados e da marca, despesas com advogados, custos judiciais e valor/hora da alta administração. Por último, mas não menos importante, os gastos com governança se resumem à manutenção e às despesas da diretoria e dos comitês, custos legais e jurídicos, contratação de auditoria externa e relacionamento com investidores e comunicações.

As empresas brasileiras em geral (indústria) que pretendem adotar programas de Compliance hoje contam com uma estrutura de incentivo estabelecida, que incluem a governança corporativa, o Índice Dow Jones, a Lei Sarbanes-Oxley, o Índice de Sustentabilidade Empresarial, o UK Bribery Act, o Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), entre outras. Neste sentido, a Lei Anticorrupção Empresarial do Brasil surge como mais uma bússola -somada aos demais modelos de estrutura já existentes- que deve servir como instrumento de direcionamento e estímulo a uma conduta empresarial ética e de combate à corrupção, com o intuito de reforçar a confiança dos investidores no âmbito nacional e internacional e trazer benefícios à sociedade brasileira.

Com as recentes crises políticas e financeiras que afetam o Brasil e o mundo, novas exigências regulatórias globais e locais deverão ser introduzidas com a finalidade de contribuir com a sustentabilidade empresarial e a criação de valor no longo prazo. Neste sentido, programas deCompliance ganham ainda mais importância, pois continuarão a ser um mecanismo para avaliação e neutralização dos riscos já existentes, além de uma ferramenta para análise e entendimento das novas regulamentações que surgirão e precisarão ser acompanhadas para garantir às empresas a mitigação de novos riscos.

 

*Cynthia Catlett é diretora executiva da FTI Consulting

 

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artigo-progress-inovacao-digital-matthew-gharegozlou-vp-da-progress-para-a-america-latina-e-caribeA transformação digital dos negócios atinge as operações
de chão de fábrica. É do que trata o artigo de Matthew Gharegozlou, Vice-Presidente da Progress para a América Latina

Décadas após a revolução proporcionada pela robótica, pelas máquinas de controle numérico e pela gestão inteligente de processos de produção, eis que surge no cenário a “Indústria 4.0”, que é como os especialistas estão chamando de a última revolução industrial. Uma revolução que vem inserida na chamada onda de Transformação Digital dos Negócios.

Nessa nova feição da indústria, que abrange áreas como a manufatura, automotivo e transporte, produção de energia, as utilities em geral e setores como o de saúde, o chão de fábrica (ou a estrutura de produção) não é mais o espaço onde exclusivamente ocorre o trabalho pesado. E o mesmo raciocínio se aplica aos pátios, armazéns e guindastes de uma zona portuária ou para aos equipamentos médico-hospitalares que guarnecem um grande hospital.

As empresas inovadoras nas mais diversas áreas de produção de bens e serviços estão buscando na IIoT a transformação do seu negócio e agregando valores digitais de alto impacto na diversificação, qualidade e custo dos produtos. Todo o conjunto de máquinas e bens de produção adquire, em geral, com a IIoT, um novo aspecto de sutileza e inteligência.

Mas, embora as vantagens (e a necessidade estratégica) dos investimentos em inovação digital industrial já não levantem tantas dúvidas, estes setores ainda precisam enfrentar a questão da interoperabilidade, já que a incompatibilidade do legado com os novos padrões de tecnologia acaba representando um obstáculo à transformação digital.

É este fato que condiciona a adoção de tecnologias agnósticas, em uma arquitetura aberta, como pré-condição para se evoluir na direção da IIoT. E o ponto de partida para tanto, está não na retaguarda dos sistemas (estruturas e máquinas físicas que logicamente também precisam ser ajustadas), mas na fase de desenvolvimento das aplicações que irão conduzir a passagem da indústria atual para a indústria 4.0.

 

A Oportunidade da Internet Industrial das Coisas

A nova revolução industrial envolve o aprofundamento da informatização das e da utilização da robótica, agora associando-as aos recursos de métrica inteligente e capacidade analítica de dados para maximizar a eficiência, a rentabilidade e a segurança. Lugares comuns à parte, o novo modelo IIoT carrega enorme potencial para gerar dados de negócio articulados que são articulados junto com o chão de fábrica ou a estrutura de produção. Cria-se assim um novo tipo de massa crítica que maximiza a capacidade das empresas de otimizar custos, azeitar a prestação de serviços e aumentar as receitas a partir de fontes antes não exploradas.

Estes três pilares de competitividade são o que poderíamos chamar “a santíssima trindade” na arena dos negócios.

É nesta tríade que se sustenta o rápido avanço que a IIoT vem experimentando. De acordo com fontes do mercado, o investimento global em Internet Industrial das coisas chegará a US $ 500 bilhões até 2020. Estima-se que as empresas que introduzem automação articulada com tecnologias flexíveis de produção podem aumentar a produtividade em até 30%. Além disso, a manutenção preditiva dos ativos, proporcionada pela introdução do analytics, pode garantir economias de 12% em comparação com reparos programados, além reduzir os custos gerais de manutenção em até 30% e eliminar as avarias em 70%.

