Durante
anos, as discussões sobre sustentabilidade concentraram-se principalmente no
destino dos produtos após o consumo. Reciclagem, reaproveitamento e gestão de
resíduos passaram a ocupar um espaço importante nas estratégias empresariais e
nas decisões dos consumidores.
Essa visão
continua relevante, mas já não é suficiente.
À medida
que empresas, investidores e órgãos reguladores ampliam suas exigências em
relação à transparência das cadeias produtivas, cresce também a necessidade de
compreender tudo o que acontece antes que um produto chegue ao mercado. Em
outras palavras, a sustentabilidade deixa de ser analisada apenas pelo fim da
jornada e passa a ser avaliada ao longo de todo o seu percurso.
Essa
mudança de perspectiva tem levado a indústria a olhar com mais atenção para a
origem dos materiais que utiliza.
O valor está na história completa
Quando uma
embalagem chega às mãos do consumidor, ela representa apenas a etapa final de
uma cadeia produtiva complexa.
Antes
disso, houve a obtenção das matérias-primas, o processamento industrial, o
transporte, a transformação em novos produtos e uma série de decisões
relacionadas ao uso de recursos naturais e energéticos.
Por essa razão,
cada vez mais empresas vêm adotando abordagens baseadas no ciclo de vida dos
materiais, buscando compreender não apenas suas características técnicas, mas
também os impactos associados à sua produção.
Essa visão
mais abrangente permite identificar oportunidades de melhoria em toda a cadeia
e contribui para decisões mais alinhadas aos compromissos de sustentabilidade
assumidos pelas organizações.
Quando a origem faz diferença
A crescente
demanda por materiais de fonte renovável está diretamente ligada a esse
movimento.
Mais do que
substituir uma matéria-prima por outra, trata-se de repensar a forma como os
recursos são obtidos e transformados ao longo do processo produtivo.
No caso do
I’m green™ bio-based, da Braskem, o carbono presente no polietileno tem origem
em fonte renovável, ele é absorvido pela cana-de-açúcar durante seu cultivo,
que também segue práticas responsáveis.
Essa
característica insere o material em uma dinâmica diferente daquela
tradicionalmente associada às matérias-primas fósseis e reforça a importância
de analisar a cadeia produtiva de maneira integrada.
Eficiência também é parte da sustentabilidade
Outro
aspecto cada vez mais relevante nas avaliações de sustentabilidade está
relacionado à eficiência dos processos.
Não basta
considerar apenas a origem de um recurso. É necessário compreender como ele é
utilizado ao longo da produção e de que forma os diferentes elementos da cadeia
interagem entre si.
Na cadeia sucroenergética,
por exemplo, o aproveitamento dos co-produtos gerados durante o processamento
da cana-de-açúcar, como o bagaço, o melaço e a vinhaça, contribui para uma
utilização mais eficiente dos recursos disponíveis. Essa integração entre
diferentes etapas do processo reduz desperdícios e fortalece uma lógica
produtiva baseada no melhor aproveitamento dos insumos gerados ao longo da
própria cadeia.
Sob a
perspectiva industrial, esse modelo demonstra como inovação e eficiência podem
caminhar juntas na construção de soluções mais sustentáveis.
Sustentabilidade, desempenho e escala
Um dos
principais desafios da indústria contemporânea consiste em equilibrar três
fatores que nem sempre caminham juntos: desempenho, sustentabilidade e
viabilidade em escala.
Durante
muito tempo, acreditou-se que materiais de menor impacto ambiental exigiriam
concessões em termos de produtividade, qualidade ou competitividade.
Hoje, a
evolução tecnológica tem mostrado que essa relação pode ser diferente.
No caso do
polietileno I’m green™ bio-based, as propriedades do material permitem sua
utilização em diversas aplicações mantendo os padrões de desempenho exigidos
pelo mercado, ao mesmo tempo em que oferecem uma alternativa baseada em
recursos renováveis.
Essa
combinação é particularmente relevante para empresas que buscam avançar em suas
metas de sustentabilidade sem abrir mão da eficiência operacional e da
qualidade dos produtos que oferecem.
Uma nova forma de avaliar valor
O conceito
de valor está passando por uma transformação.
Se antes
ele era medido quase exclusivamente por atributos técnicos, desempenho ou
custo, agora incorpora também fatores relacionados à origem dos recursos, à
transparência das cadeias produtivas e à capacidade de gerar impactos positivos
ao longo do ciclo de vida.
Nesse
contexto, compreender a trajetória completa de um material torna-se tão
importante quanto conhecer suas especificações técnicas.
A embalagem
que chega à gôndola continua desempenhando sua função de proteger, conservar e
comunicar. Mas ela também passa a representar uma história mais ampla — uma
história construída por decisões tomadas muito antes da fabricação do produto
final.
E é justamente
nessa jornada, que começa na escolha das matérias-primas e percorre toda a
cadeia de valor, que a indústria está redefinindo o significado de inovação
sustentável.
Lívia Baldo, especialista em gestão de resíduos, é diretora da Tera Ambiental.
O Brasil precisa fortalecer a compreensão de que as florestas exercem um papel muito mais amplo do que compor a paisagem natural. Em cada bioma, elas sustentam a infraestrutura hídrica, influenciam a dinâmica econômica e contribuem para o equilíbrio ecológico. Em um cenário de agravamento das mudanças climáticas, o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, reforça a importância de avançarmos em ações práticas e integradas voltadas à preservação ambiental, à recuperação de áreas degradadas e ao uso sustentável dos recursos naturais.
É necessário reconhecer uma relação fundamental da dinâmica ambiental: sem floresta não há chuva e sem chuva não há sustentabilidade ambiental e econômica. Essa equação elementar da natureza exige integrar, no mesmo fluxo, o manejo florestal, a restauração de áreas degradadas e o mercado de créditos de carbono, articulando políticas públicas e ações efetivas do setor privado.
Os dados mais recentes reforçam a dimensão do desafio. Estudo publicado em 2025 pela revista científica AGU Advances aponta que a perda média de 3,2% da cobertura florestal na Amazônia brasileira esteve associada a uma redução de 5,4% da precipitação na estação seca. Ou seja, menos floresta significa menos chuva justamente quando a água já é escassa.
