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elemarjuniorPor Elemar Júnior*

A atual urgência pelo modelo de trabalho remoto tem revelado oportunidades de qualificação da gestão, afinal,  evidencia se os gestores têm competência ou clareza para definição de metas e facilitação do home office. Em contrapartida, outros acabam ignorando o fato de que “comando”, às vezes, é necessário, mas, “controle”, é sintoma de uma relação doente.

Antes de tudo, não me parece correto dar continuidade a este artigo sem mencionar os tempos difíceis que enfrentamos agora, devido à pandemia de coronavírus (COVID-19). Em 2015,  em uma apresentação no TED, Bill Gates já anunciava que o maior risco para a humanidade não  seria uma nova guerra nuclear, mas sim uma epidemia. Infelizmente sua previsão estava correta. Diante da presente crise mundial, nós, que podemos trabalhar remotamente, somos privilegiados e sabemos que esta opção não é real para muitas pessoas. E parece até mesmo cruel, de certa forma, falar sobre ficar em casa para quem não pode. Mas não há outra forma.

Voltando ao tema proposto, por não terem clareza de como entregar valor, muitos gestores, no lugar de resultados e facilitação do trabalho, ficam atentos a quem chega cedo na empresa e quem vai embora mais tarde. Também é comum que observem quem fica mais no computador ou em reuniões. Para profissionais com este perfil, o trabalho remoto é um pesadelo!

De muitas formas – e embora apresente desafios inéditos – este modelo tende a gerar resultados superiores. Ele permite, por exemplo, que as barreiras geográficas sejam superadas e que possamos compor times melhores, ou seja, deveria ser uma novidade bem-vinda. Entretanto, devido a limitação da gestão em conduzir relações saudáveis de trabalho, acaba se materializando como um entrave.

As dificuldades em estabelecer políticas de home office, mesmo em momentos de crise como o que estamos vivendo, evidencia o fato de que a teoria X de Douglas McGregor, economista e um dos pensadores mais influentes na área das relações humanas, ainda predomina nas nossas práticas e crenças de gestão. Afinal, segundo a hipótese de McGregor, a menos que um gestor “fique de olho” na conduta das pessoas, é provável que ninguém cumpra seu papel.

Teorias X e Y de Douglas McGregor

Em administração, as teorias X e Y são correntes de pensamentos opostas a respeito das relações entre os colaboradores e o comportamento destes em uma empresa. Idealizadas por Douglas McGregor na década de 1960 em seu livro The Human Side of Enterprise, são dos mais conhecidos conceitos na área de gestão de recursos humanos.

A teoria X, também chamada de “hipótese da mediocridade das massas”, diz que os funcionários possuem aversão ao trabalho e o encaram como um mal necessário para ganhar dinheiro. Artifícios como punição, elogios, dinheiro e coação seriam fundamentais, pois o colaborador evita responsabilidades, deseja ser dirigido e ter estabilidade e segurança.

A teoria Y diz que os funcionários encaram o trabalho como algo natural, como se estivessem fazendo uma atividade de lazer. Assim, as pessoas são esforçadas e gostam de ter o que fazer. Essa hipótese parte do pressuposto que o ser humano não é preguiçoso; a empresa tem que dar as condições necessárias para o funcionário trabalhar plenamente. As pessoas são competentes e criativas, gostam de assumir responsabilidades, possuem autogestão e têm suas recompensas não baseadas apenas no dinheiro, mas no reconhecimento e na possibilidade de ascensão dentro da empresa.

O home office, para funcionar, precisa  se basear em práticas de gestão indicadas na teoria Y. Ela demanda que todos façamos bem nossos trabalhos e que acordemos de forma explícita quais são as metas e objetivos que precisamos cumprir ou tentar superar.

O curioso é que é relativamente comum que as pessoas se identifiquem como exemplares da teoria Y, mas veem as demais pessoas no ambiente de trabalho como representantes da X.

A obra de McGregor, publicada em 1960, como crítica ao que já era considerado, na época, pensamento retrógrado com relação ao comportamento e ao trabalho, talvez tenha encontrado, seis décadas depois, o momento mais oportuno para se cristalizar. Gestores que insistirem em condutas baseadas na teoria X não vão conseguir prosperar nesses tempos de crise.

CEO EximiaCo*

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hilmarbeckerHilmar Becker*

Na era do novo coronavírus, é a economia digital que mantém o mundo em movimento. Se a crise atual acontecesse em 2022, a presença da rede 5G faria o Brasil ter uma vida virtual ainda mais rica, mais rápida, mais produtiva. Trata-se de um serviço com velocidade entre 20 e 100 vezes maior do que as atuais 3G e 4G. Mas se esse ambiente for construído sem a adesão às melhores práticas de segurança, novas crises virão. Com ou sem o COVID-9, a rede 5G ou nascerá segura ou provocará falhas em cascata.