Um bom exemplo de empresa que está no caminho correto de exploração dos potenciais a IIoT é dado pela GMT Europe, desenvolvedora de soluções para o setor de coleta de lixo urbano. Sem exigir uma revolução completa do negócio ou a substituição da estrutura produtiva de seu cliente (uma empresa de coleta de lixo que atua em 20 cidades holandesas), a GMT conseguiu catapultar a eficiência de seu cliente a partir do simples desenvolvimento de uma aplicação móvel de gerenciamento de demandas adaptada ao novo contexto.

Em vez de seguir rotas fixas e recolher caçambas com lixo apenas pela metade, as rotas são agora concebidas de forma dinâmica pelo software, com base em dados históricos e fluxos de dados reais, tais como condições climáticas, congestionamento do tráfego e posição dos caminhões. Ao prever o grau de enchimento das caçambas (que agora podem ser programadas para a coleta quando atingirem pelo menos 80% da capacidade), o aplicativo mostra o fluxo do processo em tempo real, usando dados do GPS, dispositivos inteligentes e etiquetas RFID. Com isto é possível eliminar ineficiências do processo de gestão de resíduos e economizar 23% em custos para os clientes da GMT Europe.

 

A Interoperabilidade Utópica

Uma barreira fundamental que retém a implementação da IIoT é a falta de interoperabilidade entre os dispositivos e máquinas que usam protocolos diferentes e têm diferentes arquiteturas. Embora a teoria da IIoT faça sentido para um ambiente perfeito de negócio, a realidade de conexão entre os sistemas de TI existentes muitas vezes é complexa e cara, uma vez que as tecnologias operacionais hoje trabalhem, em grande parte, com base em silos de dados de longa data. E isto sem falar no enorme ciclo de vida dos equipamentos industriais que é um agravante da incompatibilidade.

Assim, a IIoT utópica seria um ecossistema digital totalmente harmônico, com o compartilhamento de dados sem costura entre as máquinas e outros sistemas físicos de diferentes fabricantes. Enquanto isto não é possível, o desenvolvimento da interoperabilidade aberta e de arquiteturas padrão está sendo trabalhado dia a dia, principalmente por meio de entidades sem fins lucrativos o Industrial Internet Consortium. Mas as empresas industriais estarão renunciando da vantagem competitiva se elas ficarem simplesmente à espera do cenário perfeito para tomar as medidas necessárias.

 

O Papel da Arquitetura Aberta e a Resposta das Novas Web Apps

Para contornar o impasse pelo menos em parte e maximizar as oportunidades de exploração da IIoT, empresas como Apple e Google têm proporcionado ecossistemas de dispositivos à disposição da Internet. O problema, porém, é que eles também são ecossistemas fechados que limitam quais os dispositivos e quais tipos de dados podem falar entre si.

Se a Internet Industrial das Coisas surge realmente para trabalhar e impulsionar a inovação no mundo real, ela não pode ser limitada a alguns ecossistemas fechados que estabelecem um controle indesejado sobre a velocidade de evolução técnica e prática da IIoT e seus benefícios. Além disso, a maioria das empresas possui dispositivos e sistemas que cobrem mais de um destes ecossistemas fechados.

Consequentemente, o desenvolvimento de arquiteturas abertas para a interoperabilidade máxima no ambiente industrial deve começar não pela retaguarda (estruturas físicas e maquinário), mas pela fase de desenvolvimento de aplicativos da Internet Industrial das Coisas.

A justificativa para a escolha por ecossistemas fechados sempre foi liderada pela maior funcionalidade e desempenho dos aplicativos nativos contra aplicações web. Mas agora é possível construir aplicações web que podem ser usadas no ambiente de trabalho legado e, ao mesmo tempo, nos ambientes iOS e Android. Com as novas estruturas de tecnologia aberta, como NativeScript e React Native, os desenvolvedores não têm mais que encapsular sua lógica de negócios por trás das plataformas proprietárias dos tais ecossistemas, e estão livres para desenvolver aplicações da Internet Industrial das coisas que irão trabalhar em todos os sistemas e ainda podem compartilhar dados entre todos eles.

 

Sistemas Abertos devem ser Sistemas Seguros

Uma pesquisa sobre o estado da Internet das coisas, encomendada pela empresa Progress, revelou que a segurança e a privacidade dos dados permanecem entre os principais desafios para o desenvolvimento de aplicações da Internet das coisas, especialmente porque há um número crescente de normas regulamentares que eles precisam cumprir. Os desafios de segurança só se tornam maiores devido às arquiteturas abertas serem mais vulneráveis a riscos de segurança. Mas um sistema aberto não precisa ser um sistema de ‘abertura para ameaças’. O que é necessário é um plano de ação para proteger sistemas abertos sem derrotar o propósito de permitir a colaboração e compartilhamento.

Para evitar o comprometimento dos dados (e os custos financeiros e de reputação que vêm com este comprometimento), os desenvolvedores precisam garantir que seus dados – desde banco de dados inteiros às tabelas individuais e tudo o que houver entre eles – sejam eficientemente criptografados.

Isto irá permitir a colaboração, eliminando ao mesmo tempo o risco de deixar dados sensíveis vulneráveis ao acesso não autorizado, e sem impactar o desempenho global do sistema. Outro fator importante é que os desenvolvedores podem obter a flexibilidade de que necessitam e atender aos requisitos de segurança individuais, criptografando aqueles entes do sistema que fato necessitam.