Apesar dos avanços observados em alguns indicadores, os índices de desmatamento ainda permanecem elevados. Em 2025, a Amazônia perdeu 5.731 quilômetros quadrados de vegetação, ligeiramente abaixo da estimativa preliminar de 5.796, mas ainda alarmante. No Cerrado, a devastação alcançou 7.235 quilômetros quadrados, com recuo de 11,49% em relação ao período anterior, o que está longe de configurar avanço estrutural.O cenário reforça a importância de medidas mais eficazes de fiscalização, o combate rigoroso à grilagem e à exploração ilegal, além de políticas consistentes de economia verde e conscientização das comunidades.
Porém, conter o desmatamento é apenas parte da equação. O Brasil carrega um passivo florestal expressivo e precisa enfrentá-lo com pragmatismo e eficácia. A restauração de milhões de hectares degradados em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e reservas legais é indispensável, até porque solos deteriorados não sustentam florestas. Segundo o Boletim do Termômetro do Código Florestal 2024-2025, o nosso país apresenta um déficit de 3,14 milhões de hectares em APPs e de 17,3 milhões de hectares em reservas legais. É um descompasso expressivo entre o que a lei determina e o que a realidade entrega.
Avançar exige abandonar abordagens fragmentadas e reconhecer a interdependência entre floresta, água e clima. Esses elementos formam a espinha dorsal tanto do meio ambiente quanto da própria infraestrutura econômica. Nesse contexto, a agenda hídrica ganha protagonismo e acende um sinal de alerta ao mercado: a gestão de efluentes precisa deixar de ser encarada como mera obrigação legal e passar a ocupar o centro das estratégias empresariais, seja pelo tratamento adequado e devolução de água limpa aos mananciais, ampliando a segurança hídrica, ou pela conversão desses resíduos em insumos orgânicos que retornem ao ciclo produtivo, contribuindo para a recuperação, o equilíbrio físico-químico e a fertilização do solo.
Há exemplos concretos de que esse caminho é viável. Em Jundiaí (SP), o tratamento de efluentes industriais e sanitários contribui com a renovação do ciclo d’água e transforma o lodo remanescente em fertilizantes orgânicos, por meio de compostagem em larga escala. Ao reinserir esses resíduos de forma produtiva no solo, a iniciativa melhora suas propriedades e ainda contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa, alinhando-se às metas da agenda ambientalis.
Mais do que um caso isolado, trata-se de uma demonstração prática de que fortalecer a base do sistema, o solo, é condição para que as infraestruturas florestal e hídrica prosperem de modo sustentável em cada bioma. Ao atuarem na regeneração da terra e na recirculação de resíduos, iniciativas proativas ajudam a reconectar os fluxos essenciais entre solo, água e carbono, indo além da simples gestão dos efluentes.
Cabe lembrar que a natureza obedece a uma lógica imutável: sem solo vivo e rico em matéria orgânica não há floresta funcional; sem água não há equilíbrio e tampouco produção. Tudo está interligado e conectado. A boa notícia é que essa consciência começa a ganhar espaço no mercado. A má é que ainda avançamos em ritmo insuficiente.
Assim, é preciso acelerar, de modo integrado, a preservação florestal, o combate ao desmatamento, a recuperação de áreas degradadas, a expansão do tratamento de efluentes e o reaproveitamento de resíduos orgânicos capazes de manter o solo funcional e a terra viva. Afinal, não estamos falando apenas de proteger a natureza, mas de fortalecer as bases materiais da economia, a inclusão social e o crescimento sustentado do PIB, bem como de reverter as mudanças climáticas e suas consequências cada vez mais graves. Que o Dia Mundial do Meio Ambiente inspire nosso país nessa inadiável e vital jornada.
A indústria de embalagens flexíveis atravessa um
período de transformação impulsionado pela busca por estruturas mais
compatíveis com os conceitos de circularidade e reciclabilidade. Nesse
contexto, a substituição de estruturas multimateriais por soluções
monomateriais tornou-se uma das principais frentes de desenvolvimento
tecnológico para convertedores, fabricantes de resinas e proprietários de
marcas.
Embora
a proposta seja simples do ponto de vista conceitual, sua implementação envolve
desafios importantes. Estruturas convencionais compostas por PET/PE ou BOPP/PE
combinam materiais com características mecânicas bastante distintas. O PET, por
exemplo, apresenta elevado módulo de elasticidade e excelente estabilidade
dimensional, enquanto o PE contribui com propriedades de selagem, resistência
ao impacto e flexibilidade.
Reproduzir
esse desempenho utilizando exclusivamente polietileno exige soluções capazes de
ampliar significativamente suas propriedades mecânicas sem comprometer a processabilidade
ou a reciclabilidade da embalagem.
É justamente nesse
cenário que a tecnologia MDO (Machine Direction Orientation) vem ganhando
relevância. O processo promove a orientação molecular controlada do filme de
polietileno por meio de um estiramento longitudinal realizado sob condições
específicas de temperatura e velocidade. Como resultado, a estrutura
originalmente isotrópica passa a apresentar um elevado grau de alinhamento
molecular na direção do processo, modificando profundamente seu comportamento
mecânico.
Quando aplicada ao polietileno I’m green™ bio-based
, a tecnologia apresenta uma vantagem adicional. Produzido a partir de etanol de cana-de-açúcar, o material possui exatamente a mesma estrutura molecular do polietileno de origem fóssil. Isso significa que suas características de processamento permanecem inalteradas, permitindo sua utilização em linhas de extrusão existentes sem necessidade de adaptações significativas.
Do
ponto de vista da produção do filme, esse aspecto é particularmente relevante.
A distribuição de peso molecular, o comportamento reológico e a estabilidade
durante a extrusão mantêm-se equivalentes aos observados nos grades
convencionais de polietileno. Na prática, isso permite que transformadores incorporem
matéria-prima renovável aos seus processos preservando produtividade, qualidade
e eficiência operacional.
O processo de
orientação molecular ocorre em etapas cuidadosamente controladas. Inicialmente,
o filme é submetido a uma zona de pré-aquecimento, onde a temperatura é elevada
para níveis suficientes para aumentar a mobilidade das cadeias poliméricas sem
comprometer a estrutura cristalina do material. Em seguida, ocorre a etapa de
estiramento propriamente dita, na qual diferenças controladas de velocidade
entre os rolos promovem a orientação das moléculas na direção da máquina.
