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alfomedeirosMas qual é a base para o medo de que partículas da embalagem contaminem os alimentos? Luisa Kristina Murer, estudante da Universidade Técnica de Munique (TUM), dedicou seu projeto de último ano a essa questão. O seu compromisso com a segurança alimentar foi distinguido pela MULTIVAC com o Prémio Hans Joachim Boekstegers 2022.

Seja salsicha, queijo ou carne picada, os alimentos embalados em plástico são uma parte inevitável de nossas vidas diárias. E isso por um bom motivo: a embalagem protege os produtos contra a sujeira e prolonga sua vida útil usando uma atmosfera modificada, reduzindo o desperdício de alimentos e melhorando o balanço de carbono do setor de alimentos. Os contentores são compostos por materiais reciclados numa percentagem crescente. Então não há problema? Sim e não. Conjecturas estão circulando na mídia sobre a possibilidade de pequenas partículas de plástico serem transferidas da embalagem para o alimento e assim chegarem ao corpo do consumidor. Estas são suposições com quase nenhuma base científica, pois faltam dados e conclusões sobre o papel desempenhado pelo processo de fabricação de embalagens. Luisa Kristina Murer desenvolve novos métodos para determinar a quantidade de partículas microplásticas Com a sua tese, esta aluna de “Tecnologia Alimentar e Biotecnologia” da Universidade Técnica de Munique analisa, do ponto de vista científico, os receios sobre a presença de resíduos plásticos nos alimentos.

Especificamente, em seu trabalho ele analisa os fatores que influenciam o aparecimento do microplástico na fabricação de embalagens plásticas para alimentos. Em seu trabalho, a autora desenvolveu um método padronizado para determinar a quantidade de partículas microplásticas em diferentes folhas de plástico. Tomando como modelo os alimentos padronizados, investigou se os microplásticos podem atingir os alimentos. “Pessoalmente, foi importante para mim lidar com esse tema sensível de forma imparcial, porque muitas vezes é mal interpretado e informações errôneas sobre ele aparecem na mídia”, diz Luisa Kristina Murer. “Por esta razão, no meu trabalho não me limito a dar números absolutos, mas também valores comparativos com partículas naturais para contextualizar as quantidades de microplástico.”

Embora ainda sejam necessários mais trabalhos de pesquisa para consolidar o significado das estatísticas e poder fazer afirmações confiáveis ​​sobre a importância das partículas de plástico, este trabalho, de qualquer forma, já produziu a seguinte conclusão: o processo de fabricação das embalagens plásticas influencia a quantidade de partículas microplásticas. “Um dos meus maiores objetivos na vida é deixar este mundo um pouco melhor do que o encontrei” O júri do Prêmio Hans Joachim Boeksteger ficou impressionado com a pesquisa realizada por Luisa Kristina Murer. Professores das Universidades Técnicas de Munique e Dresden, bem como representantes da MULTIVAC, concordaram: a dissertação de Murer foi a melhor de todas as teses e dissertações sobre engenharia de embalagens e tecnologia de alimentos relevantes para a indústria. duas universidades e do Instituto Frauenhofer de Engenharia de Processos e Embalagem nas unidades de Freising e Dresden. Por isso, o comitê reconheceu o trabalho de Murer com um prêmio de 1.000 euros. “Estou honrado por ter recebido este prêmio”, diz Murer, para quem é muito mais do que um prêmio para si mesma. “Na minha opinião, a questão dos microplásticos é uma questão altamente atual. Significa muito para mim que agora, graças ao Prêmio Hans Joachim Boeksteger, esteja no centro das atenções. Isso me mostra que inovações que levem em conta aspectos ecológicos são importantes”. Agora Murer se sente ainda mais motivada para iniciar sua vida profissional no setor de Pesquisa e Desenvolvimento.

Foto: Alfo Medeiros

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miltonregoA indústria brasileira de cloro-álcalis tem potencial de ser a principal fonte de hidrogênio verde, considerada a energia do futuro no mundo. Durante o processo de produção de cloro, chamado de eletrólise (passagem de uma corrente elétrica através de uma solução de salmoura), além da soda cáustica, é gerado também hidrogênio. O hidrogênio gerado nas plantas de cloro-álcalis no Brasil é produzido a partir da quebra da molécula de água proveniente de fontes limpas, ou seja, é um “hidrogênio verde”. No Brasil, vale lembrar, 83% da matriz elétrica é renovável.

Para cada tonelada de cloro, são produzidos 28 kg de hidrogênio durante a eletrólise. Hoje na indústria esse hidrogênio é utilizado como matéria prima ou fonte térmica, substituindo o gás natural e reduzindo a emissão de gás carbônico.

Como a indústria prevê um aumento da capacidade de produção de cloro em 700 mil toneladas considerando a meta de universalização do saneamento até 2033, haveria uma disponibilidade nas plantas brasileiras de cloro-álcalis de gerar 18 mil toneladas de hidrogênio verde por ano (a estimativa considera um rendimento de 90% do processo). Essas 18 mil toneladas de hidrogênio verde/ano que serão produzidas poderiam, por exemplo, substituir 60 mil toneladas de gás natural, o que representaria uma redução na emissão de gás carbônico para a atmosfera de 160 mil toneladas.

Segundo dados de mercado, cerca de 4% do hidrogênio consumido no mundo já é originado em plantas de eletrólise, especialmente de cloro-álcalis.