 

Abertura total

Os cercadinhos de jardim que alguns players estão tentando pôr em prática são, provavelmente, a maior ameaça para a IIoT bem-sucedida. Aqueles competidores industriais querem tirar proveito já do novo modelo e acelerar a sua própria transformação digital para atingir os padrões de negócio de nova geração e suas oportunidades inéditas de mercado e de receita, estes precisarão dar uma olhada mais de perto em tecnologias abertas e seguras que já existem no mercado. A partir daí, é começar a inovar com a assimilação da IIoT a partir de hoje mesmo.

 

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cronogramaMesmo diante dos prazos apertados e das tomadas de decisões que demandam urgência, gerentes de projeto precisam investir tempo no desenvolvimento e controle do cronograma das atividades de uma obra, seja para alinhamento com o que está sendo realizado ou para mitigar atrasos. Para discutir as melhores práticas em gerenciamento de atrasos, a FTI Consulting, Inc. (NYSE:FCN), consultoria empresarial global dedicada a auxiliar organizações a proteger e aumentar os seus valores, patrocinou a 6ª Conferência Internacional Bienal da Sociedade do Direito da Construção, em São Paulo.

Organizado pela SCL – Society of Construction Law e reconhecido como um dos mais importantes do setor de infraestrutura global, o evento aconteceu no Hotel Unique, entre os dias 13 e 15 de setembro. Na oportunidade, Simon E. Braithwaite, Senior Director da FTI Consulting, baseado em Nova Iorque, Estados Unidos, palestrou no painel Hot tubbing session with experts: Best practices for delay and quantum analysis, abordando as melhores práticas para lidar e quantificar os atrasos em construções.

“Quando os desajustes no prazo começam a dar os primeiros sinais, é preciso que profissionais qualificados estejam preparados para diagnosticar e mitigar o problema”, explicou Sandro Cunha, Managing Director da FTI Consulting, baseado no Rio de Janeiro, Brasil. “Os especialistas da FTI Consulting possuem os conhecimentos necessários, tanto regulatórios como técnicos, e estão orientados para reverter situações e antecipar crises relacionadas a atrasos em obras.”

Pela primeira vez na América Latina, a conferência reuniu geólogos, engenheiros, arquitetos, economistas, advogados, árbitros, mediadores, juízes e especialistas da área de infraestrutura de mais de 30 países. O evento também discutiu outros temas de grande relevância para o mercado de construção como a adoção do BIM (Building Information Modeling) na Europa e no Brasil, as melhores práticas em Project Finance, PPPs e concessões e a transparência na contratação de projetos públicos de infraestrutura.

Para evitar atrasos, é preciso estar atento aos sinais e manter um controle rígido sobre todas as etapas construtivas. Apesar da pouca margem que existe para resolver os problemas com atrasos depois que eles ocorrem, os profissionais precisam atuar durante todo o processo e estar alerta para qualquer alteração no cronograma.

 

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aspas2_marcos_troyjoO comércio internacional tem avançado abaixo do esperado nos últimos cinco anos devido à desaceleração dos países desenvolvidos. Para 2016, a previsão de crescimento, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), é de 2,8% impulsionado pelos países emergentes. Mas o Brasil não ajudará nessa conta. O país está aquém da sua capacidade de exportação. Apesar de ser uma das dez maiores economias do mundo, é apenas o 25º exportador. A participação brasileira nas vendas mundiais é de apenas 1,2%. O Canadá, por exemplo, que tem um PIB menor do que o Brasil, participa de 2,5%. E as vendas de manufaturados da indústria nacional tiveram, neste ano, o pior primeiro semestre desde 2010. Em entrevista à Agência CNI de Notícias, o economista Marcos Troyjo explica o que acontece com o país. Acompanhe:

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Por que o Brasil não consegue ser um ator relevante no comércio internacional?

MARCOS TROYJO – Se pegarmos a história dos países que mudaram de patamar nos últimos 70 anos, como Alemanha, Japão, China, Coreia do Sul e Chile, é praticamente impossível ver uma trajetória de crescimento sem pelo menos 40% do PIB daquele país resultante das somas de importações e exportações. No Brasil, se pegarmos do período em que fomos descobertos por Cabral até 1999, com exceção dos ciclos da monucultura de exportação, como o ciclo da borracha, do café ou da cana-de-açúcar, é muito raro encontrarmos um momento do PIB brasileiro que tenha 25% do PIB resultante de importações e exportações. A primeira conclusão que a gente tira é que não fizemos parte desse grupo de países que privilegiou o comércio exterior como principal plataforma de crescimento econômico.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – O comércio exterior não foi prioridade?

MARCOS TROYJO – Nos últimos 15 anos nós tivemos, vou usar uma expressão da arquitetura para explicar melhor, um retrofit (revitalização) das antigas teses de substituição de importação. Se nos anos 1940 e 1950 a palavra forte era nacionalização da indústria, nestes últimos anos, esse conceito foi substituído por um termo que eu chamo “local contentismo”. Tivemos uma ênfase muito forte nas políticas industriais de substituição de importação, mas não necessariamente com nacionalização da indústria, pelo contrário, esse retrofit que nós vimos nos últimos anos foi muito amistoso ao capital estrangeiro.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – O senhor se refere à política de conteúdo local?