Após o estiramento,
o filme passa por uma etapa de estabilização térmica. Esse processo permite
aliviar tensões internas geradas durante a orientação molecular e reduz
significativamente o potencial de retração térmica durante as etapas
posteriores de conversão, impressão e empacotamento. O ciclo é finalizado com o
resfriamento controlado, responsável por estabilizar a nova microestrutura
formada.
As modificações
promovidas pela orientação molecular refletem diretamente no desempenho do
material. O ganho de rigidez é um dos resultados mais evidentes. Em condições
típicas de processamento, filmes orientados podem apresentar aumentos
superiores a 300% no módulo de elasticidade quando comparados a filmes
convencionais não orientados.
Esse comportamento
abre espaço para estratégias de downgauging, permitindo a redução da espessura
da embalagem sem comprometer resistência mecânica, estabilidade dimensional ou
desempenho operacional. Além da economia de matéria-prima, essa abordagem
contribui para a redução de peso das embalagens e para ganhos logísticos ao
longo da cadeia de distribuição.
Os benefícios
também se estendem às propriedades ópticas. A reorganização da estrutura
cristalina promove redução significativa do haze e aumento do brilho
superficial, características importantes para aplicações em que a apresentação
visual da embalagem exerce influência direta na percepção do consumidor.
Resultados
obtidos em avaliações laboratoriais demonstram o impacto da orientação
molecular sobre o desempenho do material. Filmes produzidos com PE I’m green™
bio-based e submetidos a razões de estiramento próximas de 5:1 apresentam
ganhos expressivos de módulo elástico, resistência à tração e estabilidade
dimensional, além de melhorias significativas em transparência e brilho.
Essas características
tornam a tecnologia particularmente atrativa para aplicações em embalagens de
alimentos, snacks, pet food, higiene pessoal, produtos de limpeza e soluções
para e-commerce, segmentos que exigem elevado desempenho mecânico aliado à
eficiência operacional.
Além dos ganhos
técnicos, a combinação entre MDO e o polietileno I’m green™ bio-based responde
a uma demanda crescente da indústria por soluções de menor impacto ambiental.
Como o material é produzido a partir de fonte renovável, pode capturar até 2,12
toneladas de CO₂ equivalente por tonelada de resina produzida, contribuindo
para estratégias corporativas de descarbonização sem alterar a infraestrutura
industrial já instalada.
A evolução das
embalagens monomateriais mostra que o avanço da circularidade não depende
apenas da escolha de matérias-primas renováveis ou recicláveis. O
desenvolvimento de novas arquiteturas de filmes e a aplicação de tecnologias
avançadas de processamento têm papel igualmente importante na construção de
soluções capazes de combinar desempenho, eficiência produtiva e
sustentabilidade em uma única estrutura.
Evento reuniu mais de 8 mil visitantes em três dias
e marcou o fechamento do ciclo voltado exclusivamente ao setor cervejeiro; nova
identidade “Brasil Brau & Beverage” integrará toda a cadeia de
bebidas em âmbito global
A 18ª edição da
Brasil Brau encerrou suas atividades ontem, no São Paulo Expo, consolidando-se
como o principal motor econômico e regulatório da cadeia cervejeira da América
Latina, ao registrar forte movimentação de negócios e atrair um expressivo
público de visitantes. Ao todo, foram mais de 180 marcas e cerca de 8 mil
profissionais durante os três dias de evento, além de milhões de reais em
negócios gerados.
O encontro deste ano
entrou para a história como o marco de encerramento do formato tradicional
voltado exclusivamente ao setor cervejeiro. Para acompanhar a rápida evolução
do mercado e a consolidação do consumidor híbrido, a promotora GL events
Exhibitions confirmou oficialmente a transição estratégica do evento, que
passará a se chamar Brasil Brau & Beverage a partir de sua próxima edição,
em 2028, abraçando formalmente toda a cadeia produtiva de bebidas.
“Pudemos
acompanhar nesta edição a confirmação de uma tendência que já vinha se consolidando
nos últimos anos: as fronteiras entre as diferentes categorias de bebidas estão
cada vez mais tênues. Compartilhamos desafios, tecnologias, canais de
distribuição e, principalmente, um consumidor que transita entre múltiplas
opções de consumo. A transição para um novo formato, daqui dois anos, mas que
começa agora, reflete essa nova realidade, ao mesmo tempo em que reforça nossa
estratégia de posicionar o evento como a principal plataforma de negócios,
conteúdo e inovação para toda a cadeia de bebidas”, afirma Tatiana
Zaccaro, diretora de negócios da GL events.
Alinhamento
institucional e visão de cadeia A mudança de
posicionamento reflete o amadurecimento e a força macroeconômica do setor. Pela
primeira vez, a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) assumiu
diretamente a curadoria do comitê científico do Congresso Brasileiro de Ciência
e Tecnologia Cervejeira (CBCTEC). Com 400 inscritos, os painéis oxigenaram a
grade com debates focados em inteligência de mercado, construção de marcas e
canais de distribuição.
“A Brasil Brau é
a feira profissional mais importante do nosso setor e mostrou sua força
qualitativa, com estandes de insumos permanentemente lotados. A cerveja gera
negócios, arrecadação e empregos, e este evento prova que precisamos olhar para
o setor como uma cadeia produtiva que se destaca na economia do país”,
avaliou Gilberto Tarantino, presidente executivo da Abracerva, que considerou o
congresso um sucesso irretocável de público.
Tecnologia e
eficiência ditam a virada do mercado Essa transição para o
conceito abrangente de Beverage atende a uma exigência operacional que hoje une
toda a indústria de bebidas: a busca por flexibilidade fabril, redução de
custos e máxima eficiência. Vanderlei Bauer, proprietário e fundador da
StarkBauen, ressaltou no pavilhão que o perfil dos investimentos mudou
drasticamente, exigindo estruturas mais ágeis. “O mercado mudou bastante,
ninguém mais quer gastar cifras astronômicas para abrir uma estrutura
engessada. O caminho hoje passa por produzir variedades em volumes menores e
com forte diferenciação competitiva”, explicou Bauer, que levou para a
feira uma nova envasadora linear de latas focada em flexibilizar a operação de
marcas regionais.