“A mudança para uma matriz energética mais sustentável no mundo coloca alguns desafios como o armazenamento de energia de fontes intermitentes e a eletrificação de processos. O hidrogênio será um dos principais fatores para essa mudança, tanto para o armazenamento como para células de combustível. A indústria de cloro-álcalis está pronta para produzir ou vender hidrogênio, e hidrogênio verde”, afirma o presidente-executivo da Abiclor, Milton Rego.

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IMG-9124Por João Carlos Marchesan*

 

Nas duas últimas décadas, diversos choques afetaram profundamente as cadeias globais de valor. Tivemos a quebra do Lehman Brothers, em 2008, e a subsequente crise financeira, passamos pelo terremoto e tsunami, que arrasaram a usina nuclear de Fukushima em 2011, interrompendo a atividade de importantes fábricas japonesas e culminamos com a pandemia da Covid 19, que paralisou fábricas no mundo todo, causando insegurança e desabastecimentos.

Já a partir de 2011, nas manufaturas dos principais países produtores de bens industriais, o conteúdo importado parou de crescer e, regra geral, passou a declinar. As relações entre os EUA e a China, mudaram a partir de Trump, para uma atitude de rivalidade, e até de hostilidade, o que abalou ainda mais a globalização e, na sequência, a pandemia confirmou os riscos da excessiva dependência das cadeias globais e mostrou a importância da produção local.

Poder contar com um nível confortável de produção doméstica, tanto em matéria de insumos e equipamentos de saúde, quanto de bens de capital e outros produtos essenciais à segurança nacional, passou a ser tão importante, depois desta crise pandêmica, como sempre foram a segurança alimentar, a militar e a energética. A redescoberta da importância da indústria está ocorrendo ao mesmo tempo de uma profunda mudança tecnológica, na própria indústria.

O surgimento de um novo paradigma produtivo, baseado na digitalização, na internet das coisas, na ampla utilização de sensores inteligentes e no uso intensivo da big data e da inteligência artificial, abre oportunidades a quem tiver vontade política, para renovar seu setor industrial e torna-lo mais competitivo, condição indispensável tanto para aumentar a participação da indústria no PIB, quanto para alcançar a “segurança industrial”.

Esta oportunidade tem sido percebida pelos países desenvolvidos mais importantes que, a partir da segunda metade da década passada, tem revisitado o papel do Estado na economia, mudando seu posicionamento e passando a defender tanto políticas públicas de desenvolvimento, quanto políticas industriais, com os objetivos de aumentar a capacitação tecnológica e a competitividade de seus respectivos setores industriais e, assim, fortalecê-los.

Deixando de lado a China, onde o desenvolvimento sempre foi função do Estado, a Alemanha, com a “Estratégia Industrial Nacional 2030”, em fins da década passada, foi o primeiro país a declarar que passaria a apoiar ostensivamente sua indústria, protegendo-a contra aquisições externas, ajudando a capitaliza-la se necessário, e criando instrumentos adicionais de apoio financeiro e de P&D,I para que a indústria crescesse dos 20% atuais para 25% do PIB até 2030.

Os Estados Unidos, além de perderem, nas últimas décadas, boa parte de sua manufatura e milhões de empregos de qualidade, exportados basicamente para a Ásia, perderam também a liderança tecnológica e produtiva em setores sensíveis como bens de capital sofisticados, insumos farmacêuticos e até na produção de circuitos integrados. A Intel, por exemplo perdeu 2/3 do mercado que tinha há vinte anos, bem como a liderança tecnológica na fabricação de chips.

Com a eleição do Biden, o governo americano passou a defender um plano ambicioso, com um vasto conjunto de ações, coordenadas pelo Estado, contando com recursos superiores a 5 trilhões de dólares para recuperar a infraestrutura, gerar empregos de qualidade, investir em P&D e mão de obra, apoiar a reindustrialização do país, para trazer de volta boa parte da produção exportada e recuperar e manter a liderança tecnológica nos setores chaves da economia.

O Brasil, com a adesão às regras do “Consenso de Washington” e com a adoção do neoliberalismo, pelos governos que se sucederam, a partir da década de 90, abandonou o modelo de desenvolvimento baseado na industrialização, e crescimento econômico, que foi o projeto do país que uniu sociedade e governo, desde Vargas até os governos militares, substituindo-o pela preocupação com a inflação e com as contas públicas.

Foi a industrialização quem transformou o Brasil, ao longo de meio século, de uma grande fazenda num país relativamente desenvolvido, o que nos permitiu figurar entre as mais importantes economias mundiais, fazendo os brasileiros sonharem com a real possibilidade de virmos a ser um país de primeiro mundo. A partir da década de 80, perdemos o caminho do crescimento e, de um país de construtores e industriais, passamos a ser um país de economistas e contadores.

O ano do bicentenário da proclamação da independência é uma boa ocasião para o Brasil retomar o caminho do crescimento restabelecendo como sua prioridade o desenvolvimento, com redução das desigualdades e respeito ao meio ambiente. Entretanto, manter o câmbio competitivo, um controle eficaz do endividamento público e juros baixos, são itens que, por mais importantes que sejam, são apenas meios e não fins em si mesmos.