MARCOS TROYJO – Toda a estratégia brasileira de compras governamentais, oferecimento de benefícios fiscais e tentativa de criação de cadeias de produção do setor industrial estiveram associadas ao papel das estatais e dos governos, como grandes formadores da demanda para que essas empresas de outros países viessem ao Brasil e aqui estabelecessem suas operações produtivas, portanto gerando empregos e impostos locais.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – E por que isso é um problema?

MARCOS TROYJO – O problema é que, à medida que o Brasil optou por não construir acordos de comércio (leia reportagem sobre o tema) nem se integrar às cadeias globais de produção, as atividades industriais que vieram se instalar não apenas passaram a competir com os similares nacionais, como também tiveram como objetivo exclusivo o mercado brasileiro. Ninguém vinha montar uma fábrica aqui para fazer uma plataforma de exportação para terceiros mercados. Eles vieram para explorar o mercado brasileiro, que é muito protegido comercialmente e, portanto, paga um sobrepreço para quem se instala aqui. Essa é uma das razões pelas quais o Brasil se tornou o quinto maior destino de investimento direto do mundo durante esse período Lula-Dilma. Nós tivemos, de fato, uma política industrial que atraiu investimentos, só que pelas razões erradas. Vieram bens de capital visando atender demandas reprimidas, mirando o universo do consumo interno, e não fazendo o Brasil por meio do seu próprio mérito um elo dessas cadeias mais globais de produção. E isso só fez com que o nosso comércio exterior de maior valor agregado e, particularmente, do setor industrial, definhasse.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Essa política favoreceu o que alguns economistas chamam de desindustrialização prematura?

MARCOS TROYJO – Isso mesmo. Uma coisa é o que aconteceu com Londres, com Paris, com os grandes centros urbanos na Europa que se converteram ao longo do século de ramos industriais para o ramo de serviços e entretenimento. Houve um processo de maturação bastante clara. Alguns desses setores de serviços e entretenimento se converteram em locação para a quarta revolução industrial, com empregos em pesquisa e desenvolvimento voltados para tecnologia e para a indústria. No caso do Brasil, a gente não cumpriu essa fase, não existe como nos Estados Unidos um rust belt (cinturão de ferrugem) – uma região de indústria pesada e manufatureira. Nós tínhamos que fazer com que a indústria ocupasse uma parcela ainda maior no PIB brasileiro e uma fatia ainda maior das nossas exportações, mas nós acabamos regredindo ao longo do tempo. Tem outro elemento também que foi a nossa volta a uma situação semicolonial de comércio com a Ásia e particularmente com a China.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – A China hoje é nosso principal parceiro. Mas as nossas exportações estão concentradas em poucos produtos básicos.

MARCOS TROYJO – À medida que nós temos vantagens comparativas com as commodities agrícolas e minerais, pelas quais os chineses têm grande apetite, cai o interesse dos empresários em investir na indústria. É muito mais barato ou, pelo menos foi durante uma época, fazer outsourcing a partir do mercado chinês, isso contribuiu demais para a nossa desindustrialização. De modo que nós estamos agora no meio do caminho. Recentemente as exportações da indústria aumentaram por causa da desvalorização do real frente ao dólar. Nós ganhamos competitividade via câmbio. No entanto, o câmbio é um dos muitos pilares que nós temos que aperfeiçoar para dar ao Brasil competitividade exportadora industrial.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Se o câmbio é um dos pilares de competitividade, quais seriam os outros?

MARCOS TROYJO – Nós privilegiamos muito mais nossas ambições políticas no âmbito externo do que um maior pragmatismo econômico. O resultado disso tudo é que, aquilo que nós podemos considerar segundo e terceiro pilares – acesso a grandes mercados do mundo e facilitação da participação do Brasil nas cadeias internacionais de agregação de valor – não foi privilegiado nesse período mais recente. E isso num momento em que o mundo estava aberto para negócios. Agora, infelizmente, nós estamos entrando numa fase que eu chamei num livro recente de “desglobalização”, protecionismo e um individualismo muito grande por parte dos países. Está muito mais difícil fazer agora o que o Brasil deveria ter feito na última década.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – O que deve ser feito?

MARCOS TROYJO – Nós tivemos essencialmente dois exemplos bastante exitosos. O primeiro é o sul-coreano, que fez algumas coisascomo substituição de importações e criação de campeões nacionais. Mas a Coreia do Sul não fez isso para garantir fatias do mercado interno ao empresariado local, e sim para promover exportações, aumentar a competitividade do capital nacional em relação a terceiros mercados, e substituiu importação para promover exportações. Essa é a grande diferença entre o modelo exitoso e aquela que nós aplicamos no Brasil. Os sul-coreanos se aproveitaram de um interesse geopolítico dos Estados Unidos e da Europa para fazer algumas concessões pontuais a países asiáticos. Isso também é verdade em relação à China. Se quebrarmos a molécula da competitividade chinesa e do milagre dos últimos 38 anos, quais são os átomos? Acesso privilegiado aos grandes mercados do mundo, mediante a cláusula de nação mais favorecida. Para o Brasil, talvez fizessem mais sentido acordos setoriais, um acordo bilateral com os Estados Unidos, nesse ou naquele setor, que é uma coisa que o Brasil nunca privilegiou e perdeu o bonde. As várias modalidades de acesso privilegiado a um grande mercado comprador foi algo que nós não trabalhamos, não priorizamos.