A busca por
tecnologia que reduza custos com utilidades e perdas no processo foi a
principal tônica dos grandes expositores de engenharia. Paulo Schiaveto,
diretor de engenharia e operações da NKA Schiaveto, apontou que o atual cenário
econômico exige profissionalismo extremo dentro das fábricas. “Para se manter
competitivo hoje, o produtor precisa olhar para o rendimento da matéria-prima e
para a sustentabilidade. Desenvolvemos soluções de automação focadas na redução
drástica do consumo de água e vapor, porque entregar uma tecnologia que baixa o
custo por litro mantendo a qualidade é a única garantia de sobrevivência a
longo prazo em um mercado concorrido”, defendeu Schiaveto.
Otimismo comercial e
a experiência na ponta final O reflexo direto
dessa busca por modernização foi o balanço positivo nas transações comerciais
no chão de feira. Para Patrick Banwart, gerente da divisão de bebidas da
Globalfood, a edição superou as expectativas ao registrar uma retomada
expressiva nas intenções de compra. “Sentimos uma virada muito forte na
intenção de investimentos. O estande esteve lotado todos os dias e geramos
muitos projetos que vão se desdobrar nos próximos meses”, celebrou o
executivo, destacando o interesse do público qualificado em novas linhas de
enzimas e leveduras.
A Memo também colheu
resultados imediatos focados em tecnologia aplicada ao ponto de venda e
ambiente residencial. “Viemos com o objetivo de apresentar novos
lançamentos, como torres automatizadas por aplicativo. Conseguimos cumprir as
metas, tivemos grandes vendas na feira e abrimos muitas contas novas”,
destacou Lucas Cavalin, diretor comercial da marca.
Toda essa
sofisticação técnica das fábricas e distribuidoras encontra o seu gargalo no
momento do serviço. “Não basta apenas o líquido ser excelente; o ritual de
serviço precisa ser perfeito, e o copo adequado faz parte dessa estratégia de
branding. O grande desafio do varejo hoje é equilibrar essa necessidade de
elegância com produtos de alta durabilidade, que aguentem o giro pesado dos
estabelecimentos sem comprometer o fluxo de caixa com quebras”, explica
Luciano Dutra, diretor comercial e de marketing da Ruvolo.
Da identidade local
às conexões globais As discussões
técnicas e científicas do CBCTEC deram o fechamento de contexto ao ecossistema.
A abertura da grade de palestras foi marcada pelo painel “Cervejas
brasileiras em evidência: inovação, origem e impacto cultural”, onde a
antropóloga Aline Smaniotto (Beberú) destrinchou o conceito de brasilidade, e
Júlia da Motta, Subsecretária de Competitividade e Desenvolvimento Econômico do
Estado de São Paulo, apresentou o impacto financeiro do segmento no PIB
paulista. Complementando a visão prática, Rafael Leal (Caatinga Rocks) e Agenor
Maccari (277 Craft Beer) demonstraram como a utilização de ingredientes nativos
e madeiras brasileiras agregam valor comercial no mercado global.
O palco do congresso
também ganhou contornos internacionais. A sul-africana Apiwe Nxusani-Mawela,
mestre cervejeira e fundadora da Tolokazi, evidenciou que a expansão
sustentável das marcas depende da habilidade da indústria de abraçar a
pluralidade e tendências globais de consumo. No campo estritamente técnico, o
venezuelano Roberto Biurrun, da Fermentis, apresentou o projeto global
“Superior yeast”, focado em avanços de pureza e repetibilidade de
leveduras secas ativas em escala comercial. Encerrando a grade científica, o
pesquisador belga Tin Kocijan detalhou a palestra “Microbiologia da
cerveja e envelhecimento em barril”, demonstrando como a ordem de
inoculação de microrganismos específicos, como Acetobacter e Brettanomyces,
dita a química e o perfil de sabor de cervejas ácidas (sour beers), garantindo
uma maturação previsível e consistente para produtos complexos de guarda.
Tendências que unem
ciência, tradição e hospitalidade A busca por
experiências mais sofisticadas e pela valorização da cultura cervejeira também
foi um dos principais destaques do CBCTRENDS, espaço dedicado à apresentação de
tendências, conceitos e oportunidades de negócio dentro do setor. Ao longo dos
três dias, especialistas do Senac abordaram temas que combinaram conhecimento
técnico, experiência sensorial no consumo hospitalidade, reforçando o movimento
do mercado de ampliar sua proposta de valor para além da bebida.
A programação incluiu
discussões sobre os fundamentos científicos das harmonizações entre cervejas e
alimentos, uma imersão no universo das Lambics – tradicionais cervejas belgas
de fermentação espontânea – e reflexões sobre como hospitalidade, turismo e
storytelling podem transformar o ato do consumo numa experiência capaz de
fortalecer as marcas e ampliar o engajamento dos consumidores. Conduziram as
palestras, respectivamente, o especialista Carlos Henrique Braghin, e os
sommeliers Fábio de Faria e Souza Campos e Fernando Marcos de Oliveira.
Votação popular
consagra os destaques da edição O encerramento da
Brasil Brau 2026 também revelou as marcas vencedoras das prêmiações do evento,
escolhidas por votação dos visitantes através do aplicativo oficial. Na
categoria Inovação, a vencedora foi a Prozyn. A companhia trouxe como novidade
para o evento uma cerveja zero carb e sem glúten feita com as soluções
enzimáticas próprias AttenuMax Zero, ClearMar Pro, MatuFest e NatuFoam. Julia
Browne, gerente de marketing, celebrou a conquista: “Estamos com a Brasil
Brau desde o início. Ampliamos a metragem esse ano para as pessoas ficarem mais
confortáveis, com a ideia de acomodar todos bem”.
Já a categoria
Sustentabilidade foi para a Globalfood. Antes da apuração, Patrick Banwart já
detalhava como as soluções da empresa se alinhavam perfeitamente à categoria:
“temos produtos que atuam na redução de consumo de energia para as cervejarias.