Um plano sério para controlar as contas públicas é essencial para o Estado recuperar, desde já, sua capacidade de fazer políticas anticíclicas e retomar os investimentos em infraestrutura, essenciais para gerar empregos, criar demanda para a indústria e melhorar a competitividade da economia brasileira. Isto permitirá reduzir os juros reais básicos, abaixo do crescimento do PIB, garantindo a redução da relação dívida/PIB e eliminando pressões sobre o câmbio.

Ainda que estas condições sejam necessárias para a retomada do crescimento, não serão suficientes sem a utilização de políticas públicas de desenvolvimento, como mostram os exemplos já citados. Não se trata, simplesmente, de recuperar  fábricas fechadas e sim de construir uma nova indústria fortalecendo seus setores mais dinâmicos, aqueles mais intensivos em tecnologia e com mais capacidade para trazer ganhos de produtividade que se espalhem por toda a economia.

Recuperar o desenvolvimento como prioridade da sociedade e da vontade política do Estado é fundamental para se alcançar esses objetivos, como nossa própria experiencia histórica já demonstrou. Uma indústria competitiva, complexa e diversificada é o caminho mais eficiente para crescer de forma sustentada a taxas iguais ou superiores à media mundial. Para construí-la, a mão visível do Estado terá que ser usada com todos seus instrumentos.

*João Carlos Marchesan é administrador de empresas, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ

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Fernando Sandri_baixaFernando Wagner Sandri*

 A preferência pelo papel pode ser relacionada ao contato ancestral do ser humano com a árvore, que sempre foi a base para seu aquecimento, proteção, manutenção da biodiversidade e ajuda na sua própria sobrevivência. Todo esse ciclo e o aprendizado histórico continuam em nossa mente. Sabemos, intuitivamente, que tudo que vem da árvore é bom – incluindo as embalagens de papel.

Para nosso setor, como em tantos outros, é em momentos de crise – como nesta pandemia – que surgem as melhores soluções para atender novas necessidades, e de forma urgente. As formulações típicas dos materiais começam a sofrer pressões na busca por alternativas: onde havia fibra de pinus, passa a entrar fibra de eucalipto. Onde havia fibra química, entra a mecânica. No lugar da fibra virgem, entra a fibra reciclada e a fibra originada no pós-consumo. Felizmente, o papel tem a capacidade de atender uma gama múltipla de utilizações em embalagens, por meio de um conjunto de formulações de fibras e aditivos que podem reforçar determinadas características necessárias a cada projeto.

Com suas propriedades físicas, químicas e visuais, ele permite aplicações tão amplas que o conjunto de soluções se torna impressionante. As fibras de eucalipto estão cada vez mais presentes em papéis para embalagens e praticamente todas as embalagens de papel coletadas são recicladas prontamente no Brasil. Com isso, a reciclabilidade de embalagens tem favorecido projetos de economia circular e logística reversa, e, atendendo à crescente demanda, surgem novos produtos em papel com material reciclado e de alta performance nos processos de impressão e envase.

Entenda o ciclo do papel

Para ampliar a capacidade de reutilização do papel em um novo ciclo produtivo, as unidades industriais têm se preparado cada vez mais para receber e processar materiais pós-consumo com eficiência na recuperação de fibras. Embalagens de papel podem ser recuperadas em sua grande maioria.  Embalagens tipo longa vida, copos de papel, sacolas de papel, caixas papel de presentes, diversos artefatos de papel como tubetes, entre outros, podem ser reciclados. A separação de fibras celulósicas de embalagens de múltiplas camadas que contenham plásticos hoje é uma realidade.

A inovação em novos sistemas de captura de embalagens de papel para um viável caminho de logística reversa é um imenso desafio. O Brasil é um país continental com 5.568 municípios com características regionais distintas, e por isso há a necessidade de um diálogo contínuo com os diversos atores da cadeia de embalagens para dar continuidade ao processo de retorno do papel à indústria.

Inovar no design de embalagens de papel é desafio

Por fim, destaco o desafio de prover soluções que permitam inovar no design das embalagens. Hoje, a indústria gráfica trabalha com sistemas de impressão offset, corte e vinco, dobradeiras e coladeiras integradas, oferecendo um portfólio de embalagens ao mercado nacional, em sua maioria, em formato de hexaedro, com raríssimas variações em outros tipos de poliedros. Sair do “quadrado” exige um esforço maior.

Ao pensarmos em fazer algo redondo, por exemplo, percebe-se que os processos industriais não estão preparados para fazê-los em grande escala. Somente com projetos integrados, com participação de múltiplas empresas participantes da cadeia de valor da embalagem, será possível superar essa barreira da geometria e propor inovações.

Creio que a nossa tarefa é melhorar a eficiência do papelcartão em novas faixas de gramatura, com ganho de rigidez, uso de material reciclável quando aplicável, propondo novas barreiras, novas estruturas, inovando e aperfeiçoando o ciclo de vida das embalagens em prol de um mercado futuro sustentável em que todo potencial de utilização da árvore demonstre seu valor.

*Engenheiro químico, conselheiro da ABTCP, diretor Técnico do Sinpacel/PR, conselheiro da ABRE e diretor de Tecnologia da Ibema.

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poderSegundo, Charles Duhigg no best seller, O Poder do Hábito, é preciso um olhar externo para que consigamos entender e mudar vários processos que muitas vezes atrapalham nosso dia a dia, e assim também acontece com as empresas.