AGÊNCIA CNI DE NOTÍCIAS – Ainda dá tempo?

MARCOS TROYJO – O Brasil tem marcos regulatórios, tem segurança jurídica. Em primeiro lugar, o tamanho quer queira quer não ainda importa. Essa é uma lição muito importante que jamais poderemos deixar de considerar. Se olharmos o mapa mundi, seria muito difícil encontrar um país que consegue equilibrar um potencial exportador da cadeia agroalimentar, agromineral e algumas áreas de alta tecnologia, como é o setor aeronáutico, com um mercado interno que ainda é vibrante. O Brasil tem condições de avançar se fizer as escolhas corretas.
CNI SUSTENTABILIDADE – Marcos Troyo é um dos debatedores no CNI Sustentabilidade, que ocorre em 22 de setembro, no Rio de Janeiro. Ele participará do painel A influência dos valores socioambientais nos padrões de produção e consumo. Os Encontros CNI Sustentabilidade têm o objetivo de mobilizar o setor empresarial para debater tendências de negócios, tecnologias inovadoras, oportunidades e desafios que norteiem a indústria na busca de competitividade com sustentabilidade.

Foto: Divulgação
Fonter: Agência CNI de Notícias

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 Por Rodrigo Fragola

A indústria mundial de varejo vem avançando de forma admirável numa disciplina multifacetada que se convencionou chamar de “prevenção de perdas” e que envolve desde a perda por falha nos controles de estoque, até os prejuízos ocasionados por furtos ou fraudes no sistema digital de pagamento.

Para não abrir demasiado o leque neste artigo, proponho uma passada de olhos nas vulnerabilidades de segurança que o setor precisa enfrentar para sanar uma sangria conhecidamente gigantesca, que são as perdas por falha na segurança do negócio, mais especificamente, no aparato digital e eletrônico disponível para a prevenção contra ataques às gôndolas, ao caixa e às bases de dados de clientes.

Entram, portanto, neste rol as categorias de risco cibernético e de vulnerabilidade física tradicional (que dá ensejo ao roubo ou desvio de produtos), de modo que se possa pensar numa visão holística (unificada) da questão das perdas varejistas e sua respectiva prevenção.

Vamos mirar especificamente o comércio em rede, uma vez que esta é forma predominante na indústria atual do varejo, embora a abordagem geral caiba também aos estabelecimentos isolados.

A primeira constatação é a de que o setor vem adotando certas medidas razoáveis, como o uso de etiquetas de rastreamento com alarme (RFID), para evitar a saída de produtos não pagos, uma iniciativa cada vez mais comum, principalmente em lojas de produtos com alto valor unitário, como perfumarias, lojas de eletrodomésticos e confecções.

Entre os sofisticados itens em fase de disseminação estão as câmeras de vigilância, muitas delas associadas a analisadores de ambiente capazes de detectar pessoas em movimentação brusca, ou até com leitores biométricos para o cadastramento facial de suspeitos.

São iniciativas ainda incipientes na grande maioria das redes no Brasil, como atestam pesquisas setoriais, mostrando que só 35% dos supermercados e atacarejos dispõem de planejamento e equipes dedicadas à prevenção.

Mas um tópico mais preocupante, a meu ver, é o cenário de alta vulnerabilidade da estrutura de informática presente nos pontos de vendas do país, o que agrava de forma dramática a própria segurança física.

Isto porque tal estrutura é vital não apenas para o gerenciamento das transações eletrônicas da loja, mas também para o monitoramento da segurança de itens como as câmeras, os alarmes, os detectores RFID, os sensores de presença nos depósitos, os leitores de códigos de barra, os registradores de cash, balanças e até catracas de entrada e saída de clientes.

No aspecto estritamente digital, é certo que todos estes estabelecimentos deveriam já se submeter a normas básicas de compliance impostas pelas bandeiras de cartão de pagamento como Visa, Diners e MasterCard através do seu rigoroso padrão PCI-DSS, que mundialmente mobiliza bilhões em tecnologia de combate à vulnerabilidade de dados e transações.

Mas embora utilizem necessariamente uma rede credenciada de transporte de transações (como Elo ou PagSeguro) tais estabelecimentos raramente dispõem de uma rede interna isolada para seus serviços gerais, em relação a pontos críticos de interface com o cliente ou com o mundo externo, como os terminais de PDV ou de captura de cartões.

Assim, toda a blindagem com base em normas (compliance) adotada pelo transportador de transações e exigida pelas bandeiras dos cartões se depara, no ambiente da loja, com uma brecha de segurança pela qual, se passa boi, certamente em algum momento deixará passar a boiada, como diz a linguagem popular e referencia a velha e infeliz “Lei de Murphy”.

Este é um cenário, aliás, não muito diferente do que se verifica em todo o espectro das empresas, principalmente na faixa das PMEs. A mesma conexão de Internet que equipa uma câmera IP é usada pra trafegar informações fiscais e contábeis ou dados críticos de cliente.

O mesmo WiFi da lanchonete, que conecta o cliente ao Facebook e permite ao garotinho jogar o seu passatempo enquanto espera um sanduíche, conecta também a garçonete, com seu terminal de pedido, ao sistema de gestão de entregas e está ligado ao software de RH da loja ou até mesmo da rede.