Isso também acarreta uma redução da questão logística, que se traduz em menores
estoques, transporte e espaço de armazenamento, já que há produtos mais
concentrados. Todos esses fatores colaboram significativamente para o menor
consumo de combustíveis.”
Por fim, a categoria
Destaque, última e mais importante do evento, foi conquistada pela Memo, que se
destacou no pavilhão ao apresentar diversos produtos inovadores. O protagonismo
ficou por conta da nova chopeira Hug, que descongela entre 5 e 7 minutos.
“O foco nesse ano foi não só levar novidades, mas coisas boas. Tenho muita
confiança no que conseguimos realizar com a Hug, que resolve diversos problemas
em um único produto”, afirma Victória Cavalin, estrategista de mídias sociais
da marca. “Aqui no stand tivemos a nossa chopeira congelada de ponta-cabeça, o
que foi um tremendo sucesso. A cada momento que olhávamos, víamos nosso stand
100% cheio”, completa.
Sobre a Brasil Brau A Brasil Brau é o
maior evento profissional da indústria cervejeira da América Latina e, desde a
década de 1980, se consolidou como principal ponto de encontro da cadeia
produtiva do setor. Realizada a cada dois anos, reúne tecnologia, inovação,
equipamentos, insumos, serviços, conteúdo técnico, networking e geração de
negócios, conectando fornecedores, fabricantes, distribuidores, compradores,
mestres-cervejeiros, consultores e empreendedores.
Em 2026, o evento foi realizado entre os dias 9 a 11 de junho, no São Paulo Expo, em São Paulo, com 5.000 m² de área comercializável, 160 marcas presentes e representantes de 14 países. Na última edição, em 2024, a Brasil Brau movimentou R$ 470 milhões em negócios durante sua realização e nos meses seguintes. Além da feira de negócios, o evento conta com o CBCTEC – Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira, e com os espaços de conteúdo CBCTRENDS e CBCTALKS.
A busca por
embalagens mais sustentáveis deixou de ser apenas uma tendência para se tornar
um requisito estratégico em toda a cadeia de valor. Grandes marcas,
convertedores e fabricantes de resinas vêm concentrando esforços no
desenvolvimento de soluções que conciliem desempenho, reciclabilidade e redução
das emissões de carbono. Nesse contexto, a substituição de estruturas
multimateriais convencionais por embalagens monomateriais representa um dos
movimentos mais relevantes da indústria de embalagens flexíveis.
Historicamente,
estruturas compostas por materiais distintos, como PET/PE ou BOPP/PE, foram
amplamente utilizadas para atender simultaneamente a requisitos de resistência
mecânica, estabilidade dimensional, propriedades ópticas e desempenho durante o
envase. Embora eficientes do ponto de vista funcional, essas estruturas
apresentam limitações quando o assunto é reciclagem mecânica, uma vez que a
separação dos diferentes materiais nem sempre é tecnicamente ou economicamente
viável.
A
tecnologia MDO (Machine Direction Orientation) surgiu como uma alternativa
capaz de ampliar significativamente as propriedades dos filmes de polietileno,
permitindo que estruturas monomateriais alcancem níveis de desempenho
anteriormente associados a laminados mais complexos.
O processo consiste
em submeter o filme a um estiramento controlado no sentido da máquina, sob
temperaturas cuidadosamente ajustadas abaixo do ponto de fusão da resina. Esse
estiramento promove o alinhamento das cadeias moleculares do polímero, alterando
sua estrutura interna e resultando em ganhos importantes de desempenho.
Entre os benefícios
mais relevantes está o aumento da rigidez. O alinhamento molecular eleva o
módulo de elasticidade do material, permitindo a produção de filmes mais finos
sem comprometer sua resistência mecânica ou estabilidade durante os processos
de conversão e empacotamento. Essa característica abre espaço para estratégias
de downgauging, reduzindo o consumo de matéria-prima e contribuindo para a
otimização dos custos logísticos.
As
propriedades ópticas também são favorecidas. A reorganização da estrutura
cristalina reduz significativamente o haze e melhora o brilho superficial,
atributos valorizados em aplicações nas quais a aparência da embalagem
influencia diretamente a percepção do consumidor.
A adoção de filmes
monomateriais orientados também está diretamente relacionada aos conceitos de
Design for Recycling. Enquanto estruturas multimateriais apresentam desafios
para os sistemas convencionais de reciclagem, os filmes produzidos
integralmente em polietileno permanecem compatíveis com os fluxos já
estabelecidos para a reciclagem mecânica da cadeia do PE.
Nesse cenário, o I’m green™ bio-based agrega um diferencial
adicional ao processo. Produzido a partir de etanol derivado da cana-de-açúcar,
o material possui exatamente a mesma estrutura molecular do polietileno de
origem fóssil. Isso significa que mantém as mesmas características de processabilidade,
desempenho mecânico, comportamento reológico e compatibilidade com os
equipamentos já utilizados pela indústria.
Na prática, os
parâmetros de extrusão, impressão, laminação e conversão permanecem
inalterados, permitindo a adoção do material sem necessidade de investimentos
adicionais em infraestrutura ou adaptações significativas nas linhas
produtivas.
A principal
diferença está na origem renovável da matéria-prima. Durante seu crescimento, a
cana-de-açúcar absorve o CO2 da atmosfera por meio da fotossíntese.
Como resultado, o PE I’m green™ bio-based pode capturar até 2,12 toneladas de
CO₂ equivalente por tonelada de resina produzida, contribuindo para estratégias
de descarbonização e redução das emissões ao longo da cadeia de valor.
Outro
aspecto relevante é a possibilidade de combinar filmes MDO com tecnologias
complementares de barreira, ampliando o potencial de aplicação em segmentos que
exigem maior proteção ao produto. Soluções destinadas a alimentos secos,
snacks, pet food, higiene pessoal, produtos de limpeza entre outros, já
demonstram o potencial dessa abordagem para substituir estruturas convencionais
sem comprometer desempenho ou produtividade.