Dificilmente uma equipe interna de uma indústria vai conseguir detectar onde estão seus gargalos e pontos a serem melhorados sem deixar de lado hábitos arraigados. Os detalhes ignorados – e que vão se acumulando, se refletem em perdas de lucratividade e produtividade.

Essas falhas silenciosas acontecem nos detalhes que, pelo ritmo de produção, passam a ser impossíveis de serem detectadas: “É por isso que a terceirização funciona muito bem. Com um trabalho sério, feito com profissionais de fora da empresa, fica mais fácil melhorar a autonomia técnica sem ter que parar alguém da equipe interna, sem parar a produção” explica Renato Pádua, gerente comercial da CWBem.

Como essa mudança acontece?

Com a terceirização é possível mapear, aprimorar e automatizar processos de qualquer empresa. A indústria está constantemente procurando maneiras de aumentar a produtividade em conjunto com redução de custos, mas para que essa equação funcione, todo o processo precisa ser otimizado – e para alcançar este patamar, a terceirização é um caminho que faz todo sentido.

“Existe uma natural dificuldade na visão “interna” de se conseguir detectar e sugerir mudanças, até para evitar possíveis atritos ou conflitos. As organizações operam sem refletir sobre seus processos ou, até pior, sem terem ideia do que está acontecendo. O olhar de fora é independente e isento, portanto qualquer problema será apontado sem emoções e todas as mudanças serão feitas baseadas em análises técnicas e observações”

O caminho para otimizar

Renato elenca o melhor caminho para alcançar o melhor resultado na organização de uma indústria, do ponto de vista da terceirização, criando um fluxo de trabalho mais eficiente.

1 – Mapeamento inicial do processo

Mapear a situação atual é a forma de fazer o levantamento documental de como acontece a realização das atividades. Este momento inicial serve para esquematizar detalhadamente todo o processo envolvendo definição de processos, detalhamento das atividades e pessoas envolvidas – com etapas documentadas.

“Para este mapeamento podemos utilizar questionários, observação na operação de cada processo, entrevistas com cada colaborador e reuniões com todos os setores. Começamos, desta maneira, a formalização do cenário atual e identificação do que pode ser melhorado.”

2 – Redesenho do processo

Com o mapeamento, a próxima etapa é redesenhar todo o processo identificando tudo que pode ser melhorado: “O redesenho do processo envolve minimizar o retrabalho, automatizar atividades possíveis, padronizar rotinas e até mesmo reduzir ou excluir atividades que só servem para perder tempo. É com esse redesenho que conseguimos melhorar a comunicação entre áreas e definir quem vai fazer o que a partir de então.”

3 – Criação da modelagem técnica

Sabendo o que pode ser feito, o próximo passo é criar uma modelagem visual – ou gráfica – de como seria o fluxo de atividades do novo modelo de processo: “É a transcrição de todos os processos, listando as novas etapas de uma maneira que todos compreendam o que vai acontecer.”

4 – Começo da implementação e implantação

Para automatizar o processo devidamente mapeado, redesenhado e modelado, é necessário trabalhar com a integração de áreas e com os sistemas da empresa. A implantação é o próximo passo, com o processo já alinhado e pronto para testar: “É a homologação para executar, monitorar e administrar se todos os fluxos estão alinhados para seguir operando. A passagem de bastão da equipe terceirizada para a própria empresa precisa ser feita com muito cuidado – sempre de olho nos detalhes que farão a empresa funcionar com a forma desejada”

Lembrando que o mais indicado é observar este processo por um período pré-definido junto a cada cliente para realizar os devidos ajustes do seu funcionamento.

5 – Melhoria contínua

Com todo o processo nas mãos da empresa, a manutenção da qualidade é a meta. A constante análise faz com que o objetivo seja mantido e os resultados sejam aperfeiçoados com atualizações: “Com o trabalho bem feito, basta seguir as orientações e manter o novo padrão de operação. Mas, claro, é fundamental ver novas ferramentas, outras soluções que possam surgir com o passar do tempo e trazer coisas diferentes, mantendo e aprimorando o trabalho criado,” completa Renato.

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ibmO IBM Watson Advertising (NYSE: IBM) anunciou uma iniciativa de pesquisa que irá aplicar a tecnologia de inteligência artificial de código aberto da IBM para entender melhor como o viés indesejado prevalece na publicidade, ao mesmo tempo que estabelece as bases para sua potencial mitigação. Esse trabalho está alinhado com a missão global do IBM Watson Advertising de tornar a IA catalisador para melhorar soluções, serviços e confiança no ecossistema de publicidade e se baseia na liderança da IBM na transformação de negócios em todos os setores de IA.

A indústria da publicidade está passando por uma grande transformação, com mudanças nas políticas de privacidade e uma crescente demanda por confiança e transparência, alimentando o surgimento da IA como a principal tecnologia da indústria. Enquanto as marcas se reconstroem em meio a essa transformação, é o momento ideal para resolver o problema persistente do preconceito publicitário, conforme evidenciado por um estudo do Instituto Geena Davis de Gênero na Mídia, que revelou que, nos anúncios, os personagens masculinos aparecem 12% a mais que as mulheres. Enquanto isso, os vídeos com equilíbrio de gênero e liderados por mulheres produziram 30% mais visualizações do que outros vídeos, revelando uma demanda por conteúdo mais inclusivo.