Um tipo de negligência nas pontas que, está provado, contamina a própria rede global de pagamentos e promove lucros bilionários ao crime cibernético, além de facilitar toda sorte de fraudes ou desvios no ambiente físico e virtual da rede varejista.

Para quem conhece um pouco sobre as especificações de compliance contidas no PCI DSS ou nas modalidades da norma ISO dirigidas à segurança, é preciso reconhecer que o investimento exigido em segurança cibernética é, quase sempre, o maior entrave à melhoria desse aspecto.

Quando a correlação de custos favorece, o nível de adesão do comerciante é altamente positivo. E aí está o exemplo das câmeras IP, hoje quase tão abundantes quanto lâmpadas no ambiente da farmácia ou supermercado.

E isto pelo simples fato de que sua instalação “agite e use” dispensa maior planejamento, não carece de fiação e atinge custos hoje em dia tremendamente acessíveis.

Agora, o que começa a mudar, é que o mesmo movimento de massificação que ocorreu com as câmeras WiFi, começará a ocorrer em relação ao lado cibernético e à centralização de controle dos itens de segurança digital.

Consoles a custos compatíveis, com baixa exigência de aprendizado e fácil integração com dispositivos de monitoramento físico e virtual já despontam como a novidade da vez.

Um exemplo disto são as centrais de proteção unificadas (tecnicamente chamadas de Firewall UTM) que reúnem todas as funções de segurança em nível cibernético de rede interna e que permitem gerenciar a segurança de dispositivos como os próprios POS, as câmeras IP do ambiente, os terminais de leitura e celulares de clientes e funcionários.

Tudo isto contando ainda com funções de fácil uso para a criação de redes virtuais isoladas, fornecendo blindagem para a comunicação de negócios e garantindo a criação de políticas de priorização de tráfego para aquilo que realmente interessa.

De um patamar até recentemente em torno de sete ou oito mil reais no mercado interno, centrais UTM de alta confiabilidade já podem ser encontradas a valores próximos a R$ 2 mil. Abre-se assim uma perspectiva nova para pequenas e grandes redes de varejo, que por um baixo investimento inicial, poderão iniciar a implantação da segurança holística em todas as suas lojas.

E quem sabe não seja o momento para que as grandes empresas da cadeia de pagamentos (operadoras de cartão, adquirentes e bancos) comecem a distribuir incentivos para que o pequeno comerciante (ou franqueado) atinja, efetivamente, níveis mais sólidos de conformidade com as normas de segurança.

*Rodrigo Fragola é Presidente da Aker Security, Vice-Presidente de Segurança e Defesa do Sindicato da Indústria da Informação (Sinfor) e Diretor de Segurança e Defesa da Associação Brasileira das Empresas de Software(Assespro-DF)

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blogindustrialEscrito por Richard Landim,

 Especialista de Produtos da Fluke Networks Brasil

 

O antigo ditado “tempo é dinheiro” se aplica em grande medida aos testes de cabos. Nos últimos 20 anos, o setor corporativo de  se beneficiou dos avanços das ferramentas e tecnologias de teste e certificação. Esses avanços reduziram o tempo de teste e certificação de cada enlaçe de cabo a apenas alguns segundos. Testadores mais rápidos certamente reduziram também os custos envolvidos. Ainda assim, há etapas adicionais em qualquer instalação que consomem um tempo valioso e que resultam em custos adicionais. Desta forma, empresários experientes e fornecedores de dispositivos compreenderam que ainda existem oportunidades reais para a redução do tempo gasto em muitas funções relacionadas com o teste, ajudando assim os integradores a obter novos lucros durante o processo.

Uma recente pesquisa da Fluke Networks realizada com instaladores de cabo sobre o tempo gasto para a realização das várias funções relacionadas aos testes revelou resultados surpreendentes. Um grande aprendizado: lidar efetivamente com os problemas e as ineficiências durante o processo de testes definitivamente aumenta a margem de lucro. De fato, algumas empresas relataram um aumento de até 10% no lucro final. Elas conseguiram isso utilizando sistemas que reduzem os elementos que desperdiçam tempo de teste. Esse lucro adicional significa mais receita para os instaladores de cabo ou, se eles optarem por repassar a economia aos possíveis clientes, ofertas mais competitivas.

Um estudo realizado com instaladores dos EUA relatou que 63% do tempo foi gasto efetivamente na instalação de cabos. Após o término da instalação, 14% do tempo normal de projeto envolviam tarefas relacionadas a testes, 6% se relacionava à elaboração de relatórios, 8% a retrabalho e 9% a contingências e outras atividades. As partes do trabalho não relacionadas à instalação, ou seja, testes, elaboração de relatórios, retrabalho e resolução de problemas, representam um terreno fértil para o corte de custos mediante a implantação de sistemas de testes com recursos expandidos.

As ações que as empresas citaram para reduzir os custos e aumentar os lucros foram reduzir os erros durante o planejamento e a configuração, eliminar os erros de teste causados por funcionários inexperientes, evitar os atrasos causados quando instaladores menos experientes estão ociosos e esperando mais ajuda de gerentes experientes, reduzir o tempo de resolução de problemas, reduzir a necessidade de novos testes, agilizar os processos ineficientes de elaboração de relatórios e evitar tempo de viagem desnecessário.