A evolução dos filmes monomateriais mostra que os avanços em sustentabilidade dependem cada vez mais da integração entre materiais inovadores e tecnologias de processamento avançadas. A combinação entre MDO e o I’m green™ bio-based representa um exemplo claro dessa convergência, permitindo o desenvolvimento de embalagens que atendem simultaneamente às exigências de desempenho, reciclabilidade e redução da pegada de carbono, sem abrir mão da performance industrial que o mercado exige. #economiacircular #DesignForRecycling #Monomateriais #Polietileno #PE #BioBased #Descarbonização
A indústria química, tradicionalmente associada a processos intensivos em consumo de recursos e geração de resíduos, tem passado por uma transformação relevante nos últimos anos. Pressionadas por regulações mais rigorosas, demandas ambientais e metas de sustentabilidade, as empresas do setor têm investido em soluções para reaproveitar resíduos e reinseri-los na cadeia produtiva, reduzindo impactos e criando oportunidades de negócio.
Esse movimento está diretamente ligado aos princípios da economia circular, que propõe a substituição do modelo linear, extrair, produzir e descartar, por um sistema regenerativo, no qual resíduos se tornam insumos para novos processos. Na prática, isso significa transformar subprodutos em matérias-primas, energia ou novos materiais.
Um dos caminhos mais adotados é a valorização energética de resíduos. Compostos que antes seriam descartados passam a ser utilizados como fonte de energia em processos industriais, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis. Segundo a Agência Internacional de Energia, a recuperação energética pode contribuir significativamente para a redução de emissões de carbono em setores industriais intensivos.
Outra frente importante é a reciclagem química, tecnologia que permite decompor resíduos, especialmente plásticos, em seus componentes básicos para a produção de novos materiais com qualidade equivalente à matéria-prima original. Diferentemente da reciclagem mecânica, esse processo amplia o potencial de reaproveitamento, inclusive de resíduos mais complexos ou contaminados.
Além disso, a inovação em processos industriais tem possibilitado o reaproveitamento interno de subprodutos. Em muitos casos, resíduos gerados em uma etapa da produção são reintegrados em outra, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência. Essa prática, conhecida como simbiose industrial, também pode ocorrer entre diferentes empresas, criando ecossistemas em que o resíduo de uma se torna recurso para outra.
De acordo com a Confederação Nacional da Indústria, a adoção de práticas sustentáveis na indústria tem avançado no Brasil, impulsionada tanto por exigências regulatórias quanto por ganhos de competitividade. Portanto, as empresas que investem em gestão eficiente de resíduos tendem a reduzir custos operacionais e melhorar sua imagem perante consumidores e investidores.
Outro destaque é o desenvolvimento de novos materiais a partir de resíduos químicos. Pesquisas recentes têm explorado a conversão de subprodutos industriais em insumos para construção civil, agricultura e até mesmo para a produção de biocombustíveis. Essa diversificação amplia o valor econômico dos resíduos e reduz a necessidade de extração de recursos naturais.
Apesar dos avanços, os desafios ainda persistem. O alto custo de implementação de tecnologias, a necessidade de infraestrutura adequada e a complexidade regulatória podem limitar a adoção em larga escala. Além disso, a viabilidade econômica depende, muitas vezes, da escala e da integração entre diferentes atores da cadeia produtiva.
Ainda assim, a tendência é clara. A transição para modelos mais sustentáveis na indústria química não é apenas uma resposta às pressões ambientais, mas também uma estratégia de inovação e geração de valor. Ao transformar resíduos em recursos, o setor avança rumo a uma operação mais eficiente, resiliente e alinhada às demandas de um mercado cada vez mais consciente.
Nesse novo cenário, o que antes era visto como passivo ambiental passa a ser reconhecido como ativo estratégico, um recurso capaz de impulsionar a sustentabilidade e redesenhar o futuro da indústria.
Muitas indústrias já conseguem detectar anomalias com inteligência artificial, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar alertas em intervenções efetivas. O gargalo pode estar na integração entre tecnologia e operação.
Durante anos, a manutenção preditiva foi apresentada como uma das principais promessas da Indústria 4.0. Sensores inteligentes, análise de dados em tempo real e algoritmos capazes de antecipar falhas prometiam reduzir custos, aumentar a disponibilidade dos ativos e evitar paradas não programadas.
Em muitas plantas industriais, entretanto, o problema atual já não está na capacidade de detectar anomalias.
O verdadeiro desafio passou a ser outro: transformar informação em ação.
Na prática, inúmeras operações já contam com sistemas capazes de identificar comportamentos fora do padrão em motores, bombas, compressores e equipamentos críticos. O alerta aparece na tela, os indicadores mudam de cor e os relatórios são gerados automaticamente.
Mas o que acontece depois?
Em muitos casos, nada.
Quando o alerta não vira manutenção
A jornada entre a identificação de uma possível falha e a execução da manutenção ainda depende de processos manuais em grande parte das indústrias.
O sistema detecta uma anomalia.Um analista precisa visualizar o alerta.Alguém precisa avaliar sua relevância.
Depois é necessário abrir uma solicitação, aprovar a atividade, programar recursos e emitir uma ordem de serviço.
Esse caminho pode consumir horas ou até dias — justamente o período em que a intervenção preventiva teria maior valor.
O resultado é conhecido: alertas ignorados, oportunidades perdidas e falhas que poderiam ter sido evitadas.
A nova fronteira da manutenção inteligente
Por isso, especialistas começam a defender uma nova abordagem para a manutenção preditiva.
Em vez de focar exclusivamente nos modelos de inteligência artificial, o foco passa para a integração entre os sistemas industriais.
A lógica é simples: quando uma condição crítica é identificada, a informação deve fluir automaticamente para os sistemas responsáveis pela execução da manutenção.
Nesse modelo, a detecção deixa de ser apenas um evento informativo e passa a fazer parte de um fluxo operacional estruturado.
Integração passa a ser fator estratégico
A evolução da manutenção industrial não depende apenas de sensores mais sofisticados ou algoritmos mais precisos.
Ela depende da capacidade de conectar diferentes camadas da operação:
• Monitoramento em tempo real;
• Sistemas de manutenção;
• Gestão de ativos;
• Planejamento de recursos;
• Equipes de campo.
Quando esses elementos trabalham de forma integrada, o tempo entre a detecção e a resposta tende a cair significativamente.
Mais importante ainda: a organização cria um histórico confiável que permite avaliar se os alertas gerados realmente resultaram em ações corretivas e quais foram seus resultados.
Da análise para a execução
A transformação digital da indústria está entrando em uma nova fase.