Infraestrutura revolucionária, o 5G leva o ambiente digital para fora dos grandes centros, utilizando rádio e computação de borda para diminuir a latência entre o ponto de processamento e o ponto de consumo do dado. A rede 5G permitirá aplicações críticas como carros autônomos, cidades inteligentes e indústria 4.0. Esses avanços acelerarão a economia digital brasileira. Mas, antes de colhermos os frutos da rede 5G, é essencial equacionar os desafios que uma superfície de ataque muito maior traz para operadoras de Telecom e seus clientes.

 A Aalto University, da Finlândia, produziu em 2019 um estudo sobre a expansão do mundo digital com a rede 5G. Espera-se que o tráfego de dados móveis atinja a marca de 136 EB (exabytes) por mês até o final de 2024. Em média, cada pessoa utilizará 100 diferentes dispositivos digitais, de Smart TVs ao automóvel, passando por câmeras de segurança etc. Será natural, no mundo 5G, que cada ação humana seja suportada e monitorada por dispositivos ligados em rede. Os dispositivos IoT, em especial, passarão por ondas de explosão nos próximos anos. Segundo pesquisa da Statista (2019), até 2025 o mundo contará com 24 bilhões de sensores IoT.

De acordo com o relatório “What´s keeping IoT executives up at night”, desenvolvido em 2019 pelo IoT World, a expansão da rede 5G fará com que, até 2025, surjam 74 bilhões de vulnerabilidades. O aumento da superfície de ataque coloca sob o foco a própria resiliência da rede 5G. A extrema criticidade das aplicações 5G torna esse fator dramático. Mas é essencial, também, definir como será feita a proteção dos dados dos usuários e que garantias de privacidade haverá no mercado global e brasileiro. Nesse contexto, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) contribui para que a rede 5G seja desenhada da maneira correta.

 A expansão do poder de computação e de conectividade de uma economia amplia, também, as ameaças digitais

A topologia da rede 5G é, em si, fonte de desafios de segurança. No 5G, o core da rede é um conceito complexo, que alia Cloud Computing, Edge Computing (computação de borda) e Fog Computing (um misto dos dois primeiros) para processar esse dado e o enviar de volta, com a mais baixa latência, para ser consumido. O resultado desse modelo é uma rede extremamente distribuída em que a segurança tem de ser equacionada em várias frentes simultaneamente.

O quadro fica mais complexo quando se leva em conta que o 5G é, em sua gênese, uma SDN (Software Defined Network) que segue os padrões da NFV (Network Function Virtualization), em que a virtualização toma lugar das infraestruturas tradicionais de Telecom. A camada de software, totalmente IP, passa a ser responsável pela entrega e monitoração de serviços digitais, o que é feito de forma totalmente automatizada. Novas interfaces e APIs, por fim, também demandam  soluções de segurança.

O fato de todos os recursos do 5G serem baseados no Internet Protocol (IP) significa padronização e performance, mas, também, vulnerabilidade. O IP é o protocolo de comunicação mais conhecido do mundo; criminosos digitais são experts nesse protocolo e ganham dinheiro explorando esse universo. Isso é feito tanto por criminosos isolados como gangues (grupos altamente especializados) e, também, nações-Estado que financiam o crime. Eu acredito que neste exato momento há profissionais do crime digital estudando a rede 5G e fazendo simulações de estratégias de ataque.

Pessoas, empresas e países esperam crescer com o 5G; criminosos digitais também 

Entre as principais ameaças que irão se abater sobre a rede 5G, destacam-se ataques DDoS baseados em dispositivos IoT, notórios por sua vulnerabilidade. Nos próximos anos, os tipos e o número de dispositivos estarão em constante expansão – com o 5G, veremos o IoT chegar a todas as verticais, todos os negócios, todas as regiões do mundo.

Pesquisa do instituto de análise de mercado Business Performance Innovation Network realizada em 2018 com CISOs norte-americanos mostrou que 63% dos entrevistados preocupam-se com futuros e massivos ataques DDoS. Se essa vulnerabilidade não for resolvida, poderemos assistir a ondas e ondas de ataques semelhantes a botnet Mirai, de 2016.

Dentro do contexto de Telecom, é importante lembrar que, além de ser um mal em si, ataques DDoS tornam a rede indisponível: a empresa digital que precisa seguir fazendo negócios irá gastar altos valores para, mesmo sob ataque, continuar operacional. Ataques e scans de vulnerabilidade com foco em terminais móveis aumentam o consumo de licenças e de pacotes de dados dos assinantes. Tudo isso compromete a experiência do usuário.

A solução para este cenário é criar uma camada de segurança que tenha como objetivo proteger a infraestrutura da operadora. No plano de dados, por exemplo, teríamos firewalls que contam com altíssima capacidade de conexões simultâneas e processamento de tráfego, promovendo a regularização e otimização dos diferentes protocolos e serviços que trafegarão na rede 5G.

É importante destacar que, apesar do foco principal ser a proteção da infraestrutura da operadora, o uso dessas tecnologias também beneficiará o assinante da operadora de Telecom. Uma rede livre do tráfego extra provocado por scans ilícitos e ataques digitais melhora a experiência do assinante e, como efeito positivo, preserva a bateria de seus dispositivos móveis.