Testadores avançados melhoram a produtividade

Os instaladores de cabo que usaram testadores padrão relataram uma média de 20 horas gastas na resolução de problemas durante a conclusão de um trabalho habitual de 1000 links. Porém, eles conseguiram reduzir a média de horas gastas na resolução de problemas a apenas sete, com o uso de  sistemas de teste avançados, o que representa um ganho de produtividade de 65%.

A melhoria do planejamento e da configuração é um primeiro passo essencial para reduzir tempo e custos. Um sistema de testes que ofereça uma função única de gestão de tarefas para controlar todos os requisitos do trabalho desde o início pode proporcionar grandes dividendos durante o trabalho. Esse sistema pode definir eficientemente os requisitos e o andamento do trabalho, da configuração à aceitação dos sistemas, assegurando que todos os testes sejam concluídos com precisão.

Quando os parâmetros de teste podem ser configurados em um ponto central e transmitidos pela nuvem tanto por técnicos quanto pela equipe administrativa, temos como resultados economia de tempo e redução de erros. Os sistemas de teste avançados eliminam a ida e volta ao escritório para elaborar relatórios de teste, o que resulta em relatórios mais precisos e fechamento mais rápido do projeto.

Escassez de trabalhadores qualificados exige novos métodos para os testes de cabos

Os instaladores definitivamente não querem erros no campo e utilizam uma série de abordagens para minimizá-los. Um método é contratar mais funcionários habilitados. Entretanto, há escassez de trabalhadores que compreendam as nuances dos testes de cabo e fibra. 78% dos proprietários entrevistados na pesquisa da Fluke Networks relataram que é um desafio global encontrar bons trabalhadores.

Como o treinamento desses funcionários é caro e a contratação de trabalhadores mais experientes e mais gerentes de projeto para supervisioná-los consome grande parte dos lucros, uma abordagem melhor é projetar sistemas de teste, diminuindo espaço para erros.

Projetar e automatizar de modo mais inteligente algumas das funções de teste para evitar erros são ações essenciais para tornar o processo de teste mais eficiente. Mais de 800 instaladores em todo o mundo foram questionados e quase metade informou que tem de voltar a testar as ligações porque elas foram testadas com os limites errados. 37% relataram que lidam com medições de fibra de perda negativa (uma perda negativa em uma fibra é como registrar um tempo negativo em uma corrida de 100 metros rasos – evidentemente algo está errado).

Corrigindo a causa principal de muitos problemas de teste: a configuração inadequada

Definir os níveis de referência de fibra corretamente é essencial para fazer boas medições, mas é um processo relativamente complexo. Se alguma das etapas for realizada de forma inadequada, toda leitura feita a partir daquele ponto com o testador será incorreta. O próprio dispositivo de teste pode eliminar os erros, conduzindo o operador passo a passo pelo processo de configuração e verificando se ele está correto. A sequência de telas abaixo mostra algumas das etapas do processo. Assim que cada uma é concluída, o testador verifica e apresenta a próxima etapa. Observe que a utilização de um código de cores no cabeamento ajuda ainda mais a reduzir as chances de erro.

Outra etapa do processo de certificação de cabo que exige mais tempo do que o necessário é a resolução de problemas quando eles se acumulam. Segundo mais de 300 prestadores de serviço que participaram de nossa pesquisa, um dos maiores fatores de desperdício no processo de teste é o tempo que as equipes têm que esperar até que o técnico mais experiente resolva o problema: em média, 4,6 horas por mês para cobre e 3,8 horas por mês para fibra.

A pesquisa da Fluke Networks apontou que apenas 30% dos técnicos conseguiam configurar os limites personalizados para testes de fibra; e 64% das empresas relataram atrasos nos seis meses anteriores enquanto aguardavam que um técnico configurasse os limites personalizados para fibra.

Tornando mais eficiente a elaboração de relatórios

Outro grande fator de desperdício de tempo é a elaboração ineficiente de relatórios. Um grande problema para muitas empresas é o tempo que gastam todos os meses para transportar os testadores até os PCs para que os resultados possam ser baixados para criar os relatórios necessários. Elas informam que 4,4 horas por mês são gastas simplesmente fazendo com que as informações sejam colocadas no local adequado. Um sistema de testes que gerencie todos os resultados de vários testadores através da nuvem pode acessar facilmente os dados do testador para monitorar o andamento e gerar relatórios. Os custos totais dos relatórios foram reduzidos à metade pelas empresas que usaram sistemas de teste com recursos avançados de elaboração de relatórios – de 4% do custo total do projeto para 2% em relação a um trabalho habitual de 1000 links.

 

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correctDuas pesquisas, uma dos Correios e outra da Associação Brasileira de Empresas com Rotativa Offset (Abro), demonstram a confiança da população e de empresas na comunicação impressa

 Os estudos foram apresentados em evento na Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf Nacional), no qual foi apresentada a cartilha produzida pela entidade, intitulada Vote no Impresso, destinada a orientar candidatos e partidos sobre a nova lei eleitoral e oferecer subsídios técnicos para a utilização eficiente de impressos na campanha deste ano.

A pesquisa dos Correios, realizada na cidade de São Paulo, mostrou que a maioria dos 2.400 entrevistados confia mais nos folhetos e malas diretas do que em qualquer outra mídia como forma de comunicação. Esta é a preferência de 26,3% dos depoentes. Seguem-se: rádio e TV (25%), jornais e revistas (16,7%), divulgação na internet (14,4%) e e-mails (14,1%).