Nos últimos anos, o foco esteve na coleta de dados.Agora, o desafio é operacionalizar esses dados.
As empresas que conseguirem conectar inteligência artificial, manutenção e execução operacional terão condições de capturar ganhos muito maiores do que aquelas que utilizam a tecnologia apenas como ferramenta de monitoramento.
No futuro da manutenção industrial, prever falhas continuará sendo importante.Mas a vantagem competitiva estará cada vez mais na capacidade de agir antes que elas aconteçam.
Produzido a partir da cana-de-açúcar, o polietileno de base biológica I’m green™ da Braskem está se consolidando como uma solução estratégica para empresas que buscam reduzir sua pegada de carbono sem comprometer o desempenho técnico. O material substitui a matéria-prima fóssil pelo bioetanol, que é convertido em bioetileno e, em seguida, polimerizado em biopolietileno, mantendo as mesmas propriedades do plástico convencional.
Ao longo de 15 anos de produção, o polietileno de base biológica I’m green™ contribuiu para evitar volumes significativos de emissões equivalentes de CO₂ quando comparado às alternativas de base fóssil. Esse impacto se torna particularmente relevante em grande escala, especialmente em um contexto de crescente pressão regulatória e metas corporativas de descarbonização.
Na prática, o polietileno de base biológica I’m green™ funciona como uma solução drop-in, o que significa que pode substituir diretamente o polietileno convencional. Suas propriedades mecânicas, processabilidade e reciclabilidade permanecem inalteradas, permitindo a adoção imediata pela indústria sem a necessidade de ajustes em equipamentos ou processos.
O portfólio inclui cerca de 25 tipos nas famílias de HDPE (polietileno de alta densidade), LDPE (polietileno de baixa densidade), LLDPE (polietileno linear de baixa densidade) e EVA. Essas soluções atendem a aplicações como embalagens flexíveis, garrafas, tubos, filmes, peças moldadas por injeção, artigos esportivos e brinquedos. No final de seu ciclo de vida, o material é totalmente reciclável dentro do fluxo convencional de reciclagem de polietileno, reforçando seu alinhamento com os princípios da economia circular.
O polietileno de base biológica I’m green™ se posiciona como uma solução prática para acelerar a transição para embalagens mais sustentáveis, sem comprometer a eficiência industrial. #Braskem #Imgreen #Sustentabilidade #Polietileno
A promulgação do Decreto Federal nº 12.688, em 21 de outubro de 2025, emerge como um divisor de águas na política brasileira de gestão de resíduos sólidos, especificamente no que tange às embalagens de plástico. Ao regulamentar a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o Decreto não apenas institui o sistema de logística reversa para esses materiais, mas também estabelece um arcabouço normativo robusto para sua estruturação, implementação e operacionalização, abrangendo todo o ciclo de vida do produto, devidamente alinhado a preceitos da economia circular.
Nesse sentido, estão sujeitos à observância dessa norma os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de produtos comercializados produtos comercializados em embalagens de plástico e de embalagens de plástico.
O escopo do Decreto engloba embalagens primárias, secundárias e terciárias, além de produtos de plástico equiparáveis, como pratos, copos e talheres contidos na fração seca dos resíduos sólidos urbanos. É vital notar que certas categorias são excluídas, como embalagens de produtos regulamentados por decretos específicos (nº 10.240, de 2020 – eletrônicos de uso doméstico e 10.388, de 2020 – medicamentos de uso humano), sistemas de logística reversa de agrotóxicos ou óleos lubrificantes, e embalagens mistas que contenham papel ou papelão em sua composição.
Uma característica distintiva e socialmente relevante do diploma legal é a priorização das cooperativas, associações e outras formas de organização popular de catadoras e catadores de materiais e recicláveis em todas as etapas do sistema, reconhecendo seu papel fundamental na cadeia de reciclagem e promovendo a inclusão socioeconômica.
Os objetivos do sistema de logística reversa de embalagens de plástico são múltiplos e interconectados, visando aprimorar a infraestrutura de recolhimento, promover o aproveitamento das embalagens pelas cadeias produtivas (seja a original ou outras), incentivar o uso de insumos com menor impacto ambiental e estimular a utilização de embalagens com maior potencial de reutilização e reciclabilidade. Adicionalmente, busca-se fomentar o desenvolvimento de mercados para produtos reciclados, fortalecer a atuação de catadoras e catadores, promover a educação ambiental e, crucialmente, incentivar a adoção de modelos produtivos que concretizem a economia circular.
O Decreto oferece flexibilidade quanto aos modelos de operação, permitindo que as empresas optem entre um modelo individual ou coletivo. No modelo individual, a empresa é diretamente responsável por estruturar seu sistema. Já no modelo coletivo, a gestão é feita por uma entidade gestora habilitada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), abrangendo um conjunto de empresas aderentes. Essa entidade assume uma série de responsabilidades, incluindo a implementação e operacionalização da logística
reversa, a verificação da eficiência, o desenvolvimento de planos de comunicação e educação ambiental, e a declaração de resultados demonstrando o cumprimento das metas.
No cerne do regulamento e como ponto de especial atenção residem as metas. Nas metas de índice de recuperação são estabelecidos percentuais mínimos regionais e nacional para o índice de recuperação de embalagens de plástico, calculados como a razão entre a massa de embalagens coletadas e destinadas ambientalmente adequadamente sobre a massa de embalagens colocadas no mercado anualmente. Estas metas são progressivas, estendendo-se de 2026 a 2040, com valores que variam entre as regiões (e.g., Norte com 2,15% em 2026 e Sudeste com 15,63% no mesmo ano), culminando em uma meta nacional de 50,00% em 2040. A responsabilidade dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes é apurada de forma proporcional à massa de plástico que cada um colocou no mercado. Além disso, o Decreto incentiva o uso de embalagens retornáveis: para cada 5% de embalagens retornáveis coletadas, a meta de recuperação será reduzida em 1%, até o limite de 50% da meta.