O preconceito publicitário tem o potencial de impactar negativamente os consumidores, que podem perder uma potencial oportunidade econômica ou se sentir alvejados com base em estereótipos, ao mesmo tempo em que prejudica as marcas, pois podem resultar em desempenhos negativos de campanhas. O objetivo da pesquisa do IBM Watson Advertising é conduzir a um entendimento mais profundo dos fatores que contribuem para o preconceito na publicidade e como a IA pode ajudar, abrangendo segmentação de público, mensagens criativas, otimização de desempenho e impacto de campanha. Equipados com essas informações, os profissionais de marketing e fornecedores de TI podem desenvolver um roteiro para o uso responsável da IA como forma de reduzir o preconceito e criar e executar campanhas de maneira mais eficaz.

“Estamos em um momento da história no qual um discurso muito esperado sobre desigualdades socioeconômicas domina a agenda nacional e exige ação”, disse Bob Lord, vice-presidente sênior de Ecossistemas Globais e Blockchain da IBM. “Nossa esperança é que a inteligência artificial possa ser um catalisador para eliminar o preconceito na publicidade, da mesma forma que está ajudando a transformar a indústria de publicidade enquanto ela se reconstrói para uma era sem cookies de terceiros. Por meio dessa pesquisa, damos um primeiro passo importante rumo a esse objetivo, aplicando rigor científico para determinar a dimensão do impacto que a IA pode ter no mundo da publicidade”.
A IBM Watson Advertising trabalhará com pesquisadores da IBM Research para realizar esse estudo em parceria com o Ad Council e outros líderes da indústria e academia. As áreas de exploração incluirão:

• Incidência de preconceito na publicidade: prevalência e frequência de preconceito em campanhas por meio da análise de dados de desempenho. Por exemplo, usando o kit de ferramentas AI Fairness 360, um conjunto de ferramentas de IA de código aberto desenvolvidas pela IBM e doadas para a Linux Foundation, o estudo analisará como certos públicos de campanhas passadas e ativas estão sendo direcionados com conteúdo criativo para avaliar se o viés esteve presente.

• O papel dos sinais na determinação do preconceito: analisará a intensidade com que os sinais, que se referem ao contexto no qual um anúncio é veiculado, impactam o preconceito. Por exemplo, se uma mensagem criativa é considerada imparcial por si só, mas veiculada em uma mídia digital juntamente com um sinal tendencioso, o anúncio pode ser percebido como enviesado.

• Capacidades da IA para mitigar potencialmente o preconceito: como a inteligência artificial pode ser útil na identificação de instâncias de preconceito e o que pode ser feito para aproveitar todo o poder dessa tecnologia para prevenir potencialmente a ocorrência de vieses na publicidade.

Os dados da campanha de educação sobre a vacina COVID-19 do Ad Council, “It’s Up to You” (“Depende de Você”, na tradução para o português), serão usados para essa fase inicial de pesquisa. O kit de ferramentas de código aberto extensível da IBM, AI Fairness 360, também será usado para examinar os dados e determinar se há maneiras pelas quais a inteligência artificial pode ser útil para ajudar a mitigar a discriminação e o preconceito.

“O viés coletivo tem sido persistente em nosso setor há algum tempo, e a necessidade de estudar suas origens e impactos é fundamental para que possamos efetivamente trabalhar juntos para criar progresso”, disse Lisa Sherman, presidente e CEO do Ad Council. “É por isso que o Ad Council tem orgulho de ser o primeiro parceiro da indústria a trabalhar com a IBM para ajudar a conduzir essa missão investigativa crítica”.

O IBM Watson Advertising planeja lançar resultados iniciais de pesquisa e atualizações assim que esses dados estiverem disponíveis e à medida que a iniciativa avance.

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Foto Antonio Azevedo 1_LogiGo_RED.jpgFoi-se o tempo que itens como design, vidros elétricos, ar-condicionado e potência do motor eram os fatores decisivos para os consumidores escolherem seu novo veículo. Atualmente, as montadoras são unânimes em afirmar que a conectividade já é um fator de compra preponderante e quem não oferecer veículos inteligentes está condenado a perder espaço no mercado brasileiro.

Uma das primeiras interfaces e que faz sucesso nos carros é o GPS integrado. Somente no Brasil, mais de 13 milhões de pessoas dependem de serviços como Waze e Google Maps para dirigir pela cidade, fugindo de congestionamentos – segundo dados de downloads dos aplicativos de trânsito disponíveis nas lojas de aplicativos Apple Store e Google Play.

O especialista em tecnologia automotiva e mobilidade, Antonio Azevedo, que atua há mais de dez anos como CEO da LogiGO – empresa que fornece serviços de conectividade para empresas como Mercedes, Volvo e Nissan – listou 5 tecnologias de smartphone que você pode usar na central multimídia do seu carro. Confira:

1. AndroidAuto Apple CarPlay
As centrais multimídias mais avançadas são as que possuem app nativo e não dependem do celular. Com a mesma comodidade que você conecta sua conta de Android ou IOS a TVs e Tablet, é possível utilizar aplicativos na tela do carro.

2. MarketPlace
Tendo acesso aos aplicativos, você também pode realizar compras pela central. A LogiGO oferece uma gama de serviços e meios de pagamento, incluindo PIX. É possível, por exemplo, contratar seguros para o automóvel.