 Segurança chega à borda da rede

Dentro do modelo da rede 5G acontecerá, também, a virtualização e a descentralização das funções de rede. Isso fará com que serviços e aplicações sejam deslocados para a borda da rede, ficando mais próximos do usuário. Naturalmente, será necessário, também, levar as soluções de segurança para a borda. Isso aumenta o desafio de proteger a rede e a miríade de aplicações (atuais e as que ainda serão desenvolvidas) que rodarão na rede 5G.

Vale destacar que já temos, no Brasil, operadoras que contam com as mais avançadas de segurança para proteger o core da rede móvel – algo que beneficia diretamente seus assinantes. São provedores de serviços onde os gestores estão fazendo a coisa certa agora, sem esperar a chegada da rede 5G.

Nesse momento de crise causada por um vírus invisível, o COVID-19, o desenho e a implementação da rede 5G devem contemplar as melhores práticas e tecnologias de segurança. Só assim contaremos com um serviço que enxergará ameaças escondidas, eliminará esses ataques e, assim, preservará a saúde da nossa economia digital.

 *Country manager da F5 Networks Brasil.

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mateussouzaMateus Souza*

Quando se fala em automação na indústria, é preciso diferenciar processos e manufaturas. A automação que ocorre na fabricação de produtos chama a atenção, pois envolve, entre outros quesitos, o uso de robôs em linha de montagem. Mas aqui o nosso foco será outro.

A automação nos processos industriais abrange também componentes de uma malha de equipamentos, como as válvulas dos mais diferentes tipos. Elas representam o elemento final de controle, ou seja, a ponta final de uma cadeia que começa com sensores (elemento primário) e termina nesse importante aparelho que controla a passagem de fluidos líquidos ou gasosos, desde os mais limpos até os mais contaminados.

Numa alegoria com nossas casas, podemos pensar num chuveiro elétrico, em que é possível regular a quantidade de água quente e fria. Nesse caso, nossa própria pele funciona como sensor. Você sente a temperatura da ducha e decide abrir ou fechar a válvula – ou seja, a torneira. Você não imagina, mas ao tomar banho está “agindo como elemento final de controle” do sistema “banho”!

Quando uma planta é modernizada, é preciso providenciar equipamentos que operem da mesma forma, numa escala industrial. Toda malha de controle tem basicamente três componentes: o sensor, o controlador e o elemento final de controle (as válvulas).

O sensor é o medidor de temperatura, vazão ou pressão do fluido. Ele recebe informações diretamente do campo fabril, por meio de conectores elétricos e controladores (SDCD ou PLC), e sugere, caso a temperatura para determinado lote de produto (por exemplo, na fabricação de iogurte) esteja irregular, abrir um pouco mais a válvula para esfriar.

Isso é automação de processo. O ideal é que o mesmo fornecedor industrial esteja inserido nas duas pontas desse sistema, com equipamentos como sensores, na etapa inicial, e válvulas, na etapa final de controle.

É importante lembrar que a automação pode ser total, quando não há interferência humana alguma ao longo do sistema (no máximo um operador diante de telas que mostram o funcionamento automático dos equipamentos); ou parcial, quando operadores utilizam as informações recebidas para controlar as válvulas.

Alguns dos equipamentos integrantes dos processos de automação são o atuador, que permite fazer com que a válvula abra e feche sem interferência humana, o posicionador, que determina o ponto exato de abertura, e sistemas como o CONEXO, que inclui equipamentos de radiofrequência para gerenciar a manutenção de válvulas em indústrias de diversos ramos, como siderurgia, fabricação de fertilizantes e peças automotivas, sistemas de energia, entre outros.

Isso é possível graças à instalação de chips nas diferentes partes integrantes das válvulas (corpo, diafragma de vedação e atuador), que contêm todas as informações a respeito do equipamento.

A indústria 4.0 requer automação e instrumentação, e nenhum projeto de modernização poderá ignorar essa necessidade. Como estão seus processos e controles?

 

*Gerente Geral de Vendas da área industrial da GEMÜ Válvulas, Sistemas de Medição e Controle

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jose Luque*Por Jose Luqué

Fabricação digital e Indústria 4.0. Você deve conhecer esses termos. Também referenciado como quarta revolução industrial, simboliza a importância que a automação e o machine learning terão no futuro dos negócios. No Brasil, de acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a estimativa é que o número de grandes indústrias brasileiras que utilizam tecnologias digitais tenha crescido 10%. Mas diante da alta competitividade do mercado, é indicado que a sua empresa prepare-se para fazer já a transição para a digitalização plena. Então, como implementar um projeto de digitalização abrangente, garantindo eficiência operacional em toda a sua empresa e aumento de produtividade?

Muitas companhias começam com um piloto de manutenção preditiva. Melhorar a confiabilidade de ativos críticos tem um retorno óbvio: usa análises comprovadas e é supervisionada por uma equipe independente e focada. Além disso, mais fabricantes de equipamentos fornecem serviços ou aplicativos de manutenção junto com o próprio ativo, o que acelera ainda mais a maturidade do monitoramento dos ativos.