O estudo da Abro teve caráter nacional, abrangendo universo de 1.027 pessoas, 31 agências de publicidade e 100 empresas varejistas. As principais conclusões são as seguintes: quando quer se informar sobre algum produto, a maioria da população (56%) vai diretamente ao ponto de venda, “o que revela a importância das embalagens como influenciadoras da decisão de compra”, salienta Levi Ceregato, presidente da Abigraf Nacional; outros 37% informam-se por meio de folhetos. “Na soma das duas alternativas, observamos que 93% consultam materiais impressos para se orientar sobre o consumo de bens”. A pesquisa também demonstra que 100% das agências de publicidade recomendam a propaganda em folhetos e que 88% dos varejistas aderem a essa modalidade.

 

 

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entrevistaO diretor executivo da Associação Nacional da Indústria de Material de Segurança e Proteção ao Trabalho (ANIMASEG) fala sobre o panorama do mercado e as expectativas para a 21ª edição da FISP | Feira Internacional de Segurança e Proteção. Com a mais completa plataforma de negócios para segurança e saúde no trabalho, o evento acontece de 05 a 07 de outubro de 2016, no São Paulo Expo, em São Paulo, reunindo 700 expositores e 50 mil profissionais do setor.

“O País tem uma população economicamente ativa de mais de 100 milhões de trabalhadores e, portanto, tem tudo para, retomado o crescimento brasileiro, crescer com taxas superiores aos demais setores da economia. O setor de EPI´s no Brasil tem faturamento de 4,5 bilhões de reais por ano e potencial de duplicar este faturamento em poucos anos e acesso a toda tecnologia necessária para proteger adequadamente nossos trabalhadores”, comenta o executivo.

1- Como está hoje a indústria de material de segurança e proteção ao trabalhor?

A indústria de EPIs é muito dependente da situação econômica do País e é atingida diretamente com a queda do emprego e com as restrições financeiras das empresas.

Em recente levantamento da Animaseg, verificou-se uma queda média de 13% do volume de negócios em 2015, quando comparado a 2014. Entretanto, já se observa uma melhora na expectativa das empresas que esperam crescer 4% em 2016, no comparativo com 2015.

2- Quais são as alternativas para a atual conjuntura econômica? Certamente a crise atrapalhou sensivelmente as empresas do setor, mas como todo o momento difícil, também é um momento de explorar novas oportunidades, as empresas do setor têm expandido seu leque de clientes, o que a longo prazo pode trazer benefícios para todo o setor.

3- Em sua 21ª edição, a FISP se tornou um grande evento do segmento. Qual a sua importância para os profissionais do setor?

É a oportunidade dos profissionais conhecerem novos produtos e novos fornecedores para os produtos que já utilizam, pois a FISP se tornou o ponto de encontro dos profissionais de segurança no Brasil, evento obrigatório para quem está no setor de segurança e saúde do trabalho.

4- Quais serão as novidades que os visitantes poderão conferir, entre lançamentos, novas tecnologias e serviços?

Todas as empresas brasileiras e estrangeiras trarão suas novidades para a FISP, visando atender as exigências de nosso mercado em todos os níveis.

5- Além da área expositiva, o que mais o visitante vai encontrar no evento.

Uma novidade que acreditamos que será um diferencial no evento, será a participação da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego, comemorando seus 50 anos de existência, com uma participação interativa na FISP.

6- Em sua análise, quais as perspectivas para o setor?

O setor de EPIs no Brasil vinha crescendo de 9 a 10% ao ano e, apesar da crise da economia brasileira e de seu impacto no setor, o País ainda tem uma população economicamente ativa de mais de 100 milhões de trabalhadores e, portanto, tem tudo para, retomado o crescimento brasileiro, crescer com taxas superiores aos demais setores da economia.

7- Números do setor

Mesmo com a queda da economia brasileira, somos um setor com faturamento de 4,5 bilhões de reais por ano e com potencial de duplicar este faturamento em poucos anos. Temos em nosso mercado empresas locais, multinacionais, importadores e acesso a toda tecnologia necessária para proteger adequadamente nossos trabalhadores. Acreditamos que o País deva investir mais em educação, visando melhorar a conscientização de que a prevenção é sempre o melhor caminho e o de menor custo.

Serviço

21ª FISP | Feira Internacional de Segurança e Proteção

Evento Simultâneo: 12ª FIRE SHOW | International Fire Fair

 Data: 05 a 07 de outubro de 2016, das 13h às 21h

Local: São Paulo Expo Exhibition & Convention Center
Endereço: Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5 – São Paulo – SP – Brasil
Transporte gratuito: Rua Nelson Fernandes, 450 – Acesso pelo Terminal Rodoviário Jabaquara
* Evento gratuito para profissionais do setor

Mais informações: www.fispvirtual.com.br

 

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SOBRE O BLOG INDUSTRIAL

O Blog Industrial acompanha a movimentação do setor de bens de capital no Brasil e no exterior, trazendo tendências, novidades, opiniões e análises sobre a influência econômica e política no segmento. Este espaço é um subproduto da revista e do site P&S, e do portal Radar Industrial, todos editados pela redação da Editora Banas.

TATIANA GOMES

Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.

NARA FARIA

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.

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