3. App Off-road
Uma das tecnologias que a LogiGO fechou em parceria com a Troller Connect foi o app exclusivo DigiTroller. O modo off-road faz medições mecânicas do veículo em tempo real, como a bússola digital, o modo de tração ideal para o terreno, temperatura da água, informações de geolocalização, sensor de aceleração e força G, entre outros.

4.Assistente de voz
Assim como no smartphone, a central multimídia também oferece assistente de voz baseado em IA em que o condutor pode tirar dúvidas sobre o veículo e também agendar tarefas.

5. In-Car Ads
A montadora pode oferecer descontos de parceiros na tela e com a ajuda da assistente de voz, o condutor pode agendar o serviço de compra. Por exemplo, uma oficina oferece um cupom de desconto na tela e o condutor pode agendar o reparo na loja mais próxima. O sistema já faz a sugestão.

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pexels-pixabay-35550Há pouco mais de um ano, de grandes corporações a startups e microempreendedores, todos tiveram que adequar suas estratégias de negócio ao contexto da circulação da Covid-19 no Brasil. Silvio Meira, cientista-chefe da consultoria TDS Company e membro dos conselhos de administração de grupos como Magalu e MRV, analisa que o Brasil avançou cinco anos na escalada da transformação digital somente nesse período.

“Não foram lançadas novas tecnologias na pandemia, mas os negócios tiveram a necessidade de recorrer a recursos digitais já disponíveis, como o e-commerce, por exemplo, tecnologia utilizada pela Amazon há duas décadas”, avalia o cientista-chefe. De acordo com pesquisa da Ebit/Nielsen, o faturamento de lojas online no Brasil cresceu 47% no apenas no 1º semestre de 2020 e teve seu maior crescimento em 20 anos. Outra pesquisa, realizada pela Mastercard e Americas Market Intelligence (AMI), apontou que 46% dos brasileiros fizeram mais compras online na pandemia.

Um dos principais projetos da TDS Company em 2020 foi desenvolvido em parceria com o Grupo FSB, o maior do Brasil na área de comunicação corporativa. Chamado FSB Futuro, o projeto tem como objetivo fomentar a cultura de inovação nos processos internos das diversas empresas do grupo e identificar e incubar iniciativas inovadoras com uso intensivo de tecnologia.

“O FSB Futuro é o novo modelo de cultura de trabalho que estamos desenvolvendo no nosso grupo, do qual fazem parte a FSB Comunicação, com mais de 40 anos de mercado em Relações Públicas, e a Loures Consultoria. Com o apoio do Silvio Meira e seu time especializado em inovação digital e transformação estratégica, estamos desenvolvendo oportunidades de negócio e reforçando a capacidade de inovação de nossos times de atendimento ao cliente. Somos parceiros estratégicos de negócios que buscam não só pensar as necessidades do presente, mas que apostam no futuro e no desenvolvimento contínuo de soluções inovadoras”, ressalta Diego Ruiz, sócio-diretor das agências.

“Ficou muito mais difícil competir hoje em dia, porque já não basta mais oferecer ponto de venda, ações de marketing e uma promessa de produtos e serviços. É necessário ter soluções digitais articuladas, estratégias de adaptação a mudanças e um atendimento cada vez mais eficiente para os clientes, que também tiveram que aprender novas habilidades nesse período, como trabalhar em home office e pagar contas por Pix, por exemplo. Certos níveis de ingenuidade digital que a gente tinha antes da Covid não são mais aceitáveis”, analisa Meira. “E, com essas novas habilidades, os clientes esperam que as empresas melhorem sua experiência de uso e consumo, de acordo com o que estão pagando.”

Da Comunicação Corporativa passando pelo Marketing Digital e pela Publicidade, o Grupo FSB conta agora com novas tecnologias e capacidades para capturar oportunidades de visibilidade e engajamento para marcas, analisar diferentes comportamentos de usuários por nicho, identificar o surgimento de novas redes sociais e ferramentas e formatar parcerias com influenciadores em perspectivas ainda não exploradas. Tudo isso com o uso intensivo de análise e gestão de dados.

“Em um contexto em que o Discord, rede social avaliada em US﹩ 7 bilhões, conta com milhões de usuários e ainda é um espaço pouco utilizado pelas marcas, pensar a comunicação para além das ações tradicionais de PR e Digital, em canais utilizados por um grande volume de mídia e concorrentes, é abrir espaço para o novo e, ao mesmo, trabalhar com uma tela em branco para a criação de estratégias em parceria com nossos clientes”, explica Ruiz.

Diversos ambientes digitais têm surgido e ganhado cada vez mais adesão dos usuários, como Clubhouse e a plataforma de streaming Twitch, com novas possibilidades de engajamento, análise de tendências de comportamentos e alto volume de captura de dados. As marcas, além de viabilizarem seu próprio processo de inovação, também podem reconhecer novas oportunidades no mundo em transformação em que estão inseridas.

“Eu quero estar com uma agência que domina e usa, na prática, um processo continuado de transformação digital e que pode me oferecer coisas, físicas e digitais, e a combinação das duas, que eu não pensei, porque ela está prospectando o mundo como pesquisadora e realizadora”, sintetiza Meira.