Existem obstáculos para escalar a Indústria 4.0 para além de um projeto piloto. A conexão de ativos diferentes ainda leva muito tempo, é muito complexa e envolve muitos padrões. Mas, além da automação das operações físicas, os dois maiores obstáculos à implantação em escala são organizacionais e não técnicos.

Governança descentralizada

As empresas devem construir uma governança que mantenha o equilíbrio entre a centralização dos investimentos em tecnologia e a liberdade das fábricas individuais. Os investimentos em tecnologia são indispensáveis para economias de grande escala, mas as fábricas devem ter permissão para pilotar e adotar novas ferramentas.

Confiar em dados e não em instintos

Os gerentes de manufatura estão acostumados a confiar nos seus instintos e desvalorizam a importância do conhecimento dos dados. É necessária uma mudança cultural profunda, pois as lideranças corporativas devem adotar um estilo diferente, onde aprendem a aproveitar sistematicamente os dados para otimizar a confiabilidade do equipamento e o desempenho do supply chain. Qualquer solução de análise de manufatura deve ser capaz de suportar essa transição para a “análise inteligente”.

Mais e mais empresas estão migrando para uma análise eficiente de big data para as fábricas (analytics factories), que apóiam a inovação das equipes operacionais e, ao mesmo tempo, aceleram o desenvolvimento da experiência em gerenciamento orientado a dados. Eles também estão inovando, por exemplo, combinando seu sistema de redes tradicional, embora um pouco inflexível, com o sistema de execução de fabricação (MES) com análises mais ágeis e flexíveis nas plataformas de IoT, permitindo assim usufruir dos benefícios das operações orientadas a dados.

Para validar o impacto do uso de dados na indústria, a consultoria PwC aponta que mais de 70% das fábricas de todo o mundo vão usar alguma tecnologia relacionada ao uso do Big Data na Indústria 4.0.

A corrida para adoção em massa do big data na indústria poderá diminuir a possibilidade de falhas, reduzir o tempo e custos de produção, além de aumentar a produtividade. A união dos dois conceitos pode trazer benefícios para toda a cadeia produtiva e elevar a competitividade do segmento industrial.

Jose Luqué é Managing Director LATAM na Infor*

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shimura*Por André Takeo Chimura

Durante os últimos anos, muito se falou a respeito de inovação, em especial da Indústria 4.0 e o potencial que a alta tecnologia pode trazer para a operação de companhias em diferentes segmentos. O processo que envolve a integração da mão-de-obra com sistemas capazes de levar informações valiosas ao conhecimento de executivos traz como resultado o aperfeiçoamento da produção em termos de escala e custos, chamando a atenção de diferentes setores.

Apesar da crescente popularidade global, trazer esse conceito para o Brasil na prática ainda é um desafio. Isso porque, apesar do amplo potencial que o país apresenta, investir em inovação não é algo necessariamente prioritário para muitas companhias no setor industrial, exemplo disso é que segundo o IFR (Federação Internacional de Robótica), o Brasil possui 14 robôs a cada 10 mil trabalhadores, enquanto a média global é de 99 equipamentos nessa proporção. Além disso, o país ocupou o 64º lugar no ranking mundial de inovação, divulgado em julho de 2019 pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Diferentes fatores interferem nesse resultado, mas é possível organizá-los dentro de dois obstáculos essenciais: falta de recursos financeiros e de capacitação técnica adequada.

Esses dois tópicos seriam capazes de trazer resultados significativos para o país, já que a indústria de países desenvolvidos, como Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Japão, China e Coreia do Sul, vêm adotando estratégias com ênfase em conhecimento de ciência, tecnologia e inovação há muito tempo e hoje colhem resultados significativos.

Para trazer essa realidade ao Brasil, é essencial que empresários locais fortaleçam as perspectivas de longo prazo para as companhias. É desafiador, considerando o cenário atual da economia, porém as companhias que souberem como superar essas adversidades, usando a tecnologia a seu favor, serão capazes de sobreviverem e terem sucesso no futuro.

Ao mesmo tempo, é necessário pensar em conhecimento. Por vezes, a falta de informações adequadas cria um paradigma de que investir em tecnologia para ter alto valor agregado custa caro – e, portanto, não cabe nesse momento. Isso não é verdade, já que cálculos de viabilidade ou análises de investimento versus custo de produção podem trazer soluções simples e que geram benefícios significativos para companhias de todos os portes, tornando o processo de produção mais eficiente.

O caminho para assimilar isso está começando a ser trilhado no país: hoje ocupamos uma posição razoável no ranking da IFR (Federação Internacional de Robótica) em relação à América Latina: o México é o líder em capacidade instalada na região, com mais de 5,7 mil robôs colocados em prática em 2018, enquanto o Brasil instalou 1,5 mil unidades no mesmo período.

Estar preparado para esse novo cenário demanda investimentos e, para isso, é necessário que líderes tenham cada vez mais consciência a respeito do papel crucial que desempenham no cenário atual. Investir para otimizar é o primeiro passo rumo a um futuro mais produtivo e eficaz.