Já nas metas de conteúdo reciclado são definidos percentuais mínimos nacionais para o índice de conteúdo reciclado incorporado às embalagens de plástico, ou seja, a razão entre a massa de matéria-prima reciclada incorporada e a massa total do produto ou embalagem colocada no mercado. Estas metas são atribuídas a fabricantes e importadores, também com progressão anual de 2026 (22%) a 2040 (40%). É importante destacar que a obrigatoriedade de cumprimento para empresas de grande porte inicia em janeiro de 2026, enquanto para as de pequeno e médio porte, em julho de 2026, concedendo um período de adaptação para as empresas de menor porte. A comprovação do atendimento a essas metas será preferencialmente por plataforma de rastreabilidade do conteúdo de material, que no caso é o Recircula Brasil, iniciativa da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) em parceria com a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).
Importante ressaltar que a conformidade e a rastreabilidade de resultados, metas e notas fiscais eletrônicas de comercialização de resíduos, embalagens e materiais recicláveis continuam a ser realizadas por verificador de resultados, também habilitado pelo MMA, a exemplo do pioneiro verificador Central de Custódia.
Vale anotar, ainda, que a operacionalização do sistema de logística reversa prevê soluções integradas, como pontos de entrega voluntária (PEVs), coleta seletiva (com participação prioritária de catadores), pontos de beneficiamento e unidades de triagem, além da comercialização de embalagens pós-consumo e da utilização de certificados de reciclagem.
Com efeito, para os importadores, as consequências do descumprimento da logística reversa podem atingir diretamente sua capacidade de operar no mercado, pois as autoridades competentes podem submeter a licenciamento de importação operações de comércio exterior realizadas por importadores de
produtos comercializados em embalagens de plástico com indícios de violação do Decreto. Esta é uma ferramenta importante para garantir isonomia, pois impede a entrada de produtos no país até que as obrigações sejam atendidas, especialmente as metas de índice de recuperação e de conteúdo mínimo reciclado.
Por fim, a eficácia de qualquer arcabouço regulatório reside não apenas na clareza de suas disposições, mas também na robustez de seus mecanismos de fiscalização e punição. O Decreto nº 12.688, de 2025, não se esquiva dessa realidade e estabelece um quadro claro de riscos e penalidades para o não cumprimento das obrigações impostas, prevendo, inclusive, a aplicação da Lei de Crimes Ambientais, além do cancelamento da habilitação da entidade gestora pelo MMA em caso de não cumprimento das disposições relacionadas ao sistema de logística reversa de embalagens de plástico.
*Fabricio Soler é professor, advogado, sócio da S2F Partners e consultor da ONU.
Felipe Pedrazzi* *Biólogo, mestre e doutor em Geociências e Meio Ambiente; conta com mais de 20 anos de projetos ambientais e 15 anos de experiência em compostagem; é fundador de diversas iniciativas no setor e atual presidente da Associação Brasileira de Compostagem (AB|Compostagem).
Por Felipe Pedrazzi*
Recentemente, tive a oportunidade de representar a Associação Brasileira de Compostagem (AB|Compostagem) em evento realizado pelo Conecta Verde, um evento crucial para o debate sobre o futuro das embalagens sustentáveis. A minha participação teve um objetivo claro: ressaltar que a aproximação entre o setor de bioembalagens e o setor de compostagem não é apenas desejável, é vital.
A mensagem que levei é direta: o mercado de bioembalagens não existe sem unidades de compostagem operantes e eficientes. Afinal de contas, de nada adianta desenvolvermos materiais inovadores se não houver um destino final adequado que feche o ciclo de forma segura e ambientalmente correta.
O Desafio do greenwashing e a importância das certificações Vivemos um momento de expansão de produtos ditos “verdes”, mas isso traz consigo o risco do greenwashing. Termos como “biodegradável” são frequentemente usados de forma vaga. Precisamos entender que fragmentação não é decomposição e que o desaparecimento visual de uma embalagem não significa que ela se tornou adubo de qualidade. Pior ainda são os chamados oxibiodegradáveis, que não são compostáveis e geram microplásticos.
Para evitar que “produtos falsos” cheguem às nossas usinas, a exigência de certificações internacionais validadas, como a BPI e a TÜV Austria (selos OK Compost), é o ponto de partida. Essas certificações garantem que a embalagem irá se degradar nas condições específicas de tempo e temperatura de uma compostagem industrial.
Contudo, o Brasil precisa avançar para a soberania normativa. A reciclagem de resíduos sólidos orgânicos urbanos só se consolidará com um mercado firme, sustentado por um organismo certificador nacional, validado internacionalmente, que aprove produtos adaptados à nossa realidade tropical e operacional.
Usinas de compostagem: receptores passivos de problemas? Atualmente, as usinas de compostagem atuam muitas vezes como receptores passivos de problemas de normalização de produtos. Recebemos contaminações físicas visíveis, como plásticos convencionais e vidros, mas também enfrentamos ameaças invisíveis e químicas.
Aqui, chamo a atenção para os PFAS (substâncias per e polifluoroalquil), conhecidos como “químicos eternos”. Presentes em muitas embalagens de papel para repelir gordura e água (inclusive algumas vendidas como compostáveis), esses químicos não se degradam. Pelo contrário, sua concentração pode aumentar durante o processo, contaminando o composto final, lixiviando para águas subterrâneas e sendo absorvidos pelas plantas.
O objetivo final: qualidade para o solo e segurança alimentar Não podemos perder de vista o propósito da nossa atividade. A compostagem não é apenas sobre “livrar-se” do lixo; é sobre produzir solo.
O mercado do composto orgânico depende de um produto de extrema qualidade para retornar às lavouras. É esse composto limpo e rico que permitirá a produção de alimentos saudáveis e nutricionalmente concentrados, fechando o ciclo da matéria orgânica com segurança.
Portanto, o setor de bioembalagens precisa entender que seu sucesso está atrelado à viabilidade das unidades de compostagem. Precisamos banir o greenwashing e os produtos falsos, investir em P&D e garantir que o que entra na usina seja, de fato, nutriente para o solo, e não contaminante.
O Blog Industrial acompanha a movimentação do setor de bens de capital no Brasil e no exterior, trazendo tendências, novidades, opiniões e análises sobre a influência econômica e política no segmento. Este espaço é um subproduto da revista e do site P&S, e do portal Radar Industrial, todos editados pela redação da Editora Banas.
TATIANA GOMES
Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.
NARA FARIA
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.