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vidroOs desafios da reciclagem no Brasil são enormes, já que o país recicla menos de 4% de todo o lixo gerado em seu território, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2020, da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais). Os problemas passam pelas falhas na coleta seletiva, conscientização da população e das empresas sobre o tema, questões de logística, entre outros. Embora todos os tipos de resíduos encontrem algum fator de complicação na cadeia, o vidro se destaca. Enquanto quase 98% do alumínio é reciclado (ABAL, Associação Brasileira do Alumínio), apenas 47% do vidro é reaproveitado (ABIVIDRO, Associação Brasileira das Indústrias de Vidro), ambos de material industrial e pós-consumo.

Mesmo sendo um material 100% reciclável, há alguns fatores que devem ser observados e discutidos, como o transporte e a remuneração. A indústria vidreira está concentrada no sul e sudeste (PR, SP, MG) e conta com apenas duas grande unidades no nordeste (PE e SE) do país. Isso quer dizer que grande parte do resíduo gerado no Brasil precisa percorrer uma distância grande para ser reciclado e reinserido no ciclo produtivo. Uma carga de Manaus, por exemplo, teria que percorrer mais de 3,8 mil km para chegar em São Paulo ou mais de 4,6 mil km até Sergipe. Considerando o custo médio de transporte rodoviário de R$700 a R$900 por tonelada e o valor de venda do material que gira em torno de R$150 a R$200 pela mesma quantidade, podemos perceber que o valor do frete ultrapassa muito a remuneração pela comercialização do vidro, o que torna o processo economicamente inviável.
Mesmo diante de todas as adversidades, diversos atores da cadeia estão se movimentando para transformar essa realidade. Ferramentas importantes como a Política Nacional de Resíduos Sólidos, criada em 2010, que organiza a forma como todos os envolvidos gerenciam seus resíduos e o Acordo Setorial, que define uma quantidade mínima do material pós-consumo (22%) a ser compensada ambientalmente, estabelecem que a responsabilidade pelos custos da logística reversa deve ser compartilhada por fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e consumidores. Recentemente houve uma consulta pública sobre o Decreto que institui a Logística Reversa de Embalagens de Vidro e, se as metas forem cumpridas, o Brasil deverá reciclar 50% do vidro que consome em 2025.

Além disso, a consciência ambiental dos consumidores está se fortalecendo, o que eleva o nível de exigência às marcas que consomem. Por outro lado, as empresas têm demonstrado preocupação com o impacto que suas atividades causam à natureza e, por isso, estão revisitando seus propósitos e valores.

Esses são alguns motivos pelos quais as discussões sobre os Termos de Compromisso de Logística Reversa estão intensas nos Estados, segundo Marcella Bueno, head de Operações da eureciclo, maior certificadora de logística reversa de embalagens do Brasil. “O vidro ganhou espaço nesse diálogo e isso indica que deve haver uma melhora significativa no índice de reciclagem desse material em um futuro não tão distante. Estamos trabalhando para incentivar o cenário da reciclagem e, assim, proporcionar melhorias em todo o processo”, diz.

Marcella explica que, em São Paulo, os clientes da eureciclo compensaram 11,5 mil toneladas de vidro em 2020, contra 9,7 mil toneladas no ano anterior, um crescimento de quase 20%. Nos outros estados, o salto foi ainda maior: 170%, de 620 para 1,7 mil toneladas. “No início de 2020 a gente contava apenas com 19 operadores que trabalhavam com vidro. Hoje, temos 40 operadores e cooperativas parceiros que fazem esse serviço, o que reforça o nosso compromisso de tornar a cadeia viável em todas as regiões do país”.

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esgPor Fábio Lupo, Lilian A. P. Miguel, Lucas Rodrigues Lomelino e Samira Vasconcellos Miguel*
Vivemos tempos em que a sociedade como um todo é considerada um parceiro importante e indispensável para o desenvolvimento econômico, além de ser parte integrante e indissociável do desenvolvimento social. Neste contexto, buscar entender e definir metas e indicadores que auxiliem a sociedade a ter clareza sobre ações e domínio sobre os caminhos a seguir nesta direção de desenvolvimento sustentável passou a ter relevância nos mercados, o que inclui também a área de investimentos financeiros.

No início deste milênio surgiu a sigla ESG – Environmental, Social and Governance (em português, Ambiental, Social e de Governança) para estruturar a coleta dos dados relacionados a esses fatores, bem como para instrumentalizar o acompanhamento destes dados, de forma a que se pudesse ter escolhas mais qualificadas dos investimentos feitos no nível das companhias, em especial, aquelas que têm suas ações distribuídas nos mercados de capitais. Desde o surgimento da sigla passaram-se mais de quinze anos, mas ainda existem questões em aberto em torno do conceito.

O impacto das empresas no meio ambiente, a exploração de formas de trabalho injustas e a corrupção que compromete as atividades corporativas e públicas, são temas que foram ganhando cada vez mais relevância com o passar das décadas. Com estas pautas em destaque e ganhando espaço nas mídias, o mundo corporativo passou a considerar os impactos destes aspectos perante o mercado consumidor o que, junto a decisões éticas, criou os conceitos de responsabilidade corporativa e responsabilidade socioambiental.

Estes conceitos já estavam plenamente estabelecidos quando surge o termo ESG, trazendo as mesmas questões para o mercado financeiro. No entanto, seria equivocado entendermos a sigla apenas como uma transposição da responsabilidade corporativa para o ambiente do mercado financeiro. Apesar de lidar com as mesmas temáticas, o ESG traz consigo uma lógica própria do mercado financeiro, que está presente na própria gênese da sigla.