Gerente de Vendas Sênior da Mitsubishi Electric*

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marcelopiresPor Marcelo Pires*

A Lei Geral de Proteção de Dados (lei nº 13.709/18), mais conhecida como LGPD, tem deixado diversos segmentos do setor empresarial de cabelo em pé. Aprovada em 2018, ainda durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), a lei regulamenta o tratamento de dados pessoais, definidos como “informações relacionadas a pessoa natural identificada ou identificável”. A norma, que entrará em vigor em agosto, teve um período de dois anos de adaptação, mas fato é que a maioria das empresas ainda não está em conformidade com a lei.

Desde a Revolução Digital, a informação se tornou sinônimo de poder. Alguns exemplos marcantes são o caso Facebook-Cambridge Analytica, quando dados coletados por aplicativos conectados à rede social foram utilizados para influenciar a opinião de eleitores em vários países, ou o vazamento de mensagens no Telegram de autoridades públicas brasileiras.

Pensando em proteger este bem tão valioso foi criada a LGPD, inspirada na regulamentação europeia GDPR (General Data Protection Regulation). A lei entendeu que o cidadão tem direito à proteção dos seus dados pessoais  e a controlar quais dados circulam a seu respeito e com que finalidade. Quantas vezes já trocamos nosso CPF por descontos em produtos ou usamos nossa conta do Facebook para acessar um aplicativo mais rapidamente? Não fazemos ideia de como essas informações serão armazenadas, para que serão utilizadas ou mesmo se é possível solicitar sua exclusão.

O caso Target é um exemplo de como somos monitorados na internet. A loja de departamentos norte-americana conseguiu descobrir, por meio de algoritmos e histórico de compras, que uma jovem estava grávida antes mesmo dela contar para a família. Imagine a situação constrangedora!

O conceito de privacidade é de difícil definição e passou por diversas interpretações ao longo da história da humanidade, mas é preciso existir transparência e responsabilidade no tratamento dos dados pessoais pelas empresas. Como explica o advogado, MBA em Direito Digital, com vivencia em tecnologia e segurança da informação, Jean Carlos Fernandes, “a LGPD certamante irá provocar grandes mudanças nas companhias, que terão que rever seus processos e procedimentos, tocante ao tratamento de dados pessoais. Além do ajuste e devido enquadramento legal, deverão também implementar programas de segurança da informação e proteção de dados pessoais. Embora a lei seja restritiva no que refere-se ao tratamento dos dados, e ainda exista a previsão de multa no caso de descumprimento, deve-se ter um olhar propositivo, pois as companhias que internalizarem a cultura de proteção de dados poderão se valer deste diferencial competitivo, além de agregarem valor a sua marca. Afinal, a lei não é um monstro de sete cabeças, como se acredita”.

Entre as principais mudanças para as empresas está a criação de uma cultura responsável de armazenamento de dados. Muitas não fazem nem ideia do quanto são dependentes de dados e do volume que armazenam. A Data Discovery será o primeiro passo para a adaptação. Depois, será preciso registrar como será feito o tratamento de dados, como serão armazenados e com que finalidade. Importante destacar que tudo isso deverá ter base jurídica nas justificativas previstas pela lei.

Além disso, toda empresa deverá ter um profissional ou empresa que fará a figura do Encarregado. Na Europa, ele é conhecido como DPO (Data Protection Officer). Ele é responsável por receber as notificações dos titulares dos dados e fazer a intermediação entre ele e a empresa e a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados). Seu nome será público, visando sempre uma comunicação direta e transparente, e ele também deverá fomentar políticas de LGPD na companhia.

Ajustes contratuais também são parte fundamental da aderência à lei. Deverão estar muito claras outras duas figuras: a do Controlador e do Operador de dados. Enquanto o primeiro toma as decisões referentes ao tratamento de dados pessoais, sendo a figura de maior responsabilidade no processo, o segundo realiza as ações em nome do controlador. Esses dois profissionais terão de atuar em conjunto e serão responsabilizados no caso de invasões ou vazamento de dados, por exemplo.

Até agosto, devemos observar um aumento no número de serviços prestados por consultorias e escritórios de advocacia, que irão auxiliar as empresas a estar em conformidade com a lei. Podem surgir, também, plataformas de gestão de cookies, consentimento e exclusão de dados, como uma nova oportunidade de negócio. Quem trabalha com UX também terá boas perspectivas, já que os termos e condições de uso, longos e engessados deverão desaparecer, já que o usuário deverá estar munido de informações claras para dar consentimento sobre seus dados. Isso dá margem para criar layouts interativos e facilitar o entendimento do contrato para o internauta.

A LGPD vai, sem dúvidas, obrigar as empresas a se adaptarem. Com tantas mudanças, é natural que os empresários vejam a lei como uma ameaça ao próprio negócio, mas, assim como aconteceu com o Código do Consumidor, em 1991, é questão de tempo para que usuários e empresas se entendam em relação ao uso de dados. Com a tecnologia e o direito caminhando juntos, a internet se tornará um ambiente mais seguro, livre de fraudes e uma ótima aposta para as companhias! Daqui a pouco, as pessoas vão perceber que a LGPD não é nenhum monstro.

Sócio-diretor da Neotix Transformação Digital*

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Alexandre XavierPor Alexandre Xavier*

Um programa setorial de longo prazo começa a ser desenhado com o propósito de fomentar a competitividade do mercado da reparação automotiva, inicialmente, no Estado de São Paulo. Trata-se do Rota 45, cuja finalidade é preparar, capacitar, qualificar e certificar as oficinas de reparação mecânica de veículos e lojas de autopeças – empresas cadastradas com a CNAE 45, em preparação para as profundas mudanças do setor automotivo que já estão em curso, sinalizadas pelo programa federal Rota 2030 e por legislações federais como Lei da Liberdade Econômica, nova legislação trabalhista, nova previdência social, desburocratização da máquina pública e, principalmente, o novo perfil de cliente com a conexão por meios digitais. São mudanças significativas que certamente terão impacto direto no aftermarket automotivo.

O Rota 45 foi idealizado pelo Sindirepa-SP (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios) e pelo Sincopeças-SP (Sindicato do Comércio Varejista de Veículos, Peças e Acessórios para Veículos), em parceria com o IQA (Instituto da Qualidade Automotiva) e o Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), além de contar, no momento, com o apoio da Automec Feiras e as consultorias do Cesvi Brasil e do IAA (Instituto da Administração Automotiva).
Nesta parceria, o IQA, organismo acreditado pelo INMETRO, oferece serviços de qualificação e certificação que fomentam a melhoria contínua da qualidade de cada empresa na medida em que ampliam o conhecimento em relação aos novos processos de gestão e proporcionam condições de competitividade e maior visibilidade junto ao mercado. O IQA, atento às mudanças do mercado e na vanguarda dos processos da gestão da qualidade com foco na eficiência do negócio, entendeu o quão importante é esta iniciativa para o setor. Todo o trabalho se inicia com o diagnóstico sobre a situação da empresa, a partir do qual o gestor da oficina mecânica de veículos ou loja de autopeças recebe orientação sobre ações necessárias para melhoria dos processos, indicadas para a qualificação ou a certificação da qualidade.
Assim, o Rota 45 representa a ampliação do trabalho de incentivo à qualidade realizado no aftermarket por meio do PIQ (Programa de Incentivo da Qualidade), dedicado à certificação de oficinas, uma vez que agrega também lojas de autopeças, que terão mais possibilidades de serem certificadas com diversos benefícios, promovendo a qualidade de dois atores – oficinas e autopeças – fundamentais da cadeia, que precisam trabalhar em sinergia e estar preparados para as novas tecnologias automotivas e os avanços nos processos de gestão, a fim de proverem serviços de qualidade e com agilidade para um mercado cada vez mais exigente e qualificado.
Uma empresa certificada tem todas as condições de desenvolver negócios sustentáveis. Da mesma forma que a oficina de reparação mecânica de veículos precisa ter eficiência desde a recepção do cliente até a entrega do veículo, o varejista de autopeças precisa investir na melhoria contínua dos processos internos, do registro de produtos ao atendimento no balcão, de modo que possa entregar as autopeças corretas com a devida agilidade às oficinas para redução de erros nos processos de reparação automotiva.
Esta é uma oportunidade para o empresário revisitar o negócio com base nos pilares que sustentam um sistema de gestão orientado para a qualidade. Com a empresa certificada, o gestor passa a ter o controle dos processos com métodos de trabalho mais eficientes e colhe uma série de resultados, como aumento da produtividade, redução de custos e desperdícios, ampliação do faturamento e participação em licitações e tomadas de preço de organizações públicas e privadas.
Do Estado de São Paulo para o Brasil. Esta é a expectativa para o Rota 45, cujo movimento de inclusão será progressivo, de modo que microempresas de reparação de veículos e varejistas de autopeças de todo País serão inseridas e preparadas para a competitividade do setor automotivo, com reflexos positivos em toda cadeia de valor e sociedade, a partir da adequada manutenção dos veículos em circulação.
Superintendente do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva*

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Fábio Mestriner*Fábio Mestriner

 Há décadas uma questão assombra aqueles que, como eu, sabem da importância que a embalagem tem para os negócios. Nós sempre nos perguntamos por que as empresas brasileiras não percebem este valor, e por que ainda não utilizam este recurso para potencializar o desempenho do produto no mercado.

Pesquisas realizadas por escolas e instituições do setor concluíram que os profissionais estão, em sua maioria, dedicados à redução de custos da embalagem, ao invés de se dedicarem a utilizá-la de forma melhor: aproveitando a contribuição que o investimento feito pela empresa neste item pode proporcionar, como por exemplo, a utilização da embalagem como ferramenta de marketing, veículo de comunicação e elo de conexão com a internet.

A embalagem é uma poderosa ferramenta de competitividade que não pode mais ser utilizada apenas para carregar o produto: ela precisa ajudar a impulsionar o negócio da empresa.