No ano 2000, diante da complexidade dos dilemas gerados pela intensa globalização e pela intensificação dos impactos ambientais e sociais, a ONU estabeleceu os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), envolvendo 191 Estados membros e 22 organizações globais. No mesmo ano, a Organiação convocou as grandes corporações globais para criar o Pacto Global, desta vez envolvendo empresas da iniciativa privada para também se comprometerem com objetivos ligados ao desenvolvimento sustentável global. Atualmente, o Pacto Global conta com dezesseis mil membros, entre empresas e organizações, e está presente em cento e sessenta países.

Em 2004, o Pacto Global elaborou um documento voltado especificamente para o mercado financeiro, reconhecendo o impacto deste setor da sociedade, nas empresas, e o potencial que este mercado possui de motivar mudanças necessárias para que se atinjam as metas do Pacto. O documento foi publicado em 2005, sob o título Who Cares Wins.

É neste documento que a sigla ESG surge pela primeira vez, no intuito de sintetizar os principais pilares do Investimento Responsável, a partir dos quais são designados indicadores específicos que devem ser observados pelos investidores para avaliar o impacto de seus investimentos.

Uma vez que a possibilidade de se integrar formalmente questões ESG na análise financeira do mercado de investimentos foi apontada, fez-se necessária a regulação desta possibilidade, motivando a UNEP-FI (United Nations Environment Programme Finance Initiative) a encomendar, em 2005, um estudo sobre o tema ao escritório de advocacia Freshfields Bruckhaus Deringer.

O resultado deste estudo foi o documento A Legal Framework for the Integration of Environmental, Social and Governance Issues into Institutional Investment cuja tradução livre é Uma estratégia legal para a integração das questões ambientais, social e de governança nos investimentos institucionais, que tinha por propósito verificar se a integração de critérios ESG em políticas de investimento estava de acordo com a legislação de diversos países. Na conclusão deste estudo encontramos o posicionamento de que os critérios da sigla podem ser incluídos na regulação deste mercado contanto que sejam motivados por propostas apropriadas e não afetem a performance financeira dos portfólios.

É possível depreender que a motivação de investidores em fundos de investimento que adotam critérios ESG, tem duas vertentes: a primeira, diretamente ligada aos resultados financeiros das empresas, partindo do pressuposto de que empresas com melhores práticas de sustentabilidade apresentam, a longo prazo, resultados financeiros melhores, e, a segunda, que transcende a pura lógica do retorno financeiro, ressaltando os ganhos da sociedade e do meio ambiente como razões para o investimento ESG .

Essa aparente dicotomia afeta o argumento daqueles que procuram promover a lógica ESG no mercado financeiro. Ao passo que uma argumentação procura influenciar o investidor a partir de sua intrínseca lógica financeira, a outra procura conferir ao investidor uma responsabilidade que pode se contrapor com o aspecto financeiro e tornar inócua a referida análise para o investimento.

Entretanto, um possível colapso ambiental, crises sociais e o aumento dos casos de corrupção dentro de empresas e instituições são questões urgentes e de alguma forma devem ser abordadas de forma responsável pelo mercado financeiro. A necessidade de maior estímulo às práticas ESG no mundo corporativo é evidente, e a presença de empresas de capital aberto e fundos de investimento que adotam estes critérios colaboram diretamente para a adoção de tais práticas.

Ainda faltam estudos que demonstrem os riscos que o mercado financeiro como um todo pode sofrer com a ausência de tais práticas, e também que demonstrem a responsabilidade do mercado financeiro no cumprimento da Agenda 2030 (ODSs) da ONU.

Em especial no Brasil, já existem movimentos regulatórios em curso, para que haja maior adoção de práticas de sustentabilidade nas empresas e para que os critérios ESG sejam adotados não apenas como uma fonte de pesquisa para os investidores, mas igualmente como um marco para a mudança do paradigma de sustentabilidade, como é o caso das Duas Audiências Públicas recém editadas pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM, quais sejam SDM 08/2020 e SDM 09/2020.

Na primeira delas, há um convite para os agentes operadores do mercado de valores mobiliários apresentarem sugestões para que esses critérios sejam inseridos nas normas reguladoras de todos os fundos de investimento que vierem a ser lançados e operados no Brasil, enquanto a normativa que será editada a partir da audiência pública SDM 09/2020, pretende melhorar a transparência e a qualidade das informações hoje prestadas pelas companhias de capital aberto listadas no mercado de capitais.

Conclui-se que é urgente a fixação de critérios ESG e sua avaliação objetiva para determinar a aplicação dos recursos pelos investidores como forma de induzir as empresas para que atuem, na prática, com uma consciência e intencionalidade de produzir e comercializar produtos e serviços que gerem desenvolvimento econômico sustentável, criando um círculo virtuoso e valor de longo prazo para toda a cadeia de stakeholders.
Pesquisadores convidados da Universidade Presbiteriana Mackenzie*

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SOBRE O BLOG INDUSTRIAL

O Blog Industrial acompanha a movimentação do setor de bens de capital no Brasil e no exterior, trazendo tendências, novidades, opiniões e análises sobre a influência econômica e política no segmento. Este espaço é um subproduto da revista e do site P&S, e do portal Radar Industrial, todos editados pela redação da Editora Banas.

TATIANA GOMES

Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.

NARA FARIA

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.

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