Não faço aqui uma crítica aos profissionais de embalagem, que muitas vezes são forçados pelas demandas de seus empregadores. O nó da questão deste artigo diz respeito ao porquê das empresas brasileiras não utilizarem todo o potencial de suas embalagens e, na maioria das vezes, nem sequer perceberem o valor que elas têm.

Demorou, mas finalmente encontrei uma hipótese que pode nos levar a um entendimento melhor sobre esta questão: precisamos mudar a mentalidade que se estabeleceu nas empresas, que as fazem enxergar a embalagem apenas como um custo, um insumo de produção como os demais. Um entendimento equivocado, que faz com que as companhias entendam como produto apenas aquilo que elas fabricam, ou seja, aquilo que vai dentro da embalagem, fabricada numa outra empresa que fica longe e está cadastrada em seu departamento de compras.

Eles não sabem que, para o consumidor, a embalagem e o conteúdo constituem uma única entidade indivisível, conhecida pelo nome de produto. Portanto, produto para o consumidor quer dizer embalagem e seu conteúdo, uma vez que uma coisa não existe sem a outra. É neste entendimento truncado que reside o nó da questão.

Não é fácil mudar mentalidades arraigadas e, para isso, todo o setor de embalagem, as empresas e profissionais que atuam na cadeia, precisam se dedicar a mudança do “mindset” pois, como ensinou o venerável sábio chinês Lao Tsé, “mais vale acender uma vela que maldizer a escuridão”.

Não adianta ficar reclamando que as empresas não dão valor para a embalagem e que estão obstinadamente dedicadas a redução de seu custo. Precisamos acender uma vela e lembrar em todas as oportunidades que, para o consumidor, o produto e a embalagem constituem uma única entidade indivisível. Além de lembrar a todos que esta entidade participa e interfere na percepção de valor que o consumidor forma sobre o produto. Quem sabe assim encontramos um ponto de partida para tentar desatar o nó.

*consultor da Ibema Papelcartão

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AlexandrePierroPor Alexandre Pierro*

A década de 20 está começando em meio a uma grande euforia em relação à inovação. Tecnologias exponenciais, startups milionárias e a certeza de que estamos vivendo a era da inovação ou morte. Mas, nem tudo é como ou mesmo na velocidade que imaginamos. Por isso, arrisco aqui alguns palpites sobre as sete maiores tendências para 2020.

1 – Big Data: A cada dia geramos mais dados que, quando bem interpretados se transformam em poderosas informações que ajudam na tomada de decisão de qualquer empresa. As soluções de Big Data, que permitem que profissionais de TI trabalhem com informações não-estruturadas a uma grande velocidade, deve se tornar ainda mais acessíveis. Um estudo realizado pelo Gartner aponta que 75% das empresas devem investir nessa tecnologia até o fim desse ano. O IDC – International Data Corporation – estima que 35 trilhões de gigabytes serão gerados em 2020. Processar esses dados é o desafio.

2 – LGPD: Enquanto o Big Data trabalha na interpretação de um volume cada vez maior de informações, a LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados, que deve entrar em vigor em 16 de agosto de 2020, tenta nos proteger dos abusos e da invasão de privacidade. Ela afetará todas as empresas – brasileiras e estrangeiras – que coletarem, armazenarem ou processarem dados pessoais de indivíduos residentes ou localizados no Brasil. Partindo do pressuposto de que a maioria das empresas já tem montanhas de dados de clientes, será necessária não apenas uma mudança de sistema, mas sim de cultura para a captação e manipulação dessas informações.

3 – 5G: A Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações – confirmou que vai abrir a licitação de implementação da quinta geração de telefonia móvel (5G) até o final de março de 2020. E, engana-se quem pensa que o 5G e apenas uma versão melhorada do 4G. Trata-se de uma nova e disruptiva tecnologia que permitirá aplicações como carros autônomos, agricultura de precisão, cidades inteligentes, reconhecimento facial e principalmente a Internet das Coisas, onde objetos serão conectados entre si. A expectativa é que até 2025, 2,8 bilhões de pessoas sejam assinantes do 5G.

4 – Blockchain: Embora ainda esteja bastante associado ao mercado de criptomoedas, o Blockchain é uma tecnologia que irá muito além. Ele permite armazenar digitalmente registros de transações em redes descentralizadas, de forma segura e independente, conectando quem precisa de algo a quem tem, eliminando assim os intermediários. Nos próximos cinco anos, especialistas concordam que a solução se expandirá para várias aplicações pragmáticas no processamento de pagamentos, compartilhamento de dados, negociação de ações, manutenção e rastreamento de documentos. Seu impacto será tão grande que, de acordo com uma pesquisa da Deloitte, 77% dos 1.386 executivos de mais de 10 países indicaram que perderão vantagem competitiva se não adotarem essa tecnologia.

5 – China: E quando o assunto é tecnologia, a China reina quase que absoluta. O país que travou uma guerra contra os Estados Unidos em Inteligência Artificial em 2019, agora almeja sonhos literalmente mais altos: explorar Marte! A China acaba de lançar o terceiro exemplar do foguete Long March-5, um dos mais potentes do mundo. Os investimentos em infraestrutura também devem continuar por lá. Só em 2020, o país prevê um investimento de cerca de US$ 114 bilhões em transporte ferroviário, rodovias, hidrovias e aviação civil. Definitivamente, eles deixaram de ser a fábrica do mundo para se tornarem os grandes protagonistas.

6 – Zebras: Depois da febre dos unicórnios – empresas que valem mais de US$ 1 bilhão – agora parece ter chegado a hora das zebras. O movimento Zebras Unite, que surgiu nos Estados Unidos em 2017, por meio do manifesto “As zebras consertam o que os unicórnios quebram”, promete ganhar ainda mais força ao pregar o fim das rodadas milionárias de investimentos para empresas incapazes de gerar lucro. O professor de marketing da Universidade de Nova York, Scott Galloway, prevê um declínio de 50% no valor de “empresas unicórnio” de capital fechado em 2020. Ao que tudo indica, será o começo do fim das empresas que beneficiam apenas seus fundadores.

7 – ISO de inovação: Num contexto de mais resultados e menos euforia, especialistas como Arthur Igreja, do AAA, preveem a volta de termos como melhoria contínua, automação e revisão de processos. Será o back to the basic, ou seja, a volta ao básico, em vez de uma corrida desenfreada pela inovação. Nesse sentido, a ISO 56.002, de gestão da inovação, que foi lançada em julho de 2019, deve ser uma grande tendência para ajudar empresas de todos os portes e segmentos no seu processo de transformação. A norma visa garantir a geração de inovação por meio de valor, já que acredita que aquilo que não gera resultados financeiros trata-se apenas de invenção e não de inovação.

*Sócio-fundador da PALAS

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JoaoMarcosdeAndadePor João Marcos Andrade*

Para constatação de tal consideração basta buscarmos num passado recente a oscilação do real brasileiro frente ao dólar americano e, assim, perceber que a flutuação cambial tem sido provocada em grande parte por uma questão originada em uma relação conturbada entre as duas maiores potências econômicas mundiais atuais — justamente a da nação que o Sr. Trump preside, e a da China, outra superpotência.

Além da competição entre americanos e chineses, existem questões domésticas brasileiras que influenciam nesse quadro. Vale citar a demora na aprovação da reforma da previdência e a mudança de entendimento de leis por parte do Supremo Tribunal Federal brasileiro. Tudo isso, gera, de fato, desconforto e certa insegurança jurídica nos investidores, principalmente estrangeiros, que não sentem confiança em investir no país contribuindo para a oscilação da moeda. Esse anúncio do presidente Trump também demonstra um interesse político em agradar seu eleitorado, pois a medida de sobretaxa ao aço e alumínio nas importações dos E UA agrada muito o setor industrial estadunidense e protege de certa forma o produto nacional.

O fato é que os EUA são o principal mercado para as exportações do aço brasileiro e os impactos da sobretaxação podem de fato fazer com que o produto não mantenha as volumosas quantias exportadas nos últimos períodos. Isso traria reflexo imediato já no primeiro trimestre 2020 na balança comercial, que pode apresentar aumento no déficit cambial, motivado obviamente pela redução das vendas do aço e do alumínio aos americanos, diminuindo assim o superávit da balança comercial brasileira.

Com isso, para ser revertido economicamente é razoável afirmar que o tempo de recuperação é sempre maior que o tempo gasto com a fase de prejuízos, perdas e reorganizações dos negócios, pois a saída nestes casos sempre é desenvolver novas frentes de negócios, o que demanda investimento de recursos, novas tecnologias e o principal e mais valioso fator: tempo.

Para uma certa dose de alívio, é já fato que na tarde de 2 de dezembro deste ano, mesma data da declaração do Mr. Trump sobre a taxação do aço e do alumínio brasileiro e argentino, curiosamente a moeda americana se desvalorizava 0,64% frente ao real por aqui.

Isso tudo também obviamente em consonância com a repercussão no Brasil, inclusive com afirmação do presidente Jair Bolsonaro que consultaria seu ministro da economia, Paulo Guedes, e conforme o teor da conversa poderia manter contato com o presidente Donald Trump para uma reavaliação da situação como um todo.

A tendência é de que realmente seja revista, ao menos pela boa relação que há entre os dois presidentes — o que pode ser um certo conforto para empresários do setor, gerando uma motivação para que mantenham o foco nos contratos já firmados e os que ainda estão por vir.

*Professor do curso superior de Global Trading do Centro Universitário Internacional Uninter.

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SOBRE O BLOG INDUSTRIAL

O Blog Industrial acompanha a movimentação do setor de bens de capital no Brasil e no exterior, trazendo tendências, novidades, opiniões e análises sobre a influência econômica e política no segmento. Este espaço é um subproduto da revista e do site P&S, e do portal Radar Industrial, todos editados pela redação da Editora Banas.

TATIANA GOMES

Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.

NARA FARIA

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